Em SP, uma rede contra o extermínio nas periferias

No Jardim ngela, diversas entidades e coletivos lançam, em 12/10, a Campanha Vida Viva. Por meio de atos em todo o Brasil, visam conectar a luta das quebradas e exigem outra política de segurança pública e o fim do genocídio da juventude negra

Lançamento da Campanha Vida Viva
12 de outubro, às 10h, na Paróquia Santos Mártires, no Jardim Ângela. R. Luís Baldinato, 9 – altura do nº 4.100 da Estrada M´Boi Mirim
Aberta ao público. Mais informações: (11) 98361-9928

Em 1996, o Jardim Ângela, localizado na zona sul de São Paulo, foi apontado em um estudo da ONU como o bairro mais violento do mundo. No ano seguinte, a paróquia Santos Mártires e o Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo começaram a mobilizar a população local – a maior parte formada por famílias de migrantes das zonas rurais do Norte e Nordeste – para uma caminhada em defesa da vida, realizada no dia de Finados.

Mães e familiares que perderam seus filhos de forma violenta marcharam pelo bairro. No decorrer do ano, criaram o Fórum em Defesa da Vida, onde discutiam políticas públicas em defesa da vida. Nesse processo de luta, o Jardim Ângela conseguiu levar para o bairro um hospital, um Centro de Atenção Psicossocial, melhorando as políticas de educação, saúde, assistência social e policiamento comunitário.

A caminhada pela vida e as lutas do bairro se tornaram um marco histórico entre os movimentos da sociedade civil em São Paulo. A capital paulista e o Jardim Ângela diminuíram as taxas de violência em mais de 70%.

No dia 2 de novembro, junto com a Paróquia Santos Mártires e com o Fórum em Defesa da Vida, diversos grupos da sociedade civil vão se unir com as lutas que ocorrem em outras periferias brasileiras e promover atos em todo o Brasil.

O objetivo é ampliar a pressão por políticas que promovam a vida e barrar a iniciativa das autoridades que enxergam a morte como solução, por meio de discursos de apologia ao extermínio, de projetos que flexibilizam o porte de armas e da impunidade à violência policial.

Caminhadas, saraus, slams, grafites, teatro, esportes, entre outras atividades, serão realizadas e fotografadas, filmadas e compartilhadas nas redes. Como continuação ao ato, o movimento vai criar uma rede de coletivos para discutir políticas públicas em defesa da vida que deram certo em diversas periferias brasileiras e para debater formas de pressionar o poder público para implementá-las em outras localidades.

No próximo sábado, dia 12 de outubro, vamos unir nossas forças para lançar essa grande campanha em defesa da vida!

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