Automação: a ambígua Revolução dos Robôs

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Novo estudo sugere: nos próximos vinte anos, máquinas inteligentes eliminarão um terço dos trabalhadores – e poderão gerar crise social inédita. Há alternativas, porém

Por Antonio Martins

No Japão, robôs alocados na linha de produção de automóveis já trabalham, sem descansar um segundo e sem supervisão, por trinta dias ininterruptos. Em todo o mundo, foram realizadas, no ano passado, 570 mil cirurgias assistidas por robôs; e no Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, um supercomputador que dá assistência a elas é capaz de ler e processar 1 milhão de textos por segundo, para orientar diagnósticos e procedimentos. Em breve, será possível transferir para máquinas profissões penosas (como chapeiro em restaurantes industriais), subalternas (como cuidador de idosos) ou maçantes (como analista de crédito). Mas todos estes desenvolvimentos, que poderiam aliviar a vida humana, estão prestes a se converter num tormento, multiplicando desigualdade e desemprego.

Estas observações não vêm de estudos hipotéticos de intelectuais marxistas, mas de um relatório ainda inédito, produzido pelo Bank of America e relatado na edição de hoje do Guardian. Está em curso, diz o estudo, uma quarta revolução industrial – depois da máquina a vapor, da produção em massa e da eletrônica. Continuar lendo

TEXTO-FIM

Carta aberta a Bill Gates

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“O Windows 10 não me fará voltar aos braços da Microsoft. Não quero ser controlado por uma empresa ou a NSA. Aderi ao software livre, construído e compartilhado por milhares de seres humanos como eu”

Por André Solnik

Bill Gates,

Sei que você já largou a direção da Microsoft faz um tempo e agora paga de bom moço doando seus bilhões a causas sociais e pulando cadeiras de escritório (?), mas recentemente fiquei sabendo do lançamento do Windows 10 e seu nome rondou – e perturbou – a minha mente mais uma vez.

Também larguei a Microsoft faz um tempo e confesso que não estou por dentro das novidades da nova versão do seu sistema operacional, mas posso dar alguns palpites: mais rápido, mais bonito, mais intuitivo, mais seguro, mais integrado. Acertei? Bom, pelo menos é isso vocês vêm prometendo há um tempão…mas digamos que finalmente isso aconteceu. O Windows 10 é o suprassumo dos sistemas operacionais: estável, elegante, robusto, inteligente, veloz. Isso faria com que eu reconsiderasse a minha decisão e, finalmente, retornasse aos seus braços? Continuar lendo

Você enxerga o mundo na internet? Ou ela pesquisa você?

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Já estão ativos, em seu celular, mecanismos de busca premonitória. Escolhem por você, pois convidam à rotina letárgica de viver sem refletir. Mas problema não é tecnologia

Antes que você pense em perguntar, seu telefone, conectado à internet, avisa que precisa sair de casa mais cedo e se agasalhar. O trânsito, até o local de seu próximo compromisso, está congestionado: você levará uma hora e dez, de carro. Faz mais frio do que previa a meteorologia na noite anterior. Em compensação, sorria: há uma promoção para a viagem a Paris que você queria fazer com sua namorada. Clique aqui, para reservar duas passagens, ou aqui para incluir, na compra, cinco diárias de hotel, com desconto, em Montmartre.

Novas descobertas tecnológicas estão tornando as buscas na internet muito mais sofisticadas. Diversas empresas — Google, obviamente, mas também Cue, reQall, Donna, Tempo AI, MindMeld e Evernote — estão desenvolvendo aplicativos que cruzam seus dados, adivinham seus desejos e fazem ofertas. É parte da “inteligência artificial”, um passo tecnológico que estava associado aos computadores corporais (como o Google Glass), mas que entrou em teste desde já. Se você usa um celular, Android ou Iphone, experimente, por exemplo, testar o Google Now.

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A polêmica em torno do feijão transgênico da Embrapa

Questão: os organismos geneticamente modificados são necessariamente perigosos, ou as tecnologias que os produzem podem ser reapropriadas?

Uma ótima reportagem de João Peres, na Rede Brasil Atual, descreve (leia na sequência) o processo polêmico que levou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a aprovar, ontem (15/9), uma primeira variedade de planta transgência desenvolvida no Brasil. Trata-se de um feijão desenvolvido pela Embrapa para resistir a uma praga conhecida como “mosaico dourado”

O texto de Peres expõe as críticas de ONGs e críticas ou dúvidas de dois ministérios (Desenvolvimento Agrário e Ciência e Tecnologia) ao processo sumário que a CTNBio teria adotado para liberar a planta. Mas parece importante abrir, em paralelo, outro debate. Que postura adotar diante do desenvolvimento de plantas transgênicas? Ele deve ser rejeitado em bloco, como medida de precaução? Ou seria importante examinar caso a caso os objetivos e a segurança das variedades criadas tecnologicamente?

Em casos como o da soja Roundup Ready, desenvolvida pela Monsanto, há um viés claro de controle da produção. A variedade oferece certas facilidades ao agricultor, mas o obriga a comprar as sementes e agrotóxicos produzidos pela muntinacional, além de promover agressão muito mais aguda ao meio-ambiente (a característica da soja modificada é suportar produtos químicos muito mais pesados).

Porém, as mesmas tecnologias poderiam ser utilizadas para, por exemplo, reduzir o uso de venenos (criando plantas naturalmente resistentes a eles), ou ampliar a produtividade dos cultivos? Parece um tema necessário e instigante (A.M.)

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