Kátia Abreu volta ao Senado sob aplauso da base de Temer

Ministra de Dilma foi recebida com mesura pelos tucanos Aloysio Nunes e Antonio Anastasia, relator do impeachment; pais de ministros também a elogiaram

Por Alceu Luís Castilho (@deolhonoagro*)

De volta ao senado, após 1 ano e quatro meses, Kátia Abreu (PMDB-TO) ganhou nesta semana fartos elogios de senadores que votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff. Aloysio Nunes (PSDB-SP), produtor de látex em São Paulo, disse que teve seus pleitos atendidos por ela. Garibaldi Alves (PMDB-RN), Fernando Bezerra (PSB-PE), Ana Amélia (PP-RS), Waldemir Moka (PMDB-RS) e o relator do processo de impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), participaram do beija-mão.

Bezerra e Alves são pais de deputados que foram nomeados ministros pelo interino Michel Temer: Fernando Filho, da Integração Nacional, e Henrique Eduardo Alves, do Turismo. Valdir Raupp (PMDB-RO) disse que ela foi uma ministra “completa”. “Todas as regiões estão satisfeitas. Blairo Maggi assume um ministério redondo”, afirmou. “Vossa Excelência revolucionou aquela pasta”, arriscou Anastasia.

Kátia Abreu disse que o novo ministro, ao assumir, afirmou que gostou muito de seu trabalho. O suplente do senador e sojeiro Blairo Maggi, Cidinho Santos (PR-MT), também fez coro aos elogios. Ele é dono de um frigorífico no Mato Grosso, investigado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado.

Da base governista, apenas Telmário Mota (PDT-RR) e Humberto Costa (PT-PE) participaram da sessão de salamaleques. Marta Suplicy (PMDB-SP), que foi ministra da Cultura de Dilma Rousseff, até pouco tempo estava do lado deles. Ela afirmou que o trabalho de Kátia Abreu foi “espetacular”, “de excelência”, e que ela fez falta na bancada feminina do Senado.

‘COMBATI CORPORAÇÕES’

Em discurso no plenário, na quarta-feira, a ex-ministra defendeu Dilma. “Fiz e faria tudo de novo, pois eu sei o que essa mulher fez pelo setor e seria incapaz de virar-lhe as costas neste momento. No futuro vão reconhecer o que agronegócio foi nestes cinco anos. O Ministério da Agricultura voltou a ser um ministério de primeiro escalão nesse governo”.

Kátia disse que, em sua gestão, enfrentou corporações. Embora não tenha especificado quais. Segundo ela, a presidente afastada Dilma Rousseff disse, ao nomeá-la, que a pasta precisava ser modernizada. Pois sua estrutura estava envelhecida. “Quebre paradigmas, enfrente corporações e modernize o Ministério da Agricultura”.

Kátia disse que, ao assumir, encontrou 4.936 processos na gaveta desde 2006. E que, tratando o ministério como uma empresa privada, limpou 80% da gaveta. (Ou seja, o Mapa tem ainda mil processos parados há dez anos.)

A senadora exaltou o aumento das exportações e a habilitação de 242 empresas de bovinos, 221 empresas de aves e suínos e 30 empresas de lácteos. A consequência, diz ela, é que, em março de 2016, “52,2% de tudo o que este país exportou veio do agronegócio, com um recorde histórico”.

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Opinião:

Na Agricultura, continuidade

A senadora Kátia Abreu vê o setor agrícola como algo apenas comercial. Ela não fala em nenhum momento de segurança alimentar. Apenas de “defesa agropecuária”, preocupada com a credibilidade das exportações. Discorre sobre modernização de gestão enquanto comemora a dependência do Brasil em relação a um modelo de exportação de commodities. Limpou gavetas abertas para poucos. Não à toa foi afagada por senadores que participaram ativamente da derrubada de Dilma. No caso específico do Mapa, o que haverá é continuidade. Como sempre. (A.L.C.)

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Um comentario para "Kátia Abreu volta ao Senado sob aplauso da base de Temer"

  1. Carlos Roberto Braga do Carmo disse:

    A maioria dos senadores elogiaram a conduta da senadora Kátia Abreu. É um reconhecimento pelo seu trabalho, pois com sua pertinácia conseguiu abrir horizontes do agronegócio no mundo inteiro, além de deixar criado o maior programa de fronteira agrícola do Brasil: o MATOPIPA. É também a redenção de uma região mais abandonado do Brasil. O Estado do Tocantins, especialmente a minha pessoa, temos orgulho de tê-la como representante no Congresso Nacional;

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