Aos indignados da sacolinha

E se a resistência à mudança de hábitos indicar que colocamos a Ética do Consumidor acima de todos as outras?

E se a resistência à mudança de hábitos indicar que colocamos a Ética do Consumidor acima de todas as outras?

Por Marília Moschkovich, editora de Mulher Alternativa

A proibição paulistana (e campineira; e provavelmente em outras cidades também, que eu não saberia citar aqui) de supermercados distribuírem sacolas plásticas para que os clientes transportassem as compras tem sido, no mínimo, polêmica. Grupos raivosos pipocaram na internet de todos os lados: contra, a favor, pela volta das sacolas, pelo fim dos supermercados, e por aí vamos. Por que, afinal, uma decisão aparentemente tão simples gerou tanto ódio?

Comecemos do começo. As sacolas plásticas vinham sendo utilizada em larguíssima escala e na maioria das vezes sem a menor necessidade (para carregar um litro de leite apenas, por exemplo, muita gente chegava a usar até duas sacolas). O fato de que depois essa sacola será usada como saco de lixo não exime nem elimina o problema de seu uso. Ela será provavelmente destroçada e seus pedaços acabarão na garganta de algum animal ou humano de qualquer forma, poluindo mananciais entre outros problemas associados.

Trata-se de uma questão maior que é o destino do lixo. O “lixo” que a sacola plástica comporta não acaba na porta da sua casa, nem no caminhão, nem no aterro. É um ciclo longo e muito agressivo, já que somos tantas pessoas tão concentradas nas grandes cidades brasileiras. Na grande maioria dos casos, o lixo poderia ser descartado em caixas de papelão ou sacos de papel, talvez um pouco menos agressivos, embora o descarte ideal e menos nocivo talvez fossem latões comunitários, esvaziados direto no caminhão. Você levaria uma caixa plástica reutilizável ao latão, despejaria seu lixo lá, passaria uma aguinha na caixa e voltaria pra casa feliz e contente. O caminhão recolheria direto esse lixo e levaria o orgânico pra uma grande composteira – enquanto o reciclável seria separado em usinas e reutilizado. Não é tão utópico assim, mas é preciso um pouco de vontade política.

Cidades como Campinas (SP), por exemplo, onde moro há sete anos, têm leis que vão exatamente no sentido oposto, proibindo o lixo de ser descartado em qualquer outro recipiente que não uma sacola plástica. Já tentei descartar em caixa e os lixeiros simplesmente não levam – pois consta na legislação que eles só podem levar sacolas plásticas. O lixo é, essencialmente, uma questão política.

Você, leitor ou leitora, que pode ser mais um indignado-das-sacolinhas, sabe que tem, porém, outros motivos para achar essa lei uma idiotice. O primeiro é que ela só proíbe um tipo de sacolinha e apenas se for gratuita – pagando pode. Isto é uma evidência clara de que não se trata em momento algum de preocupação ambiental. Como eu disse, há outras medidas de descarte e tratamento do lixo que precisariam e poderiam ser tomadas em conjunto, se essa fosse de fato a questão central para as prefeituras e governos que proibiram as sacolinhas de mercado.

As sacolas mais baratas do Pão de Açúcar, por exemplo, são produzidas no Vietnã (sustentabilíssimo importar sacolas de navio ou avião) e devem ter um custo de produção equiparável às proibidas sacolas plásticas. Ah, vale lembrar que elas também são plásticas. Mas reutilizáveis por mais tempo. Um plástico mais resistente – sinceramente questionável se é melhor pro meio ambiente, mas enfim, divago.

Por outro lado, não me parece lá muito sensato reivindicar a volta das sacolinhas. Quem o faz, até agora, tem usado o argumento do “consumidor”. Ah, o bom e velho argumento do “consumidor”, o único que cola na sociedade brasileira contemporânea. Parece que agora os supermercados em São Paulo serão obrigados a oferecer uma forma de transporte das mercadorias compradas. Por que o excelentíssimo consumidor não pode fazer um esforço mínimo de lembrar-se de levar o próprio meio de transporte da mercadoria, não sei. Não me parece fazer sentido algum. Não é um argumento, não há uma racionalidade por trás dessa reivindicação e decisão. Simplesmente porque sim. Porque sempre foi feito. Porque há, no Brasil, uma ética do consumidor que suprime e atropela toda e qualquer outra ética.

