Nas HQs Periféricas, o vigor criativo das quebradas

Editora Mino lança seis livros de quadrinhos criados por jovens dos bairros periféricos de SP. Nas histórias, relações familiares, violência policial e ficção científica. Autores sentem que, ao narrar seu mundo, resgatam-no da invisibilidade

Foto: Editora Mino / Divulgação

Por Caê Vasconcelos, na Ponte Jornalismo

Oportunidade é a palavra-chave para definir as seis histórias que compõem a série Narrativas Periféricas, publicadas em 2020 pela Editora Mino. Era apenas isso que os seis talentos, moradores das periferias da cidade de São Paulo, que escreveram e desenharam as seis HQs precisavam. E a Mino deu. A ideia do projeto surgiu após a primeira edição do Perifacon, a Comic Con das Favelas, em abril de 2019, que reuniu mais de 4 mil pessoas no Capão Redondo, zona sul da cidade de São Paulo.

Assim nasceram os quadrinhos Thomas – La Vie en Rose, de Arthur Pigs, 19 anos, morador do Jardim Eliza Maria, na zona norte, Pomo, de Eryk Souza, 29 anos, cria da Cidade Tiradentes, na zona leste, Crianças Selvagens, de Gabú Brito, 27 anos, morador do Jardim Noemia, zona leste, Shin, de Isaac Santos, 33 anos, morador da Cohab Brasilândia, na zona norte, Quando a Música Acabar, de Isaque Sagara, 30 anos, morador de São Miguel Paulista, na zona leste, e Para Todos os Tipos de Vermes, de Kione Ayo, de Salvador, mas moradora de São Paulo até se formar na USP.

A ideia do projeto era selecionar quadrinistas periféricos para publicar uma HQ com a Mino. Inicialmente eram oito vagas, mas no fim foram fechadas seis publicações, sendo que quatro eram de autores negros. Durante 8 meses o time se reuniu em encontros presenciais em um programa coordenado por Janaína de Luna, editora-chefe da Mino, uma das principais editoras de quadrinhos do país.

“O processo de criação foi feito a base de muita conversa, entre os autores e a editora, muita edição. Eu peguei uma história toda e joguei fora, quando refiz saiu o que eu publiquei e eu achei fantástico”, define Arthur Pigs, autor do Thomas – La Vie en Rose, em entrevista à Ponte.

Da esq. para dir.: Arthur Pigs, Eryk Souza, Gabú Brito, Issac Santos, Isaque Sagara e Kione Ayo| Foto: Editora Mino / Divulgação

“Eu aprendi muita coisa no processo, eles deram muito quadrinho e emprestaram outros. Eu aprendi muito, ia demorar bastante para achar isso na internet. Saímos de lá autores. Eu me lembro que ficamos discutindo uma vez se iríamos colocar que éramos quadrinistas, aí o Pigs disse que tinha colocado. Agora somos quadrinistas de verdade”, completa Kione Ayo, autora do Para Todos os Tipos de Vermes, única mulher do grupo de artistas selecionados.

Eryk Souza, autor de Pomo, conta a sua inspiração: “O meu quadrinho é de ficção científica e ele fala um pouco sobre questões relacionadas a minha vida, mesmo que seja de uma forma floreada, é como se fosse um autorretrato das experiências e das impressões que eu tive sobre a minha sexualidade e sobre a relação com a minha família”.

Assim como Gabú Brito, autor de Crianças Selvagens. “A história é um apanhado de vivências que eu tive no teatro, de opiniões que eu tenho sobre meio urbano, família, sensibilidade e o que eu entendo ser poesia. Tentei colocar um monte de símbolos e metáforas na história, por mais que ela seja meio simples ela remete muitas coisas. O jeito que os personagens falam é o jeito que a molecada daqui fala, as gírias e os palavrões”.

Autor de Quando a Música Acabar, Isaque Sagara pontua que fez seu quadrinho para ver o lugar onde cresceu representado em uma HQ. “Eu nunca vi nas histórias que eu lia um bairro que parecesse o meu, a rua. É ruim você viver em um lugar que parece que não existe, que você nunca vai ver ele em lugar nenhum. É uma história que fala sobre drogas, DST [Doenças Sexualmente Transmissíveis] e dramas. Eu quis contar algo real, de pessoas que eu conheci”.

“Eu, como artista, me via isolado de uma sociedade por ser de periferia e ter poucas pessoas que pensavam em fazer alguma coisa com arte. Essa HQ é para mostrar que somos capazes, é para mostrar que temos voz. Não somos números, não somos estereótipos. Somos plurais, cada um é um universo”, completa Issac Santos, autor de Shin.

