Os ingleses querem o petróleo das Malvinas

Chega às ilhas plataforma de exploração mandada por Londres. Argentina busca apoio da América do Sul para acionar a ONU

Chega às ilhas, cuja soberania a ONU considera em disputa, plataforma de exploração mandada por Londres. Argentina inicia contra-ofensiva diplomática e pretende chegar à ONU com apoio da América do Sul

Chama-se Ocean Guardian (e está fotografada acima) a plataforma de sondagem e exploração que lançará âncora hoje, 160 quilômetros ao norte das Ilhas Malvinas, e tentará encontrar, sob o oceano, um mar de petróleo. Em razão deste movimento, Argentina e Reino Unido vivem há vários dias uma escalada de tensão diplomática, que deverá convergir para as Nações Unidas na próxima semana. O tema envolverá os países da América do Sul já neste sábado, embora os jornais brasileiros tenham preferido, até o momento, silenciar sobre ele.

Localizadas a apenas 480 quilômetros da Patagônia — e a 12.734 km. de Londres –, as Malvinas (Falkland Islands, para os ingleses) pertenceram ao império espanhol e mais tarde à Argentina até 1833, quando o navio de guerra Clio e seu comandante, o almirante Olson, as ocuparam em nome de Sua Majestade. Em 1982, um governo militar instalado em Buenos Aires procurou enfrentar uma crise de popularidade lançando sobre o arquipélago um ataque patético. Derrotada, e livre da ditadura, a Argentina anunciou que não lutaria pelas ilhas de forma violenta, mas mantinha a reivindicação sobre elas. A posição das Nações Unidas é clara. As Malvinas estão incluídas numa relação de 16 territórios não-autônomos, dos quais se encarrega um Comitê de Descolonização. A ONU, portanto, não reconhece nem a soberania argentina, nem a britânica.

Há alguns meses, sondagens preliminares revelaram que podem jazer, em torno do arquipélago, 6 bilhões de petróleo — quatro vezes as reservas da Argentina. Foi o suficiente para Londres esquecer-se em definitivo da posição da ONU. O governo britânico concedeu à Desire Petroleum o direito de iniciar sondagens. O Ocean Guardian iniciou sua viagem para o Sul. Na quarta-feira passada, 17/2, membros do Partido Conservador arguiram na Câmara dos Comuns o primeiro-ministro Gordon Brown. Queriam saber se haveria proteção militar suficiente para os cidadãos britânicos envolvidos na exploração. Foram assegurados de que sim — e Brown não desmentiu informação segundo a qual três navios de guerra estavam cruzando o Atlântico, em direção a ilhas que a Inglaterra legalmente não possui.

A contra-ofensiva do governo argentino foi rápida. O embaixador na ONU, Jorge Argüello, acusou o governo britânico de “agitar o fantasma da guerra”. O chanceler Jorge Taiana rumou para Washington, onde mantém conversações com autoridades norte-americanas. Rumará amanhã para Cancún, onde estava agendada, há tempos, um encontro do Grupo do Rio, um órgão permanente de consulta e articulação política dos países da América do Sul, Central e Caribe.

Como a Unasul — a Comunidade Sulamericana de Nações — reconhece a soberania platina sobre as Malvinas, Taiana tentará obter, da reunião, um documento de solidariedade, diante do avanço britânico. Com este documento, a presidente Cristina Kirchner espera pedir ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a abertura de um debate acerca do tema.

Mas é possível que você leia, nos jornalões deste fim-de-semana, que Cristina vai à ONU para inventar um inimigo externo, e aumentar sua popularidade graças a ele.

