Veja é obrigada a admitir: 96% dos seus leitores apoiam a Greve Geral

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Na tarde do dia 28, dia da Greve Geral, a Revista Veja divulgou uma enquete iniciado há 2 dias em seu site com a seguinte pergunta: “você concorda com a greve geral desta sexta-feira?”. Talvez tenha se inspirado no apresentado Datena que em junho de 2013 abriu uma enquete forçando seus leitores a responder se era a favor ou não de “protestos com baderna”. Em ambos os casos o tiro saiu pela culatra. Até às 16h, 755.260 mil (96%) pessoas se disseram favoráveis a paralisação. Outras 28.716 mil (3,66%) se mostraram contrárias. Coincidentemente, o porcentual de pessoas contra a greve são exatamente o mesmo porcentual de aprovação do governo Temer (4%), conforme a pesquisa realizada pela consultoria Ipsos e publicada na BBC Brasil.

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Acompanhe os acontecimentos da greve em tempo real: http://bit.ly/grevegeral2017

E confira as melhores imagens e cartazes da greve: https://imagensdagreve.tumblr.com/

TEXTO-FIM

Lula, nem preso, nem livre

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Há anos, Noam Chomsky cunhou o termo “unpeople” (“não-pessoas”) para designar os que o poder global quer esquecer. É assim que a elite brasileira agora trata o ex-presidente

Por Antonio Martins

Os abusos e ilegalidades cometidos por Sérgio Moro contra Lula foram tantos e tão graves que, agora, até mesmo os velhos jornais brasileiros [para os internacionais, clique nos links 1 2 3 4 5 6] enumeram as arbitrariedades do juiz – reconhecidas, aliás, por diversos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A coerção para depor, em 4/03 era incabível, porque não foi precedida de uma convocação. Na interceptação das conversas telefônicas, e em sua divulgação, as irregularidades, todas de caráter criminoso, acumulam-se. Os diálogos envolvendo a presidente da República precisam ser remetidos ao STF. As gravações relacionadas aos fatos investigados devem ser mantidas nos autos, mas em sigilo (foram escancaradas por Moro). O juiz deve destruir as conversas privadas (e não entregá-las os jornais). Depois de tantas violências, seria de esperar que a mídia defendesse reparação ao ex-presidente – ou, no mínimo, o fim das perseguições.

Só que não. Experimente ler os sites ligados à Folha, Estado, O Globo e Editora Abril ou, pior, ouvir os noticiários da TV. Por dias, todos reproduziram, incansável e espetaculosamente, as gravações ilegais, sempre editadas contra Lula. Foi como se, a cada 24 horas, se produzisse um episódio de manipulação semelhante ao do debate presidencial que, em 1989, levou Collor ao poder. Agora, todos os noticiários alimentam a expectativa pela prisão de Lula. O ato absurdo do ministro Gilmar Mendes, que devolveu o ex-presidente a Moro, é visto como natural. Assim como as negativas ou delongas de colegas de Gilmar [1 2 3], para conceder o habeas corpus que proibiria uma prisão arbitrária. Continuar lendo

Francisco: um passo a mais — em silêncio

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Em sua viagem de maior carga emocional, Papa homenageia humilhados pelo capital e fustiga os que se aproveitam da desigualdade crescente. Como era de esperar, jornais calaram-se…

Por Mauro Lopes

Foi a visita com maior carga afetiva-emocional e aquela na qual ele mais explicitou, com palavras e gestos, o desejo de retorno da Igreja à originalidade dos primeiros tempos — uma Igreja pobre com os pobres.

O ato final da visita talvez não tenha sido compreendido em sua verdadeira dimensão: o Papa escolheu Ciudad Juarez, na fronteira entre o México e o Império e, num gesto profético de denúncia e desafio, abençoou as cruzes que simbolizam os milhares de mexicanos e mexicanas mortos durante o que parecia ser uma travessia para uma vida melhor.

O Papa, como o Cordeiro do livro do Apocalipse, o último da Bíblia, confronta-se com a Babilônia, a Roma dos tempos que escorrem. Não é à toa que fez, no México, a mais dura condenação aos ricos em seu tempo como Papa, ao dizer que eles prestarão contas sobre as fortunas construídas sobre o sangue e o suor e as lágrimas das pessoas; e, no avião de volta ao Vaticano, deixou claro que, para ele, Donald Trump não pode ser qualificado de cristão, por ser alguém que só tem projetos para construir muros a separar (como o muro entre os EUA e o México en Ciudad Juarez), muros de concreto e de ódio.

