“Outros Quinhentos” convida: Ela volta na quinta

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Filme incomum de André Novais pode ser assistido grátis, a partir de hoje, em cinco cidades. Programa de sustentação autônoma de “Outras Palavras” retoma parceria com Vitrine Filmes, distribuidora notável

ELA VOLTA NA QUINTA

> Hoje (24/2), às 19h, em Cine debate na sede de Outras Palavras, grátis:

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – São Paulo (mapa) – Metrô S.Joaquim ou Brigadeiro

> A partir de 25/2, em SP, Rio, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre e Aracaju:

Para participar do sorteio de 25 pares de ingresso, clique aqui

O esforço de Outras Palavras para criar um canal alternativo para circulação de produtos culturais e da Economia Solidária avançou mais um passo. Temos a satisfação de convidar os leitores para uma pré-estreia de Ela Volta na Quinta, hoje, em nossa sede em São Paulo. Também distribuiremos, por sorteio, cinquenta ingressos do filme de André Novais, que será exibido a partir de amanhã, em SP, Rio Fortaleza, Belo aHorizonte, Porto Alegre e Aracaju. Para participar, basta clicar aqui, até as 12h de quinta-feira, 25/2 (é preciso ser membro do programa de sustentação autônoma do site).

As ações retomam nossa parceria com a Vitrine Filmes, distribuidora de importantes longas-metragens do cinema nacional como O Som ao Redor (de Kleber Mendonça Filho), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (de Daniel Ribeiro) e Branco Sai, Preto Fica (de Adirley Queirós) — este também exibido em Outras Palavras, no começo de 2015.

Hoje, além do filme, haverá debate. Participarão o diretor, André Novais; o produtor, Thiago Macêdo; e dois ativistas intensamente ligados às periferias das metrópoles brasileiras — o professor e blogueiro Douglas Belchior (do movimento de cursinhos comunitários) e o professor Sílvio de Almeida, presidente do Instituto Luís Gama.

Ganhador de diversos prêmios (como de Melhor Filme no X Panorama Coisa de Cinema – Salvador e Melhor Filme na VII Semana dos Realizadores – Rio de Janeiro), Ela volta na quinta retrata uma família de negros, cujos pais estão em uma crise no relacionamento. Em suas sequências, mais longas do que estamos acostumados a assistir no cinema, fatos muito cotidianos: irmãos assistindo a vídeos engraçados no YouTube; o pai, em seu serviço, fazendo uma entrega de geladeira…

Além disso, os personagens são encenados por “eles mesmos”, não-atores. Dona Maria e seu Norberto — que têm os mesmos nomes no filme — são os pais do diretor, Renato é seu irmão, e André também estrela personagem que poderia ser ele próprio. Os diálogos chegam a ser tão reais que causam estranhamento por estarem na tela grande. A partir dessa informação, muitas perguntas aparecem: essa é a vida real da família do diretor? Seus pais passaram mesmo por uma crise conjulgal? A relação da família é parecida com a retratada na tela? O filme é um documentário ou ficção?

Ela Volta na Quinta também chama atenção por mostrar algo muito pouco visto nas telas do cinema brasileiro: a vida de pessoas pobres, da periferia, para além da violência. O filme retrata fatos corriqueiros de uma família de Contagem, em Minas Gerais, de maneira muito real e pouco romantizada. Ao assistir a essas pessoas, nos deparamos com um fato escandaloso: quantas outras vezes entramos em contato, no audiovisual, com o dia-a-dia de pessoas não-ricas, não-brancas? Mesmo tocante, o filme não levanta bandeiras. Pelo contrário: é silencioso e poético.

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