SP, RJ, RS, PR e SC têm 60% das feiras orgânicas do país

 

Mapa de Feiras Orgânicas do Idec mostra necessidade de políticas públicas para se atingir lugares mais pobres; movimento atual do governo é no sentido oposto

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Entre 490 feiras identificadas pelo Mapa de Feiras Orgânicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (idec), 60% delas (292) ficam em apenas cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. No restante do país há Unidades da Federação com apenas uma feira conhecida, como Amapá, Amazônia e Rondônia.

A pesquisadora Ana Paula Bortoletto, do Idec, diz que para se fazer uma melhor distribuição geográfica são necessárias políticas públicas. E é aí que mora um dos problemas. O governo interino de Michel Temer tem feito sinalizações no sentido contrário. Com a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário e medidas que estimulam ainda mais o setor do agronegócio, e não a agricultura familiar.

Não que a situação no governo Dilma Rousseff fosse boa. O próprio mapa desenvolvido pelo Idec foi feito em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social. Havia um projeto de estimular o consumo de orgânicos durante as Olimpíadas, de oferecer uma visibilidade nacional ao tema. Mas ele foi cancelado, por corte de verbas, sem maiores explicações. E nem era governo Temer.

Outro problema central é o estímulo ao consumo de agrotóxicos, feito até mesmo no momento em que o agricultor vai obter um crédito bancário. “Muitas vezes ele tem de apresentar a nota fiscal do agrotóxico”, conta ela. “Os bancos usam isso como garantia de que a produção vai ser entregue”. No caso dos estados do Sul, por exemplo, há mais cooperativas, que facilitam a articulação dos pequenos produtores.

O Mapa de Feiras Orgânicas traz também a lista de associações, cooperativas, grupos de consumo e produtores interessados numa relação mais direta entre consumidores e produtores, sem a intermediação dos pontos de venda. Uma das motivações do projeto foi a disparidade entre o preço nas feiras orgânicas e nos supermercados: em alguns casos mais de 400% de diferença.

As informações de Ana Paula foram dadas durante entrevista ao De Olho nos Ruralistas, um observatório jornalístico sobre agronegócio no Brasil. Foi o segundo programa-piloto feito durante a campanha de financiamento coletivo do projeto, que se encerra no dia 10 de agosto. Você pode conhecê-lo melhor (e fazer as doações) aqui: http://bit.ly/1sCYNBQ

A pesquisadora procura manter o otimismo, por causa do aumento da demanda entre os consumidores e da visibilidade do tema – chefs conhecidos de cozinha, apresentadores de televisão e até uma novela da Globo andam falando em comida orgânica. “Apesar de não ter o estímulo que o setor do agronegócio tem, o consumo de orgânicos vem disparando”, diz ela.

O Mapa de Feiras Orgânicas pode ser visto neste link: http://bit.ly/1AXTTC6. Com mais de 600 pontos de venda direta para consumidores. O internauta verá em segundos (há também aplicativo para celular) a feira mais próxima de sua casa.

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