Debate: a fotografia como olhar político

Que dizer de um tempo em que as imagens difundem pelo mundo a emoção das lutas e protestos — e em que os fotógrafos são alvejados pelas balas da polícia?

Por Tadeu Breda

A fotografia como olhar político

Debate com Luiz Baltar, Sérgio Silva e Verena Glass

No Ateliê do Gervásio. Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga, São Paulo

Quinta-feira, 21 de julho, às 19h30

Grátis!

No dia 21 de julho, o Ateliê do Gervásio – espaço que abriga Outras Palavras e outras iniciativas de mídia independente de São Paulo – será palco de um debate sobre a fotografia como olhar político. Na ocasião, a Editora Elefante e a Fundação Rosa Luxemburgo organizam lançarão dois livros – Cidade em jogo e Memória Ocular – que se encontram em temas como fotografia, manifestações públicas e violência de Estado. O bate-papo será conduzido por dois fotógrafos — Luiz Baltar e Sérgio Silva e moderdo por Verena Glass.

A imagem é hoje uma grande parceira de movimentos sociais e mobilizações. Numa época em que fotos se espalham na velocidade de curtidas e compartilhamentos, fotografar é também transmitir reivindicações com a urgência de cada emoção envolvida e alcançar lugares distantes. Cidade em jogo retrata parte do “legado” deixado pela Copa do Mundo: os escombros causados pelas remoções e pessoas resistindo à gentrificação patrocinada pelo Estado em nome de uma “oportunidade histórica” de desenvolvimento – que não veio. “Cidade em jogo” traz fotografias de AF Rodrigues, Elisângela Leite, Kátia Carvalho, Luiz Baltar, Rosilene Miliotti e Thiago Diniz, com texto de Dante Gastaldoni. A organização é de Laura Burzywoda, Leonie Heine e Moritz Heinrich, do Grupo OXIS. O livro é bilíngue, em alemão e português.

Memória Ocular, de Tadeu Breda, conta a história do fotógrafo Sérgio Silva, que perdeu o olho esquerdo após ter sido atingido por uma bala de borracha da Polícia Militar de São Paulo enquanto cobria as jornadas de junho de 2013. “Quis fotografar a tropa de choque em posição de ataque exatamente na esquina oposta, atirando para todos os lados. Fiz três fotos num só clique. Quando tirei a câmera do olho, senti o impacto”, conta o profissional.

O livro acompanha três momentos de sua recuperação – três anos – na tentativa de compreender como a violência de Estado se perpetua na vida da vítima, em seu entorno familiar e na sociedade. A trama pessoal acompanha a vida política brasileira, com destaque para as dificuldades que as vítimas do Estado enfrentam ao buscar reparação pela violência que sofreram. Sérgio cunhou a frase “bala de borracha cega, mas não cala”, e segue fotografando, denunciando.

 

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