Mulheres da Periferia, por elas mesmas

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Manoela Gonçalves, da Casa das Crioulas (Perus), é uma das entrevistadas e produtoras da exposição “quem somos [por nós]”

Com fotografias, autorretratos e registro audiovisual, exposição contesta estereótipos e traz a palavra das próprias mulheres

Por Jéssica Moreira

O coletivo Nós, mulheres da periferia, grupo de comunicadoras que propõe promover a representatividade e o protagonismo feminino, com um recorte de classe e raça, abre no dia 21 de novembro a exposição multimídia QUEM SOMOS [POR NÓS], no Centro Cultural da Juventude (CCJ), Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. A proposta é inédita e usa a fala das mulheres como elemento artístico, além de ter sido criada de forma coletiva durante oficinas realizadas em diferentes bairros das periferias de São Paulo.

No mesmo dia, haverá um debate com as idealizadoras e produtoras. A instalação permanece em cartaz até o dia 17 de dezembro. A exposição será um convite para adentrar ao mundo das mulheres da periferia a partir de suas próprias perspectivas. Com fotografias, autorretratos e registro audiovisual, a mostra é resultado de quatro meses de encontros do projeto Desconstruindo Estereótipos, que percorreu seis bairros da capital paulista. A iniciativa é financiada pelo Programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo. Continuar lendo

As máquinas de vender intolerância e preconceito

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Para compreender onda de fundamentalismo e crimes de ódio, que se espalha por países como EUA e Brasil, é indispensável examinar papel de certos programas de TV

Por Sandro Ari Andrade de Miranda

O crescimento dos crimes de ódio é um fenômeno global! Sustentada por preconceitos e por valores fundamentalistas, temos observado uma onda de violência desmedida em diversos lugares do planeta, exatamente no momento em que explodem os meios de comunicação, o que, em tese, deveria garantir maior acesso à informação.

O ataque a igrejas das comunidades negras nos Estados Unidos, o espancamento de casais homoafetivos nas metrópoles brasileiras ou, simplesmente, de pessoas que se acredita serem homoafetivos (como num caso recente onde pai e filho foram espancados por simples manifestação de carinho), o incêndio criminoso de mesquitas na França, o massacre diário de palestinos pelo governo de Israel, são apenas alguns exemplos de aberrações que vivenciamos todos os dias. Continuar lendo

Da crise hídrica à crise democrática

Ao examinar seca em São Paulo e no Sudeste, documentário abre debate sobre algo essencial: como governos e mídia escondem da sociedade dimensões reais do problema — e alternativas para enfrentá-lo

Por J.R. Penteado

Anunciada há por anos por especialistas, tema tabu para governantes, dor de cabeça para a população. A crise da água que afeta cidades da região Sudeste, em especial o estado de São Paulo, tem sido alvo de críticas não só pelas decisões tomadas pelos responsáveis por administrá-la, mas também, e sobretudo, pela falta de transparência nas informações chaves sobre sua atual situação.

Foi para jogar luz nesta última questão que a Ong Artigo 19 lançou na última semana o minidocumentário “A Seca e o Silêncio – relatos sobre a escassez de informação e água no sudeste brasileiro”, que aborda a falta de transparência na gestão da crise hídrica que afeta São Paulo e o Rio de Janeiro.

O filme, de quase 12 minutos, ouve especialistas, ativistas, representantes da sociedade civil e moradores afetados pela falta da água que compartilham visões e relatos sobre a crise. Entre os entrevistados estão o Relator Especial da ONU para Água e Saneamento, Leo Heller, a coordenadora da Aliança pela Água, Marussia Whately, o deputado estadual do PSOL-RJ Flávio Serafini e o grafiteiro e ativista Mundano. Continuar lendo

Bicicletas em SP: como fabricar dados negativos

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Na contramão do jornalismo, velha imprensa alardeia falsas manchetes: as mortes de ciclistas não aumentaram 36%, mas diminuíram 10%.

Por Cauê Seignermartin Ameni

Que a mídia tem má vontade com a gestão do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, até o mais desinformado paulistano já sabe. A derrapada da vez vem de uma matéria do Estadão: “Morte de ciclistas em SP cresce 34% em 2014”. Nenhum canal apurou, foi mais adiante ou questionou a informação. Mas todos repetiram ad nauseam a “notícia” como munição para alvejar o projeto de ciclovia da prefeitura. Sem perceber que, ao isolar os dados, o jornalista Bruno Ribeiro conseguiu transformar um dado estatístico positivo em um colapso cicloviário anunciado. Continuar lendo

Outros Quinhentos propõe nova forma de sustentar a mídia livre

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Programa de sustentação autônoma de “Outras Palavras” oferece contrapartidas a quem contribui com jornalismo de profundidade. Em breve, canal alternativo para circulação de produtos da Economia Solidária

