Egito: a ditadura não tolera denúncias

General Abdel-Fattah al-Sisi, presidente do Egito

Há um mês, eleição fajuta. Agora, perseguição aos jornalistas que a relataram. Pobre Primavera Árabe

Por Antonio Martins

Reeleito por mais de 90% há cerca de um mês, num pleito sem oposição real e sem liberdade, o presidente do Egito, Abdel-Fattah al-Sisi, decidiu manter a perseguição à imprensa. Ontem, começou o julgamento sumário de nove jornalistas acusados de fazer relatos “tendenciosos” sobre as eleições. Eles escreveram, por exemplo, que os partidários de Sisi e empresários que o apoiam subornaram abertamente os eleitores em muitas seções eleitorais, oferecendo prêmios em dinheiro para o alto comparecimento às urnas, ou para percentuais de voto especialmente favoráveis ao governante.

General durante a ditadura do ex-presidente Hosni Mubarack, Sisi chegou ao poder em 2014, quando o exército depôs seu antecessor, Mohamed Morsi, eleito diretamente. A ditadura egípcia é resultado direto da derrota da Primavera Árabe.

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