Brasil Paralelo: a máquina do neofascismo cultural

Com obras de apelo à comoção e ao negacionismo, produtora peleja “arena cultural” para impor ataque ao Estado – e ocupá-lo. Bebem de Olavo de Carvalho para desmontar educação, e já transitam nos corredores do MEC em ataque à ciência

Por Diego Martins Dória Paulo, no Le Monde Diplomatique Brasil

Nos anos 1950, tornou-se famosa a análise semiológica de uma capa de Paris-Match por Roland Barthes. A edição em questão mostra um soldado negro, vestindo uniforme francês, saudando a bandeira tricolor. A conclusão do semiólogo aponta ali a existência de um discurso mítico: o colonialismo francês está presente na cor da pele do militar, mas seu sentido social está deformado, na medida em que a mensagem faz passar por harmônico o que era conflituoso1. É essa a função do mito para Barthes. Sem esconder nada, usaria das propriedades da linguagem para enganar. 

Antropólogos então já debatiam o problema sob outra perspectiva. Procurava-se entender o real subjacente ao discurso mítico. Por trabalhos de autores como Malinowski e Eliade se entrevê o mito como expressão de uma verdade cuja definição não está em si, mas nas relações sociais que são sua força criativa efetiva2. É claro que, formalmente, ele se refere fabulosamente a uma história ocorrida em tempos primordiais. Não importa tanto, porém, se o evento narrado ocorreu ou não. Ela é real na medida em que ganha força modeladora do presente e do futuro.

Nesse sentido bastante restrito, as interpretações acima se aproximam. O mito como discurso mobilizador foi mais propriamente analisado em sua dimensão política por Georges Sorel, um dos responsáveis por entender a dimensão irracional das disputas sociais3. Ele sabia que o futuro não é objeto de conhecimento científico. Ainda que linhas tendenciais possam ser divisadas, o porvir é sempre incógnito, posto ser resultante de interesses antagônicos. Reside nesses princípios a força do mito em sua obra. Ele não finca suas raízes no sistema racional, mas nas emoções que desperta – instrumento por excelência da passagem dos princípios à ação. 

A reflexão sobre a irracionalidade como motor da ação política – que encontra no mito uma de suas expressões consagradas – ganha especial relevância com o surgimento da produtora de extrema-direita Brasil Paralelo. A empresa do olavismo cultural falsifica o debate acadêmico e apela aos instintos mais primitivos do público que tenta alcançar. Nesta quarentena, um turbilhão de mensagens publicitárias convocava os “patriotas” a apoiarem a iniciativa em sua cruzada contra a educação brasileira. Considerá-la como produtora de mitos evidencia não apenas os mecanismos de sua atuação, mas também a função que ela cumpre no arco maior de forças que são coligidas no pacto bolsonarista-olavista, do qual faz parte. 

O mito liberal

Em entrevista ao Boletim da Liberdade, Filipe Valerim, “rosto” da empresa, constrói a narrativa fundante da Brasil Paralelo. Segundo ele, a produtora criada em Porto Alegre seria resultado dos esforços de um grupo de jovens comuns que, na conjuntura da reeleição de Dilma Rousseff, toma emprestado duas câmeras, algum dinheiro a juros e uma sala de 6 metros quadrados para produzir conteúdo em defesa de um novo modo de fazer política e de uma nova forma de contar a história do Brasil. Dois anos e, imagina-se, muito trabalho depois, surgia a produtora que, de acordo com Valerim, viabiliza-se com a venda de cadastro de membros e acesso exclusivo a seus produtos educativos. 

Um olhar mais de perto mostra que as coisas não são bem assim. Em 2016, ano de seu lançamento, o site da produtora anuncia a venda de 68 palestras por R$ 360 à vista ou 12x de R$ 36,14. Dentre os luminares da República que deveriam fazer o público literalmente pagar para ver estavam o então ministro da Educação Mendonça Filho, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o clã Bolsonaro, além, claro, de Olavo de Carvalho. Deixando de lado juízo de valores sobre o gosto peculiar da audiência, há de se reconhecer a capacidade de alcançar figuras importantes, como deputados, senadores e três ministros – personalidades pouco acessíveis a pessoas comuns.  

