Sobre golpes e atos falhos

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Eles queriam mesmo era afastar a presidenta. Mas o impiche tão descarado foi, foi se revelando tão deslavado golpe, que de vergonha, tadinhos, se precipitaram a demolir a Constituição

Por Airton Paschoa

Era só esperar 18 que não precisava nem de campanha. A oposição levava por aclamação, e sabia disso. O governo Dilma (reeleito raspando, bom lembrar) caminhava do desastroso pro catastrófico. Então por que o golpe? Demolir a Constituição de 88, sim, mas isso foi pensado a posteriori… até porque o que estão fazendo se podia fazer após a eleição, e com a legitimidade do voto. Medo do Lula? Mas o Lula, na hipótese remota de ganhar depois da catástrofe Dilma e da campanha sistemática de destruição do PT, podia até legitimar a reforma da previdência, da CLT etc., com nova epístola ao povo brasileiro.

O golpe, na verdade, sucesso à parte, foi um grande ato falho. Talvez o maior da nossa história, o mais revelador. Eles só queriam afastar uma presidenta empedernida, politicamente inábil. E, não podendo esperar, pedalaram um impiche. Mas o impiche tão descarado foi, foi se revelando tão deslavado golpe, que de vergonha, tadinhos, se precipitaram a demolir a “Cidadã”.

Então iam admitir a incapacidade congênita de conviver com a democracia? Eis o ato falho histórico. Não queriam nada disso, civilizados que são, e sempre foram, aliás, com a ideia sempre no lugar. Por isso os compreendo, e tenho até pena deles. O que não faz a vergonha! Não era nada disso, nada disso…

TEXTO-FIM

2 ideias sobre “Sobre golpes e atos falhos

  1. Zeitgeist. “Cultura é tudo aquilo que o homem faz, pensa ou sente enquanto membro de um grupo”. Moema Toscano. Assim é o Brasil. Tout court

  2. A promiscuidade / privado. Herança cultural.

    “Um conhecido inimigo do republicanismo no Brasil parece ser a velha estrutura oligárquica e burocrática secularmente incrustada no Estado.
    Dentre elas, a herança cultural deixada pelas Capitanias Hereditárias, que vigoraram nos séculos XVI e XVIII. Uma vez que, apesar de extintas há mais de duzentos anos, deixaram marcas indeléveis na nossa cultura. Sendo parcialmente responsáveis pela inclusão na cultura brasileira do gosto pelo privilégio e pela aristocracia”. J. P. Peixoto (in Diário do Poder).

    “Poder é como o amor. É mas fácil sentir do que descrevê-lo”

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