Futebol feminino: proibição e insurgência

Em evento que começa hoje, debates sobre a história do esporte que vetou a presença de mulheres por mais de 40 anos no Brasil. Como costurou-se a resistência e a luta pela igualdade — que ainda tarda a ser conquistada

18/04/1976. Lance de partida entre as equipe do A. A. Corinthians B. R. e G. E. Black Power de futebol feminino realizado em campo de várzea da cidade de São Paulo. Crédito: Sidney Corrallo/Estadão

MAIS
Ciclo de debates no Museu do Futebol
Mesa inaugural: Memória da Mulher no Esporte
30 de março, das 17h às 19h
Mais 5 mesas realizadas às terças-feiras até 27 de abril
Transmissão pelo Facebook e YouTube do Museu do Futebol
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Programação completa abaixo

Por Inês Castilho

O ano de 2021 marca a memória de um fato fundamental na história das mulheres brasileiras. Em 14 de abril de 1941, o Conselho Nacional de Desportos baixava o Decreto-Lei nº 3.199 proibindo as mulheres de jogar futebol, impedimento que permaneceria por mais de 40 anos, até 1983, quando a modalidade foi finalmente regulamentada. Proibia também a prática de outros “desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”: qualquer tipo de luta, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rugby, halterofilismo e baseball.

É em homenagem às atletas que enfrentaram quatro décadas de proibição – e às novas gerações, que ainda se deparam com diferentes formas de discriminação – que o Museu do Futebol organizou o ciclo de debates “Proibidas e Insurgentes: Os 80 anos da lei que vetou mulheres no esporte – Lutas, conquistas e reflexões para o futuro”. Nele, pesquisadoras dedicadas ao estudo de gênero no esporte, atletas e ex-atletas vão discutir as razões pelas quais o conceito cultural de gênero ainda impacta a vida das mulheres, dentro e fora do esporte.

“A principal ideia do evento é mostrar que, apesar de ter sido proibido às mulheres por mais de 40 anos, elas nunca deixaram de praticar esportes. Ao contrário, criaram estratégias para burlar a lei e continuar a cultivá-los. Se elas estão no esporte hoje é mérito delas, por uma luta cotidiana. É a isso que se deve a inserção de novas modalidades nos Jogos Olímpicos, como o skate e o surf. Não é concessão, é luta”, ressalta a pesquisadora Silvana Goellner, uma das curadoras do ciclo ao lado da jornalista Lu Castro. “O evento busca mostrar a voz das mulheres, que ainda hoje lutam por reconhecimento. Por isso incluímos várias modalidades e várias gerações.”


PROGRAMAÇÃO

Mesa inaugural – 30.03

Resgate da memória de atletas inviabilizadas
Silvana Goellner
, professora titular da UFRGS

Apagamento: histórias da periferia e da várzea
Mariane Pisani
, professora na UFT

Registros pós-proibição, resgate do futebol de mulheres a partir da convivência com atletas e história oral
Enny Moraes
, professora-adjunta da UNEB

Outros esportes
Kátia Rúbio
, professora associada da USP.

Ludmila Mourão, professora da UFJF, mediação

Mesa 1 – 06.04
Proibidas: Tempos de proibição no contexto da ditadura militar
Regiani Ritter, jornalista esportiva
Dilma Mendes, ex-jogadora
Aída dos Santos, ex-atleta
Helena Altman, professora na Faculdade de Educação Física da Unicamp, mediação
Maíra Liguori, ONG Thnk Olga, participação especial

Mesa 2 – 13.04
Insurgentes: cerceadas, mas nunca caladas
Joanna Maranhão, ex-atleta da natação
Soraia André, ex-atleta do judô
Vanessa Pereira, ex-atleta do futsal
Patrícia Medrado, ex-tenista, Grupo Mulheres do Brasil, participação especial
Diana Mendes, coordenadora do CRFB do Museu do Futebol, mediação

Mesa 3 – 20.04
Apagadas: O desempenho esportivo acima da questão estética
Edinanci Silva, ex-judoca medalhista
Alessandra, ex-atleta do basquete
Yane Marques, ex-atleta do pentatlo
Joanna Burigo, fundadora da Casa da Mãe Joanna e mestre em Gênero, Mídia e Cultura, mediação
ONU Mulheres, participação especial

Mesa 4 – 27.04
Inseridas: A inclusão de surf, skate e rugby 7 nos Jogos Olímpicos
Tita Tavares, ex-atleta do surf
Tat Marques, ex-atleta do skate
Isadora Cerullo, atleta da seleção de rugby 7
Erica Prado, surfista, apresentadora do canal Woohoo, mediação
Esporte pela Democracia, participação especial

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