Boaventura: "Desculpe, Presidente Evo"

Para a Europa, um Presidente índio é sempre mais índio do que Presidente e, por isso, irremediavelmente suspeito

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Por Boaventura de Sousa Santos

Esperei uma semana que o Governo do meu país lhe pedisse formalmente desculpas pelo ato de pirataria aérea e de terrorismo de Estado que cometeu, juntamente com a Espanha, a França e a Itália, ao não autorizar a escala técnica do seu avião no regresso à Bolí­via depois de uma reunião em Moscou, ofendendo a dignidade e a soberania do seu país e pondo em risco a sua própria vida. Não esperava que o fizesse, pois conheço e sofro o colapso diário da legalidade nacional e internacional em curso no meu país e nos pa­íses vizinhos, a mediocridade moral e política das elites que nos governam, e o refúgio precário da dignidade e da esperança nas consciências, nas ruas e nas praças, depois de há muito terem sido expulsas das instituições. Não pediu desculpa. Peço eu, cidadão comum, envergonhado por pertencer a um país e a um continente que são capazes de cometer esta afronta e de o fazer de modo impune, já que nenhuma instância internacional se atreve a enfrentar os autores e os mandantes deste crime internacional.

O meu pedido de desculpas não tem qualquer valor diplomático mas tem um valor talvez ainda superior, na medida em que, longe de ser um ato individual, é a expressão de um sentimento coletivo, muito mais vasto do que pode imaginar, por parte de cidadãos indignados que todos os dias juntam mais razões para não se sentirem representados pelos seus representantes. O crime cometido contra si foi mais uma dessas razões. Alegramo-nos com seu regresso em segurança a casa e vibramos com a calorosa acolhida que lhe deu o seu povo ao aterrar em El Alto. Creia, senhor Presidente, que, a muitos quilômetros de distância, muitos de nós estávamos lá, embebidos no ar mágico dos Andes.

O senhor Presidente sabe melhor do que qualquer de nós que se tratou de mais um ato de arrogância colonial no seguimento de uma longa e dolorosa história de opressão, violência e supremacia racial. Para a Europa, um Presidente índio é sempre mais índio do que Presidente e, por isso, é de esperar que transporte droga ou terroristas no seu avião presidencial. Uma suspeita de um branco contra um í­ndio é mil vezes mais credí­vel que a suspeita de um í­ndio contra um branco. Lembra-se bem que os europeus, na pessoa do Papa Paulo III, só reconheceram que a gente do seu povo tinha alma humana em 1537 (bula Sublimis Deus), e conseguiram ser tão ignominiosos nos termos em que recusaram esse reconhecimento durante décadas como nos termos em que finalmente o aceitaram. Foram precisos 469 anos para que, na sua pessoa, fosse eleito presidente um indí­gena num paí­s de maioria indígena.

Mas sei que também está atento às diferenças nas continuidades. A humilhação de que foi ví­tima foi um ato de arrogância colonial ou de subserviência colonial? Lembremos um outro “incidente” recente entre governantes europeus e latino-americanos. Em 10 de novembro de 2007, durante a XVII Cúpula Iberoamericana, realizada no Chile, o Rei de Espanha, desagradado pelo que ouvia do saudoso Presidente Hugo Chávez, dirigiu-se-lhe intempestivamente e mandou-o calar. A frase “Por qué no te callas” ficará na história das relações internacionais como um sí­mbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colônias. De facto, não se imagina um chefe de Estado europeu a dirigir-se nesses termos publicamente a um seu congênere europeu, quaisquer que fossem as razões.

O senhor Presidente foi ví­tima de uma agressão ainda mais humilhante, mas não lhe escapará o facto de que, no seu caso, a Europa não agiu espontaneamente. Fê-lo a mando dos EUA e, ao fazê-lo, submeteu-se à ilegalidade internacional imposta pelo imperialismo norte-americano, tal como, anos antes, o fizera ao autorizar o sobrevoo do seu espaço aéreo para voos clandestinos da CIA, transportando suspeitos a caminho de Guantánamo, em clara violação do direito internacional. Sinais dos tempos, senhor Presidente: a arrogância colonial europeia já não pode ser exercida sem subserviência colonial. Este continente está a ficar demasiado pequeno para poder ser grande sem ser aos ombros de outrem. Nada disto absolve as elites europeias. Apenas aprofunda a distância entre elas e tantos europeus, como eu, que veem na Bolí­via um país amigo e respeitam a dignidade do seu povo e a legitimidade das suas autoridades democráticas.

