Consciência negra, para feministas brancas

Um dia, elas apontaram minha raça. Em minha ignorância racista, me ofendi. Pensava nada ter com a discussão racial, exceto para defendê-las…

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Um dia, elas gritaram. Apontaram minha raça. Eu, em minha ignorância racista, me senti ofendida. Pensava não ter nada a ver com a discussão racial, exceto para defendê-las… 

Por Marília Moschkovich, na coluna Mulher Alternativa

Desde cedo entendi o que era o racismo. Filho de uma mãe um tanto racista, numa família racista de negros, mulatos e descendentes de espanhóis, meu pai — de pele bem branca, olhos azuis e cabelo bem cacheadinho — fazia questão de pontuar que todos eram iguais e se horrorizava com o racismo. Minha mãe, nascida de uma mistura de europeus diversos e indígenas, sempre reforçava atitudes anti-racistas e criticava abertamente indivíduos e comportamentos discriminatórios. Quando comecei a me envolver em movimentos sociais, na adolescência, descobri o movimento negro e suas mais do que legítimas reivindicações. Só recentemente, porém, depois de muitos anos de militância, compreendi que talvez meu papel principal, nessa luta, seja mais óbvio e muito mais difícil do que eu imaginava: me reconhecer branca.

Quando nascemos, nós, pessoas de pele e fenótipo socialmente lido como “brancos” (doravante aqui denominados apenas “brancos”, pra facilitar a leitura) somos ensinados que existem pessoas negras. Somos ensinados que têm a pele diferente da nossa. Em todas as formas de transmissão de cultura — escola, televisão, conversas em família, entre outros — a cor da nossa pele nunca é tratada como uma questão. É como se não tivéssemos cor. Nesse pensamento está baseada a expressão racista “pessoa de cor”, que pressupõe que nós brancos e brancas não temos cor.

Sem perceber, passamos a vida acreditando verdadeiramente nessa mentira. Quando conseguimos alguma coisa, não associamos a conquista à nossa identidade ou classificação racial, mas a um mérito individual que simplesmente não existe. Isso não quer dizer que nenhum de nós brancos sejamos bons no que fazemos, calma aí. Significa apenas que uma pessoa negra tão boa quanto, ou melhor, ficou de fora na seleção em que nós passamos. Por diversos motivos. Foi quando tomei contato com o feminismo negro de Patricia Hill Collins e Bell Hooks que tomei consciência (não, não é um trocadilho) desses motivos. Estes são alguns deles:

  • Eu nunca fui tratada por meus professores e professoras como um projeto de bandida, rainha de bateria ou faxineira; aprendi daí que a escola era mesmo o meu lugar.
  • Nunca precisei passar por processos dolorosos e tóxicos para adequar meu cabelo às exigências de qualquer empregador sob a ameaça de passar fome; aprendi daí que meu cabelo não precisa ser corrigido.
  • Fui tratada como mãe das crianças brancas de que cuidei como baby-sitter; aprendi daí que eu não precisava realizar nenhuma outra tarefa doméstica que não fosse cuidar das crianças.
  • Nas novelas, filmes, revistas e outras mídias que constroem o imaginário popular e as nossas identidades e anseios, sempre havia personagens como eu, brancas, que tinham sucesso profissional em diversas áreas; aprendi daí que eu podia ser o que quisesse.
  • Na escola e em todos os espaços públicos, especialmente naqueles em que frequentavam majoritariamente ou exclusivamente mulheres, sempre me senti confortável e incluída e sempre me deram a palavra; aprendi daí que eu podia e devia falar sempre que desejasse.
  • Em espaços domésticos, as pessoas que desempenhavam funções de serviço pesadas como empregada doméstica mensalista, muitas vezes mal pagas e em condições de vida deploráveis, não eram do meu bairro, não eram minhas vizinhas, não eram minhas parentes; aprendi que aquilo não era pra mim.
  • As revistas de moda e cabelo sempre tinham diversas sugestões e opções de maquiagem, penteados e cortes que se adaptavam facilmente aos meus tons de cabelo e pele, segundo as regras iluminadas dos editoriais; aprendi daí que eu sou normal, que eu sou a regra, o fiel da balança, o neutro pelo qual de deve medir os demais.

