A atualidade brutal de Hannah Arendt

Filme sugere que totalitarismo pode assumir faces “normais” e parece indispensável num cenário de democracia esvaziada e guerra iminente

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Adolf Eichmann, criminoso nazista. Mas, também, um burocrata preocupado apenas em cumprir ordens…

Filme de Margarethe von Trotta sugere que totalitarismo pode assumir faces “normais” e parece indispensável num cenário de democracia esvaziada e guerra iminente

Por Ladislau Dowbor

O filme causa impacto. Trata-se, tema central do pensamento de Hannah Arendt, de refletir sobre a natureza do mal. O pano de fundo é o nazismo, e o julgamento de um dos grandes mal-feitores da época, Adolf Eichmann. Hannah acompanhou o julgamento para o jornal New Yorker, esperando ver o monstro, a besta assassina. O que viu, e só ela viu, foi a banalidade do mal. Viu um burocrata preocupado em cumprir as ordens, para quem as ordens substituíam a reflexão, qualquer pensamento que não fosse o de bem cumprir as ordens. Pensamento técnico, descasado da ética, banalidade que tanto facilita a vida, a facilidade de cumprir ordens. A análise do julgamento, publicada pelo New Yorker, causou escândalo, em particular entre a comunidade judaica, como se ela estivesse absolvendo o réu, desculpando a monstruosidade.

A banalidade do mal, no entanto, é central. O meu pai foi torturado durante a II Guerra Mundial, no sul da França. Não era judeu. Aliás, de tanto falar em judeus no Holocausto, tragédia cuja dimensão trágica ninguém vai negar, esquece-se que esta guerra vitimou 60 milhões de pessoas, entre os quais 6 milhões de judeus. A perseguição atingiu as esquerdas em geral, sindicalistas ou ativistas de qualquer nacionalidade, além de ciganos, homossexuais e tudo que cheirasse a algo diferente. O fato é que a questão da tortura, da violência extrema contra outro ser humano, me marcou desde a infância, sem saber que eu mesmo a viria a sofrer. Eram monstros os que torturaram o meu pai? Poderia até haver um torturador particularmente pervertido, tirando prazer do sofrimento, mas no geral, eram homens como os outros, colocados em condições de violência generalizada, de banalização do sofrimento, dentro de um processo que abriu espaço para o pior que há em muitos de nós.

Por que é tão importante isto, e por que a mensagem do filme é autêntica e importante? Porque a monstruosidade não está na pessoa, está no sistema. Há sistemas que banalizam o mal. O que implica que as soluções realmente significativas, as que nos protegem do totalitarismo, do direito de um grupo no poder dispor da vida e do sofrimento dos outros, estão na construção de processos legais, de instituições e de uma cultura democrática que nos permita viver em paz. O perigo e o mal maior não estão na existência de doentes mentais que gozam com o sofrimento de outros – por exemplo uns skinheads que queimam um pobre que dorme na rua, gratuitamente, pela diversão – mas na violência sistemática que é exercida por pessoas banais.

Entre os que me interrogaram no DOPS de São Paulo encontrei um delegado que tinha estudado no Colégio Loyola de Belo Horizonte, onde eu tinha estudado nos anos 1950. Colégio de orientação jesuíta, onde se ensinava a nos amar uns aos outros. Encontrei um homem normal, que me explicava que arrancando mais informações seria promovido, me explicou os graus de promoções possíveis na época. Aparentemente queria progredir na vida. Outro que conheci, violento ex-jagunço do Nordeste, claramente considerava a tortura como coisa banal, coisa com a qual seguramente conviveu nas fazendas desde a sua infância. Monstros? Praticaram coisas monstruosas, mas o monstruoso mesmo era a naturalidade com a qual a violência se pratica.