Quantas vezes você, de folga no domingão, não ficou decepcionado porque um atendente de alguma loja não foi “simpático” com você? Já pensou se fosse você, trabalhando lá no domingão, indo e voltando de ônibus, com um salário de m*rda? Iria querer ser simpático? Será que você foi simpático com ele? Não importa. Nada disso importa. Você está pagando e tem o direito de ser bem-tratado por isso: assim funciona a lógica dessa “ética do consumidor” aqui no Brasil. Um cidadão só é cidadão quando é consumidor.

Esse tipo de relação entre as pessoas e destas com as coisas não é lá muito construtivo se pensarmos numa sociedade mais sustentável (já que essa é a palavra da moda). Hierarquizamos pessoas e direitos pelo seu poder de compra, reproduzindo o que fazem as empresas conosco. Temos o direito de enviar a aterros sanitários pedaços de plástico que poluem e matam a fauna, afinal, o preço deles já está incluso na nossa mercadoria.

Aos que se lembram ainda de uma outra questão – a das embalagens, que também produzem lixo (embora, se separadas e recicladas, não causem o transtorno que o descarte de lixo em sacolas plásticas causa; e sim, eu sei que o descarte de lixo vai continuar sendo em sacolas plásticas) – pergunto quantos fazem a própria comida toda ou quase toda, evitando embalagens prontas. Você já fez seus próprios biscoitos? Seu próprio iogurte? Seu sabonete? Cream cheese? Receitas muito, muito simples, que demandam pouco tempo e pouco trabalho (além de poucos ingredientes) e que reduzem a quantidade de lixo que você produz.

As embalagens sempre serão permitidas enquanto os produtos prontos forem permitidos. E não defendo que eles sejam proibidos, não. Mas a educação doméstica, para homens e mulheres, na escola e em outros ambientes educacionais, poderia ser essencial para que pudéssemos aprender que fazer macarrão em casa é simples, fácil, rápido, barato e muito mais saudável para seu corpo e para o corpo das outras pessoas em volta, indiretamente.

Este tipo de relação exige, porém, que a ideia do “privilégio absoluto do consumidor” seja extinta ou, no mínimo, muito questionada. O caminho para uma sociedade sustentável passa necessariamente por uma transformação na qual as pessoas se relacionem mais como cidadãos e cidadãs e menos como produtos numa prateleira. Ou numa sacolinha plástica.

Edições anteriores da coluna:

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(9/1/2012)

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39 comentários para "Aos indignados da sacolinha"

  1. Luis disse:

    Cara Marília,
    você acredita mesmo que é viável termos uma caixa plástica onde colocaríamos todo o lixo e depois jogaríamos seu conteúdo em um latão ? E você acha mesmo que “passando uma aguinha” os problemas de higiene estariam resolvidos ?
    Eu faço parte do que você chama de os indignados-por-sacolinhas, e acredito que deveríamos eliminar outros plásticos prioritariamente. Por exemplo, por que não proibir a venda de refrigerantes com garrafas PET, substituindo-as por garrafas de vidro, que podem ser reutilizadas ?

  2. Ricardo M Martins disse:

    O artigo estava bem escrito, até a ideia estapafúrdia de “Você já fez seus próprios biscoitos? Seu próprio iogurte? Seu sabonete? Cream cheese? Receitas muito, muito simples, que demandam pouco tempo e pouco trabalho”.
    Ou a colunista não trabalha ou vive num mundo de magia e faz de conta.

  3. Clarisse disse:

    O artigo não é perfeito… mas é sim possível modificações no sistema de coleta e tratamento de lixo como as citadas pela autora… a começar pela caixinha que pode ser lavada. Se antes de reclamar as pessoas se dessem o trabalho de pesquisar exemplos de outros países, como a Suíça, veriam que o sistema lá funciona e muito bem com alternativas parecidas com essa da caixinha plástica e com reciclagem de praticamente tudo o que se joga fora. A proibição das sacolinhas não é suficiente, longe disso, mas é um começo e poderia ser visto como um ensejo para que reivindicássemos novas e melhores alternativas para o sistema de coleta e tratamento do lixo, por exemplo. Basta deixar o “umbigocentrismo” de lado e ampliar um pouquinho a visão… etc.!

