Venezuela: Edgardo Lander busca uma saída

Ela é difícil — porque oposição agora apela para que os militares derrubem o governo, enquanto Maduro, imóvel, parece não perceber que o tempo corre contra si

Em meio à espiral de conflito na Venezuela, um grupo de pensadores e ativistas liderado pelo sociólogo Edgardo Lander acaba de formular um ensaio de alternativa. Ela está expressa num documento [“Detener la escalada del conflicto político en Venezuela. Contra la intervención imperial”] que pode ser resumido em quatro pontos: a) Rejeição do “auto-empossamento” de Juan Guaidó, que “desencadeou uma nova escalada da crise” e “abre caminho para um conflito interno armado, uma guerra civil com participação internacional”; b) Rechaço da “repressão governamental diante do crescimento dos protestos em todo o país, por comida, transporte, saúde, participação política, serviços públicos e salários dignos”; c) Apelo aos “atores políticos e organizações sociais, para que “unam forças com finalidade de deter a escalada do conflito político; d) Apoio à oferta de Uruguai e México, que se dispõem a exercer papel de mediadores de um diálogo ou “à realização de um referendo vinculantes, para que a população venezuelana decida sobre a convocatória de eleições gerais.

Indiferentes ao apelo dos pensadores e ativistas, oposição e chavismo continuam radicalizando posições. A oposição promete novas marchas de protesto e tenta seduzir os militares a que intervenham contra Maduro. O governo, por seu lado, parece ainda não convencido de que o tempo corre contra si e, mantido o cenário atual, a perspectiva é de que não consiga sustentar-se por muito tempo.

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