Energias limpas: tanto, e tão pouco…

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Consciência social e avanços tecnológicos ampliam, em todo o mundo, uso do sol e ventos, na geração de eletricidade. Mas é preciso fazer muito mais, alerta novo relatório

Uma notícia ótima, outra muito preocupante. Primeiro: um estudo da Agência Internacional de Energia (IEA), divulgado hoje (17/4) voltou a apontar rápido crescimento na geração de energia a partir de fontes limpas. Entre 2011 e 2012, a produção de eletricidade a partir de células solares cresceu 21%; e a geração eólica, 12%.

O avanço foi motivado por avanços tecnológicos que reduziram o preço das fontes limpas, e principalmente pela consciência sobre os riscos do aquecimento global. Países como China, Índia e Brasil, destaca a agência, introduziram com velocidade as novas fontes. A China tornou-se líder mundial na geração limpa. No Brasil, a Associação Brasileira de Energia eólica acaba de informar que a capacidade instalada das usinas de vento cresceu 73% no ano — embora elas ainda sejam responsáveis por apenas 2% da eletricidade total produzida.

A notícia alarmante está no próprio relatório da AIEA. O esforço feito nos últimos anos em favor das fontes renováveis é extremamente bem-vindo — mas muito insuficiente para reverter as tendências anteriores. É que, ao mesmo tempo em que sol e vento ampliaram sua participação, muito mais energia passou a ser gerada a partir do carvão. Entre 2000 e 2013, devido ao encarecimento do petróleo, usinas a carvão — as que mais produzem gases do efeito-estufa — geraram 45% mais energia, em todo o mundo. Foi suficiente para neutralizar as conquistas da eletricidade limpa, lamentou Maria van den Hoeven, a diretora-executiva da IEA.

Para alcançar avanços reais, será preciso restringir progressivamente o uso do carvão e petróleo acelerar ainda mais o uso dos ventos e sol. Infelizmente, as políticas “de austeridade” têm prejudicado o esforço. O The Guardian informa hoje que, devido a cortes de subsídios que estimulavam a conversão para fontes limpas, principalmente na Europa, os investimentos em energia solar e eólica caíram, no primeiro trimestre de 2012, para o patamar mais baixo nos últimos quatro anos.

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