  4. Rubens disse:

    O que a autora sugere inicialmente é tratar o lixo como ele era tratado ha uns 30 ou 40 anos atras (antigamente nao se usava sacos de lixo, mas latoes de lixo). O lixo fedia (era NOJENTO e, claro, muito menos higienico!!), alimentos se decompunham, juntava insetos, môscas… Fora que animais (e ate humanos) vasculhavam e espalhavam o lixo pela calçada, latões eram derrubados, etc. etc. — E não se esqueçam que, no caso dos edifícios e condomínios, as lixeiras se tornavam em um completo nôjo, imundas, fétidas e cheias de bicho, atraindo principalmente baratas e ratos.
    .
    Obrigar as pessoas a colocar o lixo em sacos plásticos tornou as cidades muito mais civilizadas e limpas.
    .
    Portanto, a ideia da autora de uma volta ao passado é PESSIMA. Assim como é completamente ingênua, para dizer o minimo, a ideia das pessoas fazerem seus proprios biscoitos, macarrao, iogurte e o escambau a quatro. Com isso, a autora certamente deixa claro que não trabalha, nem chega em casa cansada apos passar 10 ou 12 horas por dia fora de casa.

  5. Ana Brito disse:

    Marília,
    Há algo maior por detrás da ideia de que a sacolinha é a grande vilã do meio ambiente. Sim, ela causa danos, tanto ou até menos do que outros tantos produtos plásticos. Portanto, a questão é muito mais simples: Pagamos por estas sacolas, não são gratuitas, o preço está embutido! Nenhuma empresa está oferecendo a sacola. Portanto, o que tais empresas devem fazer é assumir a responsabilidade por oferecer sacolas e sacos biodegradáveis. Simples assim!

  6. Dyego disse:

    A proibição das sacolas só é benéfica para o mercado. O consumidor, além de ter de pagar o preço das sacolas embutido nas compras, também paga impostos relativos a coleta de lixo – Ou seja – pagamos para usar e pagamos para descartar. O devido tratamento das sacolas quando descartadas já não deve mais caber ao consumidor, portanto se polui ou não, é o estado que deve se virar para contornar essa situação. É como pagar caro a alguém para se livrar do lixo e ainda ser privado de produzi-lo.

  7. E se a resistência à mudança de hábitos indicar que precisamos de um debate menos “moralista” sobre o consumo? aqui tem uma (tentativa) de contribuição ao debate.
    http://supercarrinho.blogspot.com/2012/02/aos-indignados-da-sacolinha-por-marilia.html

  8. Antonio disse:

    Já passei dos sessenta. Me lembro que na minha saudosa infância na cidade de Santos, era eu quem a noite, deixava a garrafa de leite vazia no portão, para que no dia seguinte a encontrasse trocada por uma cheia junto com duas bengalas em um saco de papel….Também era eu quem colocava o latão de lixo na calçada perto do portão para que o lixeiro ao passar despejasse tudo no caminhão, tinha um ou dois funcionários lá em cima que iam cada com sua pá, acondicionando o lixo para que coubesse o máximo possível. Saudosos anos cinquenta. Ninguém nem imaginava sacolas plásticas para se colocar o lixo na rua. Ninguém nem pensava em pegar o litro de leite e as duas bengalas deixada na caixa ao lado do portão. Eram deixados em todos, ou em quase todos, os portões. Mas isso era na minha saudosa infância….

