Saúde Popular: as mídias livres avançam mais uma casa

 

Conhecidos por sua dedicação, médicos cubanos (na foto, Maricel Mejias) expuseram conservadorismo de parte dos colegas brasileiros. Fizeram escola: em 2015, 92% das 4.146 vagas ofertadas pelo Mais Médicos foram preenchidas por profissionais  brasileiros

Conhecidos por sua dedicação, médicos cubanos (na foto, Maricel Mejias) expuseram conservadorismo de parte dos colegas brasileiros. Mas fizeram escola: em 2015, 92% das 4.146 vagas ofertadas pelo programa Mais Médicos foram preenchidas por profissionais brasileiros

Nasce nesta terça-feira site que promete debater Saúde em profundidade — mas a partir de ponto de vista pós-mercado. Por trás da iniciativa, uma rede de médicos brasileiros contra o elitismo da profissão 

Em tempos difíceis, pequenos passos contam em dobro, por sinalizarem que a maré contrária pode ser revertida. Ontem, num jantar no Palácio do Planalto, o presidente do Senado, Renan Calheiros, propôs uma “Agenda Brasil” que inclui a mercantilização mais profunda do Sistema Único de Saúde (SUS). A presidente Dilma aplaudiu. Hoje, vem o troco. Está sendo lançado, num debate em São Paulo, o site Saúde Popular (www.saude-popular.org). É articulado pela Rede de Médicos e Médicas Populares, lançada há um mês, num congresso em Natal (RN). Propõe-se a abrir, com a sociedade, um debate complexo. Sustenta que o SUS, fruto de árdua luta social, nos anos 1970 e 80, expressa um avanço que não pode ser abandonado. Graças a ele, o Brasil viveu, por exemplo, um impressionante avanço na saúde preventiva, que fez a mortalidade despencar 70% nos últimos trinta anos. 

Mas o novo site não é maniqueísta. Ele reconhece que este mesmo SUS continua abrindo enorme espaço para a privatização da Saúde. Boa parte dos hospitais do sistema é privada. Oferece à população serviços precários, abocanha verbas polpudas. O Estado continua subsidiando, por meio de benefícios fiscais, empresas bilionárias, que oferecem “planos” e “seguros” caros e ineficientes. A construção da Saúde Pública é uma luta a ser retomada.

A aparição de Saúde Popular indica: algo está se movendo, neste cenário. As cenas de jovens doutores brancos vaiando seus colegas cubanos que chegavam para o “Mais Médicos” já não servem de paradigma quase único. No início de julho, durante o Congresso Brasileiro de Médicos de Família, em Natal, foi lançada a Rede de Médicos e Médicas Populares. É em torno dela que se constrói o novo espaço de informação e debate. Ele é diverso. Reúne artigos, entrevistas e notícias. Republica matérias produzidas por outros sites, funcionando como poderoso agregador de textos ligados ao tema que debate. Traz pérolas, às vezes. Entre elas, “Um retrato da desigualdade médica no Brasil”. Redigido por Bruna Silveira, uma das integrantes da Rede de Médicos e Médicas Populares, foi reproduzido com satisfação por Outras Palavras.

Este site sente-se, aliás, enriquecido por ter firmado parceria editorial com Saúde Popular e por ajudar a difundir, a partir de hoje, parte de seu conteúdo.

 

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2 comentários para "Saúde Popular: as mídias livres avançam mais uma casa"

  1. Laura disse:

    Algo acontece em Natal, RN e no Nordeste. Iniciativas pioneiras começam aqui. Sou sudestina no Nordeste nas levas de doutores nas federais, Dou aula na UFRN e fico muito contente com isso. Aliás, fui contra de cara a essa “privatização branca” do SUS proposta pela Agenda Brasil .
    Que bom! A médica de Caicó que fala com orgulho por ter entrado na universidade e por uma medicina familiar também é da UFRN.
    Interessante!

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