Sopram novos ventos de revolta contra o Uber

França, EUA, Espanha, Colômbia. Crescem no mundo todo, após protestos sociais, restrições ao capitalismo de plataformas. Surgem aplicativos não predatórios. Ao expor tragédia da precarização, pandemia pode acelerar busca de alternativas

Por Juliette Robichez

ratificouPresente em centenas de cidades de 68 países, o serviço norte-americano de transporte privado Uber, nascido em 2011, no coração da Silicon Valley, é o símbolo da transformação numérica da economia e por extensão, de quase todas as mudanças deste mundo. Destaque recorrente e onipresente na mídia nesses últimos anos, deu luz a um neologismo que se tornou um conceito em alguns países: a “uberização” da sociedade (nos Estados Unidos, se usa a expressão pejorativa de gig economy, ou seja “economia dos bicos”). Logo no final de 2014, The Economist1 equiparou o novo fenômeno da digitalização da economia à revolução iniciada por Henry Ford no início do século passado, que combinou linhas de montagem móveis com trabalho em massa, para tornar a construção de carros mais barata e rápida.

Hoje, um grupo crescente de empreendedores está se esforçando para fazer o mesmo com os serviços, reunindo a potência de computadores com trabalhadores autônomos, para fornecer luxos antes reservados aos ricos. A empresa Uber fornece motoristas. Handy disponibiliza faxineiras. SpoonRocket entrega refeições de restaurante em sua porta. Instacart mantém sua geladeira abastecida. “Em São Francisco, um jovem programador de computadores já pode viver como uma princesa”, espanta-se a renomada revista britânica. Mas a que custo?

Com seu “capitalismo de plataforma”. Uber transformou o mundo econõmico e introduziu na nossa paisagem uma nova prática. Consiste em colocar em relação, via aplicativos e plataformas digitais, uma empresa com uma pessoa paga por tarefa e os clientes. Admirada no meio empresarial, a start-up americana de Travis Kalanick sofre, todavia, muitas críticas e ataques. Não se contentou em quebrar sem rodeios o transporte tradicional2: o modelo pregado por ela permite explorar trabalhadores e lucrar com suas atividades, sem assumir nenhuma obrigação como fornecer e manter o veículo, cuidar da saúde do motorista e da segurança dos clientes, pagar um salário mínimo, o seguro-desemprego etc. Assimilado a um trabalhador independente, o motorista, sujeito às condições de ofício drásticas, impostas unilateralmente pela plataforma, não se beneficia de qualquer proteção laboral.

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Além disso, esse modelo transfere todos os riscos ao “parceiro” que efetua as “missões”, como Uber denomina nos contratos o motorista e seu trabalho para não denotar vínculo empregatício. Aproveitando a situação de desemprego geral, a aspiração da juventude por uma maior liberdade na organização dos seus horários e imediato retorno financeiro, a plataforma tornou-se rapidamente uma success story mundial (mesmo que nunca tenha se mostrou rentável), mas se revelou uma grande desilusão para a maioria dos condutores que vivenciaram a precariedade da sua situação no mundo do trabalho3.

Nada melhor que uma obra cinematográfica para propalar o desmantelamento do estado social, por uma ordem neoliberal que dissolve a solidariedade coletiva e pesa sobre os ombros dos mais vulneráveis. Após, Eu, Daniel Blake (2016), o filme Você Não Estava Aqui (Sorry We Missed You, 2019) de Ken Loach retrata a tomada de consciência pelo protagonista da lógica perniciosa da nova economia ligada a novas ferramentas digitais. O funcionário, vestido de “auto empreendedor”, trabalha até a exaustão, assumindo ao limite do absurdo os ricos e encargos de sua atividade para participar diretamente de sua própria exploração. Para desvendar as engrenagens dessa nova exploração digital, o grande cineasta britânico e seu roteirista, Paul Laverty, mais uma vez, seguem os caminhos da crônica documentada, assumindo plenamente sua forma didática, que se tornou, de certa forma, sua marca registrada. Ricky, mestre de obra, encontra-se após a crise financeira de 2008 em situação financeira crítica e resolve adquirir uma pequena van, na intenção de trabalhar para uma sociedade de entregas. No entanto, o trabalho informal não traz a recompensa prometida. Aos poucos, o protagonista perde sua saúde e os membros da família passam a ser jogados uns contra os outros.

Esse novo tipo de lumpen proletariado, apesar do seu isolamento e da pressão das multinacionais da era digital, decidiu reagir e reivindicar seus direitos básicos. Diante da inércia, incapacidade ou falta de vontade do “concerto das nações” em reequilibrar as relações contratuais entre as partes envolvidas, eclodiram iniciativas locais que objetivam a defesa dos mais vulneráveis, em geral desempregados que assinaram um pacto faustianocom essas plataformas digitais e que ficam à mercê de empregadores invisíveis e em situação geralmente monopolística. Hoje, a Uber deve enfrentar várias frentes de resistência que abalam seu modelo econômico.

No mundo inteiro, ativistas e acadêmicos4fustigam os efeitos nocivos e perversos da “uberização” ou “plataformização” da economia. Essas críticas surtem efeitos em algumas cidades. Entre o poder, foram os juízes – por serem mais próximos da realidade social? – que iniciaram o movimento de resistência à flexibilização total dos direitos trabalhistas, influenciando, mais tarde, os parlamentares. Na falta de uma reação no nível universal, assistimos a várias iniciativas no patamar local que podem inspirar futuras e desejáveis normas internacionais.

O ataque mais recente contra o coração pulsante do sistema implantado pela Uber ocorreu na França. A Câmara Social da Corte de Cassação5, a mais alta jurisdição francesa, confirmou, em 4 de março, em uma decisão de crucial importância, a “requalificação (…) em contrato de trabalho” do vínculo que une Uber a um motorista, alegando o caráter “fictício” do estatuto de trabalhador independente. Reiterou a motivação dos juízes de primeira e segunda instâncias pela qual os laços entre a plataforma californiana e seus condutores configuram de um “vínculo de subordinação”, um dos critérios do contrato de trabalho. Os magistrados franceses constatam que o motorista que recorre ao aplicativo Uber “não constitui sua própria clientela” e “não determina livremente suas tarifas”. A decisão acrescenta inúmeros elementos que corroboram a existência de uma relação de trabalho assalariado. Assim, a imposição do itinerário ao motorista e o seu desconhecimento do destino revelam que ele não pode escolher livremente suas corridas. A possibilidade de o Uber desconectar o motorista após três recusas de transporte comprova que este não determina as condições de sua prestação de serviço e participa de um serviço organizado pela plataforma. Segundo os magistrados supremos da França, “a sociedade Uber define unilateralmente as condições de exercício”. Enfim, para a Cour de cassation, a possibilidade para o contratado de se desconectar da plataforma sem penalidade “não entra em consideração na caracterização do vínculo de subordinação”. A longa decisão (para os padrões deste tribunal) refere-se de maneira exaustiva a todas as condições de trabalho, o que demonstra uma vontade óbvia da corte francesa de impedir às plataformas numéricas de tentar mudar apenas algumas cláusulas do contrato, para evitar a estigmatização do seu sistema econômico pela autoridade judiciária. Outro fato inédito que corrobora a importância da solução para a jurisdição: o comunicado de imprensa da decisão6 no portal oficial foi traduzido nos dois outros idiomas oficiais da Organização Internacional do Trabalho – OIT, o inglês e o espanhol, o que revela uma clara aspiração de universalização, etapa necessária de concretizar a jurisprudência, quando se trata de uma multinacional atuando em centenas de cidades no mundo.