  9. Sobre a questão da higiene, os leitores que comentaram parecem não notar algumas coisas importantes. A primeira é a de que não se acumularia esse lixo em casa ou até encher latões, como era feito há 30, 40 anos atrás. Já foram desenvolvidas centenas de caminhões de lixo com sistemas de coleta higiênica sem sacos plásticos. Este modelo atual está tão ultrapassado quando o modelo de 30/40 anos atrás. Por isso reforço que não proponho uma volta ao passado, mas uma mirada no futuro. Que tal? O problema do descarte de lixo como era feito antigamente não era a ausência de sacolas plásticas, mas as condições em si como era feita. O tipo de latão, por exemplo. Hoje é possível (e não é caro) fazer escolhas melhores e mais higiênicas sem sacolas plásticas.
    Um outro ponto bem importante é tentar identificar de onde vem o discurso da higiene. Sobretudo porque ele é uma falácia. O lixo é moído junto com a sacola plástica e é descartado em lixões que passarm do ponto de apenas “problemáticos”. Lembro aos leitores que não é só porque eles têm o privilégio de morar longe de um lixão e não vêem diariamente o lixo exposto, que ele é “higiênico” e não representa um risco sério à saúde pública. Sobretudo para as pessoas mais pobres que moram, comem e trabalham muitas vezes nestes lixões. Então esse discurso da higiene é de fato um mito. Mesmo se fosse pra ignorar isso tudo ainda seria possível lembrar que quando a coleta não é feita com regularidade – inclusive com as sacolas plásticas -, como no caso de vários bairros (mesmo os nobres) de São Paulo nas últimas gestões da prefeitura, o lixo também fica acumulado na calçada, gera moscas, germes, etc. Sem latões. O problema não está na sacola ou no latão mas na política de lixo e meio-ambiente.
    Aos que acham impossível fazer sua própria comida – ou fazer alguns alimentos básicos do cotidiano que geralmente produzem muito lixo de embalagem (o fato de ele ser reciclável não quer dizer que ele desaparece e vc está desculpado/a de produzi-lo, exceto talvez pela própria consciência) – talvez devessem tentar. Não entendo por que uma pessoa que chega cansada em casa não pode apertar um botão pra ligar o fogão, esquentar leite, misturar umas colheradas de iogurte, despejar num pote e deixar numa sacola térmica ou enrolado em panos num lugar quentinho até o dia seguinte. Vai gastar algo como cinco minutos. No máximo.

  10. MARCOS disse:

    É simples : sacolas biodegradáveis…mas é melhor apoiar as grandes corporações e ganhar dinheiro com os impostos da venda de sacolinhas…

  11. JANDIR disse:

    Deixem em paz as minhas sacolinhas…primeiro porque terei que comprar saco plástico para colocar o lixo de casa…depois temos que nos preocupar com outros acontecimentos mais importantes –
    Fukushima – contaminou grande parte do Japão e o mar
    Projeto Boracéia na cidade de São Palo – completamente destruído pela indigestão Serra/kassabe
    São Paulo – quanto do lixo é realmente reciclado na cidade e no estado? alguém sabe?
    Para finalizar veja no google a sopa plástica no Oceano Pacífico….

  12. Marco Antonio disse:

    A autora tem o coração puro e a intenção sincera, mas se perde no foco da questão. É a crítica ao consumismo individualista, onde quem não consome não é gente? Bato palmas. É a crítica ao uso generalizado de embalagens não-biodegradáveis, com os óbvios prejuízos para o meio ambiente? Também bato palmas, sem restrições. É a crítica à acomodação obsessiva, em que os cinco minutos para fazer um iogurte prejudicam a audiência da novela? Também bato palmas, mas alerto que o custo da produção autônoma é maior que a industrializada, além dos efeitos na geração de empregos. É a crítica a uma opção de transporte individual de carga, a que todo consumidor está obrigado? Discordo, porque toda essa discussão não aponta uma alternativa de consenso (o retorno aos procedimentos dos anos 50 passa ao largo do incremento exponencial da produção de lixo a ser coletada e prontamente afastada das comunidades habitáveis, sem mencionar o desmatamento decorrente da substituição das sacolas plásticas por papel e papelão). Penso que o foco da questão é a durabilidade indeterminada dessas sacolas, com as consequências nefastas no meio ambiente. Sob esse aspecto, todas as questões levantadas seriam solucionadas pelo avanço tecnológico do uso de plástico biodegradável na produção de sacolas e de embalagens. Se a alternativa implica aumento de custos, que se pague por elas e deixe-se às tais leis de mercado a busca por um novo ponto de equilíbrio sócio-econômico.

  13. Lancero disse:

    Muito interessante e oportuna, a colocação da sacola, plastico, lixo, mercado e consumo. Ou dos seu correlativos, emprego, salários, bens de consumo e de produção. Faz um seculo que estas questões tem sido abordadas com fundamentos ideológicos e com este propostas partidárias e eleitoreiras. Está bem, cabe aos humanos organizar-se como sociedade. Encontrar respostas honestas a migração rural no rumo marginal das grande metrópoles. Elefantes brancos, onde perdemos consciência, identidade e pertencença. Questões vitais de sobrevivência como pautas de agenda para os novas lideranças e propostas partidárias que o Brasil hoje requer. Nem enterrar, nem continuar enchendo de falacias consumíveis, apenas, fazendo da realidade honesta e inteligente um principio, resolver questões reais.