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37 comentários para "Boaventura: "Desculpe, Presidente Evo""

  1. marcello disse:

    Chávez? Aquele ótimo diplomata que gostava de deixar todos constrangidos com seus discursos elegantes? Que disse que o local aonde o presidente dos EUA havia acabado de deixar, fedia a enxofre?
    Mas claro, ele pode, a ele era tudo permitido. Já o contrário, é uma afronta terrível! Já estava na hora de alguém colocá-lo no lugar dele, ¿Por qué no te callas? Foi até simpático em vista do que ele realmente merecia!
    Quanto ao presidente da Republica cocaineira da Bolívia, é sempre esse mesmo papo esquerdista de sempre, é pq é negro, é pq é gay, é pq é índio, é pq é latino americano, é pq… Acredita mesmo que se Evo-Imorales (Aquele que fez a Petrobras, Lula e povo brasileiro de otários e queria legalizar carros roubados do Brasil) fosse branco, isso não teria acontecido da forma como foi?
    Só p/ finalizar, o seu pedido de desculpas não me representa!

    • Josei disse:

      Por que não te calas, marcello? E assim, resigna-te na mediocridade de subserviência colonial e na ignorância alienante que tuas palavras, sim, representam.

    • Alê Martins disse:

      Legal o cara colocar todos os grupos que foram oprimidos e humilhados na história humana como culpados ,claro, nós,brancos,lindos,ricos,que vivemos no conforto,somos vítimas dessa gente esperta,tadinho da gente ..

    • Eu sugiro um boicote aos produtos americanos e europeus. As elites não se sensibilizam de outra maneira que não seja sentindo nos bolsos.

  2. Oscar disse:

    Excelente artículo profesor. Hemos sufrido esa verguenza ajena

  3. wagner pessoa disse:

    Para este mundo embrutecido das redes sociais (basta ver/ler alguns comentários aqui mesmo neste post), nada com ler um Boaventura cheio de ternura e solidariedade aos povos latinos!
    Parabéns pela generosa publicação!

  4. marcello disse:

    Josei, se disse algo errado, me mostre aonde errei, ou então callarte tu! Repetidor de bordões!
    O que eu acho mais engraçado nos vermelhos, é que se você discutiu com um já discutiu com todos!

  5. Rui disse:

    Caro, Marcello, continua a ser imensuravelmente impossível para alguns europeus compreender , ou perceber, como queiras, o peso que os EUA tem nas vidas dos povos latinos americanos. Em toda parte há de se ver um dedinho, ou mesmo a mão daquele país. Nossas elites, via de regra, são-lhe cordiais, melhor dizendo, subservientes. Sofrem do que aqui chamamos de complexo de vira-lata. Como um cão sem pedigree que, ignorado, e até chutado pelo dono, ainda assim suplica-lhe nem mesmo que seja a atenção do coice. Já o povo grande, a massa, sabe “nos couros” bem quem é quem. Quem lhes rouba o pão da dignidade desde sempre. Mas, em nossa aparente pequenez, somos grandes, pois não somos sombras. Projetamos as nossas próprias, preferencialmente.
    Poucos europeus que vem à América Central, do Sul ou ao México, conhecem essa alma profunda que, silenciosa, liga os filhos das colonizações. Antes do ódio, meu jovem, deverias ter orgulho de teu sangue e tua língua também estarem representados em tão rico continente, mesmo que por vias tão tristes. Eu, que já morei por dois períodos na Europa, e admiro e respeito sua história e culturas, vi bem o quanto lá se pode ser subalterno aos americanos.Eles parecem representar para alguns dos europeus o tal El Dourado, que nunca acharam de fato por aqui. Uma relação de amor e ódio, ou despeito. Americanos burros versus americanos ricos: essa parece ser a fixação em certas mentes que conheci no velho continente. Temos muitos “evos” vagando pelas estradas estrangeiras, sempre barrados, sempre suspeitos. São brasileiras vistas como putas, brasileiros como malandros, argentinos arruaçeiros, colombianos traficantes, mexicanos abobalhados, peruanos morta-fome, paraguaios falsários, uruguaios ignorantes, venezuelanos comunistas, sei lá mais que outros clichês absurdos e aviltantes sobrevoam a Europa sem nunca, entretanto, obterem uma reles permissão de pouso no solo da racionalidade, dos fatos reais.
    Conheci, contudo, grandes, generosos corações e mentes pelo continente todo. E não por acaso, todos estavam nas bordas, expostos às brisas mediterrâneas e atlânticas. A esses meu apreço, guardo-os em mim como os verdadeiros europeus. Não os que vieram no lombo de um touro, raptados, mas o que vieram a pé, plantando história, colhendo vida, construindo nações de gente fidedigna e leal.