Essa posição, que considera que o motorista Uber não realiza uma prestação na qualidade de trabalhador autônomo, ameaça seriamente o modelo econômico do gigante norte-americano que gera lucro em torno de mão-de-obra barata. Também confirma um movimento que começou nos Estados Unidos. Não é sem ironia que a oposição dos tribunais a essas novas práticas predatórias manifestou-se no Silicon Valley, no Estado que sedia todas as GAFAs (Google, Apple, Facebook, Amazon etc.) e também a Uber.

Em 30 de abril de 2018, a Suprema Corte da Califórnia emitiu uma decisão unânime, Dynamex Operations West, Inc. v. Superior Court of Los Angeles (2018)7. Nesta, destacou os danos sofridos, não somente pelos trabalhadores, classificados erroneamente na categoria de “independentes”, que perdem proteções significativas no local do trabalho. Acrescentou os prejuízos à sociedade toda, com a perda de receita para o Estado onde os motoristas atuam. Lembrou que as empresas burlam, graças à classificação incorreta, as leis trabalhistas e tributárias. Reiterando os motivos do tribunal citado e a ideia que: “a classificação incorreta dos trabalhadores como contratados independentes tem sido um fator significativo na erosão da classe média e no aumento da desigualdade de renda”, a Assembleia da Califórnia ratificou, em 18/9/2019 (com confortável maioria de 56 x 15), lei aprovada oito dias antes pelo Senado (29 a favor; 11 contra), que obriga as plataformas online de carona a caracterizar os motoristas uberizados como assalariados, com o fim de melhor protegê-los.

O chamado Assembly Bill 58 entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano. Doravante, esses empregados independentes, que trabalhavam sem proteção nem garantias, poderão se beneficiar do estatuto dos trabalhadores assalariados. Em particular, poderão gozar das proteções sociais básicas, como o salário mínimo ou o seguro-desemprego. Essa legislação pode afetar pelo menos um milhão de trabalhadores no Estado mais rico dos Estados Unidos: motoristas, entregadores de comida, faxineiros, manicures de salões, trabalhadores da construção civil e proprietários de franquias agora poderão ser reclassificados como funcionários.

Essa conquista é fruto do ativismo, entre outros, da federação californiana dos sindicatos. Segundo o New York Times9, houve tentativas que falharam em outros Estados, como em Washington ou Oregon, mas a nova legislação californiana poderá influenciar a coalizão de sindicatos a militar em prol da adoção de uma norma que acabe com a precarização do trabalho10. No Estado de New-York, o sindicato local dos motoristas de taxi (New York Worker’s Alliance – NYTWA) e o sindicato de motoristas uberizados, nascido em 2016 (Independent Drivers Guild) obtiveram uma vitória em agosto de 2018 contra o dumping social, ao garantir que o município imponha um salário mínimo e o congelamento da concessão de novas licenças. A cidade de New York justificou essa suspensão pela necessidade de realizar um estudo de impacto, no intuito de medir os efeitos desta indústria sobre a cidade, inclusive em termos de engarrafamentos.

De fato, em 2010, um ano antes da implantação de Uber, a cidade contava 37 000 transportadores informais e 13.500 taxis; em 2017, o número de uberizados passou a mais de 83.000, enquanto o dos taxis, regulamentados pela TLC, não mudou. Segundo um relatório da autoridade, 85% dos condutores informais ganham menos que o salário hora mínimo. Houve vários suicídios de “parceiros” em menos de um ano. Segundo a decisão da prefeitura, o salário horário deve alcançar 17,22 dólares, o que corresponde ao salário mínimo em vigor no fim de 2018 no Estado de New-York (15 dólares) acrescido da importância considerada necessária para abranger as despesas dos motoristas.

Os dois líderes americanos de transporte informal– Uber e Lyft – relutam a alterar o estatuto dos seus condutores, pois aumentaria consideravelmente o custo dos encargos sociais. A defesa das empresas é que a regulamentação das suas atividades teria um impacto sobre o serviço oferecido, aumentando o preço das viagens e o tempo de espera. Da mesma forma, participaria da desertificação de zonas menos densamente povoadas, carentes em transporte público. As duas gigantes afirmam que pouparam cada uma 30 milhões de dólares para organizar um voto popular, como autoriza a lei da Califórnia, com o propósito de substituir essa nova lei por um compromisso de direitos sociais que apresentaram ao governador11.

A capital do Reino Unido abordou a questão sob um prisma diferente. A Transport For London (TfL), agência que regula o setor na cidade, anunciou, em setembro de 2017 que não iria renovar a licença da Uber. Afirmou que a “empresa não tem responsabilidade corporativa com relação às potenciais implicações de segurança e proteção pública”. Tratava-se do delicado problema dos incidentes sexuais e violência entre motoristas da plataforma e passageiros. A decisão foi confirmada e generalizada em novembro de 201912.

Na Espanha, a decisão da justiça, consecutiva a um apelo do governo central de Madrid de suspender a regulamentação de Barcelona que limitava o número de licenças outorgadas às companhias tipo Uber, na proporção de uma por trinta licenças de taxi, ateou fogo à polvora. Durante uma semana, em julho de 2018, 11 das 17 regiões, incluindo as grandes cidades Sevilha, Bilbao e Valença, foram totalmente paralisadas por uma greve dos motoristas de taxi. Um decreto real de 14 de setembro recuou e autorizou os governos regionais a regular livremente o setor13.

O contágio alcança o mundo inteiro14, inclusive países da América Latina. Na Colômbia, as autoridades suspenderam imediatamente os serviços Uber, em 20 de dezembro de 2019, alegando a violação de normas que regulam o comércio e concorrência desleal15. No Brasil, a situação do condutor de Uber está em debate, como veremos agora.

