Jornadas de Junho: três anos da grande repressão

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Colaborador de “Outras Palavras” lança, hoje, livro sobre movimento que sacudiu país. Seu texto, um “manifesto narrativo”, parte da história do fotógrafo Sérgio Silva — que perdeu olho ao ser atingido por bala de borracha da PM

13 de Junho: 3 anos depois: Resistimos

O quê: Ato político-cultural e lançamento de Memória Ocular.

Três anos da repressão mais violenta às jornadas de junho de 2013. Três anos desde que o fotógrafo Sérgio Silva perdeu o olho esquerdo após ser atingido por bala de borracha.

Em 13 de junho de 2016, às 19h

Esquina da Rua da Consolação com Rua Maria Antonia, centro de São Paulo

Que mais: Microfone aberto, sarau, projeções, cerveja e livro a preço de custo

Facebook: https://www.facebook.com/events/647095235440527/

“A violência do Estado marca pra sempre: recordá-la não é olhar para o passado, mas para o futuro: falar sobre ela não é remoer o que já ocorreu, mas alertar sobre o que ainda pode acontecer — sobretudo na vida das vítimas”, considera Tadeu Breda, autor dos textos que compõem o livro Memória Ocular. A publicação traz ainda ilustrações de cinco desenhistas paulistanos.

O livro — um “manifesto narrativo”, segundo o autor — acompanha três fases da vida do fotógrafo Sérgio Silva depois de ter sido atingido por uma das 506 balas de borracha disparadas pela Polícia Militar em 13 de junho de 2013. São três textos, cada um escrito em um dos três anos que transcorreram desde o dia em que o rapaz teve o olho esquerdo destruído.

Sérgio Silva não foi o único ferido no dia mais violento da repressão às jornadas de junho. Mais de 150 pessoas foram atingidas pela brutalidade policial. Outras 200 foram detidas. A violência do Estado foi condenada pelo conjunto da sociedade — mesmo pelos grandes meios de comunicação que, até então, chancelavam e estimulavam a brutalidade da PM. A opinião pública virou a favor dos manifestantes, e os protestos se espalharam pelo país, atingindo mais de 120 cidades.

memoria_ocular_sergio_3dInfelizmente, porém, os protestos foram desvirtuados em suas reivindicações iniciais. A partir de então, as grandes manifestações de rua foram usadas para impulsionar retrocessos, como o impeachment. Desde então, os sentidos e o legado das jornadas de junho estão em disputa. No meio dessa batalha, as vítimas do Estado acabam esquecidas. E suas feridas continuam expostas.

O principal objetivo de Memória Ocular é relembrar as cicatrizes abertas pela repressão policial — não só em junho de 2013, mas em protestos que ocorreram antes e também nos que vêm ocorrendo desde então. A violencia policial não arrefeceu. Pelo contrário, intensificou-se. “A PM foi mais violenta contra o protesto do Passe Livre em janeiro de 2016 do que naquela manifestação em que perdi o olho”, afirma Sérgio Silva. Além disso, a repressão politizou-se explicitamente: a polícia passou a tratar as manifestações de maneira distinta, dependendo de suas bandeiras.

“A ideia foi contar em profundidade a história de uma única vítima do Estado, na intenção de que, assim, fosse possível retratar a extensão da agressão policial na vida da vítima e de seu entorno afetivo e familiar”, explica o autor, lembrando que as vítimas da PM não são uma mera estatística. “É como diz uma das personagens do livro: a violência do Estado não deixa apenas lesões no corpo: ela machuca na alma. E as consequências desses ferimentos se prolongam pelo resto da vida.”

Memória Ocular

Autor: Tadeu Breda

Ilustrações: Breno Ferreira, Carolina Ito, Mateus Acioli, Vitor Flynn e João Ricardo Moreira

Projeto gráfico: Denise Matsumoto

Editora Elefante

Impressão em risografia: Meli Melo Press

 

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