  6. Geraldo disse:

    Muito bem Professo Boaventura,Pois não deveria tem feito Isso com um Presidente de um Pais amigo,

  7. Markim Garcia disse:

    Pô Rui, que belas palavras. Sua ternura me representa e educa essa criança inquieta e boquirrota chamada Marcello.

  8. FRANCESC disse:

    Totalmente de acordo. O Rei de Espanha continua a mentalidade colonialista de sua dinastia. Em Valência, ainda são colonizados pelos espanhóis. Freedom for the Valencian Country. The Valencian Country is not Spain. Queremos ser livres. Queremos ser uma nação independente fora da Espanha.
    https://ca.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs_Valenci%C3%A0

  9. Gustavo Fernandes disse:

    São textos como esses que amenizam nosso sentimento de impotência a esse modelo vigente que não nos representa. Penso que um exercício em que invertêssemos os personagens poderia revelar mais claramente a alguns a gravidade desse ato. Espero que os presidentes latinos sigam as leis internacionais e respeitem a dignidade do presidente português, coisa que esse não fez, quando ele sobrevoar a America Latina – mesmo que para isso, tenha que infligir as ordens dos Estado Unidos.

  10. Haertel disse:

    Irretocável o teu texto Rui. Faço minhas as tuas palavras.

  11. O episódio Evo mostra o entrecruzamento de muita coisa ao mesmo tempo. Da velha problemática da luta do 1% da América Latina contra os governantes oriundos de etnias oprimidas ou classes pobres, a guerra global americana chegando a um novo patamar — o ápice da tecnologia bélica na forma da cyberguerra e dos drones –, o avanço da decadência europeia e as novas formas de resistência — imprevisíveis, explosivas. Portugal, de páginas tão gloriosas na parte final do século 20º, continua a descer e o fundo do poço não aparece. O consenso político mínimo entre social-democratas e socialistas continua a piorar, e mostrar-se pior e pior, sobretudo quando os primeiros estão no poder — como agora, sob a égide do desastroso gabinete de Passos Coelho, um neoliberal, depois de anos do governo Sócrates e todas as trapalhadas típicas de um governo de “terceira via”. Itália e França, que também fizeram parte dessa pataquada com Evo são governadas pela mesma centro-esquerda sem rumo nem prumo. A Espanha, depois da desistência do PSOE em ser ele mesmo, vive sob a sombra de um governo obscurantista do qual não poderia se esperar nada bom. Falta, ainda, clareza e força suficiente para as experiências de esquerda radical, mas são nelas na qual reside a semente para uma reversão do quadro. Obama, por sua vez, sai-se melhor do que Bush no métier imperial, o que o torno, grosso modo, pior.

  12. Josei disse:

    Caro Rui, a riqueza do teu comentário vai ao encontro das opiniões de intelectuais como nosso Boaventura, ao mesmo tempo em que contrasta com a pobreza intelectual de muitas pessoas que defendem opiniões que nem ao menos compreendem.

  13. não interessa é meu nome disse:

    Que tal você admitir que é verdade, ao invés de ficar com esse discursinho de ONG da Madalena Arrependida ???… Trabalho nas fronteiras e no interior do Brasil, com índios, e a melhor definição que encontro para os índios é: bicho traíra, indolente, cachaceiro e que se esconde atrás de uma constituição e de uma política que permite a muitos homens brancos do mal incentivá-los ainda mais a praticar crimes. E a refinaria da Petrobrás ???… e Esse Chavismo que parece assolar a mente dos pseudo-pós-marxistas que, também como Madalenas acham que o mundo deve ser igualitário. Todos são suspeitos em um mundo cujas relações são baseadas nos crimes contra as soberanias, nos crimes contra a humanidade. O que é a ONU se não um organismo internacional de controle das massas no mundo???… A Bolívia é diferente ???… precisamente em que os índios do mundo pós-moderno são diferentes dos homens brancos ???… Fazer-se de vítimas ???… isso também não é privilégio de índio. Ora, faça um favor a você mesmo: Pára de falar merda !!!