  14. tiago barufi disse:

    Parabéns pelo texto. Aos classe-média-sofre de sempre, minha comiseração.

  15. Felipe Vaz disse:

    Como as pessoas não vêem que o preço da sacola sempre esteve embutido nos produtos? Como vocês acham que o supermercado paga as sacolas?

  16. Taiyu disse:

    Em alguns locais existe sacolas oxibiodegradáveis, que em 3 meses se decompõe e de fato é melhor que dificultar não só o lixo caseiro nas latas e a limpeza do produto mas o transporte para a casa.

  17. Bruno P disse:

    Tosco pensar que a problemática ambiental é apenas um problema individual, de mudança de costumes. Mais neoliberal impossível: se VC não faz nada para diminuir o lixo reciclável que vai para aterros a culpa é toda SUA!
    Moro na cidade de São Paulo e os poucos lugares públicos que faziam separação de resíduos recicláveis foram extintos pela administração kassabista. Há locais de coleta de material reciclável em UM DIA DA SEMANA (qdo sabemos que produzimos muito mais lixo inorgânico que orgânico) e nos piores horários (11h da manhã, 13h).
    Em duas ruas ao lado da minha casa havia esse tipo de coleta, eu estava disposto a ajudar, mas fui informado que o caminhão não passava na minha rua PQ NÃO!
    Já tentei dispor meu lixo reciclável de várias maneiras, mas, na boa, a municipalidade mão está nem aí. E não é nada fácil descartar seu lixo reciclável na cidade de São Paulo.
    Se vc pretende mesmo chamar dessa forma pejorativa quem é contra o sumiço das sacolinhas dos supermercados (sim, pq isso não é uma lei, É UM ACORDO ENTRE ESTADO E ASSOCIAÇÃO DOS SUPERMERCADOS), se informe melhor. Argumente sobre os lucros absurdos que as empresas terão com isso, sem nenhum repasse ao cidadão.
    Se o Estado estivesse de fato preocupado com o meio ambiente faria um acordo com empresas de reciclagem e compostagem. Esse acordo é patético!

  18. Eneida Melo disse:

    Marília,
    Concordo com redução de embalagens, de consumo e outras coisas.
    Mas essa história de levar o lixo numa caixa e despejar no latão, sinceramente, não vejo como boa. O caminhão de lixo pode até ser adaptado hoje. Mas até esse lixo ser levado pelo caminhão, ele fica ali juntando moscas, baratas e etc, fora o cheiro. No meu prédio, acho que passa lixeiro 3 vezes por semana, o que significa até 3 dias de acúmulo de lixo. Sinceramente, não sei como tornar isso uma proposta viável.
    Fazer iogurte, sabonete, biscoito, macarrão em casa? É sério isso? Pra quem curte, não vejo problema algum. Receitar como panacéia já é bastante discutível. Prefiro gastar esse tempo lendo.

  19. Eduardo Lucchesi disse:

    Aqui em Belo Horizonte as sacolas plásticas são proibidas há um ano. Não fazem a menor falta. As pessoas se acostumaram a levar aos supermercados suas sacolas retornáveis.

