O que vende o MBL?

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Renan Santos e Kim Kataguiri exibem crachás de circulação livre pela Câmara dos Deputados

Visita crítica ao site-loja do “movimento”. Tal como no âmbito do consumismo predatório, não se oferecem produtos, mas status e visibilidade

Por Fran Alavina

Este artigo se divide em dois momentos. No primeiro, que agora apresentamos, se faz a exposição do mundo de sentido histórico, ou melhor, de um momento em que os sentidos históricos são reduzidos, possibilitando o aparecimento de grupos como o MBL (Movimento Brasil Livre): trata-se da lógica da terceirização, que se faz de modo predatório no plano dos afetos políticos, ou seja, da precarização dos liames que sustentam o âmbito político.

a) Os meios e os fins: os filhos diletos da precarização

Em momentos históricos conturbados, nos quais os termos de uma gramática política progressista e de resistência são esgarçados na medida em que são usurpados pelos discursos do retrocesso, torna-se sinuoso e difícil traçar linhas de compreensão, pois tudo parece fora dos limites da razoabilidade. Quanto mais os retrocessos buscam avançar, tudo parece cada vez mais menos razoável: tempos onde o absurdo parece ser a normalidade, exigir razoabilidade soa como desatino. Regido pelo golpismo como forma social difusa, o trágico momento da vida nacional exige um esforço continuado para que se possa entendê-lo. Este esforço para não nos entregarmos à regência do absurdo também exige novidade teórica: novos problemas não são debelados por velhos remédios. Do contrário, continuaremos com “placebos” que além de ineficazes, prejudicam a formação de um bom diagnóstico; e, sem este, não se pode iniciar qualquer bom movimento crítico.

Ora, a criatividade que possibilita a novidade teórica e que pode nos abrir novas vias de compreensão, ao que parece, pode começar em não se prender a limites rígidos entre esferas diferentes. Não se trata tanto de ter medo de misturar, mas de não isolar. “Ecletismos frouxos” são tão ruins quanto “isolacioanismos duros”. Assim, antes que possamos passar ao núcleo deste artigo, a saber, de que o MBL (Movimento Brasil Livre) enquanto organização é a expressão atual mais acabada da precarização do político, isto é, da redução da esfera pública e dos liames coletivos, deve-se compreender o mundo de sentido histórico que possibilita este tipo de organização por meio da relação com o mundo do trabalho, particularmente com a difusão do processo de terceirização. Ao fim veremos que esta organização estruturada segundo a lógica neoliberal atualmente se apresenta como entidade que presta “serviços terceirizados” ao governo: o que, por um lado, demonstra a fraqueza do governo ilegítimo; e, por outro, aponta para o avanço de caracteres fascistas.

Pensando por uma analogia, verossímil e frutífera, relacionando o mundo da política e o mundo do trabalho, tem-se que a “atividade-fim” do poder é continuar ser poder, isto é, manter-se enquanto força de domínio capaz de coagir para realizar a gestão das pessoas e das coisas. Esta gestão pode ser feita de modo multifaceado, e quanto mais, melhor é, pois quanto mais o poder exercer seu mando sem parecer fazer de modo violento, mais se reforça. Trata-se então dos meios pelos quais o poder vigente se utiliza para manter-se enquanto tal. Com efeito, nem todos os meios utilizados podem ser geridos diretamente pelo poder que, por isso, delega parte de suas atividades que, por princípio, é cabível somente a ele.

Delegar poder, ao mesmo tempo em que pode implicar um reforço do poder, pois só delega quem tem autoridade para tal, pode significar também um enfraquecimento, pois desconcentrado se enfraquece, isto é, utilizando meios que não estão mais complemente sob seu domínio, corre o risco de ser sabotado. Assim, sendo o fim do poder continuar ser poder, o meio utilizado para tal não pode enfraquecê-lo, isto é, a “atividade meio” não pode comprometer a “atividade fim”.

