São Paulo "amplia" Casa de Cultura

Nas palavras, prefeitura parece reconhecer importância da cultura periférica. Mas no mundo real, continua a tratá-la com desdém

A frase sábia segundo a qual a hipocrisia é um imposto que o vício paga à virtude parece materializar-se em novas atitudes da prefeitura paulistana diante da cultura periférica. Por fora, bela viola: O overno da cidade alardeia obras que supostamente atestariam seu compromisso com os novos criadores culturais. Mas por dentro… pão bolorento.

Em 11 de novembro, a subprefeitura de M’Boi Mirim, em São Paulo, divulgou através de seu site, a finalização da obra de implantação do teatro de arena na Casa Popular de Cultura de M’Boi Mirim. A nota destaca a qualidade, o conforto e toda a infraestrutura que o local necessita para funcionar: banheiro, arquibancada e boa iluminação. Entretanto a própria foto — de um galpão vazio — utilizada para ilustrar a matéria mostra a incoerência.

Os trabalhos foram iniciados no mês de fevereiro de 2011 e a conclusão estava prevista para maio. Entretanto, um congelamento de verbas retardou a finalização por alguns meses. Mesmo sem a conclusão dos serviços de hidráulica e iluminação do prédio, foi feito o anúncio oficial do término da obra. Mas falta terminar retoques, pinturas, o piso do palco e requalificação da cabine técnica, além da colocação da porta de entrada. Os banheiros construídos no interior do camarim coletivo, destinados ao uso exclusivo de artistas, não estão rematados, assim como as arquibancadas. O camarim e o banheiro terão claraboias que possibilitam a iluminação natural diurna, porém ainda não foram colocados, deixando um buraco aberto no teto.

Quanto à iluminação, as tomadas do prédio ainda não foram colocadas, não há nada além de blocos e estrutura de ferro. Mesmo o quadro de força, que distribui a energia, não foi posto, onde ele deveria estar só há um buraco. A iluminação citada na matéria não foi finalizada, o que está pronto é somente a luz básica para a plateia, mas a iluminação do teatro, que tem o conceito cênico: quatro varas paralelas com 24 refletores, set-Light, elipsoidal, spot, refletores pares e impares e suporte para datashow, nem se encontra no espaço.

Para a inauguração de fato é evidente que não basta concluir somente o prédio, configurando um salão multiuso como teatro arena, o projeto no mínimo deve atender e acatar o conceito técnico/artístico e a qualidade que se faz necessária: como arquibancadas, palco, sonorização/ iluminação cênica, telão de cinema, cortina de boca-de-cena e etc., respeitando os artistas e público, pois o mesmo além de atender a produção local de M’Boi, também receberá produções de outros locais da cidade e do país e para isso o teatro tem que no mínimo oferecer um espaço digno com a pertinente estrutura para suas necessidades.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *