Caminhoneiros: rumo a nova greve?

A Petrobras e o governo já fizeram sua parte para provocar uma nova paralisação do país. Agora, falta apenas uma oscilação mais forte nos preços internacionais do petróleo

É possível uma nova greve de caminhoneiros, como a que sacudiu o país em maio de 2018? Uma análise do economista Rodrigo Leão, publicada no site do Ineep, mostra que não estamos longe. Por três motivos: a) no início deste ano, encerrou-se a política de subsídios ao diesel, concedidos pelo governo Temer em caráter emergencial há onze meses, para encerrar a greve; b) sob direção de seu atual presidente, Roberto Castello Branco, a Petrobras retomou as políticas que provocaram a disparada de preços, no primeiro semestre do ano passado: o estímulo à importação de diesel (que deixa ociosas as refinarias da própria estatal) e a oscilação diária de preços (para atender “exigências” dos acionistas privados da empresa); c) sequiosos para amenizar de qualquer forma suas próprias crises financeiras, os governadores estão elevando o “preço de referência” do combustível, que é a base para cálculo do ICMS.

Os preços só não dispararam ainda, explica Leão, devido a uma conjuntura internacional muito favorável: o barril de petróleo, em reais, caiu quase 30%, no início deste ano. Qualquer alta relevante acenderá o pavio – sem contar os enormes prejuízo da Petrobras. Vítima das políticas do governo, ela perde receitas no presente, e alimenta a concorrência no futuro.

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