Invisíveis

O tema já é delicado e, quando se trata de profissionais da saúde, o tabu é maior: os números do suicídio entre médicos

O tema já é delicado e, quando se trata de profissionais da medicina, o tabu é maior:  os números e os pormenores do suicídio entre médicos…

INVISÍVEIS

O tema já é delicado e, quando se trata de profissionais da medicina, o tabu é maior: esta matéria do Tab explora os números e os pormenores do suicídio entre médicos. Eles se matam três vezes mais do que o restante da população, e um levantamento feito ao longo de uma década em São Paulo mostrou que, entre as mortes por causas externas (classificação que exclui doenças, por exemplo), o suicídio foi a segunda maior causa de morte entre eles, ficando atrás apenas e acidentes de carro. Uma das explicações para os números  e para a invisibilidade pode estar, segundo a matéria, no fato de que esses trabalhadores relutam em admitir que têm problemas e em procurar ajuda, por sentirem necessidade de sustentar uma imagem de super-heróis. Mas a competitividade e a exaustão também aparecem como fatores-chave.

E tem uma série de sinais que ajudam a identificar quem precisa de ajuda na Folha. Ela vem depois da comoção causada pelo suicídio de dois adolescentes, estudantes de um mesmo colégio em São Paulo, em pouco mais de dez dias.

NA VIZINHANÇA

A OMS publicou ontem dados que mostram mais uma preocupação em relação à Venezuela. É que o país registrou em 2017 mais de 400 mil casos de malária – dez vezes mais que no início da década, o maior aumento percentual do mundo. A Organização desconfia dos números enviados por Caracas e diz que deve ter havido 280 mortes em 2016, embora o país tenha informado apenas sobre uma. Segundo a agência, há perigo de aumento de casos no Brasil devido à imigração. Por aqui, o número de casos passou de 334 mil em 2010 para 129 mil em 2016.

E seis países – Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru – decidiram suspender, por tempo indefinido, sua participação na  União das Nações Sul-Americanas, a Unasul. A notícia da Reuters, que tem sido republicada há alguns dias em vários lugares, fala sobre as motivações políticas da decisão: esses países defendem a indicação do embaixador argentino como novo secretário geral, o que “diminuiria o viés político da Unasul, até então dominada pelos países ditos bolivarianos”. Mas tem sido pouco comentado o fato de que a única entidade da Unasul que está sediada no Brasil é justo a que é ligada à saúde: o Isags (Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde). E, com a suspensão da participação brasileira, ele fica também no ar.

MOVIMENTARAM-SE

O projeto de lei que afrouxa as regras para ética em pesquisa com seres humanos no Brasil teve parecer aprovado ontem na comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. Houve alterações, e uma delas é sobre o tempo de análise ética prévia das pesquisas. No texto original, não podia ultrapassar 30 dias, mas a emenda quer que esse tempo pare de ser contado enquanto houver pendências e exigências. O texto ainda tem duas comissões pela frente antes de ir a plenário. O assunto é complexo, e o Outra Saúde já explicou bem do que se trata nesta matéria.

E também foi aprovado, mas na  Comissão Especial sobre Inovação Tecnológica da Saúde da Câmara, um relatório que sugere mudanças na lei para, entre outras coisas, agilizar a aprovação de medicamentos na Anvisa, estender os prazos de validade atuais dos medicamentos e criar benefícios fiscais para a importação de equipamentos usados no SUS. Vale a pena acompanhar com atenção.

O FIM DOS AGROTÓXICOS?