  14. marcello disse:

    Para os boba ovos-do-evo Imorales!
    http://diariodopoder.com.br/noticias/evo-humilha-amorim-que-cala/
    Assim como se queixa de ter sido “humilhado”, porque, sob suspeita de dar fuga a um procurado pelo governo dos Estados Unidos, seu avião foi impedido de sobrevoar o espaço aéreo de países europeus, o cocaleiro presidente da Bolívia, Evo Morales, impôs uma humilhação ultrajante ao nanoministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, no final de 2012

  15. Jose Costa disse:

    Deixem que me identifique, não tanto com o pedido de desculpas de Boaventura Sousa Santos, professor que admiro, mas muito mais com as descrições dolorosas de Fray Bartolomé de Las Casas no seu livro História da Destruição da Índias, onde se dá conta da inumanidade que nós europeus provocamos em todo o continente americano.

  16. Maria disse:

    Caro Professor, seu artigo, como sempre, é de uma clareza solar e, nesse caso, permite que todos os sul-americanos nos sintamos reverenciados com suas palavras. Obrigada.

  17. Dinio disse:

    Na rua da Praia -calçadão principal de Porto Alegre- na correria do dia-dia, quem não cuida onde pisa, corre o risco de pisar nas mãos de alguma mãe índia acomodada no chão, amamentando sua cria e vendendo artesanato. O colar de contas custa a fortuna de R$ 2,00, mas dá pra parcelar no cartão, a quem interessar. Mas e ai eu me pergunto: – porque essa índia com sua cria, não chama seu piloto, via skype ou face, pelo seu Iphone-5 e embarca no seu jatinho e vai vender seus artesanatos de luxo, lá nas Europa, ao invés de ficar concorrendo com as pobres jolherias, que vendem seus humildes cartier’s , rollex e simples canetinhas mont-blanck??!!
    Pô é uma concorrência desleal desses indígenas,…bugres bilionários…isto já é cartel! Como diria o “Imoral” da “Academia Bandalheira de Lêndias” . . .
    “- assim não dá… assim não pode!”

  18. Parabens à ousadia do Professor Boaventura,em sua publicação,em trazer a tona o outro lado dos bastidores,que a historia insisti em apresentar apenas um sujeito de direito…500 anos nao foram suficiente em exterminar o meu povo.

  19. Luiz Fernando disse:

    Isto somente significa uma coisa, independente se o presidente é índio, negro, pobre etc ( mesmo estes requisitos serem um upgrade para a afronta a Evo).
    Isto significa que a EUROPA ESTÁ DE JOELHOS DIANTE DOS EUA!

  20. maristela macedo disse:

    Estados Unidos, Europa e o diabo a quatro, vão todos a PQP, todos sem exceção. Eu sei que estou sendo espionada, pois vão pro inferno. A América Latina deve se unir e formar um bloco inquebrantável, com cocaína, sem cocaína, seja lá como for e mandar esses moleques ir embora de seus países com suas ongs criminosas e bandidas. Nós não precisamos de gente sem vergonha, pois já temos de sobra. Outra coisa, um País de índios, tem que ter um presidente índio.