Leia a entrevista:

Arthur Pigs: Para chegar no Narrativas, eu apresentei um trabalho totalmente diferente. Era um trabalho sobre violência social, sobre o meu bairro, sobre violência policial. Não tinha nenhuma pegada de humor. Quando eu cheguei lá, a Jana foi me levando para o lado da comédia, do humor, e eu comecei a entregar as atividades nesse estilo.

Eu já fazia tirinha para internet e acabei abraçando o estilo de humor para fazer o quadrinho. Eu não entrei de primeira [na seleção], entrei na repescagem como a nona pessoa. Era para ser só oito, mas me colocaram também. No final saíram seis HQs. O processo de criação foi feito a base de muita conversa, entre os autores e a editora, muita edição. Eu peguei uma história toda e joguei fora, quando refiz saiu o que eu publiquei e eu achei fantástico.

Foto: Editora Mino / Divulgação

Eryk Souza: O meu quadrinho é de ficção científica e ele fala um pouco sobre questões relacionadas a minha vida, mesmo que seja de uma forma floreada, é como se fosse um autorretrato das experiências e das impressões que eu tive sobre a minha sexualidade e sobre a relação com a minha família. O quadrinho, mesmo que seja de ficção científica, de fantasia, é muito inspirado na minha vida e na vida de pessoas que eu conheço. O nome pomo tem a ver com o fruto proibido e uma relação com o “Pomo de Adão”, essa relação com a masculinidade. O personagem vive em uma sociedade pós-apocalíptica e ele tem o contato com um ser que vive na Lua e a nave desse demônio caiu na Terra e esse contato muda as impressões do que ele acreditava ser absoluto.

A história brinca um pouco com a ideia de mecanização, de sentidos, de personagens que vivem na Terra, e o personagem parece um pouco humano e o restante da sociedade é meio robótica. Foi a forma que eu pensei que pudesse demonstrar algum tipo de emoção que não fosse só sobre expressão. Os personagens robôs quando ficam nervosos desfragmentam. Eu quis falar sobre as impressões e os medos que tive na minha vida. Quando eu mandei para a Mino, a HQ era bem diferente, não chamada Pomo, era outro contexto. Eu acabei mudando para ficar mais fácil para caber no processo. Eu tive que deixar o desenho mais simples para caber na proposta e para dar tempo. Antes eu criava muitas coisas coloridas, depois eu percebi que podia experimentar mais, trazer coisas P&B, trazer coisas mais pessoais.

Foto: Editora Mino / Divulgação

Gabú Brito: Histórias de três crianças de rua, que vivem diversas situações. A história é um apanhado de vivências que eu tive no teatro, de opiniões que eu tenho sobre meio urbano, família, sensibilidade e o que eu entendo ser poesia. Tentei colocar um monte de símbolos e metáforas na história, por mais que ela seja meio simples ela remete muitas coisas. O jeito que os personagens falam é o jeito que a molecada daqui fala, as gírias e os palavrões. Eu escrevi ele baseado em Capitães de Areia [romance de Jorge Amado] e Aventuras na Ilha do Tesouro [quadrinho do Pedro Cobiaco].

Com a Mino, eu não levei essa história de primeira, eu levei uma que era do folclore, que eu abandonei, e aí segui com essa dos pássaros, que já vinha de umas brisas que eu vinha tendo no teatro. O processo com a Mino foi muito bom para mim, porque algumas coisas que eu achava que estavam muito boas, a Janaina olhava e falava que não estava legal, aí eu refiz e ficou melhor ainda. Todo mundo sabia escutar um não, que a ideia dava para ser lapidada. Eu aprendi muito com a Janaina e com o Pedro, que é um entendedor de quadrinho impressionante. Estou lendo muitos quadrinhos e livros, não produzindo tanto.

Foto: Editora Mino / Divulgação

Isaac Santos: A minha HQ conta a história de um pai solteiro que mora em uma metrópole futurista com a sua filha pequena e ele tem mais de um trabalho. No período da manhã ele trabalha em um escritório e de noite ele é um espião. Eu queria, nesse quadrinho, falar sobre paternidade e relacionamento dentro de um contexto de um quadrinho de ação. Eu queria contar mais de um tipo de história, queria que fosse muito humana, que trouxesse a minha experiência como pai. Eu tinha participado do Perifacon em 2019 e eu estava pensando em parar de trabalhar com arte, por conta do bebê, e acho que isso refletiu de certa forma com o personagem.