Um torturador na OBAN me passou uma grande pasta A-Z onde estavam cópias dos depoimentos dos meus companheiros que tinham sido torturados antes. O pedido foi simples: por não querer se dar a demasiado trabalho, pediu que eu visse os depoimentos dos outros, e fizesse o meu confirmando a verdades, bobagens ou mentiras que estavam lá escritas. Explicou que eu escrevendo um depoimento que repetia o que já sabiam, deixaria satisfeitos os coronéis que ficavam lendo depoimentos no andar de cima (os coronéis evitavam sujar as mãos), pois veriam que tudo se confirmava, ainda que fossem histórias absurdas. Segundo ele, se houvesse discrepâncias, teriam de chamar os presos que já estavam no Tiradentes, voltar a interrogá-los, até que tudo batesse. Queria economizar trabalho. Não era alemão. Burocracia do sistema. Nos campos de concentração, era a IBM que fazia a gestão da triagem e classificação dos presos, na época com máquinas de cartões perfurados. No documentário A Corporação, a IBM esclarece que apenas prestava assistência técnica.

O mal não está nos torturadores, e sim nos homens de mãos limpas que geram um sistema que permite que homens banais façam coisas como a tortura, numa pirâmide que vai desde o homem que suja as mãos com sangue até um Rumsfeld que dirige uma nota aos exército americano no Iraque, exigindo que os interrogatórios sejam harsher, ou seja, mais violentos. Hannah Arendt não estava desculpando torturadores, estava apontando a dimensão real do problema, muito mais grave.

Adolf Eichmann em seu julgamento em Jerusalém, (Julho 17, 1961), por Ronald Searle

Adolf Eichmann em seu julgamento em Jerusalém, (Julho 17, 1961), por Ronald Searle

A compreensão da dimensão sistêmica das deformações não tem nada a ver com passar a mão na cabeça dos criminosos que aceitaram fazer ou ordenar monstruosidades. Hannah Arendt aprovou plenamente e declaradamente o posterior enforcamento de Eichmann. Eu estou convencido de que os que ordenaram, organizaram, administraram e praticaram a tortura devem ser julgados e condenados.

O segundo argumento poderoso que surge no filme, vem das reações histéricas de judeus pelo fato de ela não considerar Eichmann um monstro. Aqui, a coisa é tão grave quanto a primeira. Ela estava privando as massas do imenso prazer compensador do ódio acumulado, da imensa catarse de ver o culpado enforcado. As pessoas tinham, e têm hoje, direito a este ódio. Não se trata aqui de deslegitimar a reação ao sofrimento imposto. Mas o fato é que ao tirar do algoz a característica de monstro, Hannah estava-se tirando o gosto do ódio, perturbando a dimensão de equilíbrio e de contrapeso que o ódio representa para quem sofreu. O sentimento é compreensível, mas perigoso. Inclusive, amplamente utilizado na política, com os piores resultados. O ódio, conforme os objetivos, pode representar um campo fértil para quem quer manipulá-lo.

Quando exilado na Argélia, durante a ditadura militar, conheci Ali Zamoum, um dos importantes combatentes pela independência do país. Torturado, condenado à morte pelos franceses, foi salvo pela independência. Amigos da segurança do novo regime localizaram um torturador seu, numa fazendo do interior. Levaram Ali até a fazenda, onde encontrou um idiota banal, apavorado num canto. Que iria ele fazer? Torturar um torturador? Largou ele ali para ser trancado e julgado. Decepção geral. Perguntei um dia ao Ali como enfrentavam os distúrbios mentais das vítimas de tortura. Na opinião dele, os que se equilibravam melhor, eram os que, depois da independência, continuaram a luta, já não contra os franceses mas pela reconstrução do país, pois a continuidade da luta não apagava, mas dava sentido e razão ao que tinham sofrido.

No 1984 do Orwell, os funcionários eram regularmente reunidos para uma sessão de ódio coletivo. Aparecia na tela a figura do homem a odiar, e todos se sentiam fisicamente transportados e transtornados pela figura do Goldstein. Catarse geral. E odiar coletivamente pega. Seremos cegos se não vermos o uso hoje dos mesmos procedimentos, em espetáculos midiáticos.

