A China experimenta o poder das novas mídias

Afastamento de líder popular incentiva uso de plataformas alternativas à imprensa chapa-branca. Estado tenta manter controle, mas sabe que não deterá internet

Por Antonio Martins

Milhões de chineses receberam ontem (24/4) uma mensagem incomum, quando abriram as páginas do Sina Weibo [visitar (experimente traduzir com Google) | ler verbete na Wikipedia], uma plataforma de microblogs similar ao Twitter ou Facebook. “Elementos criminosos usaram recentemente o Weibo para criar e difundir online rumores políticos malévolos, produzindo efeitos terríveis na sociedade, dizia o texto. Informava que os implicados haviam sido excluídos da rede e “submetidos aos órgãos de segurança, de acordo com a lei”. E advertia: “Não espalhe rumores, não acredite em rumores, denuncie rapidamente os rumores”. O ocorrido é um pequeno retrato de uma das grandes tendências culturais e políticas, no país mais populoso e segunda maior economia do mundo. Há meses, os microblogs e outras formas de mídia participativa tornaram-se muito populares. O regime, centralizador por natureza, incomoda-se e reage — mas até certo ponto. Sabe que não pode conter a tendência, tenta conviver com ela.

A mensagem nervosa de ontem tem a ver com a enorme repercussão alcançada, nas novas mídias, pelo afastamento de Bo Xilai, um alto dirigente do Partido Comunista [leia a história e seu contexto, em Outras Palavras]. A imprensa oficial mantêm-se extramamente lacônica: limitou-se a comunicar a demissão, numa nota da Agência Xinhua. O próprio Bo está silencioso. Mas, polêmico e midiático, sua ausência desencadeou, nas novas mídias, uma espécie de investigação paralela. Desde o início do episódio, informações não encontradas nos jornais estatais foram postadas no Sina Weibo e (em muito menor escala) no Boxun, um site que publica notícias anônimas e é voltado para a China, porém sediado nos EUA.

A difusão do Sina Weibo pode ser considerada um fenômeno mundial. Oferecida num único país, a plataforma tem 300 milhões de usuários — um terço do Facebook e o dobro do Twitter. Ouvido pelo Wall Street Journal, Qiao Mu, diretor do Centro de Estudos de Comunicação Internacional na Universidade de Beijing explicou que o fenômeno é (como no Ocidente) principalmente sociológico. “O efeito mais importante é a decentralização. Antes, tudo era decidido pelo governo: o que é notícia, quem fica famoso. Agora, qualquer um pode ficar. Não é preciso autorização oficial. E todo mundo pode postar notícias”.

No caso do afastamento de Bo Xilai, houve abusos. Li Delin, um jornalista experiente postou, em 19 de março, boatos de golpe de estado em Beijing. A notícia, falsa, causou intranquilidade, num país de informação controlada. Delin foi excluído da net e preso. Mas, reconhece o WSJ, a própria mídia oficial tem procurado avançar. Publicações e agências oficiais têm feito mais reportagens independentes e… também estão montando suas próprias plataformas de colaboração na internet.

Nesse aspecto, o fenômeno parece muito similar ao do Ocidente. O oligopólio que controlava a comunicação (seja estatal ou privado) sente-se acuado. Seu desejo é investir contra o compartilhamento e recuperar o antigo poder monopolista (vide a tentativa de impor leis de controle da internet em quase todos os países “democráticos”). Porém, inseguro, o oligopólio também busca estabelecer-se no novo espaço — o que contribui para legitimá-lo…

A disputa está apenas começando. Seu resultado será, tudo indica, crucial para definir o próprio sentido do século 21: se será um período de grande avanço da autonomia e liberdade ou verá concretizar-se o pesadelo das “sociedades de controle”.

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4 comentários para "A China experimenta o poder das novas mídias"

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