O lucro resultante da venda de horas de entrevistas com parte significativa da fauna reacionária brasileira teria sido grande o bastante para, um ano depois, com pompa e circunstância, a produtora ter condições de lançar seu filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff no Cinemark de um dos maiores shoppings de Porto Alegre. No que talvez tenha sido o maior case de sucesso da história, a produtora dos jovens empreendedores teria alcançado os cinemas – e não qualquer sala, mas o grande circuito – em apenas doze meses. Não localizei informações sobre o orçamento da empreitada. Para fins de comparação, o documentário sobre a eleição de Jair Bolsonaro produzido por Josias Teófilo (que colaborou com a Brasil Paralelo) foi autorizado pela Ancine a captar R$ 530 mil da iniciativa privada. Se os valores forem minimamente parecidos, alguém achou a galinha dos ovos de ouro.

Alguns dados merecem ser adicionados à conta. Em 2019, a Brasil Paralelo lançou crowndfunding para transformar em filme uma de suas séries “documentais”, desta feita sobre a História do Brasil. A arrecadação coletiva em favor de “Brasil: a última cruzada” mirava alcançar R$ 2 milhões4, em um plano de ação cuja meta final era a produção do documentário e distribuição de assinaturas nas escolas brasileiras. A vaquinha virtual conseguiu pouco mais de R$ 400 mil, como o próprio Filipe Valerim admite em vídeo no YouTube. Segundo ele, suficiente para a realização da película, mas não para sua chegada às unidades escolares brasileiras. Menos mal para os liberais orgulhosos de “nunca terem recebido dinheiro público” que, em dezembro, a TV Escola, canal financiado pelo MEC, tenha garantido o objetivo de ampliar acesso ao conteúdo ao fechar contrato para divulgação da série. 

Ainda em 2019, teve início a produção de “Pátria Educadora” – documentário orçado em R$ 2 milhões. A propaganda maciça sugere cifras astronômicas para uma pequena produtora que vive de membresia. No Facebook, o recorte dos anúncios da nova série tem um alcance ambicioso. No filtro da publicidade, o público-alvo inclui pessoas com mais de 18 anos cuja localização é o Brasil e tenham demonstrado mínimo interesse em educação ou política. Parece muita gente. Segundo a rede social, anúncios desta magnitude podem custar até US$ 50 mil por semana, embora os valores variem de acordo com a escolha do anunciante. Difícil imaginar, contudo, uma firma com amplo amparo publicitário que não saiba usar a ferramenta de target, de sorte que a amplitude do público-alvo é um indício eloquente do montante investido.

Testemunhamos, assim, a entificação da narrativa liberal clássica. O grupo de jovens comuns, que tem de tomar recursos emprestados para realizar o sonho, triunfa por oferecer ao mercado um produto que atenda necessidades dos consumidores. A encarnação do mito é a própria empresa, e a mensagem é clara: acredite no autofinanciamento, defenda a iniciativa privada contra o Estado – aquela é eficiente em detectar as necessidades dos consumidores; este, estruturalmente ineficiente e corrupto. Pouco importa se o orçamento sugira suporte financeiro muito maior do que o arrecadado pelo supor de cidadãos comuns5. Os empreendedores seguem renovando as apostas, declarando não receber qualquer receita fora do círculo de membros.

Por essa razão, durante a reprodução de Pátria Educadora, o espectador é bombardeado por inúmeros anúncios da importância de filiação à empresa – que estaria ameaçada de fechar as portas caso uma meta (de “novos” 20 mil membros) não fosse alcançada. Spoiler alert: as portas não fecharão, mesmo que a meta não seja batida. A função do apelo é retórica: trata-se de anunciar um objetivo na prática já alcançado, para depois sua conquista ser usada como prova da viabilidade da alternativa à educação gerida pelo Estado. Já há propostas nesse sentido sendo divulgadas como conteúdo “extra” ao Pátria Educadora, e o carro-chefe do momento parece ser o homeschooling. A empresa seria a evidência de que podemos fazer diferente, daí a importância da construção mítica de sua história – uma trajetória de crítica imanente ao “sistema”.

