O outro lado da CNBB

Campanha da Fraternidade revela uma igreja menos voltada para o passado

Marcada pela virulência de seus ataques recentes contra o direito ao aborto, a liberdade de orientação sexual e até o Plano Nacional de Direitos Humanos, a igreja católica mostrou, na quarta-feira de Cinzas, outra face. Bispos lançaram, em centenas de dioceses do país, a Campanha da Fraternidade 2010. Sob o título “Economia e Vida”, ela tem um pé no futuro. Condena a desigualdade social (propondo tributação progressiva), o poder dos mercados financeiros sobre as sociedades (defendendo auditoria da dívida pública) e, também, o culto acrítico ao “desenvolvimento”. Embora tenha sido impossível localizar, na internet, o documento-base da campanha deste ano [alguém consegue?], textos assinados por bispos, disponíveis no site da CNBB, sugerem que começam a circular, entre a hierarquia católica, noções como o “bem-comum” e o pós-capitalismo.

Como nada é perfeito, um pouco da CNBB passadista transparece mesmo neste contexto. Em muitos dos documentos, a ênfase da crítica não é às relações capitalistas — mas ao dinheiro, algo que faz lembrar a oposição medieval da igreja à cobrança de juros. E, no cartaz-símbolo da campanha (foto), mãos em prece prostam-se diante de uma pilha de moedas, em vez de orarem perante uma vela. Pergunta incômoda: a simples mudança do objeto de culto significara uma nova postura diante da vida?

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3 comentários para "O outro lado da CNBB"

  1. Edie Martins disse:

    Segue links para o texto-base da CFE, além de cartilha sobre a Economia Solidária, lançada conjutamente pela CNBB e pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária. http://www.edicoescnbb.com.br/site/files/downloads/texto_base_CFE2010_web.pdf
    http://www.fbes.org.br/?option=com_docman&task=doc_download&gid=1114

  2. Angelo Matos disse:

    Texto muito fraquinho este de autoria de Antônio Martins. Vago, com argumentação insustentável e parecendo ter sido escrito sem pensar, apenas aquelas reflexões rápidas que dá vontade de escrever, senta-se frente o computador e escreve. É um tema para um artigo maduro e com argumentações fortes. Desculpe-me, mas do jeito que está escrito ele diz absolutamente NADA. Na minha opinião, texto dispensável para um site desta natureza.

  3. Iuri disse:

    Li como um comentário. Não achei nada vazio. Pelo contrário: há muito a ser desenvolvido a partir dessas ideias levantadas por Martins. Era para ser algum artigo acadêmico, tese, monografia? Qual o problema de se fazer uma reflexão breve? Acho que o leitor errou de espaço.

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