Como no Reino Unido, o Brasil tentou legislar sobre o tema sob o prisma da responsabilidade corporativa. Como revelado no artigo “Os estranhos poderes do Uber no Brasil”, publicado em 201816, graças a conivência entre o governo Temer, representado por seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles e o presidente da mega corporação americana, Dara Khosrowshahi, as atividades da Uber e dos demais aplicativos de transporte privado não foram regulamentadas. O projeto de Lei Complementar (PLC-28)17, adotado pelo Senado em 1° de novembro de 2018, visava adequar esses aplicativos ao Código de Trânsito Brasileiro, reduzir a fatia dos rendimentos dos motoristas abocanhada pela Uber de 25% para 5% e exigia, entre outras coisas, vistoria anual nos veículos, seu registro em nome dos motoristas e habilitação adequada para o transporte de pessoas. Em resumo, previa aplicar as regras básicas de segurança e legalidade que regulam os transportes tradicionais. No entanto, de maneira surpreendente, a Uber se beneficiou da condescendência do órgão judiciário brasileiro mais elevado.

O Supremo Tribunal Federal18 considerou inconstitucional a proibição, por lei municipal, do transporte individual por aplicativos. Por unanimidade, o plenário, em sessão de 8 de maio de 2019, decidiu que a proibição ou a restrição desproporcional da atividade representava violação aos princípios constitucionais da livre iniciativa e concorrência. Foi assim julgada procedente a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 449, ajuizada pelo Partido Social Liberal (PSL) contra a Lei 10.553/2016, de Fortaleza (CE), que proibia o uso de carros particulares, cadastrados ou não em aplicativos, para o transporte remunerado individual de pessoas e previa multa de R$ 1.400 ao condutor do veículo. Foi negado também provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 1054110, no qual a Câmara Municipal de São Paulo (SP) questionava acórdão do Tribunal de Justiça estadual (TJ-SP) que declarou a inconstitucionalidade da Lei Municipal 16.279/2015, que proibiu esta modalidade de transporte na capital paulista. De maneira pouco convincente, o ministro Luiz Fux, relator da ADPF 449, argumentou que as leis restringindo o uso de carros particulares para o transporte remunerado individual de pessoas violam os princípios da livre iniciativa, da livre concorrência, da liberdade profissional, da proteção ao consumidor e do valor social do trabalho, além do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012), que garantem a operação de serviços remunerados de transporte de passageiros por aplicativos. Todos os ministros seguiram Fux, nas suas conclusões.

Se requisitos como número máximo de motoristas “parceiros”, autorizações prévias como alvarás e exigência de placas de cidades específicas são consideradas restrições à entrada de pessoas na atividade, assim como a obrigação da vistoria do carro ou a limitação do número de horas de trabalho são enxergadas como um obstáculo à liberdade profissional e ao valor social do trabalho, o tribunal deveria explicar porque essas normas aplicam-se aos taxistas clássicos. Tratando-se do mesmo ofício, submeter uma parte dos motoristas a regras exigentes e outra parte a nenhuma regra, não seria uma distorção flagrante da livre concorrência e uma violação de princípio da igualdade e não discriminação, proclamados no caput do artigo 5 da Carta Magna?

Da mesma forma, os argumentos avançados pelos ministros parecem também muito levianos e pouco relevantes quando se trata do princípio constitucional do valor social do trabalho. Será que todas as normas que visam limitar a jornada de trabalho, proteger o trabalhador contra os riscos da profissão, assegurar uma estabilidade mínima em caso de acidente ou doença ou um salário mínimo não têm nenhum valor social? Enfim, será que os ministros estudaram de maneira aprofundada o tema da “plataformização” da economia? A Uber, por exemplo, empresa que se pretende de transporte, opera sem ter um veículo sequer. Além de lucrar às custas dos motoristas e destruir o tecido social, tem objetivos ocultos que violam a privacidade dos que usam seus serviços: mapeia o comportamento de todos os cidadãos para criar uma rede de informação que é vendida, sem nenhum controle estatal. Não é o papel das autoridades públicas proteger o consumidor contra ações predatórias ou irresponsáveis de empresas multinacionais movidas exclusivamente pela ganância? De ampará-los contra os riscos de acidentes da circulação ou contra agressões sexuais e outras violências? O interesse do cliente não pode ser limitado à simples questão de baixo custo da corrida ou livre escolha.

Cinzia B. Carvalho, como muitos juristas, discorda da jurisprudência do STF que, em vários aspectos, constitui “uma ofensa à democracia”19. A advogada e professora de Direito do Trabalho considera que afrontam a Carta Magna decisões que afastam da Justiça do Trabalho a competência para analisar a relação entre o motorista e a empresa Uber, ou que negam, a priori, a natureza jurídica da relação, sem que as partes tenham tido assegurada a oportunidade de postular e provar os fatos, observados os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório, e do acesso à justiça.

Aparentemente, a jurisprudência do STF não aniquilou as tentativas políticas, como em São Paulo, onde existe mais de 500 mil condutores de apps cadastrados na Secretaria da Fazenda e no mínimo 100 mil carros por dia rodando na capital, segundo informações do secretário Edson Caram.

Conforme a lei federal adotada em 28 de fevereiro de 2018, que reconheceu os aplicativos, como Uber, 99 e Cabify, e deu aos municípios o poder de fazer regulamentações próprias, dois projetos20 circulam na Câmara Municipal de São Paulo. Um decreto criado pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT) autorizou as plataformas a operarem na cidade em uma época em que a Câmara se recusava a debater o tema e criou imposto para o serviço. No início de 2019, a gestão João Doria acrescentou novas exigências, como o Conduapp, uma espécie de autorização para trabalhar. O objetivo nodal do projeto colocado pelo “defensor dos taxistas”, vereador Adilson Amadeu, o mais ambicioso e polêmico, visa restringir a frota de condutores (reduzir os condutores na capital ao número de táxis; impedir a criação de pontos físicos, como os que se encontram em aeroportos; limitar o serviço aos motoristas donos de um carro licenciado em São Paulo…). Mas nenhuma das medidas em tramitação discute a precarização da mão de obra que envolve também apps de entrega (Alô, Rappi, Ifood, Ubereat…), de serviços domésticos e outros setores. Nenhuma entra no mérito da uberização da sociedade. Da mesma sorte, não se aborda a questão da tarifa paga, fruto de um algoritmo calculado de maneira misteriosa e de uma contestação veemente dos interessados que já entraram em greve.

Mas a Justiça do Trabalho brasileira acabou, em uma decisão que esperamos não restará isolada, por “reconhecer a relação de emprego entre o reclamante e a reclamada Uber, na função de ‘motorista’”21. Em 5 de março deste mês, um juiz do Rio Grande do Sul caracterizou o vínculo trabalhista e determinou que a plataforma norte-americana assine a carteira de trabalho. A decisão contraria a jurisprudência da 5ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho que negou ação similar, cujo entendimento é de que os aplicativos de transporte de passageiros prestam um serviço de intermediação e, por isso, o “parceiro” que usa a plataforma atua como trabalhador autônomo. A resistência dos juízes de primeira instância é digna de admiração.