Em um primeiro momento, o âmbito político foi sucumbindo ao discurso neoliberal: era a fase em que a máquina pública deu lugar aos privatismos sob a égide da ideologia da gestão eficiente. O Estado assumia perante a “opinião pública” sua incapacidade de gerir atividades que antes se consideravam indelegáveis a terceiros. À medida que cedeu terreno, isto é, delegou atividades, logo delegou poder, se enfraqueceu, de modo que agora delega aspectos institucionais primários, como, por exemplo, o uso público da palavra. A precarização da máquina estatal traz em seu bojo a precarização do político em seu sentido mais amplo: o encolhimento da esfera pública também em seus aspectos simbólicos e afetivos. Por isso, em meados dos anos 90, quando o privatismo mostrou sem pudores seu cinismo, não víamos movimentos ou organizações análogos ao MBL, pois apenas o aparelho midiático era suficiente para garantir o avanço do consentimento público da lógica neoliberal. Mas, como é da natureza do neoliberalismo fazer de tudo, da religião aos medos coletivos, um negócio lucrativo, agora o discurso que quer o encolhimento máximo do Estado está acrescido da transformação da manifestação política em negócio. Justamente pela perda das características eminentemente políticas da manifestação pública, a precarização não é apenas material, do aparelho estatal, mas se trata da precarização do próprio sentido do político.

Dessa maneira, se estamos no âmbito da precarização do político, no qual os posicionamentos e as manifestações públicas tornam-se negócios, não resta senão indagar: O que vende o MBL? Quem quer que entre no site desta “organização política” terá a sensação de estar entrando em uma loja de variedades: ao lado de links que dão acesso a textos, sempre com manchetes que exploram algum tema “da vez”, é possível comprar de tudo: de blusas a canecas. Tudo anunciado com uma apelação emocional e direta: “Não deixe o MBL acabar!! Compre nossos produtos!!”. Esta apelação direta e emotiva que segue as peças publicitárias ao quais somos expostos todos os dias, cuja lógica é dizer tudo diretamente, porém não falar tudo, supõe a “necessidade” do movimento, que não “pode acabar”. Mas, isto não é dito diretamente ao “consumidor”. Ser direto, segundo querem nos fazer crer as estratégias publicitárias, é o mesmo que dizer tudo. Os produtos, ressalte-se que de gosto duvidoso a qualquer um que já tenha tido um contato mínimo com os textos clássicos de estética filosófica, estão na seção denominada: “Loja MBL”. Ao entrar nesta seção, a sensação de estar em uma loja de variedades é substituída pela certeza de se adentrar em uma galeria do kitsch político. Todavia, essa divisão entre a “loja virtual” e o restante do site, que por sua vez não teria conteúdo mercadológico, mas político, é apenas aparente. O produto de ponta oferecido não são as “bugigangas” que levam o nome do grupo. O MBL vende algo mais valioso. Esta mercadoria mais valiosa é a própria política. A precarização da política a torna mercadoria manuseável como qualquer produto destinado ao consumo.

Desse modo, enquanto o simulacro público do grupo se pauta na imagem de organização política, seu modus operandi é essencialmente econômico. Seguindo a via iniciada pelo privatismo, trata-se de vender aquilo que antes não se vendia. A transformação da saúde e da educação em serviço, deixando, pois, de ser direito, tem seu par equivalente de semelhança na venda do imaginário, da participação política, da sensação de pertencimento, em suma, na venda dos afetos e desejos políticos, de modo que o site do grupo nada mais é que uma vitrine.

Na seção do site denominada “Participe”, são vendidos “Planos” para aqueles que desejam associar-se ao movimento. Tais planos, obedecendo a uma estratégia criativa, embora pobre, possuem os, no mínimo risíveis, nomes de: “Agente da CIA” (o mais barato), “Irmãos Koch” e, coincidência ou não, o mais caro chama-se “Mão Invisível” (pobre Adam Smith, vítima do business predatório de seus seguidores). Ativismo político ao seu alcance, basta pagar! Só em tempos de precarização dos sentidos políticos, grupos que se definem como “organização de ativismo político” vendem participações efetivas em seus próprios quadros. Também é oferecida consultoria, para que se possa abrir “franquias” do movimento, de tal modo que não fica claro o que é político e o que é negócio. Alguma contradição, para um grupo que se evidenciou no bojo dos discursos anticorrupção? Ali tudo se passa na mimetização da oportunidade única dos feirões Black Friday, que são os momentos em que os picos de excitação do consumo atingem seus níveis mais elevados, quem não comprar os planos ficará de fora, segundo a expressão de um dos textos do site, desse “momento excitante do país”.