Construída nessa e em outras situações, minha identidade racial ficou escondida. Toda a sociedade me dizia que “raça” simplesmente não era uma questão que me tangia. O gênero sim, já que como mulher eu estava do lado oprimido. Sendo branca, então, eu realmente acreditava que não tinha nada a ver com a discussão racial, exceto para defender “elas”, as mulheres negras.

Daí que um dia elas gritaram. Apontaram minha raça e eu, em minha ignorância racista, que como sociedade acabamos por desenvolver de maneira doentia em todas as pessoas brancas deste país, me senti ofendida. Eu não gostava de ser lembrada de que era branca. Dizia inclusive que isso seria racismo. Era muito mais fácil acreditar que tudo que eu tinha conseguido tinha sido por mérito próprio. Que eu, mulher, não podia jamais ocupar o lugar de opressora nesta sociedade. Era o esquema perfeito: me colocava enquanto vítima e recusava deliberadamente a função de algoz. Conforto pouco é bobagem.

Depois de espernear, me lembrei de um debate sobre cotas na época do ensino médio. Eu era, então, contra as cotas raciais. Meu melhor amigo — também ligado à militância de movimentos sociais — me disse uma das coisas mais interessantes que eu já ouvi sobre políticas públicas: “Estou do lado dos fodidos, Marília. A gente tem que estar do lado dos fodidos”. Nós, que nem fodídos éramos. Ele, que tinha olhos azuis e sobrenome italiano.

Decidi ouvir o que as fodidas tinham a me dizer, pelo afeto que nutro por essa figura branca (sim, racista também isso). Botei o ego de lado. Pisei fora da zona de conforto, do meu esquema explicativo perfeito de mártir (existe feminino de mártir?). Escutei a Hill Collins. Reli Alice Walker. Fui atrás da Rosa Parks. Pesquisei Nina Simone. Me enfiei na história dos Panteras Negras. Assisti de novo Mississipi em Chamas, Uma Outra História Americana, tudo que eu tinha do Spike Lee. Me inscrevi em feeds de sites e blogs brasileiros sobre racismo e identidade racial – esses que antes eu sequer acessava, já que “não eram dirigidos a mim”, pela mesma visão limitada de quem acha que, sendo branco, não tem nada a ver com o dia da consciência negra. Peguei o Darcy Ribeiro da estante. Quase vomitei com a memória de tudo aquilo que meu cérebro havia, de forma traiçoeira, relegado “aos outros” quando aprendi na escola.

Não eram os outros. Era eu.

Nas páginas de Casa Grande e Senzala, eu era a moça na liteira. Eu era o personagem de Di Caprio em Django Livre, ou era também o branco salvador da pátria (ou pior, dos negros) interpretado por Chirstopher Waltz — ambos essencialmente racistas. Eu era a sinhá que eu tanto desprezava nas novelas de época. Eu era a imigrante italiana da novela, cujos descentes puderam acreditar no mito do mérito, já que sua cor de pele lhe dava contrato, trabalho assalariado, possibilidade concreta de compra de terras e direito de frequentar escolas, o que não era assegurado às populações negras na mesma época. Eu era, enfim, de volta ao século XXI, a moça que podia andar na rua sem ser abordada pela polícia. Que sabia que, a qualquer sinal de problema, chamar a polícia representava mais risco ao outro do que a mim mesma.

Era eu, a moça feminista que não entendia por que “tanto escarcéu” das feministas negras, já que eu não era racista. Que tinha o privilégio racial mais imenso e cruel de poder ignorar a própria racialidade, e fingir que o racismo não existe enquanto ele feria minhas convicções e meu conforto como militante.