Hannah Arendt,  filósofa política alemã de origem judaica (1906-1975)

Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica (1906-1975)

O texto de Hannah, apontando um mal pior, que são os sistemas que geram atividades monstruosas a partir de homens banais, simplesmente não foi entendido. Que homens cultos e inteligentes não consigam entender o argumento é em si muito significativo, e socialmente poderoso. Como diz Jonathan Haidt, para justificar atitudes irracionais, inventam-se argumentos racionais, ou racionalizadores.1 No caso, Hannah seria contra os judeus, teria traído o seu povo, tinha namorado um professor que se tornou nazista. Os argumentos não faltaram, conquanto o ódio fosse preservado, e com o ódio o sentimento agradável da sua legitimidade.

Este ponto precisa ser reforçado. Em vez de detestar e combater o sistema, o que exige uma compreensão racional, é emocionalmente muito mais satisfatório equilibrar a fragilização emocional que resulta do sofrimento, concentrando toda a carga emocional no ódio personalizado. E nas reações histéricas e na deformação flagrante, por parte de gente inteligente, do que Hannah escreveu, encontramos a busca do equilíbrio emocional. Não mexam no nosso ódio. Os grandes grupos econômicos que abriram caminho para Hitler, como a Krupp, ou empresas que fizeram a automação da gestão dos campos de concentração, como a IBM, agradecem.

O filme é um espelho que nos obriga a ver o presente pelo prisma do passado. Os americanos se sentem plenamente justificados em manter um amplo sistema de tortura – sempre fora do território americano pois geraria certos incômodos jurídicos -, Israel criou através do Mossad o centro mais sofisticado de tortura da atualidade, estão sendo pesquisados instrumentos eletrônicos de tortura que superam em dor infligida tudo o que se inventou até agora, o NSA criou um sistema de penetração em todos os computadores, mensagens pessoais e conteúdo de comunicações telefônicas do planeta. Jovens americanos no Iraque filmaram a tortura que praticavam nos seus celulares em Abu Ghraib, são jovens, moças e rapazes, saudáveis, bem formados nas escolas, que até acham divertido o que fazem. Nas entrevistas posteriores, a bem da verdade, numerosos foram os jovens que denunciaram a barbárie, ou até que se recusaram a praticá-la. Mas foram minoria.2

O terceiro argumento do filme, e central na visão de Hannah, é a desumanização do objeto de violência. Torturar um semelhante choca os valores herdados, ou aprendidos. Portanto, é essencial que não se trate mais de um semelhante, pessoa que pensa, chora, ama, sofre. É um judeu, um comunista, ou ainda, no jargão moderno da polícia, um “elemento”. Na visão da KuKluxKlan, um negro. No plano internacional de hoje, o terrorista. Nos programas de televisão, um marginal. Até nos divertimos, vendo as perseguições. São seres humanos? O essencial, é que deixe de ser um ser humano, um indivíduo, uma pessoa, e se torne uma categoria. Sufocaram 111 presos nas celas? Ora, era preciso restabelecer a ordem.

Um belíssimo documentário, aliás, Repare Bem, que ganhou o prêmio internacional no festival de Gramado, e relata o que viveu Denise Crispim na ditadura, traz com toda força o paralelo entre o passado relatado no Hannah Arendt e o nosso cenário brasileiro. Outras escalas, outras realidades, mas a mesma persistente tragédia da violência e da covardia legalizadas e banalizadas.

Sebastian Haffner, estudante de direito na Alemanha em 1930, escreveu na época um livro – Defying Hitler: a memoir – manuscrito abandonado, resgatado recentemente por seu filho que o publicou com este título.3 O livro mostra como um estudante de família simples vai aderindo ao partido nazista, simplesmente por influência dos amigos, da mídia, do contexto, repetindo com as massas as mensagens. Na resenha do livro que fiz em 2002, escrevi que o que deve assustar no totalitarismo, no fanatismo ideológico, não é o torturador doentio, é como pessoas normais são puxadas para dentro de uma dinâmica social patológica, vendo-a como um caminho normal. Na Alemanha da época, 50% dos médicos aderiram ao partido nazista.

