A estranha invasão da Unesp em Marília

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Assembleia no campus da Unesp-Marília, há um ano. Policiais parecem interessados em evitar mobilizações como esta

PMs entram no campus, intimidam, insultam e destroem cartazes durante assembleia estudantil. Diante da resistência, retrocedem

Um texto da Diretoria Central da Adunesp

Em meio a uma grave conjuntura política nacional de ataques contra os direitos democráticos assegurados pela Constituição, nas últimas horas do dia 8 de maio, sob o pretexto de estar realizando um patrulhamento ostensivo nas imediações, uma viatura da Polícia Militar invadiu o campus universitário da Unesp de Marília, causando um enorme tumulto envolvendo estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes, que estavam ali presentes. De modo absolutamente intimidador, os policiais dirigiram insultos de caráter político-ideológico contra os docentes que tentavam mediar a situação. Por diversas vezes ameaçaram prender estudantes reunidos em razão de uma assembleia, sob o pretexto de estarem fazendo uso de entorpecentes. Cartazes chegaram a ser destruídos pelos policiais, segundo relatos de estudantes.

O reforço de uma segunda viatura chegou a ser acionado. Indagados sobre a ausência de qualquer solicitação formal realizada pela direção da unidade, afirmaram repetidas vezes, e diante da figura do próprio diretor da unidade, que poderiam adentrar o espaço da universidade quando bem entendessem. Sob a alegação de estarem cumprindo ordens de uma instância superior, os policiais recusavam-se intransigentemente a se retirar do local, ainda que inexistisse, naquele momento, motivo algum para a sua presença no Campus. Sob forte manifestação dos estudantes, os policiais impunham como condição para a retirada da viatura o silenciamento dos gritos de protesto e a dispersão dos manifestantes, o que evidentemente não aconteceu. Continuar lendo

TEXTO-FIM

A que se presta o Ministério Público

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Sadismo? Bajulação ilimitada do poder? Repressão da PM cega estudante. Promotor de SP, ao invés de apurar violência policial, quer investigar universidade que prestou apoio a sua aluna

Por Igor Fuser | Imagem: Juan Bautista Maino, A recaptura da Bahia de Todos os Santos (1635, detalhe)

Um abaixo-assinado em solidariedade à Universidade Federal do ABC (UFABC) está circulando desde ontem (18/10), Intitula-se “Em defesa da democracia, da tolerância”. Já recebeu centenas de adesões. A UFABC foi “denunciada” ao Ministério Público por ter prestado ajuda à estudante Deborah Fabri, aluna dessa universidade, de 19 anos de idade, que perdeu a visão de um olho ao ser atingida por uma bomba durante a brutal repressão policial a manifestantes que protestavam contra o golpe, em São Paulo, em 31 de agosto, a noite da deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Ao tomarem conhecimento da dolorosa situação de Deborah, gestores da UFABC empenharam-se em prestar toda a ajuda possível à jovem e aos seus familiares, que viajaram imediatamente do interior de Minas Gerais para São Paulo. Como ela já estava hospitalizada e recebia atendimento médico adequado, na prática essa ajuda se limitou a duas iniciativas: 1) providenciar um carro que levou os pais de Deborah da rodoviária ao hospital; 2) enviar um profissional integrante do quadro de servidores da UFABC, que manteve contato com a estudante com a finalidade de lhe prestar apoio psicológico. No total, a despesa com esses procedimentos foi calculada em R$ 14,00 (catorze reais), referentes ao combustível consumido pelos carros da universidade nesses trajetos. Continuar lendo

Juristas reagem à criminalização das lutas sociais

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Tropa de choque da PM paulista agride professora, gratuitamente: um símbolo da tentativa de eliminar liberdades

Documento encabeçado por Fábio Konder Comparato demonstra: prisões em SP ferem liberdades civis, repetem métodos da ditadura e ameaçam a própria Constituição de 1988

Manifesto de Juristas contra a Criminalização das Lutas Sociais

É com imensa perplexidade que se divisa o recrudescimento da repressão e das tentativas de criminalização das lutas sociais pelos poderes instituídos.

Desde junho do ano passado, quando as grandes manifestações se multiplicaram a partir da luta contra o aumento da tarifa, observa-se que, longe de responder às reivindicações com propostas de concretização de direitos sociais, os agentes do Poder Público têm respondido com violência e tentativas abusivas de criminalização de ativistas. Continuar lendo

Polícias Militares: estamos alimentando um monstro

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Sucessão de atos violentos e arbitrários, praticados em todo o país, sugere que PMs estão se convertendo em ameaça grave à democracia

Por Renato Xavier dos Santos

Ao assistir ao vídeo da prisão do estudante da USP, Fábio Hideki, e refletir sobre os acontecimentos que envolvem polícia e manifestantes nos últimos meses, chego à seguinte conclusão: o estado, nesse caso de São Paulo, perdeu totalmente o controle. Vivemos sob a égide de uma força policial totalmente despreparada e antidemocrática — deslocada da realidade, da comunidade, aquartelados — tanto a militar quanto a civil.

