Outros valores, além do frenesi de consumo

Viveiros de Castro dispara: iludido por noção ultrapasada de progresso, Brasil pode desperdiçar oportunidade única de propor novo modelo civilizatório

Eduardo

Entrevista a Júlia Magalhães | Imagem: Myrian Sá Leitão Barboza, Wiri nowa kuneboy (brincando de queixada)

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Em meio a críticas e esperanças, pensadores e ativistas debatem como superar crise da representação e reinventar democracia.

Leia também, nesta série, as entrevistas com Fernando Meirelles e Ricardo Abramovay

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É preciso insistir no fato de que é possível ser feliz sem o frenesi de consumo que a mídia nos impõe”, reafirma o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, à jornalista Júlia Magalhães. Para ele, assim como para Fernando Meirelles e Ricardo Abramovay – primeiros entrevistados da sério Outra Política – a felicidade pode ter outros caminhos. O novo diálogo é parte da série que o Instituto Ideafix produziu por encomenda do IDS (Instuto Democracia e Sustentabilidade), e que o site publica na seção especial “Outra Política“. Pesquisador e professor de antropologia do Museu Nacional (UFRJ) e sócio fundador do Instituto Socioambiental (ISA), Viveiros insiste em que só pela educação avançaremos rumo a uma sociedade mais democrática. “A falta de educação é o nó cego responsável por esse conservadorismo reacionário de boa parte da população”, diz ele. Vai além: arrisca dizer que haveria uma conspiração para impedir os brasileiros de ter acesso a educação ou conexão de à internet de qualidade – conquistas que permitiriam ampliar o acesso a produtos e bens culturais.

Ainda como Meirelles e Abramovay, Viveiros insiste em políticas que reduzam a desigualdade e favoreçam novos padrões de consumo. “É um absurdo afirmar que produzir mais carros é sinal de pujança, utilizar esse dado como indicador de melhoria econômica.” Para o antropólogo, a mobilização pelas causas ambientais é importante, mas ainda está longe de corresponder à gravidade do problema. É preciso ampliar o universo dos que se preocupam, lembrar “que saneamento básico, dengue e lixo são problemas ambientais”. Viveiros está alarmado: “as pessoas fingem não saber o que está acontecendo, mas o fato é que temos que nos preparar para o pior”. O raciocínio é semelhante ao de Fernando Meirelles, diretor de Ensaio sobre a Cegueira: “Apenas cegos, cínicos ou oportunistas recusam-se a enxergar”.

Diferentemente de Abramovay – que vê germinar um trabalho sério nas empresas e acredita que a sociedade terá força e atitude para impor limites à iniciativa privada –, Viveiros de Castro considera que as corporações não são capazes de ir além do “capitalismo verde”, fingindo responsabilidade social e ambiental. Os dois se alinham, contudo, na esperança depositada nas redes sociais como canais de expressão, opinião, colaboração e mobilização.Não existe um rumo Brasil”, alerta Viveiros de Castro, ao falar sobre a fratura que marca a sociedade brasileira contrapondo as forças vivas do autoritarismo e do racismo aos setores que buscam a inovação.“O Brasil é um país escravocrata, racista, que não fez reforma agrária, e precisa fazê-la”, diz. Não por coincidência, dissse o mesmo, há pouco, Mano Brown, em vídeo gravado na Ocupação Mauá, centro de São Paulo. “O Brasil está em transição, não sabe se é um país moderno ou se está ainda em 1964. Tem uma geração de direita ainda viva – Kassab é de direita, Alckmin é de direita – que tem um modus operandi dos caras da antiga, de usar a força, o poder.”

A seguir, a entrevista (Inês Castilho).

Qual é sua percepção sobre a participação política do brasileiro?

Preferiria começar por uma desgeneralização: vejo a sociedade brasileira como profundamente dividida no que concerne à sua visão do país e do futuro. A ideia de que existe um Brasil, no sentido não-trivial das ideias de unidade e de brasilidade, parece-me uma ilusão politicamente conveniente (sobretudo para os dominantes) mas antropologicamente equivocada. Existem no mínimo dois, e, a meu ver, bem mais Brasis. O conceito geopolítico de Estado-nação unificado não é descritivo, mas prescritivo. Há fraturas profunda na sociedade brasileira. Há setores da população com uma vocação conservadora imensa; eles não integram necessariamente uma classe específica, embora as chamadas “classes médias”, ascendentes ou descendentes, estejam bem representadas ali. Grande parte da chamada sociedade brasileira — a maioria, infelizmente, temo — se sentiria muito satisfeita sob um regime autoritário, sobretudo se conduzido mediaticamente pela autoridade paternal de uma personalidade forte. Mas isso é uma daquelas coisas que a minoria libertária que existe no país, ou mesmo uma certa medioria “progressista”, prefere manter envolta em um silêncio embaraçado. Repete-se a todo e a qualquer propósito que o povo brasileiro é democrático, “cordial”, amante da liberdade, da igualdade e da fraternidade – o que me parece uma ilusão muito perigosa. É assim que vejo a “participação política do povo brasileiro”: fraturada, dividida, polarizada, uma polarização que não está necessariamente em harmonia com as divisões politicas oficiais (partidos etc.). O Brasil permanece uma sociedade visceralmente escravocrata, renitentemente racista, e moralmente covarde. Enquanto não acertarmos contas com esse inconsciente, não iremos “para a frente”. Em outros momentos, é claro, soluços insurreicionais esporádicos, e uma certa indiferença pragmática em relação aos poderes constituídos, que se testemunha sobretudo entre os mais pobres, ou os mais alheios ao teatro montado pelo andar de cima, inspiram modestas utopias e moderados otimismos por parte daqueles que a historia colocou na confortável posição de “pensar o Brasil”. Nós, em suma.