O mito da revolta contra o sistema

A série documental Pátria Educadora se propõe a fazer a “maior denúncia da história” contra a educação brasileira. Dividido em três episódios que somados perduram quase três horas, o material conta, no primeiro, uma visão ficcional da história da educação e do “Ocidente”6. O argumento da narrativa opera um corte importante entre a educação “para elevação do ser”, supostamente vigente na Antiguidade e na Idade Média, e a educação para fins terrenos, utilitários, imposta pelo Estado a partir da Reforma Protestante. O modelo de educação tocado por preceptores e tutores, de larga vigência na Antiguidade, chega a ser elogiado por permitir que os mais ricos “paguem pelos melhores professores” sem intervenção de qualquer autoridade pública. A crítica, claro, reside precisamente na regulação estatal da educação – e as palavras “educação compulsória” chegam a ser ditas, a fim de tornar violento o ato consensualmente entendido como direito. 

Na segunda parte, a mixórdia narrativa aponta para a importância de se considerar a obra de Paulo Freire a reverberação nacional de transformações mundiais ocorridas na década de 1960, como a Revolução Cultural Chinesa, o Maio de 1968 e uma suposta guinada no “movimento socialista internacional” que, entendendo a “cultura” como a “verdadeira infraestrutura da sociedade”, teria movido suas atenções para a “revolução cultural”. No Brasil, o documentário sugere que os militares da ditadura teriam sido espécie de “parteiros paradoxais” porque, ao não expurgarem adequadamente as instituições de ensino, teriam deixado por lá o “ovo da serpente” que permitiria o retorno da “hegemonia da esquerda” a partir dos anos 1970.

Novamente, o que vale é a comoção provocada pelo discurso. Não importa que a tese da descoberta de uma “verdadeira infraestrutura” flerte com o grotesco, especialmente quando situada em uma conjuntura de franca ascensão dos pós-estruturalismos. A produção da Brasil Paralelo nunca teve qualquer apreço pela descrição do real, haja vista o uso, em outro trabalho, de fotografias de Sebastião Salgado, tiradas em Serra Pelada, como evidências da Guerrilha do Araguaia – em processo que acabou na Justiça, vencido pelo fotógrafo. A intenção é chocar para mobilizar. Sobre isso, o tratamento que a obra freireana recebe no documentário é particularmente elucidativo. 

Escrito na metade final dos anos 1960, Pedagogia do oprimido seria traduzido para mais de quarenta línguas, tornando-se um dos grandes documentos do século XX. Em síntese, a obra denunciou o que Freire chamava de “ordem opressiva” cujos elementos constituintes despertavam nos subalternos o desejo de ser opressor. Como solução, o pedagogo propõe a união entre ação e reflexão em uma práxis transformadora, responsável por mudar condições objetivas e subjetivas rumo à emergência de uma “ordem ética”. Nela, mesmo os dominantes de outrora sairiam favorecidos, porque se tornariam livres das cadeias cíclicas da dominação das pessoas sobre as pessoas7.

Não é preciso, por conseguinte, ir muito além das primeiras palavras do texto clássico para constatar que a dicotomia opressor-oprimido de que fala Paulo Freire radica seus sentidos no conjunto da sociabilidade capitalista. Reduzi-la a uma relação professor-aluno, insinuando ser o autor crítico à autoridade do educador, é mentira deslavada8. No entanto, é assim que o professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Ricardo da Costa, balbucia sua visão sobre o tema:

“A educação paulo-freireana não aceita que você diga, por exemplo, que o rapaz que fala framengo tá errado, né. Você não pode porque você tá impondo a sua cultura classista. Isso…Isso é… a pedagogia do oprimido, né… o oprimido é… ora… ora… se há um oprimido tem um opressor. Quem é o opressor? O professor”9

As reiteradas distorções seguem com a avaliação de Olavo de Carvalho. Diz o autointitulado filósofo, contrariando os apontamentos mais elementares da obra do patrono da educação brasileira. 

