De mal a pior: novo cenário da velha política

Senadores chantageiam governo para impor agenda ultraconservadora. Dilma, incapaz de reagir à crise, tenta apenas salvar próprio mandato — e cede

Por Luis Nassif, no GGN

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Renan e Serra, cada vez mais articulados, ameaçaram engrossar coro do impeachment. Dilma cedeu, de imediato, no Pré-Sal. Agora, Cunha quer tornar projeto ainda pior

Senadores chantageiam governo para impor agenda ultraconservadora. Dilma, incapaz de reagir à crise, tenta apenas salvar próprio mandato — e cede. Tarda a surgir alternativa

Por Luis Nassif, no GGN

Cena 1: o presidencialismo de coalizão

A votação no Senado da PL do pré-sal revelou, em toda crueza, o nível atual do poder presidencial. A presidente está literalmente refém de chantagem política.

Com o enfraquecimento do poder presidencial, três dos mais notórios operadores do Senado – Renan Calheiros, Romero Jucá e José Serra – se uniram para recriar o “centrão” – o grande balcão de negócios que, em alguns momentos de vácuo político no país, é constituído para barganhar favores com presidentes fracos.

O pote de ouro mais disputado é o da flexibilização do sistema de partilha no pré-sal. O recuo de Dilma Rousseff na última hora deveu-se a ameaças explícitas de Renan e Jucá de engrossarem o coro do impeachment.

Com isso conseguiram aprovar no Senado o Projeto de Lei de Serra que não mais obriga a Petrobras a ser operadora de todos os poços, com participação de 30%.

A reação do presidente da Câmara Eduardo Cunha foi imediata, despudorada como todos seus atos públicos, escancarando o leilão: garantiu que irá sepultar a PL do Senado e oferecer aos patrocinadores da mudança o cálice de ouro: a revogação total do sistema de partilha.

Já se chegou a um nível tal que se abre mão até do pudor.

Cena 2: as ações contra Eduardo Cunha

Amanha, dificilmente o STF (Supremo Tribunal Federal) decidirá pelo afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Apesar da enorme capivara de Cunha, trata-se de medida extrema contra o presidente de outro poder. Segundo avaliações internas do STF, até agora o Procurador Geral da República não logrou apresentar evidências sólidas sobre as interferências de Cunha nas investigações, valendo-se de suas prerrogativas de presidente da Câmara.

É um quadro complicado no qual os negócios políticos adquiriram uma desfaçatez própria da decadência moral que caracteriza os fins de ciclo.

Cena 3: entre a irresponsabilidade de Aécio e a abulia de Dilma

Tem-se uma presidente politicamente manietada, refém do pior fisiologismo do Congresso e incapaz de uma reação. Em posição confortável, os líderes do “centrão” garantirão o mandato de Dilma.

A alternativa a ela é um dos políticos mais medíocres das últimas legislaturas, Aécio Neves, de uma ignorância absurda sobre qualquer tema contemporâneo.

Fica-se, então, nesse dilema político: ou um candidato cuja única palavra de ordem é o discurso do confronto, ou uma presidente cedendo as coroas da corte para não perder o cargo e incapaz de reagir à crise.

Cena 4: a rebelião das corporações

Para completar o mapa, corporações relevantes, como a Polícia Federal, tornaram-se poder dentro Estado, graças ao desempenho de José Eduardo Cardozo, provavelmente o mais fraco Ministro da Justiça da história, não apenas pela falta de autoridade, mas por não ter cumprido nenhuma de suas atribuições em relação aos grandes temas da pasta.

Diz-se que das grandes crises saem as grandes soluções. Até agora nenhuma apareceu no horizonte político. No protagonismo, apenas velhas raposas instruídas na arte da chantagem.

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2 comentários para "De mal a pior: novo cenário da velha política"