O começo é modesto. Quem acessar, a partir de hoje, a página de contrapartidas de Outros Quinhentoso programa por meio do qual os leitores de Outras Palavras participam da sustentação autônoma do site – encontrará quatro ofertas. Gratuidade em eco-bolsas e camisetas, assinadas pela cartunista Laerte Coutinho e a fotógrafa Mariana Caldas. Gratuidade e descontos em livros das editoras N-1 e Perseu Abramo. Descontos nos doces surpreendentes produzidas pelo empreendimento social Mermeleia. Em breve, descontos nos cursos do programa Outros Saberes (aguarde detalhes, após o Carnaval) e nas formações (sobre Feminismo, Alternativas ao Sistema Prisional e Diversidade de Gênero) oferecidas pelo Instituto Innana. Mas apesar da variedade ainda limitada de propostas, o projeto é inovador e, em certa medida, ambicioso.

Lançado há pouco mais de um ano, Outros Quinhentos busca assegurar a continuidade do jornalismo produzido por Outras Palavras. Há três meses, o programa foi retomado, agora direcionado à sustentação do site em 2015. Queremos arrecadar até o final de março, junto a dezenas de milhares de pessoas que leem e consultam nossos textos (15 mil páginas lidas ao dia, em média, em 2014), R$ 160 mil. Estes recursos permitirão manter a equipe com que contamos no ano passado – e direcionar eventuais receitas suplementares para a expansão de nosso projeto editorial. Do total previsto, já arrecadamos 32% – R$ 52.220

Mas Outras Palavras quer ir além de sua própria sustentação autônoma. Outros Quinhentos foi criado para se converter, aos poucos, num canal alternativo de circulação de produções culturais independente e produtos da Economia Solidária. A proposta é substituir a lógica alienante da publicidade tradicional por relações de informação e reciprocidade. Funciona assim: Continuar lendo

“Ajuste fiscal”, vitória da oligarquia financeira

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Belluzzo polemiza: principal decisão de Dilma-II não foi técnica; se mantida, pode arruinar governo e futuro do lulismo

Por Antonio Martins

Em 31 de dezembro, a Rede Brasil Atual publicou excelente entrevista em que o repórter Eduardo Maretti dialoga com o economista Luiz Gozaga Belluzzo, sobre o “ajuste fiscal” iniciado pelo governo Dilma. O texto repercutiu muito menos que merecia, por motivos previsíveis. A mídia conservadora procura apresentar o “ajuste fiscal” como uma necessidade técnica – portanto, um tema que não pode ser submetido ao debate político. Parte dos defensores de Dilma torce para o mesmo. Assusta-se com as medidas já anunciadas ou em estudos – mas prefere vê-las como um recuo temporário, uma pausa incômoda e inesperada, porém necessária para cumprir, mais adiante, o governo de “Mais Mudanças” prometido pela presidente na campanha à reeleição. Belluzzo desmonta ambas hipóteses: por isso, vale examinar seus argumentos com atenção.

O “ajuste fiscal” não pode ser visto como “medida técnica” em especial porque… não funciona! — dispara o economista. Servindo-se de um exemplo de enorme atualidade, ele questiona: “Acham que devemos adotar as políticas que foram executadas na Europa e não deram certo – mas que aqui, vão funcionar. Estamos em Marte?”. Belluzzo refere-se aos programas que os europeus conhecem como de “austeridade”. Continuar lendo

Retratos de um governo acuado

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Quando presidente quiser deixar o “ajuste” recessivo, estará no final de seu mandato. Congresso não lhe dará ouvidos; mídia se encarregará de ridicularizá-la

Dois fatos ocorridos neste sábado expõem a cilada que Dilma, reeleita, armou muito cedo para si mesma, quando renunciou a aprofundar programa de mudanças

Por Antonio Martins

Como se previa, 2015 começou tenso e árido, no cenário brasileiro. As ruas do pós-reveillon ainda estão vazias e duas polêmicas já ocupam as manchetes dos jornais, noticiários de TV e sites de notícias. Ambas colocam o governo Dilma em situação delicada. Envolvem dois novos ministros: Nelson Barbosa, do Planejamento, e Ricardo Berzoini, das Comunicações.

Barbosa foi forçado a um recuo desgastante, depois de ouvir uma descompostura de Dilma. Ontem (2/1), ao tomar posse, ele acenara com a possibilidade de mudança – para pior – na fórmula de aumento do salário-mínimo. Foi lançada em 2008, como parte das medidas do governo Lula contra a crise econômica global. Garante tímida recuperação do valor real do salário. A cada 1º de janeiro, ele é reajustado por um percentual que soma a inflação registrada no anterior (medida pelo INPC) mais o aumento do PIB de dois anos atrás. Esta sistemática permitiu que, em 2014, o valor real suplantasse o de 1983, último ano do regime militar e equivalesse a mais que o dobro de 1995 (veja gráfico). Continuar lendo