O que é preciso para mudar isso?

Falar, resistir, insistir, olhar por cima do imediato – e, evidentemente, educar. Mas não “educar o povo”, como se a elite fosse muito educada e devêssemos (e pudéssemos) trazer o povo para um nível superior; mas sim criar as condições para que o povo se eduque e acabe educando a elite, quem sabe até livrando-se dela. A paisagem educacional do Brasil de hoje é a de uma terra devastada, um deserto. E não vejo nenhuma iniciativa consistente para tentar cultivar esse deserto. Pelo contrário: chego a ter pesadelos conspiratórios de que não interessa ao projeto de poder em curso modificar realmente a paisagem educacional do Brasil: domesticar a força de trabalho, se é que é isso mesmo que se está sinceramente tentando (ou planejando), não é de forma alguma a mesma coisa que educar.

Isto é só um pesadelo, decerto: não é assim, não pode ser assim, espero que não seja assim. Mas fato é que não se vê uma iniciativa de modificar a situação. Vê-se é a inauguração bombástica de dezenas de universidades sem a mínima infra-estrutura física (para não falar de boas bibliotecas, luxo quase impensável no Brasil), enquanto o ensino fundamental e médio permanecem grotescamente inadequados, com seus professores recebendo uma miséria, com as greves de docentes universitários reprimidas como se eles fossem bandidos. A “falta” de instrução — que é uma forma muito particular e perversa de instrução imposta de cima para baixo — é talvez o principal fator responsável pelo conservadorismo reacionário de boa parte da sociedade brasileira. Em suma, é urgente uma reforma radical na educação brasileira.

“A floresta e a escola”, sonhava Oswald de Andrade. Infelizmente, parece que deixaremos de ter uma e ainda não teremos a outra. Pois sem escola, aí é que não sobrará floresta mesmo.

Por onde começaria a reforma na educação?

Começaria por baixo, é lógico, no ensino fundamental – que continua entregue às moscas. O ensino público teria de ter uma política unificada, voltada para uma – com perdão da expressão – “revolução cultural”. Não adianta redistribuir renda (ou melhor, aumentar a quantidade de migalhas que caem da mesa cada vez mais farta dos ricos) apenas para comprar televisão e ficar vendo o BBB e porcarias do mesmo quilate, se não redistribuímos cultura, educação, ciência e sabedoria; se não damos ao povo condições de criar cultura em lugar de apenas consumir aquela produzida “para” ele. Está havendo uma melhora do nível de vida dos mais pobres, e talvez também da velha classe média – melhora que vai durar o tempo que a China continuar comprando do Brasil e não tiver acabado de comprar a África. Apesar dessa melhora no chamado nível de vida, não vejo melhora na qualidade efetiva de vida, da vida cultural ou espiritual, se me permitem a palavra arcaica. Ao contrário. Mas será que é preciso mesmo destruir as forças vivas, naturais e culturais, do povo, ou melhor, dos povos brasileiros para construir uma sociedade economicamente mais justa? Duvido.

Nesse cenário, quais os temas capazes de mobilizar a sociedade brasileira, hoje?

Vejo a “sociedade brasileira” imantada, pelo menos no plano de sua auto-representação normativa por via da midia, por um ufanismo oco, um orgulho besta, como se o mundo (desta vez, enfim) se curvasse ao Brasil. Copa, Olimpíadas… Não vejo mobilização sobre temas urgentíssimos, como esses da educação e da redefinição de nossa relação com a terra, isto é, com aquilo que está por baixo do território. Natureza e Cultura, em suma, que hoje não apenas se acham mediadas, mediatizadas pelo Mercado, mas mediocrizadas por ele. O Estado se aliou ao Mercado, contra a Natureza e contra a Cultura.

Esses temas ainda não mobilizam?

Existe alguma preocupação da opinião pública com a questão ambiental, um pouco maior do que com a educacional – o que não deixa de ser para se lamentar, pois as duas vão juntas. Mas tudo me parece “too little, too late”: muito pouco, e muito tarde. Está demorando tempo demais para se espalhar a consciência ambiental, o sentido de urgência absoluta que a situação do planeta impõe a todos nós. Essa inércia se traduz em pouca pressão sobre os governos, as corporações, as empresas – estas investindo cada vez mais na historia da carochinha do “capitalismo verde”. E pouca pressão sobre a grande imprensa, suspeitamente lacônica, distraída e incompetente quando se trata da questão das mudanças climáticas.

Não se vê a sociedade realmente mobilizada, por exemplo, por Belo Monte, uma monstruosidade provada e comprovada, mas que tem o apoio desinformado (é o que se infere) de porções significativas da população do Sul e Sudeste, para onde irá boa parte da energia que não for vendida a preço de banana paras as multinacionais do alumínio fazerem latinha de sakê, no baixo Amazonas, para o mercado asiático. Faz falta um discurso politico mais agressivo em relação à questão ambiental. É preciso sobretudo falar aos povos, chamar a atenção de que saneamento básico é um problema ambiental, dengue é problema ambiental, lixão é problema ambiental. Não é possível separar desmatamento de dengue e de saneamento básico. É preciso convencer a população mais pobre de que melhorar as condições ambientais é garantir as condições de existência das pessoas. Mas a esquerda tradicional, como se está comprovando, mostra-se completamente despreparada para articular um discurso sobre a questão ambiental. Quando suas cabeças mais pensantes falam, tem-se a sensação de que estão apenas “correndo atrás”, tentando desajeitadamente capturar e reduzir ao já-conhecido um tema novo, um problema muito real que não estava em seu DNA ideológico e filosófico. Isso quando ela, a esquerda, não se alinha com o insustentável projeto ecocida do capitalismo, revelando assim sua comum origem com este último, lá nas brumas e trevas da metafísica antropocêntrica do Cristianismo.

