Como a China tentará superar Hollywood

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Lançamento do novo projeto chinês: presenças de Leonardo de Caprio, Nicole Kidman e Catherine Zeta-Jones

Com megalomaníaca Metrópole Cinematográfica de Qingdao, bilionário chinês quer tornar seu país líder em mais uma indústria: a do cinema-entretenimento

Por Gabriela Leite

A empresa do homem mais rico da China, Wang Jianling, lançou no domingo um projeto audacioso: construir o maior complexo de estúdios de cinema do mundo. Foi por isso que, nesse dia, nem todos os atores hollywoodianos caminhavam pelo tapete vermelho do Emmy Awards, que premia os melhores da televisão norte-americana. Alguns dos artistas mais famosos da indústria de entretenimento, como Leonardo DiCaprio e Nicole Kidman, eram fotografados do outro lado do mundo: no lançamento oficial da Metrópole Cinematográfica Oriental de Qingdao — uma cidade litorânea, no leste do país.

O projeto é construir um complexo que reúna diversos estúdios cinematográficos, aos moldes de Hollywood. Mas dá um passo adiante, ainda que de gosto duvidoso: à moda da Disney, também serão erguidos um grande parque temático e oito resorts, para inserir o local no turismo do cinema. Tudo isso numa área de 376 hectares (quase 4 km²), a ser aberto em 2017.

A atriz Nicole Kidman na Metrópole Cinematográfica Oriental de Qingdao

A atriz Nicole Kidman na Metrópole Cinematográfica Oriental de Qingdao

Alguns detalhes mostram a enormidade do que pretende-se construir: a Metrópole contará com um estúdio subaquático, o maior museu de filmes do país, um grande museu de cera, um laboratório de pesquisa Imax, salas de cinema para 3 mil pessoas, a primeira montanha russa de alta velocidade “personalizada”, um cinema 3D interativo, um shopping gigante e até um clube de iates. O preço: entre 4,9 e 8,2 bilhões de dólares.

Denominada Dalian Wanda Group, a empresa de Jianling é um pequeno império. Possui, em toda a China, 71 prédios comerciais, 38 hotéis de luxo, 57 lojas de departamento, 63 karaokês e 6 mil salas de cinema. No ano passado, comprou a rede de cinemas norte-americana AMC, a segunda maior do país (à frente, inclusive, do Cinemark), por 2,6 bilhões de dólares.

O empreendedor espera que a Metrópole Cinematográfica Oriental de Qingdao supere Hollywood. Apoia-se, para isso, em números impressionantes: a arrecadação das salas de cinema chinesas deve ultrapassar a dos EUA em 2018, e tornar-se duas vezes maior em 2023. Com base neste imenso mercado, Jianling quer abraçar o mundo. Ao invés de se opor frontalmente ao cinema norte-americano, procura seduzi-lo. Já conta com a ajuda de entidades norte-americanas importantes, na indústria cinematográfica. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS, em inglês), organização que cuida do Oscar, deu seu apoio à nova empreitada chinesa. Ambas vão juntar esforços para organizar o Festival Internacional de Qingdao, cuja primeira edição deve ocorrer em 2016 (espera-se que seja um dos festivais mais importantes até 2020). Apenas como curiosidade: é a primeira vez que a Academia apoia um evento deste tipo fora dos EUA em 86 anos.

A propriedade da terra, na China, é do governo — que precisa aprovar a concessão para novas indústrias. Até alguns anos atrás, a maneira mais fácil de conseguir um lote em uma área urbana era construindo uma montadora de automóveis. Mas, ao que parece, Jianling conquistou o apoio dos oficiais de Qingdao — onde os terrenos costumam ser extremamente disputados. A construção da futura Metrópole Cinematográfica sugere que o governo chinês parece estar mudando de rumos, agora interessado nas indústrias do entretenimento e da cultura. Coisa que, sabe-se, costumava ser especialidade norte-americana — também como forma de dominação.

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Um comentario para "Como a China tentará superar Hollywood"

  1. Claudio disse:

    De todos os brics o Brasil e o único que está indo do terceiro para o quarto mundo

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