Muitos amigos me incentivaram a participar da Mino, e eu já era fã de alguns quadrinhos da editora, me senti motivado a me inscrever. Já tinha feito outras feiras anteriormente. Quando cheguei lá, achei que conhecia um pouco de quadrinhos e foi muito mais libertador e abriu os meus horizontes para entender quadrinho de uma outra forma. Eu ficava ansioso para as aulas. Essa experiência foi muito importante para continuar trabalhando com arte e produzindo. Agora é continuar trabalhando, meio que tenho uma ideia de carreira projetada, não só com quadrinhos, mas também com animação, continuo estudando escrita, roteiro e desenho para quadrinhos.

Foto: Editora Mino / Divulgação

Isaque Sagara: Quando eu entrei nas Narrativas Periféricas, eu ia fazer um quadrinho sobre o Robert Johnson, pela minha ligação com a música, e eu queria trazer uma história que eu achasse bacana. Na Mino fui incentivado a desenvolver minha própria voz e meu texto. Esse foi o meu primeiro roteiro, primeira história que eu criei. Eu tinha abandonado a arte, antes da Mino, inclusive eu voltei a desenhar no ano passado. Esse projeto foi um resgate.

A história tem muito a ver com o lugar onde eu cresci e eu me incomodava muito com as histórias em quadrinho, principalmente quando eu tava no ensino médio, porque onde eu cresci não tinha super-herói, as coisas aconteciam e ficava daquele jeito, ninguém podia fazer nada. Eu nunca vi nas histórias que eu lia um bairro que parecesse o meu, a rua. É ruim você viver em um lugar que parece que não existe, que você nunca vai ver ele em lugar nenhum. É uma história que fala sobre drogas, DST e dramas. Eu quis contar algo real, de pessoas que eu conheci. A Mino foi uma escola, aprendemos na prática e saímos de lá como autores.

Foto: Editora Mino / Divulgação

Kione Ayo: Fiquei sabendo do projeto com alguns colegas do Perifacon da faculdade. Eu fiquei pensando que ia ter um monte de gente muito boa que ia ser chamada, que eu não tinha chance de passar, mas minhas amigas ficaram me incentivando e deu certo. Fiquei pensando ‘não pode ser’. Para a concepção do quadrinho, fomos trabalhando os projetos durante as aulas. Uma coisa bem legal é que eles conversavam com todos juntos, falando o que podia melhorar na história de cada um e fomos aprendendo juntos, fazendo os quadrinhos juntos. Quando eles vinham falar para a gente melhorar, eles falavam de um jeito que empolgava. Para o Pigs, por exemplo, a Janaina falou que o Pigs que ela conhecia podia fazer uma coisa muito melhor. Bem motivador. Isso foi vital pra gente conseguir. Eles apontavam os pontos onde éramos fortes para aprimorar a partir dali.

Eu gosto bastante desses cenários estranhos, doidinhos, nessa história eu queria falar sobre um monte de coisa. Falei sobre racismo, desigualdade social, saúde da população pobre, fascismo. Joguei as ideias para que as pessoas que lessem pensassem nesses temas e ao mesmo tempo fazer algo divertido para entreter. Eu aprendi muita coisa no processo, eles deram muito quadrinho e emprestaram outros. Eu aprendi muito, ia demorar bastante para achar isso na internet. Saímos de lá autores. Para quem não publicou nada foi uma transição bem mais forte. Eu me lembro que ficamos discutindo uma vez se iríamos colocar que éramos quadrinistas, aí o Pigs disse que tinha colocado. Agora somos quadrinistas de verdade.

Foto: Editora Mino / Divulgação

Qual a importância desses quadrinhos serem feitos por pessoas periféricas para mudar o imaginário que ainda persiste sobre as periferias, o da violência?

Pigs: Ainda tem esse conceito de que na periferia só tem crime e violência. Isso acabou refletindo muito no meu trabalho, entrei para fazer uma HQ disso, mas acabei saindo de lá com um quadrinho sobre humor. Eu parei para pensar que, quando a gente nasce na periferia, não nos sentimos livres o suficiente para falar de tudo igual as pessoas de classe média e classe alta, que já nasce livre para estar em todos os espaços. A gente tem que conquistar essas coisas, conquistar que o periférico é livre.

Isso é algo que vejo muito no rap, os caras começam fazendo um som porrada e depois fazem um som mais artístico. A periferia tem que estar em todo lugar. Tem que falar sobre comédia e sobre amor. A gente vive tudo isso. Não é por que temos violência que não vamos viver as coisas que todo ser humano vive, só temos que começar a jogar isso para a nossa arte. A gente já faz isso, pagode é sobre amor e é um jeito para conquistar os nossos espaços na sociedade.