Caso típico neoliberal: a redução do político ao econômico. Novo nicho de mercado, no qual a mercadoria é a participação política; a clientela: os segmentos mais reacionários, que são também os mais consumistas. E, por fim, não poderia faltar, um garoto propaganda: jovem (pois a estratégia atual difusa pelo mundo do consumo alia consumismo e juventude), “aguerrido”, de fala fácil, visual descolado e gestual que mimetiza a inexpressividade das linguagens comerciais. Tal como no âmbito do consumismo predatório, não se vendem produtos, mas sonhos e satisfações. Em outras palavras, compra-se status e visibilidade. Vendem o desejo da participação política e transformam em negócio a condição humana primaz de fazer parte de uma coletividade engajada. Ora, o consumismo enquanto realidade não apenas material, mas também simbólica, agora, passa a operar mais ainda com a gestão lucrativa do campo afetivo-passional, neste caso, em seu aspecto mais eminentemente político.

O MBL é o exemplo expressivo de como se pode obter um regime lucrativo de compra e venda de aspirações e desejos políticos. Por isso, os “meninos” do MBL são os filhos diletos da precarização, porque conseguem fazer dela um negócio. Bons alunos da cartilha neoliberal que enxergaram aquilo que o momento propiciava. Filhos da precarização do político fazem disso o seu negócio, travestindo-se de puro ativismo político. E quanto maior a precarização, maiores as oportunidades de negócios. Isto lhes propicia o atual governo dos ilegítimos, logo passam a prestar “serviços terceirizados” a tal governo: terceirização da palavra e terceirização da força. Questões abordadas na próxima parte deste artigo.

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14 comentários para "O que vende o MBL?"

  1. Felipe Munhoz disse:

    Muita firula e pouca objetividade analítica. Muito pressuposto academicista de “afetos”, “precarização”, comparações metafóricas complexas para leitor não experimentado… Ou seja, textos “para os amigos”.
    Entendeu por que da eficácia relativa do MBL em termos de comunicação?

    • Luiz Oliveira disse:

      Pois é, Marx como escreveria O Capital? O problema é não nivelar por baixo, mas fazer o povo melhorar seu nível de compreensão dos textos. Mas entendo a sua proposta pedagógica…. falar a linguagem popular…Fran não está escrevendo pro povão, mas para a classe acadêmica mesmo, porque é uma classe que também forma opinião pública. Nas sua fase de doutorando, é imperativo ele escrever tais textos. Eu quis publiquei no tweet para popularizar… Não sei se vc pegou do twitter… De qualquer forma, a linguagem de expressão são várias e de diversas formas…. não existe apenas uma… não podemos empobrecer a discussão com linguagem simplória também….

  2. João Luiz Pereira Tavares disse:

    Que tal MUDAR o tema da Redação do Enem para CORAÇÃO VALENTE?
    Aquele produto de consumo. Como a venda de um SABONETE QUALQUER. Vendida pelo PT e comprada por excesso. João Santana poderia ser o parágrafo de desenvolvimento da REDAÇÃO DO ENEM. Coração Valente, a PresidentA InocentA!
    Seria interessante dizer desse consumismo, CONSUMIR CORAÇÃO VALENTE! No parágrafo seguinte da redação do Enem 2016.
    E dar uma solução final!
    Qual solução?
    A solução do:
    VOLTA Dilma! Volta Coração Valente! Nossa MÃE ILIBADA! Junto com nosso Amado Chefe. Santos e inocentes!
    Redação nota 1000!
    [professor pós Doutor de Redação — pós-Doutor Paris VIII].

  3. Ricardo Cadosama disse:

    Legal. Nem sabia que o MBL tinha uma loja virtual, valeu a dica. Vou lá consumir com o meu dinheiro ganho trabalhando e não recebendo bolsa-familia que “não dá nem pra comprar uma calça jeans de R$ 300 !kkkkkkkkkkkkkkkk

  4. Só mesmo um Mestre para criar um texto tão lúcido sobre este infeliz e apelativo movimento.

  5. Renato Konrath disse:

    Bingo. Foi exatamente no rim da farsa.