“Então você não tem meios de você se desaculturar. Você fica preso. (…) O Paulo Freire cria uma estratificação social invencível. Se você nasceu filho de pedreiro é para você ficar pedreiro o resto de sua vida. E se inscreve no Partido Comunista e continua pedreiro.”10

Como se, na Pedagogia do oprimido e na prática em todos outros lugares, Paulo Freire não defendesse o exato oposto. Pode-se, claro, criticar as reflexões do pedagogo. Há quem as entenda como pendentes para o idealismo; há os que, defendendo uma neutralidade axiológica impossível, nela atacam sua evidente politização – estes são não surpreendentemente os conservadores, os que sentem arrepio na espinha a qualquer desafio à ordem capitalista. Mas chega a ser difícil de acreditar que se arremeta contra a criação de uma “estratificação social invencível” em seus trabalhos. Logo os de Paulo Freire, que dedicou inúmeras páginas contra os fatalismos que esterilizavam na vida seu impulso renovador. 

O sentido desta narrativa finca raízes no mito da revolta contra a ordem, insígnia que mobiliza a Brasil Paralelo em sua aliança estratégica com o bolsonarismo. Na narrativa em tela, Paulo Freire seria a origem de um “sistema educacional” subvertido pelo esquerdismo. Daí a importância da violência sanitária expressa na fala do autor do libelo reacionário “Desconstruindo Paulo Freire”.

Se fôssemos um país saudável, eu reitero isso, Paulo Freire não seria debatido. Debateríamos entendimentos sobre sistemas pedagógicos, sobre o papel do Estado na educação, enfim, debates elevados, sobre temas elevados. Ele é debatido porque somos um país socialmente doente11

A tese da sociedade adoecida também por causa da “hegemonia cultural esquerdista” é lapidada na fala de Abrahan Weintraub, responsável por sintetizar a importância do ataque “ao sistema educacional” brasileiro. Professor da Unifesp aprovado em seleção suspeita de favorecimento, o ministro da Educação ataca os concursos públicos, denunciando um suposto funcionamento sob o prisma do “esquerdismo”, tornando-se mecanismos de aparelhamento do MEC e, posteriormente, arma de subversão moral na guerra cultural desencadeada pela esquerda. 

Para que o “Novo Brasil” seja possível, não bastaria reformar o ministério. Embora esta seja uma etapa importante, não bastaria expurgar seus quadros12. O “esquerdismo” atravessaria a integralidade de suas práticas, e só uma política de devastação poderia responder adequadamente ao problema. Mas a destruição é também construção. Do seio da antiga ordem há de nascer uma nova cultura, na qual uma nova história será narrada. Eduardo Bolsonaro partilhou no Facebook depoimento de Rafael Nogueira, novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, sobre a importância de tomar dos “doutores em História” a prerrogativa de narrar a História do Brasil, dando a ela um tratamento mais adequado. 

É por esta dinâmica destrutiva-construtiva que se pode melhor divisar a ofensiva em curso, diferenciando-a, inclusive, dos ataques conservadores mais recentes – que defendiam um arremedo de pedagogia tecnicista. A discussão contra o Estado recobre o esforço de construção de uma nova ordem, com a qual a Brasil Paralelo contribui no front cultural.

O mito fascista

Em 2016, Leandro Ruschel, outro dos jovens ligados à iniciativa aqui em análise, entrevistou Olavo de Carvalho em sua casa. Ouviu do astrólogo conjecturas sobre a trama política nacional e previsões sobre como um golpe de Estado poderia triunfar no país13. A mobilização popular seria a chave do sucesso. Também em 2016 surgia a Brasil Paralelo.

A ideia de “pôr o povo na rua” não representa, em si mesma, filiação a nenhuma corrente política. Se compreendermos a Brasil Paralelo como um componente da aliança olavista-bolsonarista vigente, teremos de avaliar seu papel à luz da divisão de tarefas de uma frente que se lança ao ataque em diversas áreas. A produtora seduz os militares, com uma visão revisionista de 1964. Em suas redes sociais, o guru da extrema-direita e, como vimos, presença cativa nos produtos da Brasil Paralelo, lança apoio à baixa oficialidade e à tropa das Forças Armadas. O braço armado da aliança, claro, conta ainda com setores das polícias, tornadas freikorps pela prática miliciana, cuja aparição na greve do Ceará, em fevereiro último, foi singular demonstração de força mesmo fora do Rio de Janeiro, seu principal covil. Eis o cerne mesmo do bolsonarismo.