* * *

Existem soluções para conciliar os avanços incontestáveis do mundo digital e a proteção indispensável do tecido social? Podemos citar algumas sugeridas pela sociedade civil internacional, como a criação de plataformas alternativas ou cooperativas para melhorar o sistema atual. Em novembro de 2018, após Nova York (2016) e Amsterdã (2017), Barcelona22, outro bastião da resistência à uberização das cidades, recebeu a Smart City Expo World Congress (SCEWC), a exposição anual da “tech” urbana, onde se encontram as maiores empresas mundiais. Nesta ocasião, houve uma iniciativa muito interessante para pensar uma melhor participação dos habitantes à vida da cidade e propor modelos econômicos cooperativos. No stand “Sharing cities” (Cidades do compartilhamento) 42 metrópoles como Paris, Amsterdã, Atenas, Singapura, São Francisco, Montevidéu ou Montreal, aliaram-se para lutar contra os “impactos negativos” da economia de plataforma. Em uma declaração comum, publicada em 12 de novembro, adotaram dez grandes princípios para enquadrar as negociações com os atores da economia, como Airbnb ou Uber23. São citados, entre outros, o respeito aos direitos do trabalho e dos usuários, a transparência dos algoritmos, a soberania dos municípios, o interesse geral e o respeito das necessidades e do contexto dos moradores…24

Outras propostas oriundas da sociedade civil pregam uma intervenção eficaz dos Estados para lutarem contra as tendências monopolísticas. O pensador social Nick Srnicek na sua obra Platform Capitalism25, por exemplo, defende medidas que englobam a regulação das gigantes até mesmo a nacionalização das mesmas.

As várias iniciativas no mundo que visam regular as atividades da Uber para enquadrá-las, em particular, na seara do direito do trabalho e da regulamentação da sua frota, com certeza, afetam sua credibilidade econômica26. Na sua entrada na bolsa de Wall Street, a empresa teve uma oferta pública inicial problemática em maio de 201927, quando os investidores questionaram seu negócio, caro de operar. As ações da Uber caíram abaixo do preço de oferta no primeiro dia de negociação e continuam instáveis. Em agosto de 2019, a empresa registrou uma perda trimestral recorde de US$ 5,2 bilhões e seu crescimento de receita mais lento de todos os tempos28. Diante dessa falta de rentabilidade e do questionamento do seu modelo, baseado no pretendido trabalho independente dos seus motoristas, a corporação investe milhões de dólares em carros autônomos, o que poderá resolver definitivamente o problema do respeito aos direitos trabalhistas… mas abrirá novo debate jurídico inédito sobre a responsabilidade dos acidentes provocados por carros controlados por computadores

1The on-demand economy: workers on tap. The Economist,Londres, 30 dez. 2014. Disponívelem:https://www.economist.com/leaders/2014/12/30/workers-on-tap. Acesso em: 05 mar. 2020.

2Vide a guerra aberta com os taxistas que enxergaram esses novos serviços como uma concorrência desleal. V. por ex., na França: SENNEVILLE, Valérie de. Uber: dans les coulisses d’une machine de guerre juridique. Les Echos, Paris, 11 out. 2015. Disponível em: https://www.lesechos.fr/2015/10/uber-dans-les-coulisses-dune-machine-de-guerre-juridique-277662. Acesso em: 05 mar. 2020.

3 Aconselhamos, para quem entende o francês, o excelente documentário radiofônico da radio France culture: Ma vie d’Uber. In: Les pieds sur terre, 13 set. 2018. Disponível em: https://www.franceculture.fr/emissions/les-pieds-sur-terre/les-pieds-sur-terre-du-jeudi-13-septembre-2018. Acesso em: 05 mar. 2020.

4 Ver, por ex., SLEE, Tom. Uberização, a nova onda do trabalho precarizado. Ed. Elefante, 2017; ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão. O novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Ed. Boitempo, 2ª ed., 2020.

5 Cour de cassation, Chambre sociale. Arrêt n° 374, 4 mar. 2020 – ECLI:FR:CCAS:2020:SO00374. Disponível em: https://www.courdecassation.fr/jurisprudence_2/chambre_sociale_576/374_4_44522.html. Acesso em: 4 mar. 2020.

6Disponível em: https://www.courdecassation.fr/jurisprudence_2/communiques_presse_8004/prestation_chauffeur_9665/press_release_44526.html. Acesso em: 08 mar. 2020.

74 Cal.5th 903 (Dynamex). Disponível em: https://law.justia.com/cases/california/supreme-court/2018/s222732.html. Acesso em: 05 mar. 2020.

8 Disponível em:http://leginfo.legislature.ca.gov/faces/billTextClient.xhtml?bill_id=201920200AB5. Acesso em: 05 mar. 2020.

9 CONGER, Kate; SCHEIBER, Noam. California Bill Makes App-Based Companies Treat Workers as Employees. 11 set. 2019. The New York Times, New York, 07 set. 2019. Disponível em: https://www.nytimes.com/2019/09/11/technology/california-passes-landmark-bill-to-remake-gig-economy.html. Acesso em: 03 mar. 2020.

10 WEIL, David. Fissuring of the workplace. Why Work Became So Bad So Many and What Can Be Done to Improve it. Harvard University Press, Boston, 2017.

11La Californie ratifie la loi faisant des chauffeurs Uber et Lyft des salariés. Le Monde, Paris, 19 set. 2019. Disponível em: https://www.lemonde.fr/international/article/2019/09/19/la-californie-ratifie-la-loi-faisant-des-chauffeurs-uber-et-lyft-des-salaries_5512268_3210.html. Acesso em: 04 mar. 2020.

12TOPHAM, Gwyn. Uber loses London licence after TfL finds drivers faked identity. The Guardian, Londres, 25 nov. 2019. Adde Uber loses licence to operate in London. BBC News, Londres, 25 nov. 2019.

13 Tribunal Regional do Trabalho de 4a Região. Ação Trabalhista – Rito Ordinário 0021864-81.2017.5.04.0028.

14 La batalla de los taxis y los VTCs es global: así han legislado en otras partes del mundo para poner paz. El País, Madrí, 30 jan. 2019. Disponível em: https://elpais.com/economia/2019/01/29/actualidad/1548781875_686856.html. Acesso em: 06 mar. 2020.

15 MANETTO, F. Colombia ordena a Uber la suspensión imediata de su servicio. El Pais, Madrí, 20 dez. 2019. Disponível em: https://elpais.com/economia/2019/12/21/actualidad/1576885450_762730.html. Acesso em: 05 mar. 2020.

16 Disponível em: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/os-estranhos-poderes-do-uber-no-brasil/. Acesso em: 05 mar. 2020.

17 Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/128659. Acesso em: 06 mar. 2020.