Eryk: A gente consome várias coisas: lemos mangá, lemos quadrinhos, vemos clipes no YouTube. Temos uma série de outras influências e queremos falar de uma série de coisas que não são só relacionadas à violência. A periferia está na gente, mas somos todas essas outras coisas. Ao mesmo tempo que podemos falar das questões do cotidiano, também podemos falar de uma questão um pouco mais abstrata. Tudo passa pela vivência na periferia, mas, no meu quadrinho, eu queria falar a minha vida, as questões que envolviam as minhas angústias, mas, ao mesmo tempo, eu também queria falar sobre coisas que eu gosto, sobre robôs e coisas abstratas. Também podemos falar sobre isso. Isso mostra que somos diversos e criativos como qualquer outro artista que mora no centro.

Pigs: E é muito difícil, né galera? Passar por esse processo todo de fazer algo mais artístico e menos no estereótipo que a galera já conhece. Você se desprender, brincar no parquinho deles e sair do nosso.

Eryk: É difícil, porque você brinca e depois deu a sua hora e você tem que voltar. Tem que pegar o trem para conseguir voltar.

Gabú:Também tem essa coisa de você ligar a televisão de tarde e só vê programa sensacionalista metendo papo de violência. Fica essa ideia, de que só existe isso. Isso cria uma visão animalizada da coisa, parece que só tem selvageria, medo de sair na rua. Fica pouco espaço para falar que são pessoas que vivem nas periferias, que tem inseguranças, que pode estar em uma bad vibe em um relacionamento ou estar feliz com um relacionamento. Tem felicidades e tristezas na vida.

É importante a gente falar nas nossas produções o nosso ponto de vista porque ele mostra um contexto não só social, mas humano. Eu falo sobre crianças de rua e muitas vezes eu escuto falar que a galera que tá na rua tá na rua por culpa deles mesmos, é algo que não se entende como uma engrenagem social que joga as pessoas para lá e acaba não considerando elas como pessoas. Um papel importante de contar essas histórias é pelo papel da sensibilidade, essa humanidade para os personagens que colocamos no mundo.

Da esq. para a dir.: “Shin”, “Thomas – La Vie en Rose”, “Pomo”, “Quando a Música Acabar”, “Crianças Selvagens” e “Para Todos os Tipos de Vermes” | Foto: Editora Mino / Divulgação

Kione: A imagem que se mostra das periferias em tudo que é canto do Brasil é imagem de crime, de violência, mas tudo que se tem por cultura brasileira é das periferias. Quando eu pesquisava o meu bairro em Salvador no Google, só aparecia coisa de violência, mas foi de lá que o pessoal do Olodum saiu. A gente tá fazendo cultura o tempo todo, assim como das questões sociais. Tem também uma ideia de não quererem que isso pareça arte, toda vez que tem alguma arte da periferia o pessoal fala que é qualquer coisa.

A gente vê isso com o grafite assim como vimos com o samba. Minhas avós falavam que samba era música de quem não tinha cultura e agora é parte da identidade nacional. É o mesmo que está acontecendo com o funk agora as pessoas criticam, mas está em todas as propagandas. Eu vi esse processo acontecer. Estamos fazendo arte, e arte boa, eles só não querem reconhecer. Eles [sociedade e imprensa] querem invalidar tudo que é produzido nas periferias. É importante dizermos que esses trabalhos são feitas por pessoas periféricas, por minorias. 

Isaque Sagara:Parece que há um esforço para aumentar o estereótipo, não para mostrar como realmente é. O nosso trabalho é importante para que as pessoas daqui também se reconheçam nos quadrinhos. Nada é fácil, além do distanciamento geográfico, temos o distanciamento econômico. Toda vez que vamos produzir arte, temos que ir longe para comprar e é caro. Muitas vezes nos sentimos intimidados nesses espaços, porque não fomos apresentados ali. Quando produzimos alguma coisa aqui, isso tem um significado enorme. Todo mundo atrapalha a sua produção. Eu sou professor de arte, do Ensino Fundamental I, e eu estava fazendo uma oficina de quadrinho com os meus alunos. Quando eu publiquei o meu, eles viram que era possível. Para eles, no futuro, isso será inspirador.

Isaac Santos: É, a representatividade é importante. Eu, como artista, me via isolado de uma sociedade por ser de periferia e ter poucas pessoas que pensavam em fazer alguma coisa com arte. Ter essa oportunidade é mostrar para outras pessoas de periferia. Essa HQ é para mostrar que somos capazes, é para mostrar que temos voz. Não somos números, não somos estereótipos. Somos plurais, cada um é um universo. Para as pessoas que vão ler os quadrinhos, que são de periferia e são pretos, veem uma parada assim, que talvez, lá atrás, a gente teve que buscar referência e tomar para si e mostrar que podemos contar as nossas vivências de forma diferente. Isso humaniza nossas histórias.