Não mesmo. Mas talvez o fim desse nome: está em pauta a votação, hoje à tarde, do parecer do deputado Luiz Nishimori (PR-PR) sobre várias propostas ligadas ao tema. Entre elas, o projeto de lei que substitui o nome agrotóxicos pelo simpático termo defensivos fitossanitários e produtos de controle ambiental, e ainda um outro que cria uma Política Nacional de Apoio ao Agrotóxico Natural. Pois é…

ARQUIVO DE UM SEQUESTRO

A história do homem que passou mais tempo confinado em um manicômio judiciário no Brasil é contada em um livro lançado pela psicóloga Luciana Brito: Arquivo de um Sequestro Jurídico-Psiquiátrico: o caso Juvenal fala sobre o homem que passou 46 anos internado, sendo que a pena máxima para prisão, na justiça brasileira, é de 30 anos.

A autora participou do primeiro censo populacional de indivíduos encarcerados nessas instituições, em 2011. Foram encontradas quase 4 mil pessoas, a maioria pretas e pardas, analfabetas e sem emprego. Na Agência Fiocruz, a Luciana afirma que “pelo menos ¼ dos indivíduos internados em manicômios judiciários não deveria mais viver nesses espaços, seja porque havia uma sentença judicial que determinava a desinternação, seja porque estava internado sem processo judicial, ou ainda porque a medida de segurança estava extinta”. E ainda: “Para quase metade do total de homens e mulheres vivendo em regime de clausura, a internação não se explicava por critérios legais ou psiquiátricos”.

SEM NOJINHO

Baratas são (criadas e) consumidas como alimento em alguns países asiáticos e uma matéria da BBC mostra que há outra finalidade para a sua criação em larga escala: a saúde. Uma única fazenda, operada por uma empresa farmacêutica, produz seis bilhões desses bichinhos por ano. Quando adultas, as baratas são trituradas e usadas para fazer uma bebida usada pela medicina tradicional chinesa para tratar gastrite, úlceras e infecções respiratórias. Tem mais detalhes – e fotos, claro – aqui.

Já bichos de fato indesejáveis às vezes acabam chegando à nossa comida de todo modo. Lembra dos molhos de tomate com pelos de rato acima do limite permitido? Agora foi a vez da canela em pó. A Anvisa proibiu um lote do produto da marca Prezunic, que tinha fragmentos de insetos e pelos de roedores.

MACONHA X CERVEJA

A batalha contra a legalização nos estados norte-americanos tem muitas atores, e um deles é a indústria de bebidas. Esta reportagem do Intercept diz que empresas e organizações do setor vêm financiando campanhas e demonstrando preocupação com a possibilidade de que seus lucros sejam afetados. O repórter Jon Walker analisou os dados do estado de Oregon, que há três anos legalizou o uso recreativo. Comparando os municípios onde já há lojas vendendo maconha para esse fim e aqueles onde elas não existem, ele viu que a venda de bebidas aumentou nos dos grupos, mas cresceu mais onde não havia maconha recreativa: 5,86% nesse último caso, contra 4,17% onde a erva era vendida legalmente.

Walker reconhece que não dá para apresentar essa análise como conclusiva – a diferença foi pequena, o período observado foi de apenas um ano e há outros fatores envolvidos. “Ainda assim, a nítida divergência que se mostrou depois do primeiro ano fiscal completo de venda de maconha para uso recreativo é um resultado intrigante – em especial quando combinado com outros estudos que mostram que as pessoas podem estar substituindo outras drogas por maconha”, escreve.

SAÚDE INDÍGENA

No momento em que se realiza o 15º Acampamento Terra Livre em Brasília, diversas lideranças começaram a preparar a 6ª Conferência Nacional de Saúde Indígena e definiram que ela vai acontecer no primeiro semestre do ano que vem. Isso foi ontem, na reunião da Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (Cisi), do CNS, que contou com a presença de diversas lideranças. O desmantelamento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a municipalização das políticas de saúde indígena foram temas discutidos.

OLHO VIVO

A Anvisa alerta que, em Goiânia, está rolando a venda irregular de vacinas contra a gripe. Foram apreendidas 62 doses que estavam sendo vendidas por R$ 80 cada em escolas e condomínios – mas que eram armazenadas em temperatura inadequada e vendidas sem alvará das autoridades sanitárias.

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