As favelas voltaram à Itália

Em ensaio fotográfico, a realidade de imigrantes que reconstroem a vida no sul do país europeu, em barracos sobre a terra. Revela: sorrisos e solidariedade são constantes, em meio a vida improvisada

Gueto de Rignano Garganico, Sul da Itália. Foto de Riccardo De Luca

Por Antônio Martins

Um ensaio fotográfico publicado pelo Projeto Colabora expõe a realidade social dos imigrantes negros na Itália – algo pouco conhecido no Brasil. De autoria do fotógrafo Riccardo de Luca, as imagens foram feitas na região da Puglia (sul do país, junto ao mar Tirreno e de fronte para a costa da Albânia). Colhedores de tomate, vindos em maioria da África e sem documentos, espremem-se em “uma extensão enorme de barracas de plástico, papelão e madeira, construídas sobre a terra que, quando chove, vira lama”.

De Lucca não quer folclorizar a pobreza. Sensível, ele destaca também a solidariedade entre os imigrantes; o esforço coletivo empreendido para montar um simples barraco, “como se estivessem construindo a moradia em que viveriam pelo resto de suas vidas”; a grande presença de crianças, as improvisações e gambiarras, a alegria. O sorriso dos negros parece contrastar com a sisudez fria dos europeus e sua perda de imaginação social e política.

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