ESBOÇO

Por que o “Fora, Temer!” já não basta

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Possível prisão da cúpula do PMDB demonstra: presidente é figura secundária, no cenário caótico que conduziu ao golpe. Para restaurar democracia e evitar o Estado Policial, é preciso propor a Reforma Política

Por Antonio Martins


TEXTO EM CONSTRUÇÃO
O rascunho a seguir é o ponto de partida para uma análise de mais fôlego sobre o cenário político atual. Contribuições e críticas são muito bem-vindas. Faça-as no espaço para comentários do post

Trinta horas depois de revelado o pedido de prisão dos senadores Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá, e do deputado Eduardo Cunha, ainda é impossível saber a que interesses serviu o vazamento. Aos do Procurador Geral da República (PGR), que quer tirar de cena a cúpula do PMDB e procurou expô-la à execração pública? Ou, ao contrário, aos próprios dirigentes do partido, interessados em amedrontar a casta política para mobilizar sua solidariedade contra Rodrigo Janot?

Seja qual for a resposta, algo muito relevante emergiu. A ousadia dos pedidos de prisão indica que o terremoto político iniciado pela Operação Lava Jato pode estar muito longe do final. Janot – ao que tudo indica o mentor e coordenador [texto Nassif] dos juízes e procuradores de Curitiba – atinge agora o núcleo central do governo Temer e do PMDB. Talvez também esteja por trás dos vazamentos muito recentes que comprometem o próprio governo FHC e fustigam, portanto, a oposição mais claramente identificada com o neoliberalismo. Se enfrenta tantos oponentes, investindo de maneira inédita contra o Palácio do Planalto e o comando do Legislativo, duas conclusões se impõem.

Primeiro, seu objetivo vai além da derrubada da Dilma e do PT – ao contrário do que muitas vezes pensamos. Segundo, ele tem cacife para tal batalha. Provavelmente, armou-se com as delações dos dirigentes de empreiteiras, dos publicitários que fizeram a campanha da presidente eleita, de ex-diretores da Petrobras como Sérgio Mendonça. Com tal munição, e diante de um sistema político em frangalhos, converteu-se no principal pólo de poder da República. Esta condição exige rever o cenário político, enxergando-o em outra profundeza.

Por mais graves que sejam, o afastamento de Dilma e a posse ilegítima de Temer já não ocupam o centro da conjuntura. Está em curso um processo que questiona todo o arcabouço institucional, como hoje o conhecemos. Não é, necessariamente, má notícia. Mas se não formos capazes de responder a esta crise no nível de radicalidade que ela requer, estamos arriscados a retrocessos que ameaçam muito mais que um mandato vacilante. No ponto em que está, o colapso da política institucional não aceita respostas que se limitem a fórmulas como “Fora Temer” ou “Volta, Dilma”. Só haverá chances de um desfecho positivo se encararmos o desafio de uma Reforma Política radical – e, portanto, de negar e superar as estruturas e práticas a que a esquerda se acostumou, nos últimos treze anos.

(continua)

TEXTO-FIM

5 ideias sobre “Por que o “Fora, Temer!” já não basta

  1. Qualquer pedido da PGR envolvendo coerção tem peso claro na opinião pública. Desse viés os movimentos do PGR começarão a fazer o sentido que querem induzir-nos a perceber – o de combate à corrupção – quando ou se pipocarem as medidas coercitivas sobre o PSDB. Antes disso e apesar de todos os nomes mencionados de tucanos (sem que andem sequer um passo as investigações deles) esses movimentos continuarão insinuando partidarismo e limpeza da área para a ‘rentrée’ do pessedebismo. Por motivos óbvios a população continua apostando no Lula, a despeito de também o rejeitar e de compactuar com a demonização do PT e do petismo – o que de algum modo isola o ex-presidente, além de lhe conferir poderes perigosos. Uma área suficiente limpa para o PSDB não pode ter Lula e talvez por isso o PGR tenha feito o que lhe parece necessário para envolver o petista, ainda que ao custo de momes de peso.

    Quanto a ações e posições nossas, é preciso primeiro expurgar o País da imprensa desinformadora para tirar o povo do delírio e levá-lo às ruas. Aí, tudo muda. Já está pegando a ideia de que é preferível uma dura austeridade, à argentina, a um desmanche como o venezuelano – e isso é perigosíssimo (em todos os sentidos!).

    E antes de reforma política – ainda que as batalhas se travem simultaneamente – temos de fazer cumprir a Constituição, antes de mais com a regulamentação da participação popular (faceta direta de nossa democracia) e com o fim da sofística econômica sobre previdência, saúde e educação, além das questões envolvendo terra. Sem a PP regulada só poderemos assistir a mais um ato tragicômico do parlamento.