18 Disponível em: http://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=410556. Acesso em: 05 mar. 2020.

19 CARVALHO, Cínzia B.; FREITAS, Carlos Eduardo S. de. A reforma trabalhista como ofensa à democracia. In: FREITAS, Carlos Eduardo S.et alii (org.). Reforma trabalhista e crise do direito do trabalho no Brasil. Apontamentos críticos. Curitiba: Appris, 2020, p. 275.

20 PL 419/18, de autoria do vereador Adilson Amadeu – DEM, e o PL 421/2015, do vereador José Police Neto – PSD. Para maiores detalhes, v. RIBEIRO, Gabriel Francisco. Nova lei nesta semana pode afetar apps como Uber em SP. O que está em jogo? Tilt, São Paulo, 09 mar. 2020. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/03/09/nova-lei-nesta-semana-pode-afetar-apps-como-uber-em-sp-o-que-esta-em-jogo.htm. Acesso em: 11 mar. 2020.

21 Tribunal Regional de Trabalho – Rito Ordinário. 0021864-81.2017.5.04.0028. 05 mar. 2020. Disponível em: https://www.conjur.com.br/dl/uber-decisao1.pdf. Acesso em: 10 mar. 2020.

22 Ver experiências na Espanha: LEGROS, Claire. A Barcelone, des initiatives ouvertes et collaboratives pour résister à l’uberisation des villes. Blog Billet de blog, 18 nov. 2018. Disponível em: https://www.lemonde.fr/chronique-des-communs/article/2018/11/18/a-barcelone-des-initiatives-ouvertes-et-collaboratives-pour-resister-a-l-uberisation-des-villes_5385118_5049504.html. Acesso em: 06 mar. 2020.

23 The Sharing City Declaration: How Cities are fighting the uncontrolled expansion of the Sharing Economy. Disponível em: https://labgov.city/theurbanmedialab/the-sharing-city-declaration-how-cities-are-fighting-the-uncontrolled-expansion-of-the-sharing-economy/. Acesso em: 06 mar. 2020.

24 Para aprofundar sua reflexão sobre a diplomacia urbana, ler: BRÉVILLE, Benoît. Au nom du progressisme. Quand les grandes villes font sécession. Le Monde diplomatique, Paris, mar. 2020, p. 1.

25 Para maiores informações, ler o artigo de Franck Pascuale, no Boston Review of Books, traduzido por Inês Castilho e publicado em Outras Palavras: Os desafios cruciais da era Uber. Disponível em: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/os-desafios-cruciais-da-era-uber/. Acesso em: 05 mar. 2020.

26 CONGER, Kate; ISAAC, Mike. Uber Lays Off Hundreds More Workers as It Struggles to Make Money. The New York Times, New York, 10 set. 2019. Disponível em: https://www.nytimes.com/2019/09/10/technology/uber-layoffs.html. Acesso em: 04 mar. 2020.

27 ISAAC, Mike; MERCED, Michael J. de la; SORKIN, Andrew R. How the Promise of a $120 Billion Uber I.P.O. Evaporated. The New York Times, New York, 15. Mai. 2019. Disponível em: https://www.nytimes.com/2019/05/15/technology/uber-ipo-price.html. Acesso em: 04 mar. 2020.

28 CONGER, Kate. Uber Posts $5.2 Billion Loss and Slowest Ever Growth Rate. The New York Times, New York, 08 ago. 2019. Disponível em: https://www.nytimes.com/2019/08/08/technology/uber-earnings.html. Acesso em: 04 mar. 2020.

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41 comentários para "Sopram novos ventos de revolta contra o Uber"

  1. Rodrigo disse:

    Na teoria tudo é bonito, mas não se vive de teoria!!

  2. Isaías de Oliveira disse:

    Eu como motorista parceiro estou enfrentando muitas dificuldades agora pra levar o alimento pra meu lar tanto que trabalhei para o aplicativo é agora tô as portas pra entregá o carro alugado , esperva algum tipo de ajuda mais até agora só palavras de prevenção uber ajuda nos manter os carros até a crise e passar ……………

  3. Rafa disse:

    Com o transporte tradicional, os passageiros andam amontoados com horários que as empresas não conseguem cumprir, as passagens são caras e os donos das empresas de ônibus sempre continuam a ganhar dinheiro com a aprovação da Câmara de vereadores. Isso pode neh.

  4. Danilo disse:

    Nunca li tanta coisa inútil na minha vida. Na mente de um esquerdista só existe o capitalismo querendo destruir o mundo. Uber é barato, bom pra população, gera emprego, movimenta dinheiro, etc. Ninguém é obrigado a trabalhar com a plataforma, nem de longe gera vínculo empregatício, uma vez que não há subordinação entre motorista e aplicativo, requisito este essencial.

  5. Osmar disse:

    Deixe-me ver se entendi o capitalismo de plataforma é maldoso porque prejudica o capitalismo oficial, aqurle que da falsos benefícios emtroca de uma escravidão. Parece materia de Fiesp e olha que nem sou esquerdopata, mas admiro a dedicacao jornalistica.

  6. Nilton Medeiros de Santiago Jr disse:

    O poder público ,na minha opinião está sendo omisso .Enquanto outras plataformas, que já estão no mercado da mobilidade como ,vans ,transporte de ônibus,trasporte de táxis ,seguem respeitando a constituição e as regras pelo Estado e cidades ,não se viu uma regulamentação a nível Nacional ,sobre as leis trabalhistas fica os motoristas condicionados as plataformas desse serviços e sem direito a dignidade ,que seria a seguridade social.

  7. O poder público ,na minha opinião está sendo omisso .Enquanto outras plataformas, que já estão no mercado da mobilidade como ,vans ,transporte de ônibus,trasporte de táxis ,seguem respeitando a constituição e as regras pelo Estado e cidades ,não se viu uma
    regulamentação a nível Nacional ,sobre as leis trabalhistas fica os motoristas condicionados as plataformas desse serviços e sem direito a dignidade ,que seria a seguridade social.

  8. Fogaça disse:

    Eu acho que existe sim lavagem de dinheiro e corrupção com aos autoridades a essas empresas de aplicativos pra não poder ser regulamentado e não registra esse motorista e esses entregadores

  9. Domingos disse:

    A Uber está totalmente omissa com o momento de pandemia, não fazendo nada para minimizar as dificuldade das pessoas que ela chama de parceiros, 70 porcento dos motoristas tem Uber com renda única, parcelas de veículos se vencendo, aluguéis, seguros, muitos já não tem como fazer compras de alimentos e a salvação do desemprego nada tem feito, não fornece equipamentos segurança, álcool em gel, álcool 70, ninguém obriga ela mudar a postura.

  10. Precisamos sim…testar outras alternativas contra o império internacional dos Aplicativos. Quanto mais concorrência melhor.. só assim podemos acabar com ditadura…em especial a UBER. Que vem ao longos dos desses anos , que só fazem escravizar os motoristas.

