Recado ao G-20: "queremos mudança"

Documento lançado há dias: além do protesto, alterntivas

Documento lançado há dias: além do protesto, alternativas

Em Londres e em diversas partes do mundo, movimentos sociais prepararam enorme manifestação, paralela ao encontro dos governos. Idéia é exigir, contra a crise, medidas que enfrentem a desigualdade  e a devastação do planeta

Ignorada pela cobertura dos jornais brasileiros sobre os preparativos para reunião do G-20, uma iniciativa dos movimentos sociais da Inglaterra está mobilizando a imprensa daquele país. Em 28 de março, centenas de milhares de pessoas devem ir às ruas em Londres, para reivindicar que a crise econômica seja enfrentada com medidas que questionem a atual ordem econômica — e não com paliativos, ou simples correção dos “excessos do sistema”. Será um recado claro aos chefes de governo do grupo de 20 nações ricas e “emergentes” que se reunirão, também na capital inglesa, a partir de 2 de abril, e que parecem envoltos em graves divergências (veja post abaixo).

A manifestação é resultado de reuniões realizadas em  Belém (Brasil), durante o último Fórum Social Mundial (ver abaixo). Em torno dela, está se articulando o que o diário The Observer (ver matéria em nosso clip) considera ser “talvez a mais ampla coalizão de grupos de pressão já formada no Reino Unido”, com força comparável à que promoveu a manifestação de 1 milhão de pessoas contra a guerra do Iraque, em 2003. O jornal ressalva que agora a situação é mais difícil e complexa. Não se trata mais de protestar contra uma ação militar, mas de “articular uma trama complexa de movimentos e agendas, unidos por uma emoção: a repulsa à encarnação mais recente do capitalismo e a busca por novas formas de organizar a economia do planeta”.

The Observer avalia que o esforço parece dar resultados. Denominada Put People Firstalgo como “Salvar as sociedades primeiro” — a coalizão (ver site) reúne mais de cem organizações. O leque abrange os grupos que buscam alternativas claramente pós-capitalistas, mas também  sindicatos, ambientalistas, empreendimentos de economia solidária, organizações contra a pobreza, grupos cristãos e dezenas de ONGs. Para dar conta de tal diversidade, haverá também distintas formas de ação. A manifestação central será nas ruas de Londres, dia 28, mas haverá outras formas de protesto. Grupos de jovens tentarão paralisar a City, um dos grandes centros financeiros do mundo, bloqueando a entrada das instituições lá instaladas. Sindicatos celebrarão o 25º aniversário da última grande greve de mineiros (sufocada por Margareth Thatcher). Haverá marchas carnavalescas.

Ainda mais significativo, porém, é o fato de uma articulação tão diversa de organizações e movimentos estar disposta a construir alternativas comuns — até agora, com êxito. Há dois dias, Put People First lançou um primeiro documento de propostas. Pode ser baixado aqui (formato pdf), ou lido em nosso clip. Sucinto (doze páginas) e objetivo, o documento tem quatro capítulos. Em cada um deles, formulam-se princípios gerais e propostas concretas. O primeiro tópico é destinado à regulação financeira, medida diretamente relacionada à prevenção de crises como a atual. Os demais  tratam de mudanças econômicas muito mais profundas: “Empregos decentes e serviços públicos para todos (capítulo 2); “Justiça: Fim da pobreza e das desigualdade globais (capitulo 3); “Clima: Construir uma Economia Verde (capítulo 4). Duas características do documento são especialmente marcantes. Ele é composto de propostas muito concretas, que fogem totalmente do estilo dos panfletos e atendem a problemas reais vividos pelas sociedades. E no entanto, tais propostas representam, em seu conjunto, uma mudança radical em relação às lógicas econômicas hoje hegemônicas (veja os doze pontos a seguir).

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4 comentários para "Recado ao G-20: "queremos mudança""

  1. Marcelo Gregório disse:

    O impropério que se inserio a idéia de crise causa o retardamento das vias de solução desse litigio econômico. Devidamente, a regulação da ordem passará por locupletar o olhar investidor das administrações públicas para políticas sociais, culturais; além mais as investiduras de infraestrutura devem ser revistas por iniciativas altruísticas, particularmente nos países latinos americanos.
    Com isso, o comportamento retrativo dos Estados em relação às tais ações de bem estar social, apenas atravancará a expectativa dos mercados, e colidirá com a derrocada democrática novamente. Erguei-vos filhos da pátria. Falamos no Brasil!

  2. ieda sommer disse:

    Por que será que a humanidade no poder é tão corrupta?Fico pensando se as mulheres liderassem, a ganancia e a corrupçao seriam as mesmas?Por que será que, desde o inicio das civilizações, é uma estoria de barbárie? Vi na Tv cientistas despoluindo material quimico com bacterias, o que é de um avanço fenomenal. Com todas estas conquistas, o que se v6e ainda é a barbárie, avanços espaciais convivendo com pessoas que arrastam como ratos – e o pior é que essa convivencia está cada vez mais estreita. E o que se vê é a elite social, cultural, economica e intelectual, se espremendo cada vez mais para criar uma ilha de vida – e esse progresso fantastico não evita a barbárie que persiste no desenvolvimento da humanidade, em todos estes anos. Talvez se conseguirmos responder a isso, talvez possamos compreender por que será que a humanidade que controla o mundo não consegue modificar seus principios de ganancia e ambição, nem para salvar sua casa (o planeta) ,e nem pensar nos seus descendentes. para mudar a atitude nas reuniões dos G’s, é necessário um conselho supremo ditando novas normas de ética.É preciso criar uma constituição de normas éticas, em caráter mundial, reformulando todo o pensamento humano, que, pelo jeito, se desenvolveu fazendo bolhas, buracos negros, nesse desenvolvimento.

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