O próximo fanatismo político não usará bigode nem bota, nem gritará Heil como os idiotas dos “skinheads”. Usará terno, gravata e multimídia. E seguramente procurará impor o totalitarismo, mas em nome da democracia, ou até dos direitos humanos.

2 Melhor do que qualquer comentário, é ver o filme O Fantasma de Abu Ghraib, disponível no Youtube em http://www.youtube.com/watch?v=_TpWQj0MjvI&feature=youtube_gdata_player ; ver também a pesquisa da BBC http://guardian.co.uk/world/2013/mar/06/pentagon-iraq-torure-centres-link ; sobre Guantanamo, ver o artigo do New York Times de 15/04/2013

3 Sebastian Haffner – Defying Hitler – http://dowbor.org/2003/08/defying-hitler-a-memoir.html/

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24 comentários para "A atualidade brutal de Hannah Arendt"

  1. Infelizmente nunca veremos a análise de Hannah Arendt para as atrocidades cometidas por Israel pós segunda guerra até os dias atuais para manter seu poder bélico e econômico.

  2. JOSÉ CARLOS ABRÃO disse:

    EM TORNO DO ARTIGO DE LADISLAU DOWBOR
    As análises do Prof. Ladislau se concentram basicamente em contrapor a visão teórica de Arendt sobre liberdade às manifestações de ódios particularizados em seres humanos. Em princípio trata-se de uma posição teórica e ideologicamente respeitável. Mas ela é restrita, pois observando-se mais detidamente ela não vai além de uma posição ideologicamente idealista de liberdade, resvalando ao neo-liberalismo. O que podemos perguntar é: qual seria a posição dela, se estivesse viva em outubro de 2008, do “mea culpa” do ex-presidente do Banco Central norte-americano , Greenspan, perante o Congresso Norte-americano? Ele, a exemplo de S. Agostinho, assumiu (perante o mundo globalizado) um solene “Confiteor”. Se Agostinho estava confessando perante uma divindade cristã, Greenspan emitiu um solene “Confesso que eu errei”, como se estivesse jogando as batatas podres colhidas, depois de quase quatro décadas, perante a sociedade capitalista representada pelos congressistas ali presentes. Indiretamente ele convidou-os a repensar o capitalismo neoliberal globalizado. Enquanto Arendt esteve vive na década de 70, os seus olhares em nenhum momento, s.m.j., voltaram-se para a política econômica do então Presidente do Banco Central norte-americano. A partir de 2008, ao invés de milhões jogados às câmeras de gás, são milhões, só nos Estados Unidos, jogados nas ruas. Não precisamos chegar a Marx e Engels, que continuam atuais; fiquemos com Nietzsche: “Para além do bem e do mal”…