  6. Eu acho tudo isso muito engraçado. O MST pode…o MBL não pode. O MTST pode…O MBL não pode. Estamos vivendo numa democracia…ou não estamos??? O MBL é um movimento da sociedade organizada como tantos outros são, inclusive o MST e o MTST. Se existe espaço para o MST e para o MTST, tem que existir espaço, também, para o MBL. Paridade!! Quem sabe se o MBL seria uma alternativa de confrontar o MST e o MTST? Temos que dar opção de escolha para o cidadão. O problema é que a esquerda caquética não se conforma com a adversidade. Acha-se dona da verdade. Não admite contraposição. É uma lástima. Vou ler o próximo capítulo. Só espero que seja menos confuso e menos pedante. O que mais me desanima, é que a publicação desse besteirol ainda vai render currículo na Plataforma Lattes para a autora. Que pena…

  7. Luiz Oliveira disse:

    Fran, eu publiquei teu texto no twitter, daí vários comentários ignóbeis de analfabetos funcionais, que lê e não entende o que lê. Querem nivelar por baixo a reflexão… é o pragmatismo vulgar. MBL é um movimento sustentado pelas elites, pelos ricos, pelo grande Capital, que visa atender interesses desta classe social egoísta e segredadora. O MST e MTST são movimentos libertários que visam conscientizar o pobre da sua condição de oprimido no capitalismo selvagem, porque o capitalismo já na sua essência, selvagem, que cria uma classe gananciosa e exploradora do povo. Quando não rouba, pagando mal o trabalho alheio, usa o Estado para roubar o que poderia restar pro povo. Entre o populismo do MST, MTST, PT, etc e o elitismo do MBL, REVOLTADOS ON LINE, VEM PRA RUA, fico com os primeiros, porque visam Justiça Social e distribuição de renda para os mais pobres, os últimos visam concentração de renda, e manutenção da ordem da exploração e segregação social capitalista. Tal como está. Os comentários contrários acima são de uma linguagem pobre e rasa de quem nunca leu um clássico na vida. São pensamentos de linha de jornalixo brasileiro, de revistas de fuxico político que acusa baseado na pura palavra de delator e muitas vezes sem comprovação material do que dia. Delação premiada favorece o encurtamento de prisão de bandidos empreiteiros, empresários e funcionários da Petrobrás. Logo, basta dizer algo contra o PT, que o juiz tucano Moro americanista solta logo. Então, amigo, esta onde DIREITISTA no Brasil e no mundo vai continuar, porque ser de direita é fazer a política das elites mundiais… ser de esquerda é tentar fazer um governo popular que vise minorar o sofrimento do povo das políticas econômicas que visam atender os interesses do grande Capital. Não li o texto, mas vou ler agora. Escrevi só para me contrapor a tantas idiotices aqui escritas, sem fundo de verdade, mas verborragias emocionalistas, produto de uma visão jornalística rasa sobre os fatos sociais e políticos brasileiros.

  8. Luiz Oliveira disse:

    Acho q vc disse tudo… agora estando mais atento ao que escrevo, devido a erros de concordância verbal e nominal no texto anterior, devido a pressa, com certeza seu texto desmascara este movimento fascista, financiado por políticos de direita como DEM, PPS, PSDB etc., como um movimento que precariza a política, como também mercantiliza o sentido político dos sonhos, melhor dizendo, precariza o discurso político, com uma linguagem neoliberal chula, que agrada tanto aos ricos imbecis brasileiros, como a classe merda coxinha burra politicamente. Ou seja, a direita da política tradicional terceirizou sua voz velha e enganosa a jovens com ideias velhas e injustas. Há uma “ignoritização” das massas, e incluo nelas, a classe média coxinha sobretudo. Um Brasil que lê poucos livros ou não lê, o que podemos esperar é o discurso político raquítico, vazio de verdades teóricas, quase um discurso do fuxico político, onde a mentira, a difamação e a injúria são presentes.