E qual a importância dos quadrinhos na vida de vocês?

Eryk: Esse é o meu terceiro quadrinho, eu tinha feito mais dois antes. O Pomo foi o primeiro quadrinho que eu pude lidar com o processo de editoração. Eu tenho os quadrinhos na minha vida desde a minha infância. Começou com aquela coisa inocente de contar histórias, de ir para caminhos malucos de criação. O quadrinho é algo muito pessoal, é mais fácil para se contar uma história. É sobre desenhar as coisas que eu gostaria de ver e falar. 

Issac Santos: O quadrinho pra mim tem uma importância absurda, tenho contato com esse universo desde muito novo. O primeiro presente da minha avó foi um livro de arte. Só de falar de quadrinhos eu fico animado. Antes de pensar em trabalhar com animação e cinema, que são coisas que eu ainda quero fazer, o quadrinho vem em primeiro lugar na minha vida, pela facilidade, pela linguagem. Se não fosse o quadrinho eu estaria trabalhando de outra coisa e estaria muito infeliz. Eu também já tinha publicado anteriormente, um quadrinho que fiz com amigos e tenho dois fanzines. Eu tava pensando em parar, mas a Mino me incentivou a continuar.

Gabú: Eu leio quadrinho desde criança. Parei e voltei. Comecei lendo Dragon Ball, tinha uns números quebrados, tipo o 3 e 26, eu lia e relia, pintava os quadrinhos. Depois eu fui ler mangá. E hoje estou em um trabalho fixo que me dá muito trabalho, não estou me cobrando de fazer quadrinho. Eu tô lendo muito quadrinho, vendo possibilidade, mas não estou levando como uma responsabilidade muito grande porque, financeiramente, eu não acho que consigo me manter. Essa foi a minha primeira publicação.

Pigs: Eu optei por fazer quadrinho porque é um jeito de extravasar a minha imaginação. Sempre gostei muito de escrever, de contar histórias. Descobri os quadrinhos com Mickey e Pato Donald, aqueles gibis que você compra por R$ 1. Eu percebi que podia fazer isso quando me deparei com páginas de tirinhas no Facebook. Aí comecei a fazer uns quadrinhos tristes, que não tinha nada a ver comigo, e aí fui montando as características que tenho agora. Entrar na Mino recomeçou tudo, foi a minha primeira publicação.

Kione: Foi o meu primeiro quadrinho, mas não quero parar. Eu lia muito A Turma da Mônica quando era pequena, lia bastante, bastante mesmo. Era uma coisa que todo mundo dava para as crianças da família, eu tenho uma pilha de gibi. Eu tinha um quadrinho do X-Men, que não sei como veio parar em casa, mas eu gostava muito, ficava tentando reproduzir as páginas. Também sempre assisti bastante animes e também ficava querendo desenhar. Aí eu comecei a criar umas historinhas. Os quadrinhos são um espaço perfeito para experimentar coisas. Eu quero publicar depois e quero publicar até morrer. 

Isaque Sagara: Eu comecei a gostar ainda no Ensino Fundamental, tinha alguns gibis que ficavam na minha sala de aula. A minha professora era muito contra ler quadrinhos e isso me incomodava muito. No Ensino Médio, voltei a ler quadrinhos em casa. Eu sou formado em Artes Plásticas e fiz um TCC sobre a importância dos quadrinhos na sala de aula. Em seguida eu me graduei em História da Arte e falei sobre três momentos em que as histórias em quadrinhos influenciaram a sociedade. Acho que era um problema que eu tinha por ter sido reprimido. Eu não queria ler os livros da escola, eu queria ler quadrinho. Eu desenhava, sempre desenhei, mas achava que tava muito distante de mim publicar alguma coisa. 

Nessas passagens de ano, de 2018 para 2019, eu prometi que eu ia dedicar um ano para fazer o que eu realmente gostava, ai decidi que iria fazer quadrinhos. Me inscrevi em uma oficina na Biblioteca de São Paulo, em que o Lourenço Mutarelli ia fazer uma oficina. Lá eu conheci o Alexey Dodsworth, fizemos uma amizade e ele me chamou para fazer a A Máscara Da Morte Branca, em que ele fez o roteiro e eu o desenho. Nesse meio tempo, eu entrei no Narrativas Periféricas e aí comecei a ter aulas sobre roteiro e comecei a produzir. 

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