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6 comentários para "Os ingleses querem o petróleo das Malvinas"

  1. marcia silva disse:

    Aos autores,
    Parabéns pelo blog. Esta é a mídia que tem que chegar, cada vez mais, às pessoas, independente e crítica.
    Aproveito e já copio esta matéria sobre as Malvinas em meu blog, com os devidos créditos.
    Boa sorte !
    Márcia Silva

  2. Conheci o site de vocês através do Blog da Márcia. Muito interessante mesmo.
    Gostaria de parabenizá-los pela iniciativa de discutir o tema do petróleo nas Malvinas com esta abordagem, simultâneamente informativa e crítica.
    Precisamos muito deste tipo de iniciativa no Brasil de hoje, principalmente quando a “grande mídia” trata esta temática com uma parcialidade absolutamente negativa e muita desinformação.
    abraço,
    Lucas

  3. Gregor disse:

    Gente! Muito bom o blog
    Já é o segundo artigo que leio. O primeiro, sobre o medvedev e o oriente médio eu reproduzi no meu blog com os devidos créditos.
    Acompanharei as atualizacoes sempre que puder.
    Abracos
    Gregor

  4. Paulo Silva disse:

    PETRÓLEO DAS MALVINAS CONHECIDO E OCULTADO DESDE 1975
    Wladmir Coelho
    Em 1975 uma comissão parlamentar britânica visitava as ilhas Malvinas para levantar os meios necessários para retirar o arquipélago da estagnação econômica. O deputado e geólogo Colin Phipps fazia parte deste grupo levando em sua bagagem os estudos da Universidade de Birminghan a respeito do potencial petrolífero da área. Phipps retornou à Londres convencido da existência de petróleo nas Malvinas redigindo imediatamente um relatório encaminhado ao Ministério das Relações exteriores informando a existência de um gigantesco campo. A respeito desta descoberta O pesquisador argentino Federico Bernal em seu livro “Petróleo, Estado y Soberania” destaca uma notícia do Daily Telegraph de 1977 na qual o jornal londrino anunciava a existência de petróleo no nas Malvinas em quantidade superior a encontrada no Mar do Norte.
    Curiosamente nestes nossos tempos de revelações do Wiki Leaks o Daily Telegraph apontava, 33 anos atrás, como fonte da informação um relatório da CIA assim não será surpresa o surgimento, dentre os documentos em poder da ONG, a existência de telegramas tratando do assunto petróleo das Ilhas Malvinas revelando a face econômica do interesse inglês na região.
    O controle imperialista do arquipélago inicia-se em 1833 reivindicando a Argentina, desde então, a retomada de seu controle estabelecendo negociações diplomáticas que arrastaram-se durante anos apresentando o seu momento mais dramático em 1982 quando os dois países entraram em guerra. Terminado o conflito armado os ingleses trataram de impor a sua vontade buscando isolar a Argentina das Malvinas impedindo o acesso ao potencial petrolífero ampliando a faixa de exclusão de 200 para 350 milhas.
    Em 1996 Colin Phipps retorna as Malvinas desta vez comandando a sua própria empresa petrolífera a Desire Petroleum participando da primeira licitação associando-se, dentre outros grupos, a Shell. No último dia 3 dezembro a empresa do ex-deputado inglês – que segundo jornais de seu país – participou da reunião do gabinete de Margareth Thatcher quando foi declarada guerra à Argentina – experimentou um aumento fantástico no valor de suas ações quando Stephen Phipps – filho de Colin Phipss e atual presidente da Desire – anunciou a “descoberta” de um gigantesco campo de petróleo nas Ilhas Malvinas. Moral da estória: A indústria do petróleo é constituída por oligopólios cuja prática consiste em controlar áreas com potencial petrolífero aguardando o momento adequado para sua exploração obedecendo a política de segurança energética de seus países de origem. O Brasil também experimentou – ou experimenta? – situações semelhantes e desde as denuncias de Monteiro Lobato, a campanha do Petróleo é nosso, instituição e quebra do monopólio esta prática é evidente.
    Original em: http://politicaeconomicadopetroleo.blogspot.com/2010/12/petroleo-das-malvinas-conhecido-e.html

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