  20. JM disse:

    Entonces, …
    Na minha mente ficam algumas perguntas que não querem calar.
    Quando penso em lixo, logo me vem a ideia de lixo resultante da forma como a nos organizamos em termos de produção. Mas não só.
    O que penso quando penso sobre lixo…???
    Como consequência penso sobre as ideias de lixo atômico, lixo industrial, lixo cultural (leia-se BBB e cia ltda.) e lixo humano – que é meu assunto neste comentário.
    Crianças e idosos são tratados como se estivéssemos tratando com lixo. São improdutivos e merecem consideração à parte. Às crianças falta algo, o que justifica que as coloquemos na escola. Acreditamos, e a grande mídia defende, que a escola lhes deve ensinar o que lhes falta. Não há acordo sobre o que lhes falta, mas quase todos consideram que lhes falta algo.
    Uma avalanche de testes avaliatórios devem dar condições de vermos se os infantes estão sendo preparados para encarar nosso competitivo dia-a-dia. Aliás, hoje, não falta competição na escola.
    Quanto aos idosos, os ‘improdutivos’ dos idosos, também lhes falta algo. Tanto que é comum vemos se proliferarem os discursos acerca da saúde e por consequencia da falta da mesma. Todo cotidiano não está prepaprado para lidar com a morte e com os idosos. Vejam as arquiteturas que situam os necrotérios num lugar bem afastado… Alguma vez você ouviu alguma palestra de um doente terminal? Alguma vez você vui uma empresa empregar um doente terminal? Não acredito. São lixo.
    E a gente ainda fica preocupado se o cidadão fecha a torneira quando escova os dentes?
    E a gente ainda fica preocupado se o cidadão usa sacola plásticas?
    Me poupem, mas devíamos questionar bem mais abaixo, ou mais acima, como queiram…
    E eu nem falei do lixo atômico, industrial e hospitalar…
    Mas sempre me deparo com muitos apelos para consumir mais e mais…. E ninguém fala disto.

  21. Marília
    Parabéns pelo texto. Minha experiência tem me mostrado que, quanto mais adentro às questões de sustentabilidade, mais perguntas me surgem.
    A observação/atenção tem sido minha companheira fiel. Mudei minha vida nos últimos 06 anos para experienciar o que colocas (diminui radicalmente meu consumo e produzo a maior parte do que necessito – como podes ver no meu blog). Com isso algumas respostas surgem, mas com elas vêm um caminhão de novas perguntas.
    Compartilho algumas constatações:
    – Delegar virou um hábito muito nocivo. A educação foi delegada à escola, a alimentação aos restaurantes e supermercados, a responsabilidade por resíduos gerados, ora para o governo, ora para a indústria que produziu o item.
    – Instantaneidade é o funcionar do momento. A tecnologia, os jogos, as prateleiras dão uma noção de que tudo é possível a qualquer momento. Voltar à terra tem me tirado dessa zona de conforto e conviver com os tempos e movimentos da terra tem sido um grande pacificador. O trabalho no campo poderia ser indicado como tratamento psiquiátrico 🙂
    – Falar sobre as coisas é a bola da vez. O entendimento das necessidades, a criação da consciencia da necessidade de revisão de hábitos está ocorrendo. A distância entre a tomada de consciencia e a ação é onde o bicho pega. Apesar do entendimento, a procrastinação (creio que por acomodação e conforto) acaba imperando.
    Não são afirmações definitivas, apenas indagações… o que fica é o voltar ao simples e tomar a responsabilidade pela pegada.
    Abraço

  22. Rodrigo de Melo Bezerra disse:

    Ainda considerando todas as divergências sobre o tema, o artigo faz no mínimo uma proposta muito pertinente, curiosa e sensata ao promover a reflexão sobre o conceito de cidadania constituído no poder de consumo!

  23. marcio ramos disse:

    Precisamos de uma cooperativa de reciclagem em cada bairro. A luta por lugares adequados para reciclar o lixo é travada entre “catadores de lixo” de baixa rende que querem melhorar as cooperativas de reciclagem e a prefeitura, quem vcs acham que esta ganhando????

  24. JM disse:

    Olá todos,
    Marcio ramos muito legal vc falar em cooperativas.
    Acho que são soluções geniais.
    Vocês já ouviram falar de um banco que funciona como cooperativa?
    Existe sim, e é um banco que não cobra juros…
    Vídeo em:
    http://www.youtube.com/watch?v=7d5yA4oWncQ&feature=youtu.be

  25. JC disse:

    Tá todo mundo levando a discussão pro campo ideológico, o importante é que algo está acontecendo e essas sacolinhas estao saindo até que enfim!. Cada um que se vire e leve a sua, ta na hora de acordar! E dai que nao tiraram as garaffas PET? Bando de hipócritas, so aceitam as mudanças se forem de acordo com suas idéias e conceitos pessoais na verdade é tudo um bando de preguiçoso acomodado que se acha no direito do consumidor…
    E como toda mudança que mexe no “conforto” da população traz esse monte de argumentos imbecis de otários inconformados.

