A caminho da Copa: o trator que só passa

Se havia ainda gente que desconhecia o fato, aí está um curta produzido pelo Instituto Pólis que escancara episódios repetitivos de remoções compulsórias, à serviço somente do capital e da vitrine global

A Caminho da Copa – Versão completa from Fulô Filmes on Vimeo.

(Produção Executiva e Direção: Carolina Caffé e Florence Rodrigues)

Por Bruna Bernacchio

A Copa vai passar. Para isso, alguns meses antes, as casas do entorno dos estádios são invadidas por funcionários públicos, medidas, marcadas com números e registradas em fotografia sem permissão. Assim mesmo, no estilo nazi. Seus moradores (inclusive que possuem a concessão de suas casas) são obrigados a assinar papéis. Ou, às vezes, nem isso: de repente, chega o trator. Quem resiste, leva bomba, inclusive as crianças.

Um território que de repente se torna valioso – e disputado por diversos atores. Onde quem ganha, claro, são os acionistas e os grandes consumidores. Onde quem manda, às escondidas, é a FIFA. O governo assente. E maqueia suas políticas, pra ele mesmo olhar orgulhoso do que vê no espelho.

“Nós nunca tivemos tantos programa habitacional como tem hoje no Brasil”, dizem eles. Ignorando a grande diferença entre uma política industrial de produção de casas e uma política habitacional. “Do ponto de vista dos direitos humanos, a moradia é uma porta de entrada dos outros direitos”, explica no média Raquel Rolnik, urbanista, professora da FAU-USP e relatora da ONU para o direito à moradia. Outro entrevistado, Carlos Vainer, economista, sociólogo e docente da UFRJ, diz: impossível exatidão, mas já são mais de 80 mil pessoas removidas.

O trator chega, leva a porta, a janela, a parede e todo o resto. Junto, leva também todas as conquistas, os sonhos e os poucos direitos humanos daquela nossa gente. Sem avisar. O motivo? Simples, é o jeito mais barato.

A Copa vai passar. E o que o vai deixar?

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