  21. joão disse:

    Caro Boaventura,
    Doi muito o nosso complexo de vira-latas. Os países participantes desta violação de direitos é claro que pertencem e comungam com a rede de espionagem que os estados unidos implantou no mundo. A globalização foi a lenta invasão dos estados unidos em todo mundo (primeira etapa) Redes sociais (controle de fluxo de informações) implantação do chip humano(domínio absoluto sobre tudo e sobre todos, inclusive até da alma). A falta de respeito com os latinos não me espanta muito. Aqui no nosso brasilzinho dos quintos dos zinfernos, aquele ator americano negro que fêz o filme em que ele era Deus ao desembarcar no aeroporto, segurou suas genitálias e no seu primeiro contato com as cameras de toda a imprensa brasileira sacudiu para todos os brasileiros em gesto obceno, como dizendo aqui pra vocês óh!, conde francês Arthur de Gobineau, que em 1845, ao desembarcar no Rio de Janeiro, chamou os cariocas de verdadeiros macacos. Stalone nos chamou a todos de otários e falou que isso daqui teria que ser explodido. O cara da fifa provocou os representantes do congresso e por consequencia toda a nação dizendo que nós só funcionamos com chute no trazeiro. Charles de Gaulle disse para todo o mundo que aqui em nosso país não tem homens sérios (acertou na mosca !) Teve um programa da televisão brasileira em horário de domingo em que o apresentador colocou uma tal de gretchem para rebolar e fêz que o ator jean claude van damme ficasse de pênis ereto em pleno domingo a tarde diante de todas as famílias brasileiras. por ‘complexo de vira-lata’ entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo(nelson rodrigues) Ronald Reagan ex presidente americano chamou o brasil de bolívia, e eles acham que nossa capital é buenos aires. Aqui no brasil, quando se vai fazer um programa ruim é programa de índio e quando se fáz alguma coisa errado, é coisa de preto. Matamos e escravizaram mais de trinta milhões de negros por aqui, e mais de três milhões de indios. Temos baixo alto estima e quando somos submetidos toda a sul america a violação desse tipo classificam-na de incidentes folclóricos. Como disseste não é um chefe de estado que está em questão e sim um índio. Para muitos brasileiros o perigo do cone sul e seus presidentes populistas ainda nem começou a ser discutido pela cúpula dos paises mais ricos do mundo. Mas isso é coisa antes de busch. E foi usada uma expressão dizendo que brasileiro é um narciso as avessas que cospe no próprio espelho ou na sua própria imagem. Monteiro lobato criou o personagem jeca tatú e jeca tatuzinho, e a mão de obra que nós exportamos para o mundo é garçom e peão de contrução civil e prostitutas.
    Nós não temos só preconceito com nosso próprio país, e sim com toda sul américa, por aqui quando algum produto não presta falamos que é do paraguai e etc. E achamos graça em nossa ignorãncia quando um chefe de estado manda outro calar-se e no brasil quase todos nós associa a produção de droga como cocaina à bolívia e à colombia. desrespeitando a todos os seus cidadãos com tais expressões. Lamentavelmente Existiu por aqui algumas emissoras de tv que nos ensinaram a gostar de tudo que é escrito em inglês e consumir lixos amti culturais da industria da música e do cinema americano. Também solidarizo apoio ao chefe de estado boliviano e a todos os bolivianos e peço desculpas pelo meu país não ter sensibilizado perante a esta perigosa ameaça e neo totalitarismo que alguns paises começam a mostrar mais claramente, que coloca em risco a soberania nacional dos paises africanos e de orígem indígena e os associa a imagens pejorativas nas quais são sempre lembrados que são grandes traficantes de drogas. Eu já ouvi várias vezes no exterior que o brasil por exemplo é um país de traficante, ladrão e prostitutas. Nenhum império ou coalizão conseguiu dominar todo o mundo e não será estados unidos e europa que o faram. Eles são covardes somente com países que tem menos de 50 kilometros quadrados. Acho que isso é terrorismo verdadeiro!

  22. Jairo Andrade de Moraes disse:

    Jairo
    Será que toda essa celeuma vai levá-los a algum lugar? As demonstrações de apoio ao Professor Boaventura, va lá, mas essa defesa idólatra do Evo Morales, me parece um tanto exagerada. Primeiro, porque ele, como muitos aqui do Brasil, que hoje vivem a chamada “vida de branco”, com toda regalia e ainda protegidos por Leis especiais, e recebendo ajuda do Governo, deixou de ser índio há muito tempo! E a verdade é que passou a viver a “vida de branco” e hoje é o Presidente da Colômbia. Segundo, será que já caiu no esquecimento o que esse pobre “indio” fez contra o Brasil? ou teria sido um “acordo de cavalheiros” entre ele e o Lulla? Tudo é possível. . . Mas aí, eu deixo para os “experts” defensores dos “pobres índios”