  3. À primeira vista, parece muito nobre todo este sentimento de “humanidade”, contido nas entrelinhas de memórias vívidas. Porém, esta não é a realidade dos pacientes, ou “doentes mentais”, como o Sr. utiliza este termo. E o curioso é que trata-se exatamente do mesmo termo utilizado por médicos doutores no regime nazista, para selecionar e exterminar 250 mil pacientes internados em hospitais, isto muito antes de judeus serem exterminados, como o Sr. menciona no texto. Entretanto, até estes médicos eram mais atentos que o Sr, pois se respaldavam em questionários. Sim, questionários. Qual autonomia têm o Sr. para classificar um outro cidadão como o Sr. de “doente mental” ou “idiota”? O fato de que estes foram considerados “criminosos”? Então, se for esta a lógica, podemos concluir que o Sr. também é um, pois sabemos muito bem que discurso de ódio é um crime. Porém, o Sr., na sua função de professor, é protegido pelo mesmo código penal que facilita os crimes de agentes do Estado como policiais e médicos, os quais o Sr. culpa, mesmo não intencionalmente, neste mesmo artigo! É esta educação, ou melhor, é esta a desinformação que o Sr. transmite aos seus alunos?
    A tortura institucionalizada e patrocinada pelo Estado é uma arma do complexo industrial médico-militar para “manter o código social sob controle da norma dominante”, notadamente por organizações mafiosas como a Organização Médica Mundial e a Cruz Vermelha. Os mesmos médicos que torturaram durante o regime nazista são hoje os maiores instigadores da tortura e assassinato de pacientes no mundo todo. O médico é a maior causa de morte. Isto já foi denunciado pelo Coletivo Socialista de Pacientes, pela Anti-psiquiatria, assim como por filósofos como por exemplo Jean-Paul Sartre e Michael Foucault, há décadas atrás. Porque o Sr. ignora a tortura institucionalizada neste artigo, e se atém somente aos crimes que constam na ficção? Para atingir um público específico e ganhar notoriedade e prestígio nos seus ciclos acadêmicos? E quanto às famílias das milhões de vítimas de coerção, extorsão, privação de liberdade, sequestro, assassinato, trabalho forçado, e tantos outros crimes que acontecem dentro de hospitais e outras instituições? Nos seus ciclos acadêmicos não se discutem isso? Ah sim, a miséria humana é fora da sua “área de atuação” acadêmica, então joga-se tudo debaixo dos tapetes. Ou melhor, o que o Sr. pratica está perfeitamente alinhado ao que pode ser chamado de “auto-administração” da miséria, que é vinculada dentro de instituições imponentes como provavelmente a instituição que o Sr. trabalha, enquanto a miséria está logo ali, fora dos muros da universidade.
    E mais grave ainda, o Sr. ainda “se diverte com isso.” Não, nós não nos divertimos com isso, Sr. Ladislau. Pelo contrário, muitas pessoas, calcadas neste sentimento de abandono profundo por parte desta sociedade, reproduzem este espetáculo grotesco da morte, e tiram as suas próprias vidas. Este mesmo espetáculo, que diverte o Sr. e muitos outros que já entregaram o resto de humanidade nas mãos desta violência potencializada pela mídia. Uma pesquisa sobre os coletivos e filósofos mencionados lhe indicará que esta sociedade é baseada na guerra química, na guerra psicológica, na tortura, no assassinato e no suicídio forçado. Isto é engraçado pro Sr.? Talvez o Sr. deveria escrever um outro artigo para esclarecer esta diversão à custa da dignidade da vida alheia.
    Não é de se surpreender com a desinformação vinculada através destas “críticas”, ou “agendas políticas” disfarçadas, uma vez que as conexões e o consequente favorecimento, são sempre mantidas em sigilo para preservar o “bem estar” entre as instituições envolvidas. É isto que todo tipo de publicação imperialista, seja de direita ou de esquerda, vêm fazendo há muitos anos, e muitas vezes me parece que estas instigações são mascaradas através de críticas literárias ou cinematográficas.

    • Thales disse:

      Você e o prof. Ladislau falaram a mesma coisa.

      • Engraçado, pois me parece que a única passagem em que o Sr. Ladislau dá nome aos bois é: “… é como pessoas normais são puxadas para dentro de uma dinâmica social patológica, vendo-a como um caminho normal. Na Alemanha da época, 50% dos médicos aderiram ao partido nazista. …” É mesmo Sr. Ladislau? O Sr. já ouviu falar em um conceito chamado de “consciência de classes”? Pois é, médicos não são pessoas comuns como você e eu, Sr. Ladislau. Eles pertencem a uma classe que no inicio do século passado já estavam engajados em tendências maliciosas como a “eugenia”, inclusive ganhando prêmios Nobel por estes “achados” que atrasam a humanidade em séculos, apenas para citar um exemplo. Médicos-padres no Egito há séculos atrás já torturavam as pessoas em nome da ciência, também os maias, incas, etc etc etc. Ademais, sequer o Sr. Ladislau toca também na tortura do sistema prisional que se dá hoje em dia através de métodos como o confinamento em solitária. Ninguém quer mais distração mais do que já nos é bombardeado diariamente através da propaganda. Percebam que toda distração tem por característica encerrar-se em si mesma. Daqui há algum tempo o Sr. Ladislau muito provavelmente virá com outra agenda, totalmente desconexa, para distrair aqueles que ainda estão tentando se identificar com um artigo escrito há meses atrás.

