Quais tecnologias queremos desinventar?
Invenções como automóvel, reconhecimento facial e clareadores de pele servem a quê? Pesquisador de racismo algorítmico recolhe desejos de desinvenção. Por trás da brincadeira, uma crítica aos sentidos da técnica voltada ao mercado
Publicado 22/01/2021 às 15:26
Entre as táticas para pensar uma revolução técnica, diversas são as linhas de ação. Uns desativam as contas nas redes sociais contra os algorítimos-gatekeepers. Outros migrar para o Telegram em busca de outro aplicativo de mensagens, sem fake news, diferente do Whatsapp. Relatos não faltam entre os que radicalizam. Mas como desinventar tecnologias?
Usando a sua conta pessoal na rede social, o pesquisador brasileiro em Cibercultura, Tarcízio Silva, chamou atenção no último dia 19 de janeiro 2021 pela sua postura anti-civilizatória e pró-humanização.
“Precisamos falar da desinvenção. Cada vez mais percebemos que não é na ‘inovação’ ou na ‘invenção’ que estão as soluções para um mundo melhor. Com frequência é justamente o contrário”, diz o pesquisador, doutorando em Comunicação pela UFABC com pesquisa focada sobre o tema “racismo algorítmico”.
Com a questão levantada sobre “o que você desinventaria?”, Tarcízio criou um site que permite receber colaborações (formulários online) de todo o mundo sobre seus desejos de desinventar tecnologias.
Exemplos como “carros particulares”, “clareadores de pele” e “reconhecimento facial”, são algumas das propostas indicadas como tecnologias inúteis. Mas o que será que um chinês desinventaria? Mas o que será que um português desinventaria? São questões que movem o questionário colaborativo.
O projeto independente Desinventando Tecnologias foi lançado associado a newsletter Desvelar e envolve memória, técnica e sensibilidade. Ele transmitiu para mim uma mensagem de tom irônico e conteúdo instigante para o imaginário coletivo: “é tudo questão de adoção”.
A ideia de que uma técnica torna-se uma inovação passa por uma série de adoções e convenções institucionais e pela escalabilidade da tecnologia e, sobretudo do lucro gerado. Um exemplo é a plataforma de trabalho Uber, que criou inclusive o verbo “uberizar”, de acordo com o dicionário de Cambridge. O que poderia ser uma tecnologia local, mas é de escala internacional.
Depende das demandas e potencialidades de cada grupo local, na escala de bairro, de cidade, de estado, decidir como organizar e desorganizar as tecnologias em busca de mais artefatos mais públicos e menos bunkers de dados privados.
E você? Qual tecnologia desinventaria? Clique aqui para participar.
Não concordo com o termo desastrado. Cite as falhas claramente e comprove os erros.