  1. Esperança disse:

    Muitos outros mentes alertaram , depois das revoluções , qual um giroscópio, diria Orwell, a totalidade social reencontra seu velho eixo. As democracias modernas transformaram-se rapidamente num refúgio seguro da velha elite econômica, com sua articulação por exploração exaustivo da debilidade humana diante do ouro. Equívocos, distorções , espalham-se rapidamente e pervertem a essência , na mente coletiva, do conceito e prática democrática. Sim, há a velha e obsoleta mídia a blindar estes velhos colonizadores no senado; sim , é evidente a grande alienação político , a omissão diante do dever para com seu país, de grande parcela da população;sim , as instituições de controle democrático são frágeis ou igualmente corrompidas; porém, também , é preciso reconhecer a fragilidade das democracias modernas face ao capital econômico. Democracia sempre foi, em essência, a discussão ampla para se alcançar a decisão justa. A ideia de legitimação pela formalidade do processo e pelo alcance de uma maioria numérica, não passa de uma nova expressão de totalitarismo.Hoje em dia, democracia é como exigir de crianças que não se furtem aos prazeres de um doce, quando ninguém está por perto. E estes políticos- colonizadores, servos do império, são crianças mimadas e irresponsáveis.Marx já avisava que democracia e capitalismo são duas ideias contraditórias.
    A maioria de nossos políticos trata o Senado e a câmara como um escritório privado; o Brasil é o produto exposto nas prateleiras. Dilma Rousseff é refém da lei de mercado; governa quem pagar mais; seu governo patina, mas porque os reais inimigos de nosso país, de nosso povo, não são nem mesmo reconhecidos como tal.Dilma caiu na armadilha da ingovernabilidade, pretexto maior para justificarem um golpe;onde já se viu uma lógica que se permite, ter a coragem, derrubar um governo para satisfazer um tal mercado. Esta aí um super-pretexto para o império derrubar governantes insubmissos.Os sensatos veem logo a fraude , a parcialidade, a vinculação ao dinheiro , mas há quem acredite.Uma saída para as democracias? Precisamos de júris populares, com direito à proteção da identidade, no julgamento de políticos, juízes , policiais e todos os outros mais a se esconderam no corporativismo oligárquico. Dilma Rousseff é refém da corrupção, porque nós a abandonamos. As pressões , a covardia, a tortura moral, afligidas a essa brasileira são desumanas. Mas os justos estão sempre ao seu lado. Força Dilma Rousseff, o verdadeiro povo brasileiro acredita em sua resistência.

  2. Esperança disse:

    Muitos outros mentes alertaram , depois das revoluções , qual um giroscópio, diria Orwell, a totalidade social reencontra seu velho eixo. As democracias modernas transformaram-se rapidamente num refúgio segurada velha elite econômica, com sua articulação por exploração exaustivo da debilidade humana diante do ouro. Equívocos, distorções , espalham-se rapidamente e pervertem a essência , na mente coletiva, do conceito e prática democrática. Sim, há a velha e obsoleta mídia a blindar estes velhos colonizadores no senado; sim , é evidente a grande alienação político , a omissão diante do dever para com seu país, de grande parcela da população;sim , as instituições de controle democrático são frágeis ou igualmente corrompidas; porém, também , é preciso reconhecer a fragilidade das democracias modernas face ao capital econômica. sta decisão , Democracia é a ideia de discussão ampla , livre, para se alcançar a justa decisão, pela verdade.O uso formalismo processual, conjugado à máxima imbecil da maioria numérica, não passa de uma nova expressão do totalitarismo. Hoje em dia, democracia e política é exigir de crianças que não se furtem aos prazeres de um doce, quando ninguém está por perto. E estes políticos- colonizadores, servos do império, são crianças mimadas e irresponsáveis.Marx já avisava que democracia e capitalismo são duas ideias contraditórias.
    A maioria de nossos políticos trata o Senado e a câmara como um escritório privado; o Brasil é o produto exposto nas prateleiras. Dilma Rousseff é refém da lei de mercado; governa quem pagar mais; seu governo patina, mas porque os reais inimigos de nosso país, de nosso povo, não são nem mesmo reconhecidos como tal.Dilma caiu na armadilha da ingovernabilidade, pretexto maior para justificarem um golpe;onde já se viu uma lógica que se permite, ter a coragem, derrubar um governo para satisfazer um tal mercado. Esta aí um super-pretexto para o império derrubar governantes insubmissos.Os sensatos veem logo a fraude , a parcialidade, a vinculação ao dinheiro , mas há quem acredite.Uma saída para as democracias? Precisamos de júris populares, com direito à proteção da identidade, no julgamento de políticos, juízes , policiais e todos os outros mais a se esconderam no corporativismo oligárquico. Dilma Rousseff é refém da corrupção, porque nós a abandonamos. As pressões , a covardia, a tortura moral, afligidas a essa brasileira são desumanas. Mas justos estão sempre ao seu lado. Força Dilma Rousseff, o verdadeiro povo brasileiro acredita em sua resistência.

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