Enquanto acharmos que melhorar a vida das pessoas é dar-lhes mais dinheiro para comprarem uma televisão, em vez de melhorar o saneamento, o abastecimento de água, a saúde e a educação fundamental, não vai dar. Você ouve o governo falando que a solução é consumir mais, mas não vê qualquer ênfase nesses aspectos literalmente fundamentais da vida humana nas condições dominantes no presente século.

Não se diga, por suposto, que os mais favorecidos pensem melhor e vejam mais longe que os mais pobres. Nada mais idiota do que esses Land Rovers que a gente vê a torto e a direito em São Paulo ou no Rio, rodando com plásticos do Greenpeace e slogans “ecológicos” colados nos pára-brisas. Gente refestelada nessas banheiras 4×4 que atravancam as ruas e bebem o venenoso óleo diesel, gente que acha que “contato com a natureza” é fazer rally no Pantanal…

É uma situação difícil: falta instrução básica, falta compromisso da midia, falta agressividade política no tratar da questão do ambiente — isso quando se acha que há uma questão ambiental, o que está longe de ser o caso de nossos atuais Responsáveis. Estes mostram, ao contrário e por exemplo, preocupação em formar jovens que dirijam com segurança, e assim ao mesmo tempo mantêm sua aposta firme no futuro do transporte por carro individual numa cidade como São Paulo, em que não cabe nem mais uma agulha. Um governo que não se cansa de arrotar grandeza sobre a quantidade de veiculos produzidos por ano. É um absurdo utilizar os números da produção de veiculos como indicador de prosperidade econômica. Isso é uma proposta podre, uma visão tacanha, um projeto burro de país.

Você está dizendo que muitos apelos ao consumo vêm do próprio governo. Mas também há um apelo muito grande que vem do mercado. Como você avalia isso?

O Brasil é um país capitalista periférico. O capitalismo industrial-financeiro é considerado por quase todo mundo hoje como uma evidência necessária, o modo incontornável de um sistema social sobreviver no mundo de hoje. Entendo, ao contrário de alguns companheiros de viagem, que o capitalismo sustentável é uma contradição em termos, e que se nossa presente forma de vida econômica é realmente necessária, então logo nossa forma de vida biológica, isto é, a espécie humana, vai-se mostrar desnecessária. A Terra vai favorecer outras alternativas.

A ideia de crescimento negativo, ou de objeção ao crescimento, a ética da suficiência são contraditórias com a lógica do capital. O capitalismo depende do crescimento contínuo. A ideia manutenção de um determinado patamar de equilíbrio na relação de troca energética com a natureza não cabe na matriz econômica do capitalismo.

Esse impasse, queiramos ou não, vai ser “solucionado” pelas condições termodinâmicas do planeta em um período muito mais curto do que imaginávamos. As pessoas fingem não saber o que está acontecendo, preferem não pensar no assunto, mas o fato é que temos que nos preparar para o pior. E o Brasil, ao contrário, está sempre se preparando para o melhor. O otimismo nacional diante de uma situação planetária para lá de inquietante é extremamente perigoso, e a aposta de que vamos nos dar bem dentro do capitalismo é algo ingênua, se é que não é, quem sabe, desesperada.. O Brasil continua sendo um país periférico, uma plantation relativamente high tech que abastece de produtos primários o capitalismo central. Vivemos de exportar nossa terra e nossa água em forma de soja, açúcar, carne, para os países industrializados – e são eles que dão as cartas, controlam o mercado. Estamos bem nesse momento, mas de forma alguma em posição de controlar a economia mundial. Se mudar um pouco para um lado ou para o outro, o Brasil pode simplesmente perder esse lugar à janela onde está sentado hoje. Sem falar, é claro, no fato de que estamos vivendo uma crise econômica mundial que se tornou explosiva em 2008 e está longe de acabar; ninguém sabe onde ela vai parar. O Brasil, nesse momento da crise, está em uma espécie de contrafluxo do tsunami, mas quando a onda quebrar vai molhar muita gente. Essas coisas têm de ser ditas.

E como você avalia a relação dessa realidade macropolítica, macroeconômica, com as realidades do Brasil rural, dos ribeirinhos, dos indígenas?

O projeto de Brasil que tem a presente coalizão governamental sob o comando do PT é um no qual ribeirinhos, índios, camponeses, quilombolas são vistos como gente atrasada, retardados socioculturais que devem ser conduzidos para um outro estágio. Isso é uma concepção tragicamente equivocada. O PT é visceralmente paulista, seu projeto é uma “paulistanização” do Brasil. Transformar o interior do país numa fantasia country: muita festa do peão boiadeiro, muito carro de tração nas quatro, muita música sertaneja, bota, chapéu, rodeio, boi, eucalipto, gaúcho. E do outro lado cidades gigantescas e impossíveis como São Paulo. O PT vê a Amazônia brasileira como um lugar a se civilizar, a se domesticar, a se rentabilizar, a se capitalizar. Esse é o velho bandeirantismo que tomou conta de vez do projeto nacional, em uma continuidade lamentável entre as geopolítica da ditadura e a do governo atual. Mudaram as condições políticas formais, mas a imagem do que é uma civilização brasileira, do que é uma vida que valha a pena ser vivida, do que é uma sociedade que esteja em sintonia consigo mesma, é muito, muito parecida. Estamos vendo hoje, numa ironia bem dialética, o governo comandado por uma pessoa perseguida e torturada pela ditadura realizando um projeto de sociedade encampado e implementado por essa mesma ditadura: destruição da Amazônia, mecanização, transgenização e agrotoxificação da “lavoura”, migração induzida para as cidades. Por trás de tudo, uma certa ideia de Brasil que o vê, no início do século XXI, como se ele devesse ser o que os Estados Unidos foram no século XX. A imagem que o Brasil tem de si mesmo é, sob vários aspectos, aquela projetada pelos Estados Unidos nos filmes de Hollywood dos anos 50 – muito carro, muita autoestrada, muita geladeira, muita televisão, todo mundo feliz. Quem pagava por tudo isso éramos, entre outros, nós. (Quem nos pagará, agora? A África, mais uma vez? O Haiti? A Bolivia?). Isso sem falarmos na massa de infelicidade bruta gerada por esse modo de vida para seus beneficiários mesmo.