Aos peões olavistas, como a produtora gaúcha, convém pelejar na “arena cultural”. Para tanto, convém ocupar postos de Estado para implodi-los por dentro, conferindo-lhes novo sentido social. Já temos um negacionista do racismo na Fundação Palmares; uma trupe de palhaços no MEC; e agora a molecada ligada à Brasil Paralelo chega à Fundação Biblioteca Nacional, armando suas tendas na presidência e em outros cargos da instituição. Por meio desses espaços, gesta-se a nova cultura de que falou certa feita Roberto Alvim, ex-secretário especial da Cultura, acusado de apologia ao nazismo. 

Os movimentos fascistas se caracterizaram historicamente por esta preocupação. A mobilização constante de setores de apoio, especialmente das camadas médias urbanas, é o que o diferencia de outras correntes de direita. Na empreitada, “mitos” que comovam cumprem um papel importante, não apenas de definir alvos a serem atacados – os petistas e comunistas hoje, sabe-se lá quem mais amanhã, como ensinou Brecht. Os mitos também mobilizam em direção a objetivos a serem conquistados, rumo a uma nova era em preparação.

Diego Martins Dória Paulo é doutorando em História pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal Fluminense e membro do GTO, grupo de pesquisas coordenado pela Prof. Dra. Virginia Fontes.

1  BARTHES, Roland. O mito, hoje. In: Mitologias. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989. p 142-148. 

2 Ver, dentre outros: ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 1972; MALINOWSKI, Bronislaw. Magia, Ciência e Religião. Lisboa: Edições 70, 1988.

3  SOREL, Georges. Reflexões sobre a violência. 1ª ed. b. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

4 O valor é anunciado nas introduções aos episódios da série, disponíveis gratuitamente no YouTube. Também há esta informação aqui: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/04/trilogia-sobre-educacao-mostra-nova-trincheira-do-bolsonarismo-contra-esquerda.shtml.
5 Ao contrário, o orçamento sugere apoio empresarial, que é visível, pelo menos, em apoio e publicidade nas redes sociais. Alguns dos apoiadores são conhecidos: Luciano Hang, o novo bilionário do pedaço, Winston Ling e Flávio Rocha, este publicando artigos laudatórios à Brasil Paralelo em seu site oficial, como pode ser visto aqui: http://www.flaviorocha.com.br/brasil-paralelo-ideia-da-mudanca/.

6 Em um dos falseamentos mais aviltantes aos olhos do historiador, há a sugestão de que, após Boécio, o aristotelismo teria encontrado em São Tomás de Aquino apogeu de seu tratamento na Idade Média Ocidental, constituindo, assim, um dos pilares do Ocidente então gestado. Para além do anacronismo com a ideia de “Ocidente”, o panegírico oculta que, entre um e outro, a saber, Boécio e Tomás de Aquino, passam-se quase sete séculos, durante os quais o aristotelismo, se sobreviveu na Europa, conseguiu fazê-lo apenas marginalmente, tendo sido os muçulmanos que habitavam a Península Ibérica os responsáveis pela sua segunda grande difusão pelo continente. Fatos que não podem ser narrados sem prejuízo à imagem idílica e delirante que os seguidores de Olavo de Carvalho têm do Ocidente – imagem que une “civilização” e “cultura” de uma forma que causaria orgulho e vergonha em Spengler: o primeiro pelo tributo às ideias mais gerais, a segunda pela qualidade medonha do produto final.

7 FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2018.

8 Quanto mais por ser Paulo Freire autor de reflexões sobre a importância da autoridade contra a licenciosidade na sala de aula. Ver. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2003, p. 105.

9 A fala ocorre, mais ou menos, aos 46min30seg do documentário disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UPDjFGGN2w0
10 Ver aproximadamente aos 46min50seg do mesmo link: https://www.youtube.com/watch?v=UPDjFGGN2w0

11 A fala é de Thomas Giulliano e ocorre aproximadamente 1h07min do documentário disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UPDjFGGN2w0

12 A bandeira chegou a dar origem a um projeto de “Lava-jato da Educação”, posteriormente formalmente abandonado pelo governo. Ver: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2019-02/mec-instala-lava-jato-da-educacao-diz-bolsonaro

13 A partir de 13min30seg do vídeo disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AcEoTtTel0g

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