  4. R. Almeida disse:

    por outro lado, a democracia é alargada fazendo democracia, pois ela é o próprio caminho. Ainda não surgiu um bom antiviral contra aqueles que deturpam a democracia, parasitando-a. Aqueles que usam a democracia contra a democracia prestam um desserviço à democratização. E o fanatismo político que vemos hoje é o neopopulismo, que ainda mantém velhas práticas assistencialistas e desrespeitam os princípios democráticos.

  5. Didice Godinho Delgado disse:

    Excelente filme, excelente artigo!

  6. via disse:

    O conceito é importante e eficaz para descrever e explicar o mais inquietante de certas ideologias onde a noção de mal como remédio necessário para atingir um bem maior é usado como justificação das acções sem nunca ser assumido por nenhum dos membros que o levam à prática.

  7. Paulo VC disse:

    M E A C U L P A !
    Usando como pressuposto a frase do texto “O mal não está nos torturadores, e sim nos homens de mãos limpas que geram um sistema que permite que homens banais façam coisas como a tortura”…, admitindo como verdadeiro o facto de no filme Adolf Eichmann ter um , ou mais, tradutores, então, no limite quem consideram que deveria ser o tradutor de DEUS nesse mesmo julgamento. “Mãos mais limpas” que as d’ELE não conheço… Quem, Arendt? O próprio Eichmann? Quem, digam-me, POR FAVOR !
    Vi o filme, gostei da abordagem, mas aconselho que não se perca a lucidez perante um documentário, que tem tiques de argumento de romance…
    Quando saí do cinema lembro-me de ter comentado com um dos meus acompanhantes, “fomos todos julgados, quem deveria estar ali sentado éramos todos nós!
    Entretanto, gostava de deixar claro que coloquei ( por outro canal ) esta mesma questão ao Prof. Ladislau que prontamente me respondeu.
    A todos o meu muito obrigado,
    Paulo Vieira de Castro

  8. MariaC disse:

    “O próximo fanatismo político não usará bigode nem bota, nem gritará Heil como os idiotas dos “skinheads”. Usará terno, gravata e multimídia. E seguramente procurará impor o totalitarismo, mas em nome da democracia, ou até dos direitos humanos.”
    Parágrafo muito atual. Não só no Brasil.

  9. MariaC disse:

    Obs. Não sei se skinheads são ou eram idiotas e o que isso significa no contexto. Acho que a falta de direitos básicos no Brasil já está muito grave e ninguém ainda se importa devidamente. Ao contrário, todos se calam, repetem o circo na mídia, porque as vítimas são em geral pobres. O Estado já é oficialmente matador. O que é isso senão totalitarismo?
    A desgraça de um não ajuda ou diminui a desgraça de outro, nunca.
    Provavelmente aumenta.

  10. Ghassan El-Kadri disse:

    Do belo artigo de Ladislau Dowbor, duas frases, em minha opinião, devem ser GUARDADAS: “O que [Hannah Arendt] viu, e só ela viu, foi A BANALIDADE DO MAL (maiúsculas minhas)” / “(…) a monstruosidade não está na pessoa. está no sistema. Há sistemas que banalizam o mal.” Ladislau Dowbor é economista , e dos bons; deu-nos, porém uma grande aula de “psicanálise política” (por falta de melhor expressão). Dois acréscimos – 1o. Lamentavelmente equivocado o texto do que se apresenta como Paciente de Frente.2o. Se Hannah Arendt tivesse conhecido Gideon Levy, do israelense Haaretz, teria, por esse jornalista, leão de coragem, imensa admiração.