É isso que vejo, uma tristeza: cinco séculos de abominação continuam aí. Sarney é um capitão hereditário, como os que vieram de Portugal para saquear e devastar a terra dos índios. O nosso governo dito de esquerda governa com a permissão da oligarquia e dos jagunços destas para governar, ou seja, pode fazer várias coisas desde que a parte do leão continue com ela. Toda vez que o governo ensaia alguma medida que ameace isso,o congresso, eleito sabe-se como, breca, a imprensa derruba, o PMDB sabota.

Há uma série de impasses para os quais não vejo saída, não vejo como sair por dentro do jogo político tradicional, com as presentes regras – vejo mais como sendo possível pelo lado do movimento social. Este está desmobilizado; se não está, o que mais se ouve é que ele está. Mas se não for por via do movimento social, vamos continuar vivendo nesse paraíso subjuntivo, aquele em que um dia tudo vai ficar ótimo. O Brasil é um país dominado politicamente por grandes proprietários e grandes empreiteiros, que não só nunca fez sua reforma agrária, como onde se diz que já não é mais preciso fazê-la.

Você acha que as coisas vão começar a mudar quando chegarem a um limite?

A crise econômica mundial vai provavelmente pegar o Brasil no contrapé em algum momento próximo. Mas o que vai acontecer com certeza é que o mundo todo vai passar por uma transição ecológica, climática e demográfica muito intensa nos próximos 50 anos, com epidemias, fomes, secas, desastres, guerras, invasões. Estamos vendo as condições climáticas mudarem muito mais aceleradamente do que imaginávamos, e é grande a possibilidade de catástrofes, de quebras de safras, de crises de alimentos. Por ora, hoje, isso está até beneficiando o Brasil. Mas um dia a conta vai chegar. Os climatologistas, os geofísicos, os biólogos e os ecólogos estão profundamente pessimistas quanto ao ritmo, as causas e as consequências da transformação das condições ambientais em que se desenvolve hoje a vida da espécie. Porque haveria eu de estar otimista?

Penso que é preciso insistir que é possível ser feliz sem se deixar hipnotizar por esse frenesi de consumo que a mídia nos impõe. Não sou contra o crescimento econômico no Brasil, não sou idiota a ponto de achar que tudo se resolveria distribuindo a grana do Eike Batista entre os camponeses do semi-árido nordestino ou cortando os subsídios aos clãs político-mafiosos que governam o país. Não que isso não fosse uma boa ideia. Mas sou contra, isso sim, o crescimento da “economia” mundial, e sou a favor de uma redistribuição das taxas de crescimento. Sou também obviamente a favor de que todos possam comprar uma geladeira, e, por que não, uma televisão — mas sou a favor de que isso envolva a máxima implementação das tecnologias solar e eólica. E teria imenso prazer em parar de andar de carro se pudéssemos trocar esse meio absurdo de transporte por soluções mais inteligentes.

E como você vê o jovem nesse contexto?

É muito difícil falar de uma geração à qual não se pertence. Na década de 60 tínhamos ideias confusas mas ideais claros, achávamos que podíamos mudar o mundo, e sabíamos que tipo de mundo queríamos. Acho que, no geral, os horizontes utópicos se retraíram enormemente.

Algum movimento recente no Brasil ou no mundo chamou sua atenção?

No Brasil, a aceleração da difusão do que podemos chamar de cultura agro-sulista, tanto à direita como à esquerda, pelo interior do país. Vejo isso como a consumação do projeto de branqueamento da nacionalidade, esse modo muito peculiar da elite dominante acertar suas contas com o próprio passado (passado?) escravista.

Outra mudança importante foi a consolidação de uma cultura popular ligada ao movimento evangélico. O evangelismo das igrejas universais do reino de Deus e congêneres está evidentemente associado à religião do consumo, aliás.

E como você vê o surgimento das redes sociais, nesse contexto?

Isso é uma das poucas coisas com que estou bastante otimista: o relativo e progressivo enfraquecimento do controle total das mídias por cinco ou seis grandes grupos. Esse enfraquecimento está acontecendo com a proliferação das redes sociais, que são a grande novidade na sociedade brasileira e que estão contribuindo para fazer circular um tipo de informação que não tinha trânsito na imprensa oficial, e permitindo formas de mobilização antes impossíveis. Há movimentos inteiramente produzidos dentro das redes sociais, como a marcha contra a homofobia, o churrasco da “gente diferenciada” em Higienópolis, os vários movimentos contra Belo Monte, a mobilização pelas florestas. As redes são nossa saída de emergência para a aliança mortal entre governo e mídia. São um fator de desestabilização, no melhor sentido da palavra, do arranjo de poder dominante. Se alguma grande mudança no cenário político brasileiro vier a acontecer, creio que vai passar por essa mobilização das redes.

