Esquerda e pandemia: o notável exemplo da Índia

História dos Voluntários Vermelhos revela: diante da inação dos governos face à pandemia, é possível combinar denúncia política a apoio concreto às populações

Voluntários Vermelhos distribuem mantimentos. Fotografia: Red Volunteers/Facebook

No Brasil, onde centenas de milhares de pessoas morreram desnecessariamente de covid, a maior parte dos críticos do governo Bolsonaro pouco fez. Houve movimentos de solidariedade em pontos das periferias: a favela de Heliópolis, em São Paulo, e o Complexo da Maré, no Rio. Mas não teria sido possível impulsionar, coordenadamente, uma resposta prática ao negacionismo da ultradireita?

Uma possível resposta vem da Índia. Diante de um desastre sanitário em escala apocalíptica, um grupo de esquerda – os Voluntários Vermelhos, próximos do Partido Comunista – decidiu que não podia deixar a população à mercê da covid. A revista Jacobin conta a história. Os Voluntários acharam meios de coordenar o provimento de assistência médica em todos os distritos de Bengala Ocidental, onde atuam, e ganharam o coração do povo. Além do cuidado direto à população, também organizaram feiras livres, cozinhas comunitárias e distribuição gratuita de alimentos. Instalaram mais de 150 cantinas todo o estado, cada uma alimentando entre 250 e 500 pessoas por dia, para reduzir o drama das pessoas famintas.

Com o tempo, o grupo tornou-se capaz de conseguir cilindros de oxigênio para doentes desassistidos. Também articulou um serviço de transporte, com ajuda de motoristas de táxi e de uber, dedicado aos pacientes da covid. Em alguns casos, os Voluntários Vermelhos assumiram a responsabilidade por providenciar a cremação do corpo de uma pessoa falecida, depois que as autoridades se recusaram a fazê-lo. A população agora confia mais nos Voluntários do que na administração local, diz a reportagem. É uma gota no oceano, mas os bons exemplos podem se multiplicar, parece acreditar a revista India Today, que os indicou o Prêmio Healthgiri pelo “trabalho altruísta de heróis anônimos”.

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