Crise de Água em SP: por que mídia é cúmplice

mapacantareira

Para blindar governo Alckmin em ano eleitoral, jornais escondem da população gravidade do problema. Amplia-se risco de desabastecimento grave 

Por Fernando Brito, no Tijolaço

O Sistema Cantareira, esta semana, cairá abaixo dos 15% de reserva d’água. O que, se já é pouco, ainda não é o retrato do drama do abastecimento de água em São Paulo.

Porque o coração do sistema, com 82% de sua capacidade, está se apagando.

O reservatório Jaguari-Jacareí só tem, hoje, 9,2% de seu volume de água.

Amanhã, terá 9%.

E quando chegar aos 5% não poderá mandar mais água para ser transferida a São Paulo.

E sem ele, o sistema passa a viver das outras três represas, pequenas, e incapazes de sustentar o consumo da metrópole senão por  algumas semanas, até a falência total do sistema.

Ontem, o Jaguari-Jacareí deu 19 mil dos 28 mil litros que São Paulo consome a cada segundo.

Mas recebeu dos seus afluentes  apenas 3 mil litros por segundo.

O governador do Estado fiz que tudo está sob controle e nega o racionamento que, de fato, vai impondo aos municípios que dependem desta água, reduzindo os despachos, como fez com Guarulhos, ou simplesmente deixando faltar água em diversas localidades.

Como a imprensa, salvo os espasmos de notícias durante dois dias, não fala da gravidade da situação, é natural que o paulistano, há vários dias debaixo de chuva, não compreenda o drama que está para viver.

Os temporais que caem sobre São Paulo, quase todo dia, amenizam a percepção do problema da água.

Porque a chuva forte que abasteceria o Cantareira faz tempo que não cai, porque ela teria de ser localizada bem ao Norte da cidade e em Minas Gerais, na região de Extrema.

Para o sistema baixar menos, à espera de uma chuva salvadora, seria preciso, no mínimo, dobrar o corte na captação em relação ao corte de 3 m³ por segundo já praticado pela Sabesp. Ainda assim, isso seria suficiente para reduzir apenas à metade o declínio dos reservatórios.

O que estamos dizendo aqui, há vários dias, não é alarmismo ou exploração política a seca.

É aquilo que, diante de qualquer problema sério, jornalistas e governantes têm a obrigação de expor claramente à população.

E não há sequer uma reportagem sobre a falada instalação de bombas para sugar o volume morto (abaixo das tomadas de água) que “esticaria” o fornecimento de água, mesmo que de pior qualidade e riscos de sobrevivência do sistema na época mais seca.

Quem informa com lealdade o que está acontecendo, aí sim, passa a ser cúmplice do sofrimento que, inevitavelmente, será imposto à população.

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Redação

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