Refugiados árabes vivem experiência singular em São Paulo

Expulsos da Síria, cruzaram fronteiras clandestinamente até desembarcar em Guarulhos. No último sábado, receberam centenas de brasileiros, num edifício ocupado na Liberdade. Videomaker Caio Castor registrou de modo poético

Por Redação

A crise das migrações caóticas comoveu o mundo nas últimas semanas e suas consequências vão se espalhando pelo cotidiano das grandes metrópoles. No Brasil não é diferente: o país abriga atualmente milhares de sírios deslocados pela guerra civil. Tem a dignidade de reconhecê-los: concedeu estatuto oficial de refugiados a 2.077 cidadãos — o que lhes permite documentação, direito ao trabalho, deslocamento por todo o território, acesso ao SUS e à rede de ensino público. O número é maior que o de qualquer país da América ou do Sul da Europa.

Em São Paulo, 51 refugiados árabes vivem uma experiência multicultural notável. Há algumas semanas, eles desistiram de tentar vagas em abrigos públicos e hotéis baratos, e mudaram-se para a Ocupação Leila Khaled. Moram num prédio de nove andares, no bairro da Liberdade. Têm a companhia de famílias brasileiras que lutam pelo direito à Moradia. Estão no local a convite do movimento Terra Livre, que organizou a ocupação e decidiu dar-lhe caráter internacionalista. São apoiados também pelo Movimento Palestina para Todos ([email protected]).

No último sábado, o Leila Khaled ferveu. Centenas de brasileiros solidários à causa e ao drama dos refugiados expressaram seu apoio a eles. Participaram de rodas de relatos, debates, encontros informais. Experimentaram comida árabe com tempero das lutas por um mundo fraterno. Ao final do dia, participaram do lançamento do livro A Origem do Estado IslâmicoReportagem política magistral do jornalista Patrick Cockburn, o livro (Editora Autonomia Literária) revela: a crise dos refugiados é filha das políticas de intervenção do Ocidente no Oriente Médio, que esfacelaram Estados árabes como Síria e Iraque e abriram caminho para a barbárie do Estado Islâmico (ISIS).

Tudo foi registrado pela câmera atenta e sensível do videomaker Caio Castor, novo parceiro de Outras Palavras. Seus vídeos ficaram conhecidos desde as jornadas de Junho de 2013 — quando ficaram claros seu compromisso político, coragem e estética ousada. Desta vez, Castor mostra a vida dos refugiados da Ocupação Leila Khaled, após fugirem da guerra civil, cruzarem o Líbano ilegalmente e conseguirem viajar até Guarulhos, em São Paulo. Entre eles, alguns são refugiados duas vezes: trata-se dos palestinos do campo de Yarmouk. Expulsos de seu país pela criação do Estado de Israel em 1948, abrigaram-se na Síria, de onde foram agora expulsos pela tentativa de criação do Califado Islâmico.

Além de assistir ao vídeo de Caio Castor, há uma forma muito simples de contribuir com o artista. Basta inscrever-se no canal do videomaker no YouTube, para que ele possa monetizar suas visualizações e continuar com o trabalho. Segue na imagem a baixo como fazer:

caioyoutube

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