  23. Maria Filomena Folgado disse:

    Mas que raio de importância é que se está a dar a esse Marcelo que ninguém sabe quem é. Deixem-no para aí a alanzoar sozinho. O importante é o belíssimo, poético e erudito texto (embora escrito com simplicidade) de pedido de desculpa do Professor Doutor Boaventura Sousa Santos, esse sim que é alguém e que todos sabemos quem é. Obrigado Senhor Professor pela sua nobre decisão que subscrevo e creio muitíssimos portugueses subscreveriam. Não duvido que tenha mais valor o pedido de desculpas do povo que ninguém algema do que os do Presidente da República, cativo de interesses que, sabemos, não são os do povo.

  24. Iuri disse:

    Fiquei pensando na fala-clichê do rapaz, sobre quem ouviu um “vermelho”, ouviu todos. O caso é que se poderia dizer isso de um “fascista”: ouviu-se um, ouviu-se todos.

  25. Marcelino Lisboa disse:

    Muito bom, professor. E sobre a pergunta do Marcello: não, se fosse um presidente alinhado aos EUA o avião certamente não seria parado.

  26. Juliana disse:

    Acho que ninguém tem o direito, ante a todas as injustiças cometidas pelo sistema do homem branco, de levantar uma rosa contra os índios que durante milênios antes dos europeus chegarem, cuidaram muito bem obrigado desta terra que infelizmente e eventualmente seria “descoberta” pelos brancos, e se foram corrompidos foi graças ao sistema para o qual você diz que tratabalha, caro anônimo “não interessa é meu nome”
    E deveríamos mais é parar que falar mal uns dos outros e aprender mais com a verdadeir espiritualidade indígena, que embora muitos indígenas desconheça, irá ajudar a salvar esta terra viva na qual habitamos.

  27. Escrawen Sompre disse:

    Fico tão feliz quando vejo e leio algo assim. Me faz sentir que não sou o único que está cheio dessa pouca vergonha que é a opressão dos que se julgam superior, sobre aqueles que eles acham inferior.
    Parabéns professor Boaventura.

  28. José Amaro disse:

    Barak Obama é a vergonha de uma raça. Raça sofrida do continente africano, assim como de vários países que teve o feliz ou infeliz tráfego negreiro. Se temos um povo dançarino, alegre, de sorriso largo, boa cozinha, de ritmos quentes aqui no Brasil, agradecemos a esse generoso povo negro. Há exceções, evidente, Barak Obama é uma dessas infelizes exceções. Na verdade, o presidente americano tem apenas a pele negra, seus sentimentos são semelhantes àqueles que andam mascarados tentando destruir as minorias como a Klu.klux.klan. Daí o seu comportamento contra o presidente índio.
    Obama, o lamentável!!!

  29. Rosinete - Recife disse:

    Texto maravilhoso Professor Doutor Boaventura. Parabéns!
    Prova que o ser humano é sensível e solidário, independente do local de nascimento.
    Ao Presidente Evo Morales, minha humilde solidariedade.

  30. Dinio disse:

    Caro Renzo, com todo o respeito e desculpas, acho que você não entendeu a ironia do texto. Uma índia não fica jogada na rua, com sua cria, porque é seu plano de marketing e venda de produtos. Ela está ali porque foi marginalizada. Quem marginalizou os índios, foram os colonizadores. É o “Deus” dos europeus que os exclui e expulsou de suas terras, e nós, descendentes deles, por conveniência, demos continuidade ao processo.
    E para refrescar nossa memória, o “rei” da Espanha, nas horas vagas, quando estava entediado, juntava seus amigos para caçar ELEFANTES!

  31. DINHO disse:

    NÃO SOU PORTUGUÊS,MAS SOU CASADO COM UMA PORTUGUESA, E NÓS TAMBÉM PEDIMOS DESCULPAS PELO ERRO COMETIDO PELO NOSSO GOVERNO.

  32. paulo disse:

    concordo em muito com o professor…..mas espero que ele saiba que o presidente evo fez algo semelhante com tres aeronaves do brasil que decolavam da bolívia…..estava atrás de um político (a desculpa para verificar as aeronaves brasileiras foi suspeita de tráfico)……

  33. catarina disse:

    Bravo Rui, sua ternura me representa, sempre!

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