Photofagia: Vestir-se de quê, afinal?

Na Tailândia, imagens das mulheres-máquinas. Desigualdade leva-as a porões semi-escravos, de onde alimentam lógica das grifes globais

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Na Tailândia, imagens das mulheres-máquinas. Desigualdade leva-as a porões semi-escravos, de onde alimentam lógica das grifes globais

Imagens e texto: Leticia Freire

O algodão cresce, floresce e parte de seu destino é a indústria têxtil. Complexa, a cadeia de produção se desmembra em outras atividades diversas. Inevitavelmente, em algum lugar dessa teia, encontraremos pessoas atrás das máquinas de costura. Muitas, aliás, vivendo em condições análogas à escravidão.

O modelo de negócio das grandes marcas de confecção reflete o lema do mercado: “mais barato, mais flexível e mais rápido”. Essa ideologia – comprada por muitos consumidores – potencializa a pressão na base da pirâmide. Sem qualquer ética,  as necessidades humanas (e seus direitos) perdem espaço para o mais selvagem capitalismo.

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Grandes instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial (Bird), também assinam a corresponsabilidade pela deterioração das relações sociais e de trabalho na indústria têxtil. Esses órgãos incentivam os governos e as grandes corporações a flexibilizarem suas legislações trabalhistas para atrair investimentos. “Oferecemos mão-de-obra barata e baixos custos. A responsabilidade disso não nos interessa”, seria um bom lema para explicar tais lógicas.

Mulheres-máquinas

Segundo o relatório “Moda que aperta. A precariedade das condições de trabalho das mulheres na confecção e a responsabilidade social das empresas”, da Oxfam, a mão de obra feminina representa entre 60% e 90% da força de trabalho nos setores da confecção em Bangladesh, Chile, China, Colômbia, Honduras, Quênia, Marrocos, Grã-Bretanha, Sri Lanka, África do Sul e Tailândia.

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Péssimas condições de higiene, salários insuficientes, horas extras obrigatórias e não-remuneradas, proibição de se sindicalizar são fatores que afetam em cheio essas trabalhadoras.

A precariedade das condições de trabalho e a perda dos direitos fragilizam as condições de vida principalmente das meninas, que param de estudar para acompanhar as mães em sua jornada ou para cuidar dos irmãos mais novos.

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Testemunhos assustadores sobre sua situação já não são novidade. Imagens tristes também não simbolizam nenhum furo de reportagem. Ainda assim, este ensaio, feito em uma confecção clandestina na Tailândia, tenta sensibilizar as pessoas sobre o ato de vestir-se.

Vestir-se de quê, afinal?

Essa é a provocação que as fotografias deixam no ar.

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4 comentários para "Photofagia: Vestir-se de quê, afinal?"

  1. Telma disse:

    Quais marcas??? Para divulgar e termos força para agir, como por ecxemplo:boicote, temos que saber quais marcas!!! E ai?

  2. Luiza disse:

    Isso que eu ia comentar, existe algum site, tipo o do PETA, com as marcas que adotam essas condições de trabalho? Só sei da Marisa e da Zara…

  3. Leonardo disse:

    Um doc muito bom que trata desse assunto logo no inicio é o: ” The New Rulers of the World” do jornalista John Pilger, alias qualquer documentário dele é maravilhoso.
    Realmente complicado de boicotar as marcas e empresas que praticam essas atrocidades, financiados por todos nós. Adidas, Nike, acho que as maiores estão todas envolvidas.
    Esse site possui algumas listas em PDF – http://www.laborrights.org/
    Fora isso vocês podem procurar no google por sweatshops e tentar achar alguma info mais atualizada.

  4. Gabriel C. disse:

    A solução não seria apenas o boicote. E sim a militância contra essas marcas. Para que tomem providências quanto à situações do trabalho escravo. Só assim se sentiram pressionadas, ver o porque de seu publico não consumir. Boicotar só por boicotar não leva a nada, tem que divulgar informação, conversar com as pessoas, denunciar as marcas -para elas mesmo, para verem seu consumidor irado. Quem diz muito sobre isso é o jornalista Leonardo Sakamoto, em seu blog.

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