“Vai ler jornal, meu filho!”

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Durou um minuto a conversa com senhora eleitora de Alckmin que habita minha mente. Virou as costas. Saiu batendo os pés

Crônica de Flavio Siqueira Júnior, editor do Brasil de Brinquedo | Imagem: Leah Saulnier

“Adoro viver aqui. Não falta nada. Escolas, hospitais, lazer… tudo uma beleza! Exerço minha cidadania 24 horas por dia, sete dias por semana. Temos um bom governador e nada nos faltará – nem água e nem um caixa do Banco Itaú. Em São Paulo vejo meus direitos na prática, dá até gosto. Esse governo é um ‘case’ de sucesso, não há como negar. E pode usar o volume morto que quiser viu… já encomendei um daqueles filtros Europa. Vai dar tudo certo.

Não consigo entender esse povo que vive reclamando da vida. Hoje, mais do que nunca, sinto a liberdade no ar. Somos uma democracia e devemos muito à Policia Militar, que pilota metrô, que prende grevista, que tá de olho em quem faz vandalismo no facebook, que disciplina os estudantes baderneiros e que baixa o cacete nesses manifestantes de caráter político e viés ideológico que vivem atrapalhando o nosso direito de ir e vir do trabalho.

Nunca tivemos tanto policiamento nas ruas, parece até que cada bairro tem um quartel general. Quer coisa mais segura que essa? Eu confio. Quem sabe mais quais são nossos direitos se não aqueles que devem cumprir a lei que prevê esses direitos?

Para além da Constituição ainda temos direito a desconto na conta de água e de colocar o CPF na nota. Olha! Podem falar o que for, mas não conheço nenhum outro político do porte do Geraldo Alckmin. Quem está nos telejornais há décadas falando só de assuntos importantes não é qualquer um. Por isso que sempre voto nele. Além disso ele sempre ganha e eu não voto em quem perde.

Tá tudo muito bom. Tá tudo muito bem. Nada de mudanças minha gente. Em time que está ganhando não se mexe.”

Encontrei essa simpática senhora nas ruas de minha mente quando vi a notícia de que o atual e sempre governador do estado de São Paulo pode ser reeleito já no primeiro turno. Conversamos por quase 1 minuto e não tive qualquer chance de dizer o que eu pensava de tudo aquilo. Quando eu, já perdendo a paciência, aumentei o tom de voz, ela virou as costas e saiu andando batendo os pés . Só me restou ficar quieto e esperar que ela sumisse dos meus pensamentos, mas ainda deu tempo de ouvir sua última verdade: Vai ler jornal meu filho, você é muito inocente!

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2 comentários para "“Vai ler jornal, meu filho!”"

  1. Fernando Fidelis Vasconcelos disse:

    Eu também conheço essa senhora. Ela é avó de uma menininha que mora perto do bosque e um tio meu a tirou de dentro de um lobo uma vez.

  2. Cesarrxx disse:

    disse:Ole1 Telma,Estou divulgando um livro que ardiaroa que vocea conhecesse: o romance histf3rico O Fundador de Aydano Roriz. Trata-se de um primoroso livro que conta de forma rica e divertida os primeiros anos do Brasil. Com ele, vocea descobre por exemplo curiosidades de um passado do Brasil que poucos de nf3s brasileiros conhecemos, como por exemplo Salvador ser a nossa primeira capital do Brasil, ou ainda de onde vem os nomes de alguns lugares na cidade de Salvador, como o Rio Vermelho. Nome batizado por Caramuru que je1 estava em nossas terras quando Tome9 de Souza veio e0 convite do Rei de Portugal para fundar a primeira capital do Brasil. Posso lhe enviar um release e uma foto da capa do livro? Abs! Aida

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