  9. A gente lê e escreve cada coisa por essa vida a fora. Não sou letrado, mas procuro escrever com certa coerência, seguindo, quando possível, a língua culta. A minha cultura política líquida não vai além da “altura das minhas canelas”, mas acho que tenho um conhecimento razoável do senso comum. Tenho 67 anos. Tenho mais passado do que futuro. No entanto, procuro manter as janelas da minha casa abertas para a saudável brisa do senso comum. O senso comum é a percepção que o “Zé Povinho” tem do ambiente social em que vive. Aliás, sou um “Zé Povinho” – brasileiro “vira-latas” – que ainda acha que tudo o que é bom para os países mais desenvolvidos é bom para o Brasil. Se eu fosse mais jovem, gostaria de estudar no exterior (França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Canadá, Japão, Áustria e Suíça). Sim. Eu gostaria de estudar na Sorbonne, em Oxford, em Cambridge, no MIT, no CalTech e outras instituições de ensino de mesma estirpe que, ao longo do tempo, tornaram as respectivas nações em protagonistas da cena internacional. Não gostaria de estudar na Rússia, na Coréia do Norte, na Bósnia, em Uganda, em Angola, em Moçambique, em Cuba, mesmo porque as instituições de ensino desses países em nada contribuiriam para a minha formação política e profissional. Mortadela, Coxinha ou Quibe, eu seria um jovem brasileiro normal – bem reacionário, burro, “ignoritizado” e alienado – acalentando o sonho de deixar o Brasil – na primeira oportunidade – para desfrutar do verdadeiro Caviar Life Style europeu – sem refugiados – deixando a toupeira em paz. Nesse momento de reflexão, o que me deixa desanimado é defrontar com um texto medíocre, confuso, equivocado e tendencioso que recebe comentários favoráveis e desfavoráveis. Não existe consenso. Mas é salutar essa discussão. Mas não se pode radicalizar, insultando os demais comentaristas que discordam da mensagem implícita no texto. Insultos são próprios da práxis fascista de que trata o artigo. Dito isso, vamos ao que realmente interessa. Da leitura especializada sobre o assunto de trata o tema do artigo em comento, é da práxis fascista a inquietação dos cidadãos por meio de movimentos políticos com a finalidade de promover a desestabilização social. Uma vez atingida a desestabilização, a práxis fascista pressupõe o estabelecimento de movimento de reestruturação social, suportado por um estado poderoso e onipresente, que se apodera da “mais-valia” do trabalho proletário para abastecer o Caviar Life Style dos seus dirigentes. O fascismo é a banda dinâmica do Socialismo. Contrapõe-se ao nazismo e ao comunismo – seus dois irmãos xipófagos pela cabeça – por essa dinamicidade política e social. O fascismo é o Socialismo renovado. É o Socialismo fluido, permeando todo o tecido social. Daí, a aversão ao Liberalismo que é o motor de geração de riqueza das nações. As nações mais desenvolvidas praticam o Liberalismo em todas as suas formas. Fascista que se preza tem horror do Liberalismo. É no ambiente liberal que se cria uma elite consciente, contestadora e empreendedora que não interessa aos que defendem a práxis fascista. No Brasil atual, destacam-se dois movimentos que, sob o meu olhar de senso comum, aplicam a práxis fascista, a saber: o MST e o MTST. São movimentos de orientação internacionalista que tem por fachada a busca da “justiça social” pelo emprego de métodos violentos de inquietação, lançando mão dos lobisomens e dos cachorrões. Pela inquietação dos cidadãos “ricos”, buscam, incessantemente, a desestabilização do tecido social brasileiro. Prejudicam ricos e pobres. São organizados por uma elite culta que nunca pôs as mãos numa enxada, num machado ou numa picareta. Não tem calos nas mãos. Nunca morou numa favela. Nunca foi morador de rua. Nunca tomou banho de canequinha. Cresceu num ambiente reacionário e elitista. São professores, economistas, advogados, engenheiros, médicos, psicólogos, religiosos. Nunca foram lavradores. Nem mesmo camponeses. Não sabem o que é “justiça social”. Vivem no eterno Caviar Life Style e não querem incomodar a toupeira. O surgimento do MBL, se não for uma luz no final do túnel, é um movimento em contraponto aos movimentos que se arvoram em estabelecer a justiça social. É mais um movimento fascista tal como o são o MHST e o MTST. São passarinhos da mesma plumagem. São farinhas do mesmo saco. Em tempo: O MST também tem a sua “lojinha”!!! Vejam o link: http://www.camisetas10.com.br/648/camiseta-mst.