Uma polícia que está, sim, preparada para destruir, aniquilar e não para proteger os direitos do cidadão que, embora muitas vezes não coadunem com a nossa vontade, é pressuposto básico da democracia. Se valendo da ideia de Nietzsche: a democracia é raríssimas vezes a soma da nossa vontade mais a vontade da maioria. No mais, impera quase sempre as “vontades antagônicas”. E o que fazer quando o nosso desejo não é o desejo da maioria? Continuar lendo

A noite em que lembramos o que restou da ditadura

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No Rio, grupo Tortura Nunca Mais relembra, entre outros, Amarildo e os guaranis, para frisar que violência contra pobres e desigualdade brutal persistem

Por Arlindenor Pedro

O dia 1º de abril deste ano foi um dia singular. Em todos o país, inúmeras manifestações, organizadas por um vasto leque de entidades, marcaram os cinquenta anos da deposição do presidente eleito João Goulart em 1964. Foram palestras, debates, atos culturais e políticos, marchas e comícios em praças públicas, mostrando de forma incisiva e criativa que a sociedade brasileira não quer esquecer o que ocorreu naquela data, quando o país mergulhou na mais sangrenta ditadura da sua história.

Este clima de comoção havia se iniciado dias antes, nas redes sociais. Internautas substituíram seus avatares por figuras de desaparecidos e mortos pela ditadura. Filhos fizeram homenagens a seus pais militantes. Pais choraram seus filhos torturados. Textos, vídeos e músicas relembraram os dias de chumbo do regime militar e trouxeram à tona revelações e novas formas de enfoque sobre a ditadura. O ambiente manteve-se durante dias. Espraiou-se para discursos nos Legislativos, textos na mídia, aulas e seminários nas universidades e escolas. Continuar lendo

Ouvidor da PM apoia desmilitarização

Mais uma voz pela desmilitarização: ouvidor Luiz Gonzaga Dantas (Foto: PCO)

Ouvidor Luiz Gonzaga Dantas (Foto: PCO)

Luiz Gonzaga Dantas critica conduta da corporação e sugere: desmilitarização deve ser adotada como solução para a violência

Por Paulo Motoryn, da Revista Vaidapé

Em conversa com a reportagem da Revista Vaidapé, após debate promovido na PUC, o ouvidor da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Luiz Gonzaga Dantas, revelou que o cargo que ocupa – por ter total independência da corporação – abre a possibilidade de possuir uma visão crítica da atuação policial, de seus defeitos e avanços na relação com os cidadãos.

Responsável por aglutinar todas as reclamações e denúncias feitas contra a Polícia paulista pela sociedade civil e repassá-las ao Governador e ao Secretário de Segurança Pública do Estado – atualmente o promotor Fernando Grella –, Gonzaga admitiu que a truculência, a falta de habilidade no trato com os cidadãos e os altos índices de mortes são os principais pontos a serem destacados na atuação da PM. Continuar lendo

SP: duas vitórias contra violência policial

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Crédito: Fora do Eixo. Clique para mais fotos.

Prefeitura comparece a audiência em que movimentos denunciam massacres. Governo do Estado admite envolvimento da PM em chacina e prende seis soldados

Por Bruna Bernacchio

Dois fatos importantes, ambos nesta quinta-feira (24/1), marcaram a primeira vitória efetiva dos movimentos sociais de São Paulo contra a onda de violência policial que há meses amedronta a cidade. No Capão Redondo, periferia sul da metrópole, autoridades — dois secretários do novo governo municipal — compareceram pela primeira vez a uma audiência pública em que a população denunciou práticas sistemáticas de intimidação, brutalidade e mortes. Horas depois, a secretaria de Segurança do Estado reconheceu que policiais participaram diretamente da execução de sete pessoas, em 5 de janeiro e comunicou a prisão de seis dos envolvidos.

Os secretários Rogério Sottili, dos Direitos Humanos e Netinho de Paula, da Igualdade Racial, além de outros integrantes de prefeitura, ouviram mais de trinta entidades no Capão. Realizada no Parque Santo Dias — cujo nome homenageia um metalúrgico negro morto em piquete de greve pela PM, em 1979 — a audiência chegou a reunir duzentas pessoas. O estopim para convocá-la foi precisamente a chacina do início do ano, ocorrida na mesma região. Vozes até então ignoradas ecoaram. Muitos dos participantes esperavam, por parte dos representantes da prefeitura, uma posição mais ativa contra a violência. Todo o evento foi transmitido ao vivo e gravado pela PósTV, canal livre na internet. O slogan convidativo #NãoMatarásNenhumBrasileiro virou tema destacado no twitter brasileiro. A mídia comercial repercutiu o acontecimento e aparentemente começa a dar a importância à pauta.

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