  11. Rubens Roliveira disse:

    nenhum nem outro o próprio livre arbítrio dos homens mostram quão maldosos podemos nos tornar seguindo o sistema que defendemos ou representamos…

  12. Excelente artigo! Já conhecia o trabalho de Arendt e gostei de como a colocaram no filme, também. Para mim, a perspectiva dela sobre a banalidade do mal é mais assustadora do que qualquer pessoa monstruosa que possa vir a existir, a ser “de fato” má. Estes são poucos, não é mesmo? Pois a mediocridade existe aos montes – não como condição intencional ou inerente à natureza humana, mas como fruto de um sistema de injustiças e falhas. Quantas vidas são vividas sem reflexão, sem empatia, focadas ou forçadas ao trabalho, em autopromoção, à ilusão, ao individualismo, que seja! A dimensão que o uso da mediocridade para o mal, para a violência poderia tomar (e já tomou) é o que realmente me apavora. Recomendo o artigo e o filme como porta de entrada para o trabalho de Arendt!

  13. Paulo disse:

    Interessante! Tem gente que só consegue interpretar um artigo de acordo com o seu viés ideológico! Tem gente que criticou sem falar nada com nada! A única coisa que percebi nesse texto foi que seu autor foi bastante imparcial e focou apenas na condição humana! Somos humanos, independente de cor, raça, credo etc.

  14. Brás Vitorino disse:

    Vi o filme, li o livro, estudei a História, e tenho sérias restrições à tal tese da banalização do mal. Ela até opera em certo grau, mas duvido da existência de “burocratas da tortura.” Eles não passam de covardes dissimulados, que praticaram o dolo com prazer e eficiência burocrática, para se destacar aos seus superiores. Depois, pegos, tentaram se safar cada um a seu modo – o tonto, o boçal, o burocrata, etc Não é nada muito diferente disto.

  15. kurtstabile disse:

    Na ditadura militar os torturadores planejavam o final de semana com a família, passear no parque, ir a um restaurante ou ao futebol enquanto torturam as pessoas em busca de um aumento de salário ou um promoção. Acho que ela tem toda razão em acusar o sistema. Os operadores da bolsa de Nova York festejavam os lucros advindos da guerra do Iraque enquanto crianças mulheres e a população em geral trucidados pelas bombas lançadas pelas “bombas inteligentes” Que só mataram soldados!!

  16. Muata disse:

    A análise parece polêmica, mas o autor desse artigo ( professor Ladislau) apresenta um debate que nos remete a uma reflexão crítica sobre como as ideologias foram ao longo da história- e como continuam sendo- um dos instrumentos aplicados pelos políticos como possibilidade justificativa no modo de atingirem seus objetivos e que na maioria dos casos não beneficiam a amoiaria, mas sim aqueles que se identificam com eles. Diante do julgamento daquele que foi um dos colaboradores de Hitler mesmo que ele tivesse apenas cumprindo ordem- tal como dizia no julgamento, o que se pode dizer quando a justiça de seu tempo o absolve? Como isso não poderia ser a banalidade tal como nos apresenta o artigo? O que Arendt viu só ela consegue definir e certamente suas conclusões estão certas alias o filme espelha o modo não somente como o mal é interpretado , mas também como a lei é tão limitada.

  17. Monique disse:

    Adorei seu artigo, professor!

  18. Manoel Mendonça disse:

    Apenas assisti o filme e posso até respeitar o pensamento de Hannah Arendt, mas não sei como se pode eliminar o sentimento de vingança que é normal nos seres humanos, sempre travestido com o nome de justiça. Maria C coloca uma frase interessante: “A desgraça de um não ajuda ou diminui a desgraça de outro, nunca, provavelmente aumenta”. Teoricamente está correto, mas na prática não funciona. Queremos ou precisamos nos vingar, não sei explicar o porquê, mas só assim, nos tornando iguais ou piores do que aqueles que nos maltrataram poderemos realizar a catarse.