Demorei meses, mas vocês têm um dia pra tentar: não dê parabéns a ninguém em 20 de Novembro, como pedimos que não nos deem rosas no dia 8 de Março. Use seu tempo para contribuir com a luta antirracista de maneira extremamente mais eficaz: reconheça-se branca, cale-se pela primeira vez na vida e escute o que as mulheres negras têm a dizer.

PS.: esse texto, como escrito a partir da experiência de gente branca, necessariamente apresentará alguns racismos sutis; peço desculpas de antemão por eles e espero que possa, no diálogo com minhas companheiras negras, corrigi-los em breve.

PS2.: escrever esse texto e provocar a discussão pública sobre privilégio racial branco não é um ato de heroísmo, nem de coragem: é o mínimo que precisa ser feito por pessoas brancas na luta antirracista.

PS3.: os dois vídeos abaixo colocam em cheque o privilégio racial que nós brancos fingimos não ver; divirtam-se.

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27 comentários para "Consciência negra, para feministas brancas"

  1. Marta disse:

    O começo do seu texto me deixou confusa. Sua família era de negros ou não? Racista ou não? Vc é homem ou mulher?
    “Desde cedo entendi o que era o racismo. Filho de uma mãe um tanto racista, numa família racista de negros, mulatos e descendentes de espanhóis, meu pai — de pele bem branca, olhos azuis e cabelo bem cacheadinho — fazia questão de pontuar que todos eram iguais e se horrorizava com o racismo. Minha mãe, nascida de uma mistura de europeus diversos e indígenas, sempre reforçava atitudes anti-racistas e criticava abertamente indivíduos e comportamentos discriminatórios”
    Fora esse começo confuso, o que vc escreveu me fez pensar e tenho certeza que faria mais gente pensar sobre o quanto não nos damos conta do nosso racismo. Obrigada!

    • Tami disse:

      “Filho de uma mãe um tanto racista…” é sobre o pai dela.

      • Marilia disse:

        isso! 🙂
        me identifico hereditariamente como negra, mas não sou “negra” e nem construí identidade de negra por ter fenótipo branco. isso significa que jamais fui vítima das opressões da população negra, e desfruto dos privilegios das pessoas brancas, ainda que tenha antepassados negros…

    • Myriam disse:

      Nunca fui hasta hoy racista ,ni machista ni feminista , vivo y actuo de acuerdo a mis convicciones , depende del tiempo , del momento , de todas las istas se debe rescatar solo lo bueno y no ser radicales en nada , es mi opinion.

  2. Alguns textos me deixam profundamente emocionado. Eis um exemplo!
    Obrigado Marília Moschkovich! Eu te amo! 🙂

  3. Isso, amada.Você entendeu.

  4. Manuela Malta disse:

    Parabéns! Quanta sensibilidade.

  5. Nelson Nunes disse:

    Sensacional!! Parabéns!

  6. Rafa disse:

    Gostei muito do seu texto! Só gostaria que me esclarecesse um ponto: porque motivo exatamente voce se identificou com o Di Caprio em Django?
    pelo que li, voce sempre abominou diferenças raciais. O sr Candy (personagem de Di Caprio), tratava os seus escravos como um bem, uma propriedade, que fazia o que bem entendesse com eles.
    E porque seria a sinha que tanto odiava?