  26. marih klauk disse:

    Há uns 15 anos,toda vez que vou ao Brasil-uma vez por ano-levo minhas próprias sacolas,de tecido.
    Faço isso pq me parece tristíssima a imagem das praias tão lindas, das ruas,e toda paisagem,estragada por sacolas,copos,papéis de sorvete,enfim,pelo lixo deixado de qualquer maneira,por aí…faço isso, levo as sacolas,controlo a quantidade de lixo que produzo,quando estou no Brasil,aqui onde moramos,isso é o cotidiano,lixo custa caro para jogar fora.
    Há algum tempo começei a observar o olhar desconfiado das pessoas no supermercado e também nos shoppings pq sempre estou com uma sacola-de tecido- penduirada além da minha bolsa,dentro dela, vou levando o que compro,e peço para não por em sacola deplástico,caixa, ou bolsa de loja,-mesmo assim alguns insistem e dão a sacola da loja.Um dia, na última vez que estive aí,depopis de fazer a compra da semana,e obseervar o olhar da spessoas qdo cheguei no supermercado com as tais sacolas-umas duas,da pequenas-fiquei pensando-será que els pensam que vou roubar coisas e por nas sacolas????finalmente ri da situação.
    Nas lojas eles insistem em por na sacola,essas caríssimas-sim custa caro para a natureza e para o consumidor,no supermercado, nem dá tempo pra que eu mesma ensacole as coisas,vem uma pessoa rápido,e vai ensacolando tudo,refleti que deve se rmedo deprder o trabalho de ensacolador,como se não fosse capaz de fazer um outro trabalho na vida,além desse…
    Essa atitude é talvez parecida com a das pessoas que são incapazes de cozinhar seu próprio jantar,incapazes de produzir menos lixo(o das caixinhas e outros onde vem o jantar pronto,por ex.),mas são capazes de depois do trabalho ir beber e comer no barzinho-comidas sem nehuma higiene,e que nem são saudáveis-,essas mesmmas pessoas,são as que em casa, sentarão para comer comida de caixinha,beber refrigerantes e ver tv,com sua programação horrível,sem nenhum,absolutamente nenhum valor cultural,programans imbecilizantes,acatados por uma burguesia capitalista consumista.
    É lamentável que a supostas cabeças pensantes desse país sejam tão medíocres,a ponto de não reconhecer que usar sacola plástica,reciclar lixo,cozinhar seu próprio jantar-ou fazer seu próprio pão-é atitude de humanização do se desumanizado,é exercer cidadania,cuidar do país que pertence a todos-ou deveria pertencer-e cada um cuidando do seu metro quadrado,incentivando o vizinho,a comunidade em geral,seria assim, uma contribuição para melhorar o retrato do país,como país desenvolvido que alguns querem mostrar.
    Parabéns Sra.Marília pelo texto,mas lamentavelmente muitos não conseguem entender esse tipo de reflexão.

  27. Paulo disse:

    Amigo,esse papo de meio ambiente e papo furado, é para lavar a mente do gado (povo). Pegue as mercadorias das prateleirras do mesmo SUPERMERCADO que elimina as sacolinhas por reduçao de custo e veja a montanha de lixo que teremos !

  28. Andre disse:

    Proibição de sacolas plasticas é simplesmente hipocrisia.
    Ambientalismo barato para aparecer bonito na foto é simplesmente hipocrisia.
    Preocupar-se com uma foca que morreu engasgada com uma embalagem de trakinas, enquanto seu filho leva na lancheira esta mesma bolacha, é simplesmente hipocrisia.
    Preocupação ambiental atualmente não passa de marketing, um novo setor econômico a ser explorado para se ganhar dinheiro.

  29. Paulo disse:

    Amigo,esse papo de meio ambiente e papo furado, é para lavar a mente do gado (povo). Pegue as embalagens das mercadorias das prateleirras do mesmo SUPERMERCADO que elimina as sacolinhas por reduçao de custo e veja a montanha de lixo que teremos

  30. L disse:

    Olha como um ato tão comum, um tanto até automático, bloqueado de uma forma estantânea pode ocorrer tantas opiniões adversas! Marília gostei muito do artigo, é um tanto polêmico, e gosto disso. A verdade é que ninguém está nem aí para a sustentabilidade, é uma modinha duradoura que faz parte do mundo que gira em torno do capital. Aí falam que deveriam se importar com assuntos de maior importância… então deixaremos as coisas mais fáceis e práticas de resolver por meio da adaptação para mais difíceis que talvez nem se sabe se haverá solução. Sempre há desculpa para tudo e ação para nada.
    Abraços

