O eterno fascínio por Frida Kahlo e suas raízes

Por que ela ainda é mito, 60 anos após sua morte? Jornalista mergulha no universo das tecelãs de Oaxaca para conhecer cultura e arte indígenas em que pintora reconheceu inspirar-se

Por Julie Schwietert Collazo, no Calle2

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Por que ela ainda é mito, 60 anos após sua morte? Jornalista mergulha no universo das tecelãs de Oaxaca para conhecer cultura e arte indígenas em que pintora reconheceu inspirar-se

Por Julie Schwietert Collazo, no Calle2

Em meio às chacoalhadas da van ao longo da autoestrada 150, os cinco jornalistas que se juntaram para viajar da Cidade do México até Oaxaca para fazer uma ampla pesquisa sobre as roupas e o estilo de Frida Kahlo discutiam o fato de que, 60 anos após sua morte, a pintora mexicana ainda é objeto de fascínio global e de enaltecimento. Os jornalistas tentam pensar em outras artistas que tenham se valido por tanto tempo do mesmo renome mundial de Kahlo, mas só vem um branco.

2015 marcou o 90º aniversário do acidente de trânsito que deixou Kahlo com deficiência, um divisor de águas devastador que também teve um lado positivo; ele a obrigou a abandonar o estudo da medicina e dedicar-se à arte. Ao passar longas horas na cama se recuperando de cirurgias que nunca melhoraram muito a sua condição, Kahlo teve tempo suficiente para usar suas mãos para desenhar e pintar.

Seu trabalho, que consiste em quase 150 obras realizadas entre 1925 e sua morte em 1954, tem sido estudado exaustivamente. A sua qualidade contestada e seu simbolismo analisado de maneira incessante. As peças continuam a ganhar exposições de sucesso – como a que ocorreu em São Paulo até 10 de janeiro. Além das figuras femininas destacada na mostra paulistana, esses eventos costumam exaltar temas relativos à dor e ao sofrimento, ou ao lado das obras de seu marido, o muralista mexicano Diego Rivera. De Phoenix a Paris e de Buenos Aires a Xangai, o público amante da arte conhece não só o nome, mas também o rosto e o trabalho de Kahlo, além dos momentos mais importantes da linha do tempo de sua vida.

Ou isso é o que eles pensam. Isso é o que todos nós pensamos.

De tudo que sabemos sobre ela – ou que pensamos que sabemos sobre ela – há muito sobre a história de Kahlo que ainda não foi escrito, sobre novas maneiras de nos aproximar, ver e entender suas pinturas e sua vida. Em 2015, várias instituições culturais e organizações privadas planejaram programas públicos épicos com intenção de tocar o interesse coletivo sobre Kahlo e, ao mesmo tempo, nos mostrar lados dela que talvez nós não conheçamos.

O Detroit Opera apresentou uma produção de Robert Xavier Rodriguez sobre Frida em março, numa ambiciosa festa que envolveu esforços sem precedentes não só para engajar os latinos como audiência, mas também como co-anfitriões e beneficiários econômicos de uma agenda intensa de eventos que acompanharam a ópera.

Em maio, o Jardim Botânico de Nova York inaugurou “Frida Kahlo: Art, Garden, Life”, uma exposição que transformou o Conservatório Enid A Haupt em uma releitura do jardim e estúdio de Kahlo da Casa Azul, sua residência com Rivera na Cidade do México. Como a ópera, ficou seis meses em exibição – e incluiu também uma mostra de diversas pinturas de Kahlo, todas focadas na admiração da artista pela flora mexicana. Uma das metas, segundo Karen Daubmann, vice-presidente associada de Exposições e Engajamento Público, era ajudar as pessoas que pensam que conhecem Frida a aprenderem mais sobre ela.

Leia o texto na integra na revista Calle2

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