  7. Alex Moraes disse:

    Cara Marília, teu texto nos diz muito a respeito de como a racialização de certas populações não tem nada a ver com hereditariedade genética, mas sim com o processamento social do fenótipo associado a outras clivagens de gênero e classe. Tenho, no entanto, duas reparações a fazer: 1) Por que a tomada de consciência a respeito da tua posição nas hierarquias raciais brasileiras está quase exclusivamente baseada em narrativas e análises do racismo nos Estados Unidos? 2) Como desdobramento da primeira indagação: ao simetrizarmos o lugar social do latifundiário escravocrata nos Estados Unidos com aquele ocupado pelas elites brancas brasileiras, não estaríamos, novamente, essencializando a questão racial? Explico-me: o racismo nos EUA será o mesmo do Brasil? Ser negro é uma questão de cor da pele ou, como tu mesma dás a entender no início do argumento, se trata de uma diferença socialmente construída através de diferentes cenários e contextos, desde o sistema de ensino até a ocupação de funções no mercado de trabalho? Se nos inclinarmos pela segunda hipótese, então o negro brasileiro não é necessariamente igual ao negro estadunidense, uma vez que o enegrecimento — ou seja, a racialização — das populações no Brasil seguiu caminhos específicos (inclusive de acordo com cada região). Parece-me que às vezes corremos o risco de essencializar o debate sobre racismo se não discernirmos entre metáfora e homologia. Equiparar todos os processos de escravidão e produção de populações negras nas américas é útil para evocar trajetórias compartilhadas de dominação no marco de uma crítica mais genérica ao poder moderno-colonial que funda nossos estados nacionais. Contudo, este único procedimento não basta para combater, a partir de lugares concretos, as hierarquias raciais. É preciso, também, avaliar como o racismo — que não é uno, mas sim múltiplo — se configura em cada contexto para dar origem e sentido à negritude (e, por conseguinte, à branquitude).

  8. Elize Lima disse:

    O início do texto está contraditório!

  9. Elize Lima disse:

    Mas excelente!

  10. Elza disse:

    Olá Marília, muito boa a sua matéria. Eu já conhecia o documentário ‘Olhos Azuis’. O francês é ótimo também! Mas temos aqui no Brasil o filme do grande cineasta Joel Zito, ‘Vista a minha pele’!!! Um grande abraço!

  11. Marina disse:

    Ótimo texto e ótimos documentários. Acabei de ver o Blue Eyes, que conhecia só de nome mas que ainda não tinha visto, e estou sentindo um nó no estômago.

  12. Johnny disse:

    O texto não é de todo mal,a critica que tenho a fazer é,será que a realidade brasileira pode ser comparada com as realidades estadunidenses e das demais comunidades africanas na Europa?Somos demasiadamente miscigenados e com características em relação a composição de nosso povo bem evidentes da nossas matrizes também africanas e indígenas.Uma boa proposição é a busca de uma cidadania da dignidade humana enquanto o indivíduo como parte da sociedade,com o devido respeito,e não tentar mudar o pensamento de uma sociedade doente e sim se afirmar com valor e respeito perante quem quer seja e garantir os direitos do cidadão,seja negro,indígena,mestiços ou de todas as cores,mas que seja antes de tudo um cidadão brasileiro ,assim como queria Milton Santos grande geógrafo brasileiro,que também era negro mas não via sua luta na exclusidade de pertencer a tal grupo e sim na questão dos direitos do cidadão para construção de uma sociedade mais justa e sem discriminações sejam por cor de pele ou por condição socioeconômica .

  13. Maria disse:

    Tá certo, mas considere minha vontade de ajudar a mudar isso tudo. Que podemos fazer exatamente? Quero mais ideias. Sinto que faço pouco.

