Outras Palavras lança Tibungo, novo podcast

Programa convidará autores do site a breve mergulho em temas atuais. Na estreia, a jornalista Angela Pappiani fala sobre a cultura e as narrativas orais indígenas, essenciais para a resistência aos tempos de chumbo do bolsonarismo

Angela Pappiani, entrevistada por Gabriela Leite e Rôney Rodrigues para o podcast Tibungo

No primeiro episódio de Tibungo, nossa convidada Angela Pappiani fala sobre como os indígenas, alvos prioritários do governo Bolsoanro, têm resistido com força e criatividade — e como podemos aprender com suas visões de mundo e cosmogonias. Ela, que escreve para Outras Palavras desde 2018, é jornalista e escritora e desenvolve, em colaboração com os povos indígenas, um trabalho de recuperação de sua memória e ancestralidade. Ouça:

[Acompanhe o Tibungo em seu tocador preferido]

Ângela oferece, no fim de janeiro, o curso Palavra Criadora — narrativas tradicionais dos povos indígenas. Será uma leitura guiada de histórias ancestrais de algumas etnias, a partir das quais haverá uma reflexão e um mergulho conjuntos para endendê-las, senti-las, compartilhá-las. As narrativas tradicionais de xavantes, karajás, mehinakus e paiters foram passadas através da literatura oral por gerações, e têm enorme importância para seus povos.

No programa, Ângela também fala sobre o texto que publicou, na semana passada, avaliando as lutas dos povos indígenas em 2019. Para ela, apesar de terem sido muito perseguidos, resistiram bravamente: foram exemplo em agroecologia, receberam prêmios no exterior, houve intensa produção cultural. Mas enxerga uma grande proeminência das mulheres nessa luta: apesar de sempre terem tido papel muito importante na defesa de seus povos, nos últimos tempos têm se manifestado mais publicamente. Relembra da forte imagem, de 1989, de Tuíra Kayapó com o facão na cara do presidente da Eletronorte, em Altamira.

Angela também relembra que a relação dos indígenas com os governos do Brasil sempre foi desastrosa — mesmo progressistas, que apesar de não entrarem em conflito com os povos, deram continuidades a projetos desenvolvimentistas da época da ditadura militar. Mas, sob Bolsonaro, ela enxerga, o problema ficou muito mais drástico: está se instaurando um desmonte de todos os organismos que protegiam a vida, a natureza, a cultura e os direitos humanos. Enquanto isso, assistimos ao avanço de tudo que é ilegal: o garimpo, o desmatamento ilegal, a invasão de reservas.

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