Por isso se intensificam as tentativas de controlar essas redes por parte dos poderes constituídos – isso no mundo inteiro. Pelo controle ao acesso ou por instrumentos vergonhosos, como o “projeto” brasileiro de banda larga, que começa pelo reconhecimento de que o serviço será de baixa qualidade. Uma decisão tecnolotica e política antidemocrática e antipopular, equivalente ao que se faz com a educação: impedir que a população tenha acesso pleno à circulação cultural. Parece mesmo, às vezes, que há uma conspiração para impedir que os brasileiros tenham uma educação boa e acesso de qualidade à internet. Essas coisas vão juntas e têm o mesmo efeito, que é o aumento da inteligência social, algo que, pelo jeito, é preciso controlar com muito cuidado.

Você imagina um novo modelo político?

Um amigo que trabalhava no ministério do Meio Ambiente na época de Marina Silva me criticava dizendo que essa minha conversa de ficar longe do Estado era romântica e absurda, que tínhamos que tomar o poder, sim. Eu respondia que, se tínhamos de tomar o poder, era preciso saber manter o poder depois, e era aí que a coisa pegava. Não tenho um desenho político para o Brasil, não tenho a pretensão de saber o que é melhor para o povo brasileiro em geral e como um todo. Só posso externar minhas preocupações e indignações, e palpitar, de verdade, apenas ali onde me sinto seguro.

Penso, de qualquer forma, que se deve insistir na ideia de que o Brasil tem – ou, a essa altura, teria – as condições ecológicas, geográficas, culturais de desenvolver um novo estilo de civilização, um que não seja uma cópia empobrecida do modelo americano e norte-europeu. Poderíamos começar a experimentar, timidamente que fosse, algum tipo de alternativa aos paradigmas tecno-econômicos desenvolvidos na Europa moderna. Mas imagino que, se algum país vai acabar fazendo isso no mundo, será a China. Verdade que os chineses têm 5000 anos de historia cultural praticamente continua, e o que nós temos a oferecer são apenas 500 anos de dominação europeia e uma triste historia de etnocídio, deliberado ou não. Mesmo assim, é indesculpável a falta de inventividade da sociedade brasileira, pelo menos das suas elite políticas e intelectuais, que perderam várias ocasiões de se inspirarem nas soluções socioculturais que os povos brasileiros historicamente ofereceram, e de assim articular as condições de uma civilização brasileira minimamente diferente dos comerciais de TV. Temos de mudar completamente, para começar, a relação secularmente predatória da sociedade nacional com a natureza, com a base físico-biológica da própria nacionalidade. E está na hora de iniciarmos uma relação nova com o consumo, menos ansiosa e mais realista diante da situação de crise atual. A felicidade tem muitos caminhos.

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48 comentários para "Outros valores, além do frenesi de consumo"

  1. sempre lúcido, radical e certeiro.

  2. Bruno Cava disse:

    Eis velhas elites bem situadas no promontório da Alta Academia, temerosas da enchente de novos Brasis e brasileiros, que infiltra por todos os lados, por poros cada vez mais alargados. Só conseguem ver decadência moral e catástrofe ambiental onde se multiplicam as possibilidades e oportunidades de uma nova realidade social e política. Incapazes de perceber os efeitos positivos da mudança, rançosos diante dos novos bárbaros, afetam seus textos e debates de tristeza, e tentam nos convencer de suas desgraças íntimas e escatologias pessoais. Sim, os pobres estão finalmente inundando os espaços-tempos e reformulando as coordenadas da terra brasilis. Consomem, desejam, falam e se fazem ouvir, se recusam a aceitar antigas credenciais. Quão inadmissível. Só pode ser mesmo o fim do mundo. O quiprocó derradeiro.

  3. Égua de leitura… pra mim que moro aqui na Amazônia, foi um tapão na cara!

  4. Paulo disse:

    “A falta de educação é o nó cego responsável por esse conservadorismo reacionário de boa parte da população”, diz ele. Vai além: arrisca dizer que haveria uma conspiração para impedir os brasileiros de ter acesso a educação ou conexão de à internet de qualidade – conquistas que permitiriam ampliar o acesso a produtos e bens culturais.”
    Direto ao ponto !

  5. Verlan Neto disse:

    E há vinte anos, entre o pessimismo e a esperança… "(…)Vamos celebrar nossa bandeira / Nosso passado de absurdos gloriosos / Tudo o que é gratuito e feio / Tudo o que é normal / Vamos cantar juntos o Hino Nacional (a lágrima é verdadeira) / Vamos celebrar nossa saudade / E comemorar a nossa solidão"

  6. Me identifiquei por completo aos argumentos.

  7. Às avessas com o papo "brasileuro-centrista"… abaixo o norte!

  8. Tenho orgasmos intelectuais com esse tipo de manifestação! A primeira mudança necessária é que seres pensantes comecem a expor suas ideias, seus sonhos e devaneios sobre todo e qualquer assunto! Chega de fechar os olhos e se deixar levar! A gente precisa falar, gritar, tirar a roupa, xingar, expor o que há dentro de nós e que nos difere dos outros seres! A gente precisa dizer a que veio e enxergar a luz que só a nossa inteligência pode identificar nesse mundo sujo, poluído! Já pedimos paz, já pedimos amor, já pedimos liberdade. Eu peço voz a quem estiver entalado com a injustiça desse país quadrado! Chega de falso moralismo, chega de repetir e viver de acordo com as verdades dos seus avós! Chega de dizer que o jovem de hoje em dia não se importa com política, não se importa com sua comunidade, não se importa com sua família, que é individualista… chega de conformismo com o que não pode ser. Chega de viver num modelo absurdo de sociedade sem rumo, sem propósito e sem nexo!
    Tá na hora de o brasileiro descobrir que é gente!