  14. Beatriz disse:

    Gostei muito do seu texto, você é bem honesta e eu aprecio isso, às vezes vemos muitas pessoas defensoras do movimento negro com aqueles discursos enlatados, que parece que elas nem sabem pq tão defendendo tanto aquilo ‘-‘. Honestamente às vezes eu acho difícil me encaixar em qualquer lado, porque visualmente e geneticamente (já que minha árvore genealógica é MUITO variada sahsuhas) é difícil me considerar branca ou negra, e eu estaria realmente me fazendo de vítima se dissesse que sofro preconceito por causa do tom da minha pele pq eu nunca realmente sofri, então eu não acho JUSTO me colocar na situação de “oprimida”, mas também obviamente não sou branca, então não dá pra me por na posição de “opressora”, (desculpa se eu estiver falando besteira,mas é assim que eu me sinto), e acho que aqui no Brasil isso é um pouco comum, com toda a miscigenação. Pra mim,e o racismo é muito mais complexo do que se imagina, as vezes nós somos extremamente racistas e nem notamos. Acho que é uma coisa que, antes de falarmos em voz alta, temos que praticar dentro de nossa própria cabeça e se policiar constantemente, pra quando aquele primeiro pensamento racista surgir, vc aplacar ele na hora. Às vezes é difícil por criação, não só da família (minha família por exemplo, a maior parte dela não é racista, então eu não sinto que recebi uma criação racista), mas da sociedade. É difícil tanto para o branco quanto para o negro crescer com todo esse esteriótipo sem ser afetado (claro que de formas beeeem diferentes), mas quando vc nota isso, as coisas ficam claras e vc vê como que até em coisas sutis a sociedade é extremamente racista, até a brasileira mesmo, que adora se vangloriar de como é tolerante. Mentira, mentira, mentira. Isso eu nem falo daqueles exemplos claros de esteriótipo, como a negra empregada, mas se vc parar pra ver uma novela, quantos negros, ou até morenos, pardos, enfim… vão haver nela? Poucos, e provavelmente nenhum de tanto destaque, sendo que é só você sair na rua que você vai ver que tem muito mais negro ou pardo aqui do que branco. E isso vale pra tudo. O Brasil quer copiar os padrões de beleza e até mesmo o idealismo de outros países, sendo que apenas não funciona. O racismo aqui é diferente do de outros países, as pessoas são diferentes aqui. Eu acho que além das mulheres brancas começarem a que nem vc falou , se calarem um pouco e ouvirem o que as negras tem a dizer , é muito importante que a gente pare com essa mania de tentar pegar do lá de fora. Sim, várias coisas lá fora são válidas,mas não adianta se não se aplica aqui.

  15. Renata S. Zamboni disse:

    Acho que esse vídeo tbm vale pro caso: http://www.youtube.com/watch?v=mph1tuACRo4

  16. Renata S. Zamboni disse:

    Aliás, sobre o comentário do “johnny” recomendo a seguinte leitura: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/11/consciencia-negra-humana.html
    E faço o comentário seguinte:
    “Não precisamos de um dia da consciência negra, parda, branca, mas sim de 365 dias de consciência humana”
    Engraçado que só vi branco postando essa frase… iludida,cega, pra dizer o mínimo!!
    Quem sente no corpo o peso do racismo pensa de outra forma.
    O Brasil não superou as questões raciais em qualquer perspectiva, então não se enganem, defender uma generalização, no ponto em que estamos, é fechar os olhos, ignorar a desigualdade absurda que é imputada aos negros.
    Marília, acompanho suas postagens há um tempo, pelo twitter.
    Te desejo sorte e sucesso em suas empreitadas como jornalista e escritora.
    Abraços,

  17. Ana disse:

    O texto me fez pensar muito.

  18. marcio ramos disse:

    .. a incosnciencia branca é uma merda…

  19. Kátia Soares disse:

    Consciência negra, consciência branca, consciência japonesa, consciência judaica só prescisamos de uma que é ter cosciencia que nós somos seres humanos por mas rico, bom, pobre, ruim e de qualquer raça ou cor somos feitos a semelhança de DEUS portanto iguais perante ELE.

  20. Laura disse:

    Muito bom o seu texto. Minha experiência com racismo também é limitada porque sou branca. Aprendi o que era racismo na escola, meu pai é negro, assim como meu irmão, mas dentro de casa isso não parecia ser um fato relevante, só com o convívio de outras pessoas eu fui entendendo aos poucos do que se tratava. Me ensinavam a não dizer que meu irmão era negro, como se fosse um xingamento: “Ele é só moreninho”, diziam. E como você, eu também não em sentia bem quando me diziam que eu era branca, sempre havia aquele mal estar, eu pensava: Se meu irmão é só moreninho então eu devo ser apenas clarinha. Mas não era assim que funcionava. Obrigada por escrever isso.

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