OCA: Águas e Florestas

Manancial identitário do Brasil, a Amazônia inspirou e inspira grandes músicos brasileiros

Um oceano de verdes copas de árvores riscado por rios serpenteantes de águas escuras é imagem icônica do Brasil. Se mergulhamos neste verde, surgem as imagens multicoloridas de onças pintadas, araras e pacas, guaranás, cupuaçus e castanhas, tantos exemplares da maior biodiversidade do planeta. Uma região que abriga também  dezenas de povos indígenas, falantes de mais de uma centena de línguas.

Colossal e densa, a Amazônia permanece como um manancial identitário do Brasil. Voltar o olhar para ela e dela cuidar significa preservar uma verdadeira reserva de sentidos do país. Nela estão guardados a ancestralidade, a exuberância natural, a riqueza de culturas, o mistério que inspirou e inspira artistas brasileiros.

Um exemplo é o percussionista e compositor Naná Vasconcelos. Em seus concertos, ele convoca o público a vivenciar a hipnotizante sensação do som da chuva sobre o rio Amazonas, e tomar parte dessa imensidão sendo (som de) água que cai ou que corre. O registro a seguir foi feito no Teatro Municipal de São Paulo.

Uma obra emblemática da inspiração amazônica é de Heitor Villa-Lobos. Uma de suas últimas composições, a suíte Floresta do Amazonas, para orquestra sinfônica, coro e soprano, homenageia a floresta, o rio e a cultura popular brasileira. Inicialmente concebida para ser a trilha sonora de um filme de Hollywood, o insucesso da produção cinematográfica o levou a transformar a composição em uma suíte, ou seja, uma série de peças com certa autonomia, mas que podem ser tocada como uma obra total. Igualmente emblemática é a gravação em disco pela lendária soprano Bidu Sayão.

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Duas canções que são parte desta suíte receberam dezenas de gravações em separado, com interpretações de particular brilho por cantores de MPB, como Elizeth Cardoso, Maria Bethania, Zizi Possi, Cida Moreira e Ney Matogrosso, entre tantos outros.

Aqui selecionamos as gravações de Cida Moreira para Canção de Amor e a de Ney Matogrosso para Melodia Sentimental, ambas extraídas da suíte Floresta do Amazonas.

Podemos concluir deixando-nos levar pelo lindo retrato – ou seria um documentário poético-sonoro? – que Dori Caymmi compôs para o Rio Amazonas, movimento constante, denso de lirismo e nostalgia, e que se enriquece a cada momento com novas cores harmônicas.

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