Carona, agora nas asas da internet

Em algumas cidades norte-americanas, web já ajuda a compartilhar espaço nos carros e até a contribuir com custos da viagem. Locadoras querem tornar serviço ilegal…

Por Flávia Pardini, na Página 22

Em algumas cidades norte-americanas, web já ajuda a compartilhar espaço nos carros e até a contribuir com custos da viagem. Locadoras querem tornar serviço ilegal…

Por Flávia Pardini, na Página 22

As possibilidades de mobilidade urbana continuam em evolução. Além do carsharing tradicional, e da modalidade peer-to-peer, os habitantes de algumas cidades americanas dispõem de mais uma alternativa para se locomover sem o carro próprio.

Trata-se do serviço de ridesharing em que, em vez de compartilhar o carro, o usuário compartilha a carona.

Todas as operações são possibilitadas via smartphone: o cidadão que precisa ir do ponto A ao ponto B baixa o aplicativo em seu celular e fornece seus dados para criar uma conta. Uma vez no sistema, o usuário usa o aplicativo para achar algum motorista também registrado que esteja na sua rota e possa dar uma carona. Não há pagamento oficial, mas no final da “corrida” o aplicativo sugere uma doação ao motorista com base em caronas semelhantes. O usuário paga com cartão de crédito, usando o mesmo aplicativo.

Caronas e motoristas dão notas uns aos outros ao final das corridas e cada usuário tem um ranking, o que aumenta a confiança no sistema e contribui para a segurança de todos.

Há pelo menos duas empresas operando sistemas de ridesharing em São Francisco, a SideCar e a Lyft. ATickengo também é baseada em São Francisco e facilita serviços semelhantes em diversas cidades americanas.

As empresas disponibilizam o aplicativo e dizem se certificar de que os motoristas registrados para o serviço têm ficha limpa na polícia e no departamento de trânsito, além de seguro pago. Pelo serviço, retêm um percentual das doações feitas pelos usuários aos motoristas.

Para o usuário, a experiência é equivalente a de um táxi, embora um pouco mais barata e bastante mais social. Para alguns, compartilhar uma carona pode acabar em amizade, enquanto para outros a experiência prova não ser tão confortável, pois não há regras estabelecidas como em um táxi. De qualquer forma, trata-se de mais uma alternativa para quem não pode ou não quer arcar com os custos de manter um carro próprio.

Críticos de iniciativas como o carsharing e o compartilhamento de caronas dizem que elas não têm escala suficiente para solucionar o problema da mobilidade nas grandes cidades e não substituem investimentos pesados em infra-estrutura e serviços de transporte público.

A indústria de aluguel de carros, entretanto, parece ver o advento do compartilhamento de caronas como ameaça e conseguiu que a Comissão de Utilidades Públicas da Califórnia emitisse uma ordem para que a SideCar e outras empresas desistam de operar. O caso está em discussão.

A SideCar argumenta que não presta serviço de aluguel de carros ou de motoristas e afirma: “Estamos em um ponto de inflexão na história em que a tecnologia facilitada por GPS, smartphones e redes sociais nos dá a oportunidade de colaborar uns com os outros – enquanto pares – no dia-a-dia para compartilhar ativos, tempo, serviços e conhecimento”. No caso das caronas, trata-se também de menos carros nas ruas.

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