Na Câmara, PSDB assume o lado da extrema-direita

Em 2019, tucanos apoiaram mais de 80% dos projetos propostos pelo governo. Ao lado do Podemos e PSL, foram protagonistas da agenda ultraliberal — essenciais para retrocessos como “reforma” da Previdência e mega-leilão do pré-sal

À esq., o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) conversa com o secretário de Previdência do governo, o tucano Rogério Marinho, durante sessão no Senado. Tucanos se aliam ao governo em pautas econômicas

Por Lauriberto Pompeu  e Patrícia Martins, no Congresso em Foco

O Podemos (92%) e o Patriota (90%) foram os partidos que mais aderiram aos projetos do governo de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados em 2019. Veja abaixo tabela sobre a relação dos partidos com o governo.

As duas siglas somadas têm apenas 16 deputados, o que facilita posições unificadas de seus integrantes.

O levantamento foi feito pelo Congresso em Foco com o auxílio da plataforma Parlametria.

O PSL, partido pelo qual Bolsonaro foi eleito presidente da República em 2018, foi o terceiro em porcentagem de aderência (85%). O mandatário saiu da sigla em novembro e articula a criação de um novo partido chamado de Aliança pelo Brasil.

São 13 as legendas que tiveram mais de 50% de aderência às matérias governistas no ano. Além dos já citados estão na lista o PSDB (81%), PTB (78%), PSC (78%), MDB (77%), DEM (77%), Cidadania (74%), PL (74%), PSD (74%), Novo (71%) e PP (67%).

Em 2019, sob o comando de Rodrigo Maia (DEM-RJ) os deputados aprovaram iniciativas como reforma geral da Previdência, a reforma da Previdência dos militares, a cessão onerosa, que divide os recursos dos leilões do pré-sal para estados e municípios, e o pacote anticrime.

Embora os deputados tenham aprovado a principal pauta econômica do governo de Jair Bolsonaro em 2019, a reforma da Previdência, foram feitas modificações ao texto original enviado pelo governo.

Entre as intervenções do Legislativo no projeto estão a retirada da capitalização, dos estados e municípios entrarem na reforma e a manutenção das regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Os deputados também alteraram o pacote anticrime enviado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Foram retirados trechos como o excludente de ilicitude, o plea bargain e a prisão em segunda instância.

Na Câmara, o ano de 2019 também foi marcado por atritos entre Bolsonaro e congressistas insatisfeitos com o ritmo na liberação de verbas.

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Veja a relação de partidos e o apoio dado a eles ao governo em 2019. Os dois deputados que compõem Rede e PMN não votaram com o governo no ano.

PARTIDOMÉDIA
PODE92,9%
PATRIOTA90,8%
PSL85,4%
PSDB81,8%
PTB78,7%
PSC78,1%
MDB77,5%
DEM77%
CIDADANIA77,6%
PL74,3%
PSD74%
NOVO71,8%
PP67,4%
PCdoB20,4%
PSB19,1%
PV18,7%
PT13,1%
PDT15,8%
SOLIDARIEDADE11,8%
PSOL11,7%
AVANTE11,3%
PROS4%

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