    • Luiz Oliveira disse:

      Continua ignoritizado sobre o que é o fascismo. O fascismo é uma derivação do capitalismo e perseguiu os socialistas italianos como Antonio Gramsci, etc. Continua ignoritizado sobre o MST que foi um movimento surgido em 1985, apoiado e orientado, sobretudo, pela CNBB, movimentos libertários católicos, como a CEBs e ou teologia da libertação. O liberalismo prega o individualismo e a liberdade egoísta e sua estrutura social é a divisão social de classes entre ricos e pobres. O sr. é incapaz de compreender esta dialética histórica do antagonismo capitalista. O liberalismo clássico não existe mais hoje como concorrencial, o que temos é um oligopolismo, multinacionais, cartéis que tornam refém os Estados nacionais do mundo inteiro. O sr. não tem ideia da crise do capitalismo e seu desenvolvimento neste mais de dois séculos de industrialização, sua fase liberal para sua fase imperialista. Não leu Lênin, nem Marx, críticos ferrenhos da estrutura econômico-social do capitalismo que surgiu no século 16 com mercantilismo, colonialismo, escravatura, etc. Depois criando duas grandes guerras mundiais pela divisão geopolítica do mundo pelos países imperialistas. Vc se equivoca achando que o MST só tem gente esquerda caviar. Pedro Stédile é filho de camponeses e se doutorou na Universidade do México em economia. O MST é uma organização que busca distribuição de terras para os camponeses num país que nunca fez uma reforma agrária digna como fez o Japão ou mesmo a França de Luis Napoleão. Temos um latifúndio vergonhoso, criticado por vários organismo internacionais, em que bancos, como Bradesco e Itaú são donos de terras tamanho do Estado de Sergipe. Não é uma questão de opinião particular, é uma questão de reflexão sobre a sociedade em que vivemos que produz miséria, analfabetismo, segregação social, gente que ainda não conseguiu ‘SER HUMANIZADO’, enfim, uma sociedade caótica de um capitalismo periférico submisso aos países capitalistas centrais, cuja burguesia burra, capenga e idiota é submissa aos países imperialistas. Tão burra que não percebe que quanto mais exclusão social com seu modelo econômico neoliberal, pior ficará a sociedade em que ela viverá. Que aumente seus muros, suas cercas, que blinde seus carros, porque se não houver uma redistribuição de renda, e sim concentração, esta burguesia capenga brasileira será vítimas daquilo que ela própria produziu, seu inimigo de classe. Chamar o MST e MTST de fascistas é de uma ignorância ou má fé tão grande, que a estupidez desta visão destrói a inteligência. Vc não sabe mesmo o que é um movimento de luta libertária, um movimento que questiona a ordem social burguesa. E fica citando países do primeiro mundo como se lá fosse um paraíso. O tipo complexo de vira-lata que elogia os países ricos e detona o seu. Gente como vc, que pensa como vc, só faz o Brasil virá eterno quintal americano. De uma visão elitista sobre a vida, o mundo e a sociedade, que é incapaz de perceber e compreender as contradições sociais do capitalismo selvagem. No demais, realmente, vc não tem uma leitura profunda dos fatos, é senso comum mesmo, reproduz o que o jornalismo burguês reporta. Talvez não tenha lido um clássico, nem mesmo Adam Smith, um economista burguês, que até mesmo denunciou os males do capitalismo. Claro que MBL é um movimento de contraponto à esquerda, porque é de direita, neoliberal à escola de Chicado de Milton Friedman ou austríaca de Bowh-Bawerk, de Friedrich Hayek, ambos ideólogos do neoliberalismo, do Estado mínimo… Com relação suas ironias frívolas de que os cabeças do movimento são uma elite que nunca pegaram um enxada etc., tá muito por fora. Não conhece nada do MST, que alfabetiza camponeses, sendo monitorados por estudantes de mestrado e doutorado e até por intelectuais internacionais. Não conhece um acampamento do MST, sua relação com grandes Universidades Federais, com a do UFPR que auxilia nas escolas de assentamento. A sua ignorância sobre o tema é evidente nesta verborragia escrita, vazia de verdade e conteúdo teórico fidedigno. Portanto, caro sr. de 67 anos, não é a idade ou anos vividos que dá a qualidade da sabedoria ou vivência, mas a relação humana que alguém pode ter com outras formas práticas de vida ou fontes de informações.