  9. Maira Ribeiro disse:

    Não vi os créditos the fotografia.

  10. Comentário muito lúcido sobre os caminhos cada vez mais consumista e tacanho de nossa sociedade. Vamos muito mal.

  11. Paulo disse:

    “Já pedimos paz, já pedimos amor, já pedimos liberdade. Eu peço voz a quem estiver entalado com a injustiça desse país quadrado! Chega de falso moralismo, chega de repetir e viver de acordo com as verdades dos seus avós! Chega de dizer que o jovem de hoje em dia não se importa com política, não se importa com sua comunidade, não se importa com sua família, que é individualista… chega de conformismo com o que não pode ser. Chega de viver num modelo absurdo de sociedade sem rumo, sem propósito e sem nexo!”
    Assino embaixo, Gabriela Pimenta !

  12. Gostei muito! O Brasil passa por uma modernização autoritária! Os mais pobres estão entrando na classe média via consumo e não via cidadania. A diferença acaba sendo pequena! As mesmas elites no mesmo lugar de sempre! Alguém aí de baixo criticou a "escatologia" do antropólogo por não ver as "possibilidades" e "oportunidades". Discordo! Ele afirma que devemos buscar outra fórmula de civilização, pois essa que está vai de mal a pior.

  13. Andrea Lombardi disse:

    Concordo plenamente. Aliás. Concordo mais do que plenamente com quanto Eduardo Viveiros de Castro afirma!!! O ponto central (e fraco) do Brasil é exatamente a questão do sistema educativo. Trata-se de uma verdadeira catástrofe, pois não superou os limites de uma falta de reforma com a escola de massa (durante o regime militar) e está passando pela superação do modelo da escola, imposto pela sociedade consumista.
    Eu sou docente da UFRJ (e sou estrangeiro: italiano). Viom para cá há muitos anos, acreditando nuam extensão do modelo de Immanuel Wallerstein (o sistema mundial da economia européia). Ou seja: o modelo internacional está em fase de transição e o Brasil pode dar um pulo ENORME agregando conhecimentos, dados, pessoas (nos novos centros a retribuição torna-se mais alta e há uma afluência de “cabeças”).
    Pessoas como Sérgio Paulo Rouanet e outros, vindos de um espectro amplo, certamente adeririam a um movimento (rede social) de forma nova para dar um empurrão verdadeiro à questão da edicação:
    Chamar artistas plásticos e poetas e músicos (Antonio Cícero, e Caetano, e Nelson Lerner e Gilberto Gil e muitos outros) a dar sua contribuição para oferecer aos Professores do Secundário oportunidade de passar por uma reciclagem.
    Chamar empresas interessadas para patrocinar esse movimento (“repetir a Coréia da década de sessenta”)
    Criar uma série de produtos desse movimento: blogues por cada escola (anotando as iniciativas e criando emulação e competição)
    Publicar textos na internet (e pichar textosnas escolas: chamando os pichadores artistas)
    Criar concursos entre iniciativas e textos melhores, com prêmios como : construção de um auditório para concertos nas escolas, ou algo assim
    ligar-se ao movimento do 10 % na educação (verificando as compatibilidades)
    Bom, esses são somente algumas idéias. Eu acredito que seja o momento certo para a gente se engajar. Se conseguirmos 100 pessoas (Eduardo Viveiro de Castro, Sergio Paulo Rouanet, com quem já foi falado, Caetano, Gilberto e outros) esse movimento pode nascer …
    Um abraço
    Andrea Lombardi
    (Sou docente de Letras da UFRJ, meu e-mail VERDADEIRO (a máquina não aceitou) é [email protected] e meu nome é masculino, para evitar equívocos !)

  14. Interessante, mas a questão fundamental continua: afinal, o que é educar? Educação é uma palavra que parece dizer muita coisa, mas na verdade não diz absolutamente nada. Não existe governo – em qualquer lugar e em qualquer tempo – que não reclame a educação como saída para todos os males. Educação das “elites”? Educação “popular”? Educação “ecológica”? Mudam-se os adjetivos de acordo com os interesses ou visão de quem reclama, mas o substantivo continua sem definição.

  15. Andrea Lima disse:

    concordo. e não podemos nos esquecer que a educação em si está mundialmente em crise e clamando por um novo modo para desenvolver a mentalidade de nossos pequenos cidadãos. o sistema atual, baseado num modelo que vem do início da revolução industrial (e voltado para as necessidades de então) não dá mais conta do recado, faz mais mal que bem. todo um território vastíssimo a ser desenvolvido pela humanidade nas próximas décadas – se ela não implodir até lá, como vc bem lembrou. e eu também tinha muita esperança de que o país poderia fazer diferente. não é o que parece – acho que Belo Monte e o novo código florestal são ambos símbolos do rumo que as coisas estão tomando. desesperador.