  2. Concordo com o comentário de e soares. É a CIA e outras organizações de espionagem americanas a serviço do grande capital daquele país. A questão, a meu ver, é que o Brasil não é o agente mas o paciente de uma ação, como num reflexo no espelho. Nossa situação interna, em parte, é o reflexo do desordenamento internacional generalizado inclusive com graves ameaças de uma terceira guerra mundial. Os EUA perderam boa parte da hegemonia sobre o petróleo internacional quando os países produtores nacionalizaram o produto – ao contrário do que querem fazer aqui. Quem sustenta a economia americana é o petrodólar e só se sustenta se todo o planeta utilizá-lo para trocas comerciais. Com o petróleo passando para as mãos de Estados autônomos e a criação dos BRICS como alternativa comercial, financeira e política à política imperialista do Consenso de Washington, eles estão correndo contra o tempo para não perderem seu status quo antes do tempo. Para isto, começaram a campanha de difamação da Rússia e da China, inclusive com provocações militares, e do enfraquecimento político e econômico do Brasil. A África do Sul também sofre com uma campanha cerrada contra seu governo. Eu diria que é uma tentativa desesperada de fazer mudanças no mundo para que tudo permaneça exatamente igual – para eles e o Brasil, neste aspecto é vital por ser historicamente um grande fornecedor de matérias-primas, produtos agro-pecuários e por fim o petróleo do pré-sal. Mas, o mais assustador, a meu ver, é saber que não é nem a classe política americana a maior culpada pela situação. Os irmãos Koch, judeus ultra bilhardários que detêm uma parte do monopólio do petróleo nos EUA e uma fortuna de muitos bilhões de dólares, logo após a eleição de Obama e insatisfeitos com o resultado, resolveram criar uma organização onde é gestada uma espécie de agenda governametal paralela ao governo oficial. Idealizadores do Tea Party, a facção mais radical e influenciada pelo fundamentalismo neopentecostal e composto somente por milionários, o Tea Party funcionou como uma espécie de porta-voz das idéias mais retrógradas da extrema direita do partido republicano. Paralelamente, os irmãos Koch fizeram seu plano andar através de suas fundações que agregam professores e alunos das maiores universidades e todo tipo de personalidade pública que lhes possa interessar ao cooptá-los e catequisá-los com suas ideologias ultra liberais, exclusivistas e classistas baseadas num emaranhado de misoginia, racismo, falsa meritocracia, descalabros teológicos e uma completa manipulação de dados históricos e sociológicos para dar algum tom de veracidade ao seu discurso. Lobbies judaicos são por demais conhecidos no Congresso americano. O mais importante deles é a AIPAC, a organização judaico-sionista mas forte e influente mas há outras. É a mesma organização que está por trás do convite feito a Jean Wyllys para visitar Israel há alguns meses para discursar sobre direitos humanos mas que na verdade é uma tentativa de cooptar militantes dos direitos humanos para a causa sionista e anti-palestina. O dinheiro dos irmãos Koch – e isto já não é segredo para ninguém – financiou em boa parte as “demonstrações espontâneas” contra a corrupção no Brasil desde 2013 e toda a grande mobilização que culminou no impeachment da presidenta Dilma. Além de uma simples troca de presidentes há um grande interesse nestes grupos de recolonizar áreas diversas no mundo para criar possíveis reassentamentos uma vez que Israel já não comporta mais muita gente sem que para isto tenha que se livrar dos Palestinos de uma vez. Há projetos de longa data do grupo sionista internacional em se apossar de terras no sul da América do Sul, o que incluiria partes do território Argentino, Brasileiro, Uruguaio e Paraguaio para criar um novo país que lhes sirva de noa pátria. Algumas esparsas experiências foram feitas na primeira metade do século passado no Brasil, Argentina e Paraguai mas aqui foram barradas por Vargas.
    Então, a meu ver, muito mais do que o petróleo e a dependência do imperialismo yankee, vejo por trás deste golpe a tentativa de criar um novo modelo de nação que em nada teria de um projeto nacionalista e integralista, pelo contrário. Seria uma bem arquitetada manobra para desestabilizar o país de tal maneira que muitas regiões – e isto já acontece com bastante expressividade no sul do Brasil – veriam como única saída se separar do resto do país. Como não há a possibilidde de nenhuma das regiões sobreviver autonomamente, teriam, com o tempo, que recorrer à ajuda internacional e daí se completaria o plano de criação de novos países independentes na teoria mas na prática, seja por endividamento ou dependências as mais distintas, seriam protetorados comandados por um governo externo.

  3. A reforma política só fará sentido se a população se apropriar da democracia. A apropriação da democracia não é o direito ao voto. É a vivência da micropolíica – a vida política da escola do bairro, da unidades de saúde, dos espaços públicos, da vida cultural local. A solução monetária individual para problemas coletivos – se a educação não está boa, eu pago um colégio, se a saúde não está boa, eu pago um convênio de saúde – esvazia a vida pública e nos escraviza; o trabalho se torna cada vez mais central, porqye eu tenho que pagar por serviços que deveriam ser públicos (já que meus impostos deveruam ser destinados a isso).
    Essa retomada do poder e agenciamento na vida política local só pode ser garantida se o Estado cumprir seu papel de provedor de bens e serviços públicos, para o bem-estar da sociedade. O Estado investidor em bem-estar, necessita de recursos para tal. Esses recursos vêm de impostos e do retorno financeiro de empresas estatais. Se as fortunas e os lucros não forem devidamente taxados – como são todos os trabalhadores do país – o Estado investidor em bem-estar não tem como existir. Ele fica refém da barganha do setor privado que suga a estrutura pública por meio de incentivos infinitos, e se mantém usento da responsabilidade socioambiental que ele também deve compartilhar. Uma elite medíocre não contribui para o avanço glibal da sociedade.
    Reforma política, reforma tributária e agenciamento da vida pública local devem caminhar juntos. O problema é que, propor essas reformas, com o elenco do congresso nacional atual é pedir para que essas reformas caminhem na direção contrária ao que foi exposto aqui – afundando ainda mais o país no clientelismo e no coronelismo que hoje está vigebte no país.

  4. Talvez para além das teorias conspirativas esteja apenas um jogo tacanho , de um grupo acostumado à corrupção e golpes sem consequências legais e que levou até às últimas tacadas as manobras para retirar do poder o grupo que lá estava a tanto tempo. Perdeu a mão, não percebeu que o processo todo incluiu gente demais e que já não têm mais controle. Com certeza o “Fora Temer” é vazio agora. A luta é pela Reforma Política , pela mudança de todo sistema. O que no momento é um grande retrocesso pode vir a ser a chance de virar o jogo, sem acomodações.

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