  19. Catarse! Essa é a chave da compreensão, que ora aprimora o conceito de Banalidade do Mal, ora o desmonta, sem nenhuma perspectiva de diferença.
    O tal “quase Deus” conceito de humanidade perdeu seu poder de catarse a muito tempo, foi substituído pelo conceito(!) de bem estar pelo consumo.
    Contradição ou não, essa “felicidade” regulamenta e escolhe quem é normal ou idiota. Não importa se médico ou paciente, ambos acima de tudo são diferenciados pela “felicidade” de ser, convenientemente condicionada à necessidade de ter.
    Ter algo para se fazer feliz! Parece uma fórmula mágica.
    Porque foi colocada para dissimular a moral/ética – sempre houve o risco de pessoa, normal ou idiota, questionar até as figuras máximas de qualquer território – onde já não importa mais a grandeza ou torpeza do que se tem, basta que seja feliz – também parece uma bela máscara para a humildade!
    Assim, de carona, outro passe de mágica, desfaz-se a distância entre a teoria e a prática – enfia-se à força a razão no ralo, e adeus filosofia e todos os conhecimentos coadjuvantes.
    Tomemos então o tema em questão, a banalidade do mal, que exatamente se tornou o instrumento da citada “felicidade”, e teremos apenas enfim a confirmação que somos humanos, como existem equinos e caninos, etc.
    E os grandes planos do universo, dos planetas, do nosso planeta, dos continentes, dos países, das cidades, de bairros, da comunidade e das próprias pessoas, semelhante à ideia de mágica, fica por conta do acaso, menos que um jogo de sorte ou azar.
    Mas sabemos que não é assim, e para suportar a mentira generalizada, faremos tudo que for preciso para obter “catarse”: consumo!

  20. Mic disse:

    Parece que todo mundo viu o filme de von Trotta, mas não leu o livro de Harendt sobre o julgamento de Eichmann. Os judeus ficaram histéricos — ela conta isso no livro — porque ela denunciou a cooptação das autoridades judáicas com os nazistas. Todo trabalho sujo feito contra judeus, foi feito por judeus, que a troco de um pouco mais de tempo de vida, eram capazes (e faziam isso mesmo) de levar a mãe para a câmara de gás. Por favor, leiam o livro de Arendt e vejam o documentário Auchwitz, da BBC (tem no netflicks). Vejam também “Cinzas da Guerra”, para entender o quando as lideranças judáicas cooperaram com o Nacional Socialismo. Pior que os nazistas, para as lideranças judáicas eram os comunistas. Eichmann, segundo Arendt, tentou levar judeus para a Palestina. Segundo Arendt foi lá pessoalmente tentar negociar. Mas os ingleses não queriam judeus, ninguém os queria. Leiam o que ela escreveu e entenderão porque os judeus novaiorquinos e as lideranças de Israel ficaram histéricos e demonizaram-na.A verdade dói e doeu. Entendam porque os judeus iam como carneiros para o abatedouro. O filme é alemão, como von Trotta. Talvez por isso mostre pouco do que as lideranças judáicas fizeram contra seu próprio povo (e depois, claro, foram igualmente gazeificadas). Arendt é um arauto da verdade. Isso incomoda aos que industrializaram o anti-semitismo e o holocausto — ganharam milhões com isso e ocupam a Palestina na mais longa e cruel ocupação da história moderna. Vejam também o filme “A invenção do anti-semitismo”, de um judeu israelense. Se Arendt não fosse judia”, certamente estaria execrada e oculta e nós não conheceríamos que a banalidade do mal começou nas sinagogas.

  21. Nicolau disse:

    Tudo blá,blá,blá para encobrir os crimes do comunismo judeu que matou 100 milhões de pessoas e também esconder os crimes do estado Racista Israel que mata os palestinos!

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