O mecanismo que pode barrar o zika e evitar microcefalia

Cientistas testam droga experimental em camundongos e conseguem bloquear ação do vírus

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NEmbora a covid-19 domine o noticiário na saúde, uma novidade importante do dia vem das pesquisas com o vírus zika. Cientistas do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos conseguiram barrar sua ação em camundongos, evitando danos no cérebro de fetos. Primeiro, eles descobriram o mecanismo de ataque do zika e descreveram como o vírus atravessa a placenta, se espalha pelo cérebro do feto e se multiplica pelos neurônios, causando a microcefalia. Quando invade uma célula, esse vírus atua sobre uma proteína (o receptor AHR) que é ativado e limita a produção de células imunes; a imunidade própria das células também é suprimida, e então o vírus fica livre para se multiplicar. 

A partir dessas descobertas, os pesquisadores decidiram testar em camundongos um medicamento que impede a ativação desse receptor AHR. E deu certo: a resposta imune das mães melhorou, houve um bloqueio total da ação do vírus e melhora nas lesões cerebrais dos fetos. “Os fetos tratados com a droga voltaram a nascer com peso normal. O comprimento total dos animais também melhorou. Na placenta e no cérebro, pudemos observar que a remissão do vírus foi total,” afirma o imunologista brasileiro Jean Pierre Schatzmann Peron, ao G1. Agora, o próximo passo é fazer testes em macacos e, depois, estudos clínicos em humanos. Mas só depois que a pandemia de coronavírus passar. Até lá, as atividades nos laboratórios envolvidos estão voltadas para pesquisas sobre o SARS-CoV-2.

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