Edmilson Costa: "depositar esperanças numa volta de Lula é um erro grave"

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“A aposta deve ser feita na luta de massas, na mudança da correlação de forças, na derrubada do governo, com a colocação dos corruptos na cadeia”

Por Edmilson Costa*

Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

A Justiça no Brasil tem lado e, na grande maioria das vezes, esteve ao lado dos poderosos. No caso específico de Curitiba, entendemos que o juiz Sergio Moro age de forma parcial. Enquanto o Michel Temer, grande parte de seus ministros e parcela expressiva da Câmara e do Senado, estão envolvidos com a corrupção, o juiz monta esse espetáculo midiático como se Lula fosse o único responsável pela corrupção no Brasil. Por que não realiza o mesmo espetáculo com Aécio Neves, os ministros de Temer e os parlamentares corruptos? Para os amigos a justiça, para os inimigos, a lei.

Vivemos uma das mais graves crises de nossa história. Combina uma das maiores recessões desde a década de 30, uma crise social com mais de 14 milhões de desempregados, uma crise política profunda, o fim de um longo ciclo que se iniciou em 1978, com a greve da Scania, e fechou com o impeachment e a abertura de um novo ciclo que se iniciou embrionariamente com as jornadas de junho de 2013. O fim desse ciclo marcou também a derrota da política de conciliação de classes e a emergência de um governo puro sangue da burguesia e do imperialismo, que vem realizando um brutal ataque contra os trabalhadores, a juventude e o povo pobre dos bairros. Em contrapartida, há um enorme descontentamento e indignação na grande maioria da população contra esse governo, que se manifesta nas ruas, estádios de futebol, shows artísticos e que se condensou na greve geral de 28 de abril. Portanto, há um processo de lutas sociais em marcha e o centro de nossos esforços deverá continuar no sentido da organização e mobilização dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre dos bairros, até a queda do governo usurpador. Isso significar ampliar as lutas nas ruas, nos locais de trabalho, moradia e estudo. O resultado das lutas que realizarmos em 2017 terá um papel fundamental no futuro do País. Portanto, depositar esperanças nas eleições de 2018 ou numa volta de Lula à presidência é um erro grave. Os 13 anos de governo petistas já nos ensinaram o que não devemos repetir. Um eventual governo Lula seria ainda pior que o realizado no passado, com mais frustrações para os trabalhadores e a juventude. A aposta deve ser feita na luta de massas, na mudança da correlação de forças, na derrubada do governo, com a colocação dos corruptos na cadeia, confisco de seus bens e a conquista de um governo que baseado nos interesses populares.

*Economista, professor universitário e secretário geral do PCB

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3 comentários para "Edmilson Costa: "depositar esperanças numa volta de Lula é um erro grave""

  1. Arnaldo Azevedo Marques disse:

    A corrupção endêmica neste Brasil do sistema político chamado presidencialismo de coalizão é uma tipologia generalizada de crime. A lambuzação com o “puder”. Assim não é um perfil que se pode atribuir a este ou aquele partido político. Herança cultural das capitanias hereditárias. A esquerda na America Latina na verdade esconde uma tendência ao caudilhismo. Ler: “O socialismo do século XXI”. Marco Aurélio Garcia,

  2. Volnei Batista de Carvalho disse:

    “Vivemos uma das mais graves crises de nossa história. Combina uma das maiores recessões desde a década de 30, uma crise social com mais de 14 milhões de desempregados, uma crise política profunda, o fim de um longo ciclo que se iniciou em 1978, com a greve da Scania, e fechou com o impeachment e a abertura de um novo ciclo que se iniciou embrionariamente com as jornadas de junho de 2013.”; a se construir na plataforma democrática (a vontade direta expressa pelo povo) e que aproveite a institucionalidade posta (o Orden. Júridico parcialmente esculpído pela CF/99), desarmando a execrável legislação partidária-eleitoral vigente e purificando o processo segundo a vontade popular, com isto criando uma norma eleitoral encaixável no modelo de base de autêntica Democrácia, somente com eleições gerais com candidaturas livres e com poder constituinte revisional (previsto na CF/88 a partir de seus princípios pétreos). É momento pré revolucionário para que a nação, que descrê, desconfia de todos os partidos e seus líderes políticos, ilegitima o governo e o Estado, decida entre todos cidadão em condições de igualdade com o democrático exercício da expressão de vontade e voto, votar e ser eleito, propondo-se a governar ou escolher quem haverá de governar. Evidente que para que haja eleições gerais necessário que se construa um projeto normativo, de reengenharia técnica política e de participação dos cidadãos na base democrática, tarefa à intelligentsia brasileira e que exige à arquitetura normativa o plebscito -> eleições gerais -> referendo. A norma eleitoral democrática é ampla em disciplinamento, desde o Judiciário (Eleitoral) com sua urna eletrônica até a isonomia do eventual universo de candidatos. Tarefa nada fácil; tarefa da intelligentsia nacional democrática (espelhada no conceito de que Democracia é o governo do povo, pelo povo para o povo e com o povo em geral. Todos. Na Democracia todas as ideias são conhecidas, debatidas e excluídas da plataforma democrática, ou seja, diminuindo algumas ou até anulando outras por predominância do consenso (harbemasiano) Ademais, a se ver uma sociedade dividida em minorias (Junho 2013 e os mais de 1/3 de votos de protesto; igual se dando em todos os demais países, v.g., na França, recentemente). Enfim, (…) A proposta inconsciente e inconsequente ou a falta de especificidade do grito de eleições diretas (já), simplesmente, e sem anulação das regras postas, pode servir aos propósitos de legitimação do status quo, o que cedo ou tarde conduzirá a nação à 2a. via, o conflito violento de classes ou ao completo subjulgo da sociedade. Portanto, ao pensar e agir como conquista ou costrução primeiro da base democrática..

  3. Roberta disse:

    “Por que não realiza o mesmo espetáculo com Aécio Neves, os ministros de Temer e os parlamentares corruptos? Para os amigos a justiça, para os inimigos, a lei.”
    Concordo com várias das suas colocações. Mas essa colocação​ é muito infeliz, na medida em que tais pessoas só podem ser julgadas pelo STF. A justiça federal NÃO pode julgar essas pessoas, pois possuem foro privilegiado. Logicamente então, não se pode fazer essa comparação!

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