      • Prezado Luiz Oliveira
        Agradeço o seu interesse pelo meu comentário que é uma “verborragia escrita, vazia de verdade e conteúdo teórico fidedigno”. Concordo com você, mas vou rebater a sua crítica. Quanto à “verborragia escrita”, confesso que tenho o dom da retórica. Sou bom de retórica. Verborragia ou retórica, o meu comentário atingiu o objetivo – despertou a atenção dos leitores do artigo. Foi o único comentário que foi comentado. É sinal que alguma verdade foi revelada, por mais vazia que tenha sido. Quanto ao “vazia de verdade”, a minha verdade – com certeza – não é a sua verdade. Então, a minha verdade é vazia da sua verdade. Tudo bem. Nem Cristo obteve a unanimidade com a sua verdade. O Cristo foi julgado e crucificado porque ousou defender uma verdade que discordava da verdade das “zelites” da época. Quanto ao “conteúdo teórico fidedigno”, o meu conteúdo fundamenta-se no senso comum. Não tenho compromisso com a teoria. A minha visão da vida é a do “Zé Povinho”. Ademais, leio o que quero e escrevo o que bem entendo. Estamos num país livre. Sou um libertário, na verdadeira acepção da palavra. Não admito ser cerceado no meu pensar e no meu agir. Para quem não me conhece, pode achar que sou “ignoritizado” (Eita palavrinha difícil de escrever e de ler!!!). Mas, não é bem assim. Ao longo dos últimos 50 anos, estudei as obras dos pensadores que são mencionados no seu comentário e de mais tantos outros. Mas, não os “levei ao pé-da-letra”. Desses estudos e da comparação da teoria com a prática, fui, paulatinamente, convertido ao Liberalismo. Hoje, parafraseando famosa memorialista paulistana, sou um “liberal graças a Deus”. Passei a considerar o senso comum como a linha mestra das minhas manifestações. Procuro, humildemente, imitar um decantado antropólogo mineiro, natural de Montes Claros-MG, que renovou as diretrizes e bases da educação brasileira consolidadas na Lei nº 9.394, de 1996. Esse decantado antropólogo nunca mencionou pensadores nos seus artigos. Sempre procurou associar o pensamento filosófico à visão do mundo do “Zé Povinho” – o senso comum. É isso o que faço: Associar o pensamento filosófico ao senso comum. Sou uma imitação bem “tabajara” do antropólogo famoso. Paciência!! Não sou das “zelites”. Sou um “Zé Povinho”. Nada mais do que isso. Mas, tenho a esperança de ser famoso no futuro. Espero que algum desavisado “tuiteie” alguns dos meus comentários. Bobagem por bobagem, os meus comentários são bem mais divertidos e reveladores do que alguns artigos “sem-pé-e-sem-cabeça” tuiteados por esse mundo a fora. Quanto ao MST e ao MTST, reforço que são movimentos fascistas. O futuro irá comprovar essa minha afirmação. Se você quiser continuar essa discussão, aceito o desafio. Vou provar, “por A + B”, que o MST e o MTST são movimentos fascistas. Vou mais longe, posso até escrever um artigo, provando no senso comum que o MST e o MTST são movimentos fascistas, solicitando uma publicação no Outras Palavras. Espero não ser censurado porque a censura é da práxis fascista.

  10. Luiz Oliveira disse:

    Na minha tese: O trabalho para economia política, segundo Marx, é a forma de atividade aquisitiva, pois ela concebe o trabalhador como simples animal, besta de carga, cujas necessidades se limitam às necessidades corporais. Uma nação que deseja desenvolver-se espiritualmente com maior liberdade, não pode ser vítima das suas necessidades materiais, escrava do corpo, pois o ser humano precisa usufruir da cultura e, para isso, necessita de tempo livre. Nesse sentido, a máquina, afirma Marx em O Capital, pode conceder tal tempo para o exercício do ócio, com menos esforço de trabalho a realizar, ou seja, para além do reino da necessidade, “começa o desenvolvimento das forças humanas com um fim em si mesmo, o reino genuíno da liberdade, o qual só pode florescer tendo por base o reino da necessidade. E a condição fundamental desse desenvolvimento humano é a redução da jornada de trabalho.” (Marx, Manuscritos econômico-filosóficos)

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