  31. Gente, as críticas e comentários feitos aqui são essenciais, especialmente as que dialogam diretamente com as questões levantadas no texto (o que não é o caso de todos). Fiz uma compilação e alguns comentários novos respondendo a estas questões em meu blog pessoal: http://www.mulheralternativa.net/2012/02/sacolas-plasticas.html

  32. Bárbara Seccato disse:

    Adorável o artigo! Acho que um tema que não foi abordado, ou não foi enfatizado, e que se apresenta extremamente importante numa questão como esta é a dificuldade em mudar, simplesmente. As pessoas, e não me excluo, registre-se, tem muita dificuldade em mudar, afinal, a inércia é uma lei comprovada pela física (haha). Em todo caso, sou a favor da lei das sacolinhas, ainda que, como toda lei, tenha suas motivações e estratagemas políticos. Afinal, prefiro ver que é uma pequena mudança em prol da diminuição de lixo, um pequeno estímulo à mudança de hábitos. E, sobre fazer seus próprios biscoitos, embora alguns leitores tenham criticado fervorosamente, concordo com a redatora, não há complicação alguma, e muitas receitas ficam prontas em menos de meia hora, rendendo porções que podem durar a semana inteira. A meu ver, é até mais rápido do que ir até o supermercado comprar. Enfim! Obrigada pela leitura agradabilíssima =)

  33. Maria Lucia disse:

    Concordo quando você diz “Trata-se de uma questão maior que é o destino do lixo.” E por isto, as prefeituras teriam que começam por melhorar o seu sistema de coleta e reciclagem de lixo. Não seria este o primeiro passo a ser dado?
    Não concordo com a tua observação: “Porque há, no Brasil, uma ética do consumidor que suprime e atropela toda e qualquer outra ética.” Não há no Brasil, mas sim numa pequena parcela da classe média sabe que o consumidor tem direitos.
    Concordo com a tua obsrvação: O caminho para uma sociedade sustentável passa necessariamente por uma transformação na qual as pessoas se relacionem mais como cidadãos e cidadãs e menos como produtos numa prateleira. Mas, para isto, o que tem que acabar é a sociedade de consumo, fenômeno mundial! Aliás, me parece que o texto carece de uma visão mais analítica do sistema econômico que domina o mundo.

  34. Denir Mendes disse:

    Um dos melhores e mais sensatos textos que já li sobre o assunto, ao revelar o vínculo entre sacolinhas, ética do consumidor, e a necessária transformação DAS PESSOAS, sema aqual nenhum governo ou mercado muda.

  35. walkiria martinho disse:

    Vários pontos foram bem colocados.
    Agora “fazer um macar~~ao em casa é simples, rápido, bararto etc…”.É brincadeira da autora. Em que planeta ela vive???????Ela sia de casa as 5h30minpara chegar n traalho as 8h00 e sai do trab alho às 5h30min para chegar às 8h00????Vários ônibus e metrô??? Marido, filhos ????
    Iogurte, biscoito????
    Sinceramente, gostaria mutio de ver…..
    Transformar as pessoas é um objetivo e longo caminho…..e garanto que se for fazendo macarrão em casa …as pessoas jamias se tranformarão.

  36. Cesar Salles disse:

    Nos meus tempos o freguês sempre tinha razão. Falar em conscientizar o povo sobre comportamento ecologicamente correto, os empresários, os políticos!? Hah, hah, hah…

  37. Cris Teixeira disse:

    Nós estamos sendo humilhados colocando em caixa de papelão nossos alimentos. Eu já encontrei barata na caixa

  38. estou muito ediguinada com esta proibiçao de sacolinha no mercado o governo tem quem que se preocupar e com a saude publica que nos precisamos muito mais atendimento digno que nos não temos.

  39. Deus já havia avisado: O Brasil não terá grandes catástrofes naturais mas vou descartar lá toda a imundice da imundice da espécie humana! Embora eu venha achando que ele voltou atrás em relação as catastrofes naturais…BEM FEITO!

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