  11. Fui motorista de aplicativo da uber e da 99 por 5 anos; e tenho o maior arrependimento. Primeiramente eu fiz um financiamento de um carro para trabalhar; com o passar do desgaste do carro junto com o aumento de motorista e diminuição do preço não estava dento totalmente possível fazer toda a manutenção do carro, pois me sobrava muito pouco dinheiro para isso; me lembro quando rezava pro meu pneu careca aguentar mais um dia, os barulhos na suspensão, os freios desgastados, todas desalinhadas, em fim, o carro foi se deteriorando, por mais que eu fizesse o possível para manter a manutenção em dia, pela falta de dinheiro não conseguia. Fiquei muito triste, preocupado e revoltado, quando do nada a uber me bloqueou da plataforma, eu, um profissional exemplar, nunca tive problemas com ninguém, entrei com meu veículo em cada lugar perigoso arriscando minha vida as vezes pra ganhar menos de 5 reais de lucro; ao questionar isso a uber, ela simplesmente até hoje não me forneceu o motivo do porque que fui bloqueado, até pensei que era pelo estado de conservação do carro; mais desisti dessa hipótese pois tinha carros dos meus colegas mais antigos que os meus e bem pior, sem lanterna, batidos e mesmo assim rodando. Na época fiquei preocupado, e agora, como pagaria a prestação do carro? Como viveria? Ai, nesse momento conheci a 99 e comecei a rodar nesse outro aplicativo; não muito diferente da uber, fui trabalhando e meu carro sendo deteriorando, até que em fim bateu o motor onde o concerto ficou mais de 8.000 reais; com isso parei de rodar, não pude pagar mais as 6 últimas prestações do parcelamento do carro, meu nome ficou sujo pela dívida contraída, contudo, so só tive dor de cabeça, pena que não se pode voltar atrás.

  12. Falkner gomes cunha disse:

    Já é hora de acabar com essa empresa Uber.

  13. Joyce Oliveira disse:

    Uber escraviza os brasileiros com taxas super abusivas de 30% a 50%, com a pandemia de COVID-19 no Brasil deixou os motoristas mais uma vez abandonados, entregues a própria sorte. Zero suporte, zero ajuda. Dou motorista Uber a 3 anos e não aguento mais ser escravizada.

  14. José Leopoldo de Lima Valverde disse:

    Muito bom esses artigos!

  15. MARCOS C. DE SIQUEIRA disse:

    Parabéns pela matéria!

    Pontos que acrescentaria ou seriam pautas de outras publicações:

    * Suspeitas de corrupção (dificil comprovar);
    * Danos ao erário ;
    * Personalidade Jurídica (Tecnologia ou transporte?);
    * Danos ao meio ambiente;
    * Danos a mobilidade urbana;
    * Danos a segurança publica (incidentes,acidentes, crimes, feridos, mortos e presos que ninguém divulga os totais”?”)
    * Ônus: Municípios, Bônus: Empresas de apps.
    * Essa “disrupção” é realmente boa para a sociedade ou para a empresa de app?

  16. Rogério disse:

    Sobre o Uber, com essa crise de desemprego e saque amento que houve no Brasil, imaginem sem esse serviço?

  17. Roni disse:

    Não existe e nunca existiu comparação entre táxi e motorista particular, os taxistas pagam alvará, porém suas corridas são bem mais caras, diferente dos motoristas particulares Uber e 99, nossas corridas são baratas de mais, e ainda temos que pagar taxas ao aplicativo, 25 a 30 % a cada corrida, então vocês acham justo termos que pagar mais taxas sendo que a corrida e barata? Existe essa grande diferenca, então pra quem tá de fora do negócio e fácil dar palpite, então ninguém até hoje procurou ouvir os motoristas pra saber quais são suas dificuldades ou problemas, simplesmente tentam ridicularizar a classe, não e falando mal da classe de táxi nao, mas os mesmos ao invés de tentar melhorar seus serviços para os clientes, estão preocupados em querer derrubar a evolução do meio de transporte por aplicativo, então dessa forma o Brasil nunca vai pra frente, a tendência só e piorar, sempre tem uns querendo ganhar encima de outros, infelizmente é essa a realidade.

  18. Mazinho Antônio disse:

    Tem que colocar sanções na uber, assinar a carteira de trabalho dos motoristas, tem que mudar assim não dar.

  19. Silas Oscar disse:

    Na íntegra alguns serviços poderiam até acontecer exceto o que dependesse de motoristas, e ciclista ou motociclista, uma vez que esses mesmos se desprendem a observar celular. A chegada na saída fora o curso do trajeto, faz com que o trânsito fique demorado! E correm grande risco de acidentes. Príncipe de carros e motos.

  20. wagner leitão de Araújo disse:

    escravidão essa e minha visão prejuízo para motoristas trabalho escravo para engorda a massa eu fui trabalhei três meses e trabalhar para o povo vc e as empresas de graça mais despesas do que ganhos trabalhar feito um louco já mais.

  21. Luciano Amâncio Alves disse:

    Boa tarde essa Uber não si manifestou em nada pra quem presta serviço pra ela nem um ajudu de nada

  22. Regina disse:

    Sou motorista do uber. Acho ótimo. Trabalha até exaustão quem quer. Na minha cidade não conseguia-se tomar um táxi pelo preço absurdo que se praticava, éramos obrigados a depender de ônibus. Parabéns a Uber e a 99 também que estão inovando, pra quem não sabe a uber tem seguro pra carro , motorista e passageiro. Eu trabalho o hora, o dia que eu quero. Nunca mais fiquei sem grana. Obrigada uber😘

  23. Sou motorista da Uber 3anos estou muito triste estou de quartena e a Uber não está me apoiando.ainda estou bloqueada estou sem dirigir mandei todos os documento. E nada CPF 02582383932 me ajuda estou passando necessidade

  24. Domingos Sávio Benedito Arruda da Silva disse:

    É necessária uma intervenção nessa “uberização” que explora os menos favorecidos.
    Explorados e sem garantias nenhuma muitos morrem no trabalho.

  25. Santus disse:

    Aos 72 anos de idade, aposentado
    pelo INSS, gozando de plena saúde, resolvi seguir o canto da sereia urbana- Uber. Em quse 1 ano, trabalhando em regime de quase escravidão em Brasília, quero ater-me em alguns pontos, de forma sucinta, que muito me decepcionaram: 1) a falta de segurança, especialmente, para quem trabalha à noite, que é direcionado para atuar nas franjas das cidades satélites, em locais que sabidamente são letais, sem com destaque, mostrar ao motorista o grau de risco. 2) As taxas são maquiadas, da seguinte forma: para as corridas de pequeno valor cobram taxas beirando 3 a 5%, e o que deixam de cobrar nas pequenas, transferem para as de valores maiores. Depois, mandam mensagem dizendo “parceiro, a média de taxa que cobramos de você foi de 9%”. 3) a gasolina é o item que mais onera e come o lucro, mas o Parceiro Mor, finge que não sabe a pretexto de não perder passageiros, obrigando a outra parte a compensar trabalhando cada vez mais horas, para cobrir a diferença que o passageiro deveria pagar. 4) como no Distrito Federal este ano o número de assassinatos, ferimentos e roubos a motoristas Uber foi alarmante, o número de motoristas que trabalhavam também à noite diminuiu drasticamente, quando então a busca de passageiros passou a ser cada vez mais distante na origem, com relação ao ponto em que o motorista se encontra. Ou seja: o mais próximo está muito distante, mesmo para corridas cuja distância é pequena e baixo o valor, e mesmo sabendo que em questão de distância o DF é um caso atípico, e que merece uma análise diferenciada. Daí, que já rejeitou-se várias corridas arriscadas, então sente-se obrigado a aceitar as outras por uma questão lógica. E para ficar só nessas, a 5) diz respeito às locadoras, que em convênio recente com a UBER, passou, recentemente, a ter acesso a todas as informações, como, desempenho, tempo de volante, dias que não abriu o aplicativo, km rodado, etc., causando mais pressão e stress sobre o motorista que já assume tantos riscos, e que já se encontra sob o peso de obrigações contratuais rígidas e implacáveis. Atualmente estou parado, pois o aplicativo está com uma mensagem que diz, “informaremos quando você puder rodar”, sem determinar as razões de tal suspensão, pois, por mais que o momento exija cautela, a relação tem que ser aberta, para o bem ou para o mal. Apesar dessas serem apenas algumas impressões, quero apenas fazer couro à reportagem, que por sinal muito oportuna e elucidativa, e obrigado para aqueles que tiveram paciência para ler.

  26. Ederson Baia da Rocha Leão disse:

    Estou motorista de App e Concordo plenamente com a matéria.
    Penso que seria muito util, retirar todos os App de transporta e de entregas , ou qualquer tipo de terceitização com máscara de autonomos ou Empreendedor, e o governo federal implementar um App que seja federal, que absorva no máximo 10% do faturamento mensal de cada um inscrito, onde esse valor seja para a manutenção do sistema, como tecnologia, servidores, processadores, enfim o q faz o app estar ativo, bem como o inss e o FGTS para cada um, com isso seríamos trabalhadores que sairiamos da informalidade, seríamos atendido em momentos de necessidade, de um acidente, ou doença e ainda poderiamos sacar o FGTS quando necessário.
    Enfim, aqui em Maringá no Paraná, Uma Cidade de aproximadamente 400 mil habitantes, somos em + – 2.500 motoristas, tirando como base um faturamento bruto de 6.000 reais por mês, o App recolheria 600 reais de cada um, recolheria 1,5 milhao, ( considerando q a cobrança da Uber é variavel, calculo que só aqui na Cidade eles devem fraturar de 3 a 5 milhões por mês) o q cobriria os custos e os diretiros, e depois poderia ser escalonado os VALORES a se descontado de cada motorista, onde o motorista poderia escolher do minimo ao máximo de contribuição para o inss, bem como para o FGTS.
    Pois, hoje muitos tem se sujeitado a esse trabalho, mesmo que precarizado, onde o combustivel, manutenção do carro, riscos inerentes e tudo mais, é do motorista, pois falta oportunidade de trabalho a todos, não acredito na propaganda de empreendedor, de ter tempo livre, isso é tudo conversa, na real mesmo, nós temos é que rodar pra poder ganhar e quem roda mais ganha mais, mas se desgasta muito…
    Sendo assim penso ser possível, desde q o governo federal extirpe esses exploradores e encabesse um projeto q atenda as necessidades do trabalhador .

  27. Fernando disse:

    Vai aumentar o desemprego. Não entendo uma coisa: falam que o estado não deve interferir mas quando uma categoria como a dos taxista (atrasada e incompetente) se sente atingida, vem um monte de político bosta pra tentar se promover . Qual emprego da em torno de R$ 6000,00 para um trabalhador?
    Os aplicativos vieram pra ficar.
    Se preocupem com o desemprego e com os que se locupletam com as concessões obscuras das prefeituras para donos de táxis que muitas vezes nem trabalham e terceirizam as concessões.
    Bem ou mal , os app nos dão a chance de sermos donos de nossos trabalhos. Ou vocês queriam que toda estrutura por trás desses app fosse de graça. Oro , vão cantar coquinhos

  28. A Uber não obriga ninguém a fazer 12h por dia, trabalha com ela quem quer, mercado de trabalho tá aí, escasso, mas tá…

  29. Legal !!!!! Concordo com tudo isso q ta escrito ai sem tirar nem acrecentar uma palavra.Mas eu sou Brasileiro .Tenho 47 anos de vida.Nasci em um paiz em que politicos e empresarios grandes empresarios e uma grande minoria de microempresarios sao exatamente grandes carniceiro. A seculos vem explorando sua gente seu povo e alguns até seus parentes,quem conhece o meu paiz sabe do que estou falando.como eu disse a seculos vem como urubus fazendo da sua nação sua propia carniça. Excravos aqui to falando dos pobres como eu , nunca deixaram de existirem tem sempre algum empregador tirando o couro de um pobre em algum lugar., ainda existi no meu paiz alguem trabalhando em troca de comida e abrigo.domesticas trazidas de algum lugar esquecido por Deus e homens e mantida em cativeiro e mansões em cidades como sp e rj e cidades do sul.Trabalham até a exaustao sem niguem pra defender esses nossos irmaos diante de Deus. Sou nesse momento motorista de aplicativo dois deles aqui em Sao Paulo.Nao concordo de forma alguma com esse trabalho., acho de fato uma exploração do motorista em que eles chamam de parceiros.Na minha opiniao os aplicativos para motorista e outros serviços como entregas de comida e outros,saoe exatamente como politicos e empresarios do meu paiz CARNICEIROS. Nao me importo se proibirem as plataforma no meu pais ser desempregado no meu pais nao é novidade .Aqui no Brasil nao tem politico ou empresario q faça algo pra ajudar de verdade quem é pobre.Tenho 47 anos agora vou me aposenta quando tiver prestes a morre e nao existi nenhuma pespeqtiva de vida pra mim.nao sou mais viavel ao mercado de trabalho. Aqui em SP o alvara de taxi e pontos de taxi ja foi vendido por taxista e algum funcionario publico por trezentos mil reais. Fora o monopolio do taxi desde que existe no pais.Nao conheço um taxista aqui q teve seu taxi propio q nao tenha sua casa propia q seus filhos sao todos formados em suas faculdafes e q tiveram uma vida muito melhor q a maioria dos trabalhadores. O taxista de frota ja nao posso dizer por que esse era exposto a um trabalho precario.,onde muitos morreram assassinados na madrugada e outros viraram drogados virando a noite pra pagar a diaria do taxi.Nos motoristas de aplicativo fazemos exatamente esse trabalho como os taxita de frota.Mas no meu paiz meus Caros cidadãos nao temos escolha.Temos que nos sujeita a qualquer trabalho que aparecer até mesmo os abutres que inventaram os aplicativos.Mas assim como os abutres dos aplicativo é o plitico o rico eo empresario do meu pais todos iguais a diferenca e q alguns assinava a cartera proficional.Agora nem isso vai precisar mais. ( Tragico). Amaha vou pra rua teabalha, nao tenho escolha pois sou um cidadão onesto nao sei levar vantagem,nao sei roubar ,nao sei pisar ou subir no pescoço de niguem pra tirar vantagem de nigiem nao sou abutri pra prejudica niguem em beneficio propio Diante de Deus sou um homem onesto q nunca passou em cima de niguem pra subir na vida.Nao tenho absolutamente nada nenhum bem.moro de favor pago um aluguel simbolico a um grande amigo e pra maioria no meu paiz e pro meu paiz eu nem existo .Mas o que é ironico até a chegada do Virus corona eu nao devia nenhum centavo a niguem mas agora nao sei nem passageiro de app tem.i agora!!!!! TRÁGICO.

  30. Rony c.Barros disse:

    sou motorista diamante uber.
    a uber nunca se posicionou com relaçao a ajudar seus parceiro.
    somos sugados diariamente, num trabalho exaustivo e perigoso.
    a uber tem a obrigaçao nesse momento de repartir ,(mesmo que seja em forma de emprestimo), com os seus motoristas parceiros.
    1000rs depositado em conta e depois descontados em futuras corridas.
    já ajudaria bastante.

  31. Américo Vieira ribas disse:

    Boa noote eu soi motorista da uber e caminha bateu no meu carro eu alugo carrp pel a localiza draive entregue omeu carroe eu queria pagar afranqui elas so resenbeu o carro nao midero afraqui pra mim ppagar estou com dieiro na mao pra pagar afraqui eles alega que empresa esta fora do ar o sistema e eu estou sem trabalhar eu presizo trabaljar nao devo nada pralocaliza eu presizo que a uber me ajude nisso

  32. Marcos Vinicius Magalhães Menezes disse:

    Não é necessário nenhuma canetada, nenhuma intervenção estatal. Se a sociedade prega e se diz democrática, ela pode simplesmente exercer o seu direito de escolha, abandonando os aplicativos e passando a usar táxis e ônibus, pagando suas respectivas tarifas e usufruindo da qualidade dos serviços dessas concessões públicas.

    Por outro lado, caso a sociedade esteja realmente preocupada com os que trabalham com aplicativos, se considera as condições deste tipo de trabalho
    precária, e que a remuneração destes trabalhadores é baixa, basta então, por exemplo, deixar R$ 5,00 de gorjeta em cada utilização do serviço. Simples assim. Tenho certeza absoluta que todos os que trabalham com aplicativos, ficarão extremamente satisfeitos com a remuneração.
    Simples e sem canetadas de burocratas de salários garantidos ao final do mês e com estabilidade.
    Mas se algum cidadão tiver alguma idéia e coragem para empreender, também pode se apresentar, para empregar à todos que hoje trabalham com aplicativos. Não só empregar, sem precariedade de condições de trabalho, mas também com uma remuneração justa e adequada. Alguém se habilita? Alguém? Algum “Steve Jobs” perdido por aí? Não? Então algum “Harry Potter”?
    Então que tal antes de uma canetada piorar o que não está bom, você, tão preocupadinho/a, com a precariedade deste trabalho, passar a demonstrar reconhecimento deixando uma gorjeta após a utilização do serviço.

    Conclusão:
    O “uber” só existe porque a SOCIEDADE DEMANDA POR ESSE SERVIÇO. NENHUMA ARMA É APONTADA, OBRIGANDO A SUA UTILIZAÇÃO.

    É bom andar de carrinho, pagando tarifa de ônibus, sem pensar naquele que está atrás do volante, NÃO É MESMO?

    HARRY POTTER é ficção, “Steve Jobs” não dá em cada esquina e o “capitalismo não é “malvadão” (lembre-se que a escolha deste serviço existir, bem como a sua remuneração final é você quem determina).

    Vais querer mesmo que um “burrocrata” entre em ação com a sua devastadora “caneta mágica”? Tá com vontade de voltar a andar de ônibus e de táxi?

  33. Marcus disse:

    Parabéns pelo texto, muito bem explorado, realmente essa precarização da mão de obra ocorre e muito, e parece que somos (motorista de APK) obrigados a aceitar mesmo sabendo da desvalorização das viagens.

  34. Daniel Cataldo Fernandes disse:

    Nessas situações como do Coranavirus, vemos como somos tratados, como gados, em prol do enriquecimento sem limites de empresas que só pensam em lucros mega astronômicos e revelam que as pessoas são algoritimos para seu enriquecimento sem fim. Gados humanos sem direito a nada em prol do enriquecimento da Burguesia.

  35. Aluno disse:

    Faça o seguinte: continue andando de ônibus e enfraqueça o Uber!

  36. MILTON Rodrigues Vasconcelos disse:

    No momento que estamos vivendo devido a situação a uber deveria rever nossas dificudade presta vma assistência de pelomenos 1000reais a cada motorista para ajuda no sustento de suas família

  37. Hill disse:

    Vocês estão recebendo quantos milhões? Para fazer propaganda da Uber ? Pior ainda propaganda enganosa? Empresa perigosa que deveria ser banida de todos os paises , pois coloca as populações em risco com seus estupros, assaltos e ilegalidade pelo mundo! Observem que em países sérios a Uber foi banida e em alguns países ela atua com restrição e monitorada . Porque Outras Palavras não põe os números de mortes , assaltos, estupros e espancamentos desde que a Uber passou a existir? A população, os paises e o mundo inteiro quer saber sobre essas verdades.
    Jornalismo sério se faz com a verdade. Não estampando o nome de uma Empresa desacreditada como a Uber, e misturando na matéria, Economia e Tecnologia. Absurdo!!

  38. Eduardo Ferreira Barros de Moraes disse:

    Este sem dúvida foi o mais abrangente artigo que li até hoje sobre o transporte individual de passageiros. Sou taxista a 15 anos e todas estas questões levantadas, às observo no dia a dia da profissão. Parabéns!

  39. MARCOS FAJARDO disse:

    Quando a economia estava forte a Esquerda no Brasil entregou nossas reservas e desviou o resto. Caminho fácil para Uber entrar, com todo mundo desempregado.

  40. Sandro disse:

    “a Assembleia da Califórnia ratificou, em 18/9/2020” acredito que o ano esteja errado!

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