Paulo Motoryn: Junho é a única saída

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“Feminismo, periferia e movimento negro devem reinventar a luta social no Brasil. É inadmissível que as direções de movimentos sociais e partidos ainda sejam compostas quase sempre apenas por homens, brancos, heterossexuais e ricos”

Por Paulo Motoryn


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

É preciso entender os retrocessos e a perda de direitos que estamos submetidos, mas é ainda mais importante reconhecer um novo ciclo de lutas que eclodiu em junho de 2013 e constituiu a única saída possível para o atual momento político. Dar a devida importância às Jornadas de Junho é fundamental para compreender as ocupações de escolas em todo o Brasil 2015 e 2016, o movimento feminista e seus levantes cada vez mais potentes e o surgimento de inúmeros coletivos auto-organizados de arte e mídia do centro às periferias.

Não se tratam de “novos sujeitos”, como certos acadêmicos tentam rotular. São lutas históricas, mas que agora ganham novas estratégias: se apropriam das novas tecnologias de comunicação, apostam em uma interessante disputa de valores estéticos e se organizam de forma menos vertical e autoritária que os partidos e movimentos sociais da esquerda tradicional. É necessário que essas experiências reinventem a luta social no Brasil.

É também inadmissível que as direções de movimentos sociais e partidos políticos ainda sejam compostas quase sempre apenas por homens, brancos, heterossexuais e ricos. E não estou falando aqui de uma questão simplesmente identitária, é muito maior que isso: é sobre o impacto dessa falta de representatividade nas pautas que disputamos, diminuindo a importância dos novos ativismos e suas potências, da tecnologia e de sua disruptividade, da arte e seu poder, da necessidade de gritarmos: liberdade para Rafael Braga!


Paulo Motoryn e educador e jornalista na revista “Vaidapé”

TEXTO-FIM

Uma ideia sobre “Paulo Motoryn: Junho é a única saída

  1. “…ainda mais importante reconhecer um novo ciclo de lutas que eclodiu em junho de 2013 e constituiu a única saída possível para o atual momento político”; a se construir na plataforma democrática (a vontade direta expressa pelo povo) e que aproveite a institucionalidade posta (o Orden. Júridico parcialmente esculpído pela CF/99), desarmando a execrável legislação partidária-eleitoral vigente e purificando o processo segundo a vontade popular, com isto criando uma norma eleitoral encaixável no modelo de base de autêntica Democrácia, somente com eleições gerais com candidaturas livres e com poder constituinte revisional (previsto na CF/88 a partir de seus princípios pétreos). É momento pré revolucionário para que a nação, que descrê, desconfia de todos os partidos e seus líderes políticos, ilegitima o governo e o Estado, decida entre todos cidadão em condições de igualdade com o democrático exercício da expressão de vontade e voto, votar e ser eleito, propondo-se a governar ou escolher quem haverá de governar. Evidente que para que haja eleições gerais necessário que se construa um projeto normativo, de reengenharia técnica política e de participação dos cidadãos na base democrática, tarefa à intelligentsia brasileira e que exige à arquitetura normativa o plebscito -> eleições gerais -> referendo. A norma eleitoral democrática é ampla em disciplinamento, desde o Judiciário (Eleitoral) com sua urna eletrônica até a isonomia do eventual universo de candidatos. Tarefa nada fácil; tarefa da intelligentsia nacional democrática (espelhada no conceito de que Democracia é o governo do povo, pelo povo para o povo e com o povo em geral. Todos. Na Democracia todas as ideias são conhecidas, debatidas e excluídas da plataforma democrática, ou seja, diminuindo algumas ou até anulando outras por predominância do consenso (harbemasiano) Ademais, a se ver uma sociedade dividida em minorias (Junho 2013 e os mais de 1/3 de votos de protesto; igual se dando em todos os demais países, v.g., na França, recentemente). Enfim, (…) A proposta inconsciente e inconsequente ou a falta de especificidade do grito de eleições diretas (já), simplesmente, e sem anulação das regras postas, pode servir aos propósitos de legitimação do status quo, o que cedo ou tarde conduzirá a nação à 2a. via, o conflito violento de classes ou ao completo subjulgo da sociedade. Portanto, ao pensar e agir como conquista ou costrução primeiro da base democrática.

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