  16. Carlos Fuser disse:

    Olá! Mais uma entrevista de intelectuais de salto alto ditando regras! Ele quer distribuir sabedoria? Quá-quá-quá! E onde vai achar? Não será no balaio de gato dos intelectuais esquerdinhas, com certeza! Ali não tem sabedoria nem pra cozinhar arroz! O Brasil tem “condições culturais” de propor um novo rumo civilizatório? O mesmo país que ele afirma que está marcado pela ignorância e pelo racismo! Uma contradição óbvia, que não sobreviveria nem a uma banquinha de titulação acadêmica. E a abordagem da educação: a culpa é da falta de educação! Isso sim, é novidade! E na Áustria, que é tudo escolarizado, mas é reacionário que dói! Conversa besta: os líderes nazis eram todos escolarizados e cultos, até gostavam de música clássica, o que não os impediu de serem o que foram. Ah, tem que ter outra educação! Muito bem, mas com quem, onde vamos achar milhões de professores libertários (o que será isso, na boca desse doutor?) pra ensinar as crianças uma nova mentalidade? E outra: quem mais gosta de consumir? Os mais escolarizados, é óbvio! Os menos escolarizados é que gostam de dançar forró, bater bola, pescar, e transar pra caramba! Já gente escolarizada transa menos e consome mais! E que diferença faz, de verdade, ficar na frente da TV vendo BBB ou assistindo filmes papo-cabeça franceses? Dá no mesmo, é só gente vendo TV – e não estou criticando só mostrando que a diferença entre a elite e o povão é mínima e nem uns nem outros são capazes de dizer qual é o tal outro caminho da felicidade! Os equívocos são tantos que é perda de tempo procurar – a cada frase, um equívoco! Apenas a reafirmação de um projeto utópico, pretensioso, autoritário, cheio de intelectualismo e vazio de sabedoria de ponta a ponta, de Sócrates e Platão a Marx e Engels. Vamos lá intelectualidade brasileira, alguém vai ousar alguma coisa ou vão só ficar repetindo as mesmas baboseiras?

  17. Carlos Fuser disse:

    E Belo Monte? Foi tema de campanha – quem criticou, perdeu, não foi nem pro segundo turno! Quem defendeu, ganhou! Afinal, como diz o presidente Lula, pra quê ficar criando caso por causa de “uns bagrinho”? O povo votou na usina de Belo Monte, a ser construída pela gerentona escolhida pelo salvador da pátria, e assim garantir a fabricação de muuuuuuuuitas latinhas de alumínio! Façam um plebiscito sobre a usina de Belo Monte, com debate e tudo! Vai dar 80% nas latinhas de alumínio e 20% nos bagrinhos, índios, povos da mata, biodiversidade e energia eólica, tudo junto! Como disse o companheiro sindicalista Paulinho da Força, “até pouco tempo esse negócio de ecologia era coisa de veado”! Um pensa nos bagrinhos, outro nos veados, mas quem liga pra natureza?

  18. Pedro Miranda disse:

    Sinceramente , achei uma certa falta de lógica no texto ( não desmerecendo-o , pois é muito bom) mas talvez não tenha entendido direito. Como dizer que o conservadorismo reacionário the população será resolvido com educação e ainda ficar em duvida sobre a intenção dos governantes com a precarização desta?
    É evidente que é intencional esse desleixo com a educação por partes dos governantes. Acho que a a questão a se pensar é : como se educar( humildemente , formação intelectual não quer dizer muita coisa sobre reacionarismo ou revolucionarismo , a grande diferença é o discurso) ao ponto de viver de forma o mais independente o possível dos serviços " oferecidos" pelo governo e como convencer a população a se tornar também cada vez mais autônoma. Eu não acredito mesmo que os projetores de sombras que sempre foram os homens de poder na terra vão entregar de mão beijada a liberdade individual que a maioria das pessoas nem sabe que não à tem , isso chega até ser engraçado. Enfim , parabéns pelo texto , mas citações como "Isto é só um pesadelo, decerto: não é assim, não pode ser assim, espero que não seja assim." Pra mim , é assim e sempre foi. E mais uma vez morrerei lutando pra que não seja.

    • Uma nação se constrói sobre impostos. Impostos crescentes. Para tal é necessário enriquecer quem pagará esses impostos. Para enriquecê-los, é necessário que eles tenham capacidade de produzir mais bens e para isso é necessário prepará-los para obter cada vez mais capacidades para que possam produzir mais riquezas. Fico sem entender o que é precarização da educação, pois quanto mais for capaz se produzir riqueza, mais é interessante para a nação.

    • Pedro Miranda disse:

      Não sabe o que é precarização da educação ? entre em uma escola publica , conheça a maior greve das universidades do pais da história. Mas se educação é na verdade formação de mão de obra , pra trabalhar e pagar impostos , pro governo e as empresas ( que não se diferenciam muito) produzirem e nós consumirmos , a gente mata os pedagogos e fica tudo certo. Só queria saber de que vale uma vida dessas. Qual diferença na hora de morrer , vivemos ou passamos pela vida ? isso é viver ?

    • Pedro Miranda disse:

      Sem contar os dia contados do planeta , por causa das células cancerígenas consumistas e "trabalhadoras" que tem q pagar imposto e consumir…

    • Pedro Miranda disse:

      entre em qualquer escola e pense no pra que(m) serve aquilo que ensinam…

    • Pedro Miranda disse:

      Isso que você falou , na boa , ridículo! como se essas coisas que tivesses que enriquecer pra pagar impostos pra crescer a nação não fossem seres humanos , com vida , sonhos , sentimentos e tudo mais. São literalmente , coisas.

  19. luis barros disse:

    Caramba! A direita culta e sofisticada ataca. Nunca li uma critica tão bem argumentada e destrutiva ao país sob o governo trabalhista do pt. Não deixou pedra sobre pedra por entre suas considerações intelectuais de alto nível sobre a sociedade brasileira .Exibiu seu pensamento critico afiado e distanciado de qualquer partido. Candidato certo para ser mais um colunista de O Globo. Ele não se deixa enganar pelas conquistas “consumistas” de tantos brasileiros, um não-tolo. Mas, como disse um psicanalista francês muito famoso: “os não-tolos erram”.

  20. Daniel disse:

    Utopia e critica sempre é bom. Exorcizar também. Mas acho um discurso muito fácil de uma pessoa que não tem a prática, ao contrario, tem muita teoria, queria ver como ele se sairia tentando colocar um décimo de tudo o que falou em prática. Seu objeto de análise é sempre distante e hipotético como se o tempo pudese parar e alguém entrar com novas determinantes que mudassem para sempre o rumo das coisas. Ao meu ver as coisas não são assim, para mim, é como se fosse um trem em alta velocidade e os trilhos por onde ele vai passar são construídos pelos atores sociais e políticos ali na hora, do jeito que dá, com as negociações possíveis. O meu comentário não é excludente a vários momentos de lucidez que o texto perpassa, apenas não concordo com o tom de pessimismo e inconformismo que tem mais a ver com a Europa do que com a América, mais precisamente o Brasil. O que tem ver com o Brasil é felicidade, alegria, respeito, beleza e cordialidade, gostem os intelectuais ou não, disso o brasileiro não abre mão.

  21. Robson Chagas disse:

    "…O que acontece aí é essencial: a morte das idéias, a proibição the mudança.
    Vocês estão diante de indivíduos que desprezam o público, que querem mantê-lo.
    num ato de compra idiota e condicionado.
    Na cabeça deles, estão se dirigindo à "mongoloide de menos de cinquenta anos".
    A gente tenta lhe propor algo engraçado, que respeite um pouco as pessoas, que.
    tente puxá-las para cima, porque é uma questão de educação quando se interrompe.
    um filme na tevê.
    E SOMO IMPEDIDOS DE FAZER ISSO!
    E é sempre igual, o tempo todo, todos os dias, todos os dias…
    Milhares de capitulações diárias, o rabo entre as pernas em roupa de tergal.
    Milhares de "covardes alívios" cotidianos…" – 99FRANCS – FRÉDÉRIC BEIGBEDER.

  22. Eduardo Becker disse:

    Ele tem uma visão parcial, fragmentada. Dizer que a indústria automotiva não serve como parâmetro é idéia de quem nunca leu sequer uma notinha sobre Economia. Não gostei.

  23. Pedro, vou estrelar para ler com calma mais tarde.

  24. Excelente análise do Brasil contemporâneo e seus mitos socioculturais e polítcos.

  25. Educação… conhecimento de sí e do outro… para agir para o melhor e não apenas o economico e o razoável, educação primária, básica, libertária, pra felicidade e saúde mental de todosl.. política para o país e não para manter o poder… parabens pelo start… gota d´água fundamental…

  26. Odilon Rosa disse:

    Muito legal!!!

  27. Pat Rodrigues disse:

    Tem gente que tem a manha de ter opinião, e de também saber não tê-las, se mantendo a opinar sobre aquilo sob o qual já se deparou em profunda reflexão. Parabéns!

  28. Ufa! Lendo este artigo sinto um alivio, uma fresta de ar fresco para respirar num mundo que se torna mais sufocante a cada minuto. Sao sementes preciosas de um novo paradigma para o ser humano. A consciencia é o instrumento mais importante para mudarmos o rumo do nosso andar. Como humanidade, estamos andando para um precipicio. É urgente dar a virada. As melhores sementes aqui semeadas sao: 1) temos que mudar a relaçao predatória da sociedade nacional com a natureza. 2. o projeto nao é termos mais carros e mais tv e sim mais educaçao, saneamento basico e transporte publico que nos permita parar de entupir as ruas já saturadas de carros. 3) O Estado se aliou ao Mercado e a Midia oficial entrou na gangue. Só nos resta a esperança que as redes sociais consigam criar um quarto poder que possa alterar o jogo de forças e oferecer uma saida que viabilize que a inteligencia da vida possa entrar no sistema.

  29. Reginaldo Toledo Ruiz disse:

    Concordo e assino embaixo sobre a analise do Professor Viveiros a respeito da inviabilidade ambiental deste capitalismo consumista. Concordo também com a afirmação de que a preocupação quanto a sustentabilidade das grandes corporações transnacionais não passa do marketing do capitalismo verde. Acho que, para trilhar os caminhos da mudança, devemos questionar este tsunami consumista que vai dos bens de consumo(automóvel, celular. moto) a religião(quanto vale um milagre?), o sexo(BBB) entre outros. A educação entendida no seu conceito amplo, formal ou não é fundamental. Um povo com consciência sobre seus direitos de cidadania , aprendendo por sua própria pratica politica a lutar por eles, deve ser um objetivo de todos aqueles que querem um futuro sustentável, democrático e de justiça social para o povo brasileiro e para a humanidade.
    Discutir mobilidade implica em priorizar o transporte coletivo para que o mesmo tenha quantidade e qualidade. Significa questionar a redução de IPI pros automóveis, o mar de cana que o estado de São Paulo se transformou, nos pedágios absurdos, etc
    Discutir a falta de qualidade de vida nos grandes centos implica em discutir a efetiva valorização da produção familiar, a reforma agraria
    Discutir o direito a informação de qualidade e formação da cidadania é discutir o controle social sobre os meios de comunicação concedidos pelo Estado brasileiro, acesso qualificado a internet
    e assim para a saude, meio ambiente e outros direitos
    Educação que resulte da propria experiencia do povo
    Não ao populismo lulista! Vamos construir um projeto nacional e popular realmente avançado!

  30. Paulo Preto disse:

    “PT é visceralmente paulista”
    Vai ver que é por isso que nunca venceu uma eleição no Estado e levou distribuição de renda como nunca antes fizeram no norte e nordeste do pais, né